Cartas de Amor (1945)

 

 

Título original – Love Letters

 

Jennifer Jones é uma das minhas grandes Deusas, Divas e Paixões do Cinema.

Era eu ainda criança e vi-a pelas primeiras vezes em “Cluny Brown” e “Madame Bovary”.

Jennie tem uma beleza algo intemporal e permanentemente cativante (e muitos filmes assentam no mistério desta sua aura), o seu sorriso é feliz e infantil, interpretava sempre mulheres delicadamente ardentes e apaixonadas, em busca do amor supremo.

Essa imagem (visual e emocional) logo me fascinou e tal poder será eterno dentro de mim.

As arrumações na prateleira permitiram-me recordar que tenho lá um conjunto de meia-dúzia de títulos com Jennie.

Excelente motivo para rever uma eterna old flame.

 

Começo com um título que não conhecia, mas que já está na minha galeria de favoritos.

Ao lado de Jennie, o seu mais perfeito companheiro (a nível de representação e sentimental – mas tudo on-screen, pois ambos foram sempre muito certinhos na sua vida sentimental) – Joseph Cotten.

Este é o segundo de quatro filmes (inesquecíveis) que fizeram juntos.

 

Alan e Roger são dois camaradas de armas, na frente de guerra. Alan ajuda Roger na escrita de cartas de amor a Victoria, a amada de Roger.

Terminado o conflito, Alan regressa a casa. Mas Alan é um homem alterado pela violência que assistiu. O retomar da relação com a noiva não segue o melhor dos rumos e Alan recebe a notícia da morte de Roger, entretanto casado com Victoria.

Decidido a apoiar e descobrir a mulher que deliciou com as suas cartas, Alan parte para a povoação à sua procura. Mas descobre que Victoria desapareceu misteriosamente e que a morte de Roger está envolta num estranho assassínio.

Até que Alan conhece a fascinante, misteriosa e belíssima Singleton.

O mistério à volta de Singleton pode ser resolvido com as love letters de Alan.

Este é um daqueles filmes que rapidamente entra em nós, como uma alma que nos possui, um sentimento que nos arrebata, um mistério que nos deixa obcecado ou uma peça de arte que nos deixa deslumbrados.

E porquê?

Por muitas coisas.

E por Jennie.

Obviously.

Mas a ela vou no fim.

Há tantas e maravilhosas coisas a destacar e a justificar.

A fotografia, de um rigoroso, detalhado e cristalino contraste, com uma perfeita luminosidade, que muito ajuda na atmosfera onírica, lírica, fantasmagórica e misteriosa que marca a narrativa.

A paisagem campestre inglesa está perfeitamente adequada ao sentimentalismo do argumento.

A música, fantástica, que combina o mistério e o romântico.

O argumento, que anda entre o drama romântico e um mistério clássico de whodunit e de identidade.

Os diálogos, carregados de simbolismo, sentimento, profundidade e esclarecedores de personalidade, movendo emoções e relações entre os personagens.

A realização de William Dieterle gere tudo isto muito bem, criando um filme que só se lamenta por ser “curto” (pouco mais de 90 minutos), mas que tanto fascina, tanto nos conta, por tanto nos leva.

Finalmente, os actores. Eis um daqueles pares de eleição, que explicam toda a Magia do Cinema, e que esta passa, frequentemente, por pessoas e sentimentos.

Joseph Cotten confirma porque é o King do romantic anti-hero, firme e frágil, íntegro e fogoso na sua solidão sentimental.

 And then there`s Jennie.

Ahhh, Jennie

Jennifer Jones. Sempre perfeita, arrebatadora, fascinante, frágil, apaixonada, misteriosa, jovial, infantil, feliz, delicada. É impossível não estarmos “solidários” com Joseph, apaixonamo-nos imediatamente por ela e querermos cuidá-la forever and ever.

A química entre ambos é absolutamente arrebatadora, mágica, ternurenta. Se soubéssemos que Jennie & Joe tiveram um affair, ninguém se admiraria. E quem os poderia criticar/condenar?

O restante elenco é igualmente competente.

Obra-prima absoluta.

“Love Letters” é uma carta de amor ao Amor, ao sentimento em Cinema, ao Cinema como arte de mostrar sentimento, às cartas de amor, ao poder da palavra como despertar de vida e sentimento.

Mas é, acima de tudo, uma verdadeira Love Letter a Jennifer Jones.

(e não o serão, todos os filmes com Jennie?)

 

“Love Letters” está no mercado português e a preço “amoroso”.

Realizador: William Dieterle

Argumentista: Ayn Rand, segundo um livro de Christopher Massie (“Pity My Simplicity”)

Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Ann Richards, Cecil Kellaway, Gladys Cooper, Anita Louise, Robert Sully

 

A “alma” do filme

 

Um tributo ao filme

 

O belíssimo tema de Victor Young

 

Jennifer Jones esteve nomeada para “Melhor Actriz”, nos Oscars 1946. Perdeu para Joan Crawford em “Mildred Pierce”.

O filme também teve outras nomeações:

  • “Melhor Cenografia – P&B”, mas foi derrotado por “Blood on the Sun”.
  • “Melhor Canção”, mas foi vencido por “State Fair”.
  • “Melhor Música”, mas “Spellbound” foi mais forte.

O romance de Christopher Massie segue uma variação de “Cyrano de Bergerac” – uma mulher que se apaixona por um homem, devido às cartas de amor que ele escreve, mas como sendo de um amigo dele.

A adaptação cinematográfica inclui um mistério ligado à protagonista e permite um happy ending.

A personagem de Singleton estava pensada para Ann Richards. Mas quando Jennifer Jones ficou disponível, Richards passou para a personagem de Dilly.

Quando se vê Alan a escrever, a mão que escreve e a letra da carta são de David O. Selznick, marido de Jennie.

Selznick não esteve envolvido na produção, mas Jennie & Joe estavam sob a sua alçada, via contrato.

Era a terceira de quatro vezes consecutivas que Jennifer Jones era nomeada para o Oscar (uma raridade em tal, o que só mostra a actriz de excelência que Jennie é) – “Duel in the Sun” (1946), “Love Letters” (1945), “Since You Went Away” (1944; é o único caso em que a nomeação foi para “Melhor Actriz Secundária”), “The Song of Bernadette” (1943; pela qual ganhou o Oscar para “Melhor Actriz”, logo na primeira tentativa).

Em “Duel in the Sun”, “Love Letters” e “Since You Went Away”, Jennie contracena com Joe. “Portrait of Jennie” é o último dos quatro filmes que fizeram juntos.

O “Lux Radio Theater” fez uma versão radiofónica, de 60 minutos, em Abril de 1946. Joseph Cotten retomou o seu personagem.

O “Screen Director’s Playhouse” fez uma versão radiofónica, de 30 minutos, em Outubro de 1949. Joseph Cotten retomou o seu personagem.

Victor Young criou dois álbuns com o seu score para o filme – um saiu en 1945 (com a canção pela voz de Dick Haymes) e o outro em 1954. No segundo álbum, a canção escrita por Edward Heyman recebeu uma nova versão pela voz de Peggy Lee. A canção receberia uma nova versão em 1962, pela voz de Ketty Lester. Ao longo do tempo, a canção seria reinterpretada por Alison Moyet, Rosemary Clooney, Nat King Cole, Elvis Presley, Jack Jones, Elton John, Del Shannon e Sinéad O’Connor. Em todos os casos, a canção foi um sucesso de vendas.

A canção por Dick Haynes

A melodia da canção seria usada por David Lynch em “Blue Velvet” (1986).

O filme triunfou nas bilheteiras, apesar da reacção negativa da crítica.

“Love Letters” é o segundo de quatro filmes que Jennifer Jones e Joseph Cotten fizeram juntos – “Since You Went Away” (1944), “Love Letters” (1945), “Duel in the Sun” (1946), “Portrait of Jennie” (1948).

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