Olhos na Noite (1948)

Olhos na Noite - Poster 9

Título Original – The Big Clock

 

Um asfixiante thriller conspirativo e de suspense, que nos mostra a quantidade de tensão que se pode gerar no nosso local de trabalho.

Excelente elenco dirigido por um competente e veterano artesão.

 

George Stroud é director de uma popular revista ligada à investigação do crime, pertença de um grande grupo empresarial.

Permanente escravo do trabalho (ou melhor, das birras do seu patrão), George parece estar prestes a conseguir umas (merecidas) férias.

Mas tudo sofre um revés – as férias são canceladas, pois há que preparar um big scoop.

Mas tudo ainda se complica mais – George trava conhecimento com a amante do seu patrão, sabe do seu assassinato e ainda se vê como principal suspeito.

Cercado e procurado no seu local de trabalho, George vai procurar provar a sua inocência.

Mas como? Todos o perseguem, incluindo… George.

The Big Clock - lobbycard 1

Um empolgante suspense thriller, que começa em tom calmo, divertido por vezes, para depois acelerar sem freio, logo a partir de uma reviravolta, deixando o espectador no mesmo estado do protagonista – em permanente tensão e medo, metido numa situação que parece não ter solução nem saída.

Pelo meio, uma visão (bem negra) sobre o desumanismo das grandes corporações e na forma como tratam pessoas como utensílios para limpeza do lixo que criam.

(acaba por ser um título profético de alguns paradigmas dos tempos actuais)

The Big Clock - screenshot 9

Ray Milland está excelente, como um pobre coitado metido numa grande alhada, que nem ele sabe como sair, sabendo mostrar medo e heroísmo.

Charles Laughton é verdadeiramente asqueroso. Ou seja, Laughton é (sempre) brilhante.

The Big Clock - screenshot 2

Óptima fotografia.

 

Notável uso do espaço. Começa-se com longos movimentos de câmara e distâncias focais abertas, para nos mostrar a dimensão vasta das salas, corredores, pisos, edifício. À medida que o cerco aperta, a distância focal é mais fechada, os movimentos de câmara mais curtos e a sensação (do mesmo espaço mostrado anteriormente) é de um espaço mais fechado, escuro e opressor.

 

Excelente realização de John Farrow, todo um mestre e versátil artesão da boa linhagem de Hollywood, capaz de qualquer género e sempre com competência e eficácia. Aqui tem um dos seus grandes momentos, onde até consegue virtuosos momentos de mise en scéne (o plano-sequência inicial).

Farrow é um realizador a merecer (re)descoberta e (re)avaliação.

The Big Clock - screenshot 4

Um clássico. Um dos melhores suspense thrillers de sempre. Um título algo (e injustamente) subvalorizado e desconhecido.

 

“The Big Clock” tem edição portuguesa e está a preço que “dá horas” para ir para a prateleira do cinéfilo.

The Big Clock - screenshot 8

Realizador: John Farrow

Argumentistas: Jonathan Latimer e Harold Goldman (sem crédito), a partir do livro de Kenneth Fearing

Elenco: Ray Milland, Maureen O’Sullivan, Charles Laughton, George Macready, Rita Johnson, Elsa Lanchester, Harry Morgan

The Big Clock - screenshot 7

Trailer – 

The Big Clock - screenshot 6

Nomeado para “Melhor Filme”, nos Prémios Edgar Allan Poe 1949. Venceu “Call Northside 777” (de Henry Hathaway, com James Stewart, Richard Conte e Lee J. Cobb)

Nomeado para o “Grande Prémio Internacional”, em Veneza 1948. Venceu “Hamlet” (de e com Laurence Olivier).

The Big Clock - screenshot 5

Encontro de dois casais – Elsa Lanchester & Charles Laughton, Maureen O’Sullivan & John Farrow (pais de Mia Farrow).

A Paramount Pictures insistiu com Farrow para O’Sullivan fizesse um screen test. A actriz já não interpretava desde 1942 (tinha-se retirado do Cinema devido aos seus deveres como mãe).

O “Lux Radio Theater” emitiu uma versão radiofónica de 60 minutos, a 20 de Novembro de 1948. Ray Milland e Maureen O’Sullivan retomaram os seus personagens.

O “Screen Director’s Playhouse” emitiu uma versão radiofónica de 30 minutos, a 8 de Julho de 1949. Ray Milland e Maureen O’Sullivan retomaram os seus personagens.

John Farrow tinha o hábito de intimidar as pessoas com quem trabalhava. No primeiro dia no set, o produtor Richard Maibaum foi recebido por Farrow com uma vara. Maibaum saiu e foi à sala dos props e regressou com um taco de baseball. O resultado foi a criação de uma óptima relação entre os dois.

No Way Out - 1987 - Poster 1

“The Big Clock” foi alvo de um remake. É “No Way Out”, de 1987, realizado por Roger Donaldson, com Kevin Costner, Gene Hackman, Sean Young, Will Patton e George Dzundza. Esta nova versão é menos fiel ao livro que inspira o filme original, passando nos meandros da política, da Marinha e dos Serviços Secretos, reservando-nos um imaginativo twist no final. É um bom título do género, cativante e com boas doses de tensão e surpresas, conseguindo ser um bom remake. Merece a visão.

One comment on “Olhos na Noite (1948)

  1. […] George Macready, Elsa Lanchester e Harry Morgan. Um trepidante suspense thriller já aqui […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s