Superman – Os Filmes

Superman - Logo

Superman celebra 75 jovens anos.

Dentro de dias chegas às salas o muito aguardado “Man of Steel”, que marca o regresso de um dos mais relevantes super-herois da bd, do cinema e da televisão, incontornável ícone da pop culture do Século XX.

Criado em 1938, por Jerry Siegel e Joe Shuster, Superman apareceu pela primeira vez no “Action Comics” # 1, em Junho desse ano, título que hoje vale vários milhões de Dólares (invistam na boa BD, senhores).

O último sobrevivente do planeta Krypton teve direito a serials nos 40`s (protagonizados por Kirk Allyn), a uma mítica série televisiva nos 50`s (protagonizada por George Reeves – já se encontra em DVD), a diversas séries nos 80`s e 90`s (“Lois & Clark: The New Adventures of Superman” e “Smallville” ficaram na memória e no coração dos fãs), séries e filmes de animação. Mas talvez tenha sido no Cinema, nomeadamente no título de 1978, que o herói ganhou mais força.

Vamos dar um “voozinho” rápido pelos cinco títulos cinematográficos que o Cinema dedicou ao herói.

Superman (1978)

Superman - Poster 7

Em 1978, Superman celebrava 40 anos de vida. Estavam também reunidas as condições (financeiras e técnicas) para o Cinema lhe dar a merecida adaptação.

Algures numa outra galáxia, num planeta chamado Krypton. Jor-El, importante líder do conselho e daquela civilização, apresenta provas contra três criminosos. Considerados culpados, os três são condenados a uma prisão eterna no espaço. Jor-El apresenta provas que o planeta está em risco, mas é condenado por alarmismo. Disposto a salvar o filho Kal-El, Jor-El envia-o para o nosso planeta.

Kal-El é encontrado por um casal de meia-idade, os Kent, que não têm filhos. Criado como humano e com o nome de Clark Kent, Clark descobre que é diferente e tem muitos super-poderes. O destino leva-o ao Pólo Norte, onde cria o seu lar (à semelhança do seu planeta de origem), bem como a Metropolis, gigante cidade onde vai trabalhar como jornalista no importante “Daily Planet”. Lá conhece o inocente fotógrafo Jimmy Olsen, o dinâmico editor Perry White e a intrépida jornalista Lois Lane. Uma série de eventos levam Clark a ter de intervir como o super-homem que é. Com uma fatiota azul e vermelha, uma capa vermelha e uma enorme S no peito, Kal-El/Clark vai-se revelar ao mundo como um símbolo e um lutador da verdade, justiça e liberdade. Até que se confronta com o astuto Lex Luthor, verdadeiro génio do crime e da maldade, que tem total desprezo pelos valores que Superman defende.

 

Em 1978 éramos informados que acreditaríamos que o homem podia voar. “Superman” chegava às salas e a crença era total. Com a ajuda da realização dinâmica, clássica, plena de magia e espectáculo dada por Richard Donner, os excelentes efeitos especiais (que ainda hoje funcionam bem), da monumental música de John Williams (quem é que consegue esquecer o impacto daquele score quando as luzes se apagavam e começava o genérico? as letras em relevo e o momento musical em que o S aparece são verdadeira movie magic), a impecável montagem, um admirável argumento que combinava diversos géneros (acção, fantasia, drama, comédia, romance) com um magistral equilíbrio e da excelência do cast (um inultrapassável Christopher Reeve como Clark Kent/Superman, um truculento Gene Hackman como Lex Luthor, um sólido Marlon Brando como pai do super-herói, uma frágil Margot Kidder como Lois Lane, todos muito bem acompanhados por ilustres como Glenn Ford, Maria Schell, Ned Beatty, Jackie Cooper), voamos com o herói, o cinema ganhou um clássico, o cinema-bd ganhou um modelo insuperável e de referência eterna e toda aquela geração ganhou um título de grata memória.

Foi um enorme sucesso de bilheteira. Superman tinha, finalmente, o filme que merecia.

“Superman” é um hino ao Cinema e à sua capacidade de nos fazer escapar, fantasiar e voar.

Fez-nos acreditar que o homem podia voar.

Muitos méritos estão no argumento, nos efeitos visuais e sonoros, na música, na realização de Donner, mas a magia máxima está mesmo em Christopher Reeve. Mais do que incarnar na perfeição Clark Kent e Superman, foi com o saber dar-lhe humor, humanidade, credibilidade como um guy next door, o uso do corpo como um instrumento de voo que fez com que acreditássemos que Superman “existe” e que o homem podia voar.

Obra-prima e clássico absoluto do Cinema.

Em 2000 sofreu um (belo) restauro e Donner adicionou mais uns minutos de metragem (incluindo uma sentimental conversa entre Superman e o pai, sobre a forma como o herói se sentiu ao mostrar e usufruir os seus super-poderes; Donner faz um cameo como um cidadão céptico a Superman).

Trailer

A intro e o genérico inicial

(segurem-se pois a música faz-nos mesmo levantar voo)

Superman II (1980)

Superman II - Poster 2

Titulo de complicada produção e paternidade.

“Superman” e “Superman II” foram filmados em simultâneo. Mas a pressão à volta da data de estreia para o primeiro filme e o esgotar do orçamento levaram a que fosse dada atenção exclusiva ao primeiro filme (a dar-se o sucesso na bilheteiras, haveria certeza de dinheiro para concluir a sequela).

O argumento que Mario Puzo desenvolveu era de tal modo longo e complexo, que logo se delineou a produção de dois filmes.

Na verdade, “Superman” e “Superman II” são duas partes complementares da mesma história.

Os três criminosos (General Zod, Ursa e Non) que Jor-El enviou para o espaço são libertados (a “culpa” é de Superman) e partem para a Terra, para a governar. Aqui descobrem estar na posse de incríveis poderes (os mesmos que Superman). O problema é que Lois já somou 2+2 e descobriu que Clark é Superman. Este abdica dos seus poderes para viver o seu amor com Lois. Como um vulgar humano, Clark vai descobrir as suas fraquezas e limitações, bem como uma nação à mercê de três vilões. Mas como recuperar os poderes?

Donner filmou muita coisa do segundo filme, já depois de concluídas as filmagens do primeiro. Mas os produtores exigiram a Donner tempo e dedicação ao post production do primeiro filme. Descontentes (ou irritados?) pelo facto de Donner se ter metido no argumento do primeiro filme (ele detestou as ideias – demasiado campy – de David & LeslIe Newman e pediu alterações – excelentes, diga-se – a Tom Mankiewicz) e resolveram despedi-lo.

O filme estava praticamente todo filmado, faltando ainda algumas sequências e muito do processo de montagem, efeitos visuais e de som. Para substituir Donner, os Salkind chamaram um nome já conhecido de ambos – Richard Lester, que lhes realizou “The Three Musketeers” e “The Four Musketeers” (dois fabulosos divertimentos no campo do swashbucker, que merecem estar entre os grandes entretenimentos dos 70s e como das adaptações mais relevantes, conseguidas e respeitosas da obra literária de Alexandre Dumas) e que já tinha vários trabalhos com The Beatles.

O cut de Lester é o que foi visto nas salas. Apesar de Lester ter filmado algumas cenas e a montagem final investir no humor, o resultado é bastante agradável e ainda em sintonia com o tom do filme de Donner (dado que grande parte da metragem foi filmada por ele). O argumento desenvolve uma forte carga dramática e romântica (Superman a abdicar dos seus super-poderes para viver o seu amor com Lois Lane, os USA à mercê dos três vilões que o pai de Superman enviou para o eterno exílio galáctico) e nunca abandona o humor (aqui e ali num tom algo campy que o filme de Donner não tinha, dado que era fiel a um humor mais clássico).

O cut de Donner surge no seguimento de uma petição na Internet, feita por muitos fãs. Fica concluída em 2006 e reúne todo o material filmado por Donner.

O argumento é o mesmo. Mudam-se certas sequências que contam o mesmo que se tinha contado no Lester cut, o tom segue o do primeiro filme, mas o Donner cut consegue ser mais certinho na fluidez e equilíbrio do drama, romantismo, comédia, acção e espectáculo.

Como houve algumas sequências que Donner ainda não tinha filmado, este tem de recorrer a material filmado por Lester, mas tais sequências sofrem uma reedição mais favorável aos objectivos de Donner. Curiosamente, até se usam momentos filmados por Lester que estavam inéditos e não se tinham visto na versão de 1980.

Ver os dois cuts em conjunto é um estimulante exercício cinéfilo, onde se descobrem duas formas diferentes de contar a mesma história.

O cut de Lester resultou muito bem (até porque muita coisa já estava feita por Donner), mas o cut de Donner é mais equilibrado. Dado que Donner nunca pode concluir a 100% o seu filme (quer em filmagens, quer em pós-produção), o filme resultante ainda tem aqui e ali um certo sabor a “artesanal” (o momento em que Lois descobre que Clark é Superman é um screen test entre Reeve e Kidder; o final usa footage do final do primeiro filme).

Devido às exigências salariais e de comissões, Marlon Brando ficou de fora de “Superman II”. Em sua substituição apareceu Susannah York (que fazia de mãe do herói em “Superman”). Donner tinha filmado Brando para um par de sequências de “Superman II” (o belíssimo momento em que Jor-El abdica da energia “espectral” que lhe resta e entrega-a a Kal-El para que este retome os seus super-poderes). O Donner cut retoma tais cenas.

Os finais das duas versões são diferentes – o de Lester é mais sentimental e emocional (e mais conseguido), o de Donner é mais “fácil” e resolutivo (fica-nos a sensação que Donner não filmou o final que queria e teve de improvisar).

Talvez um dia se consiga fazer um cut definitivo, apanhando o melhor de cada um dos cuts, adequado trabalho de montagem, efeitos sonoros e visuais e assim termos a visão total do que “Superman II” seria/é/deve ser.

Pelo manter do admirável equilíbrio narrativo em diversos géneros (à semelhança do primeiro filme) e pelo aumento da carga dramática e sentimental, aliado a maiores doses de acção e espectáculo, “Superman II” (qualquer um dos cuts) foi sempre considerado, por alguns, como o melhor da saga. Para outros é a segunda parte do mesmo filme.

Sabe-se que Donner, Reeve e Mankiewicz conversaram muito sobre ideias para futuras sequelas (pelo menos até a um episódio 4). Infelizmente nunca veremos os resultados delas.

Existem fan cuts de “Superman II” que retiram momentos de cada uma das versões e é-lhes acrescentado novos efeitos de som e imagem.

Já li grandes elogios a tais trabalhos.

Ei-los – http://fanedit.org/ifdb/component/jreviews/tag/originalmovietitle/superman-ii?criteria=2

Trailer

Sobre o Donner cut

Part 1

Part 2

Sobre os dois cuts

Comparação entre os dois cuts

http://www.movie-censorship.com/report.php?ID=4165

Uma opinião comparativa –

http://www.edrants.com/superman-ii-donner-cut-vs-lester-cut/

Uma opinião sobre o cut de Donner –

http://blogs.amctv.com/movie-blog/2010/04/superman-ii-richard-donner-cut.php

Superman III (1983)

Superman III - Poster 3

Agora longe das confusões à volta da metragem feita por Donner e Lester, este pode ter total controlo criativo na terceira aventura do herói.

Como tal, “Superman III” é um puro filme de Lester.

Richard Pryor era um comediante muito popular na época e os produtores viram-no como um elemento perfeito para o tom que queriam dar a este terceiro filme.

Gus Gorman é um desempregado que se revela um perito em computadores. Não tarda a ser contratado por Ross Webster, um empresário sem escrúpulos, que pretende tais talentos para domínio mundial sobre várias áreas que lhe rentabilizem o seu império.

Clark Kent regressa a Smallville (a povoação onde cresceu) para uma reunião dos seus antigos colegas de escola e retoma contacto com a sua antiga chama Lana Lang.

Superman é alvo de uma variante de kryptonite feita por Gorman. O resultado é a revelação do dark side do herói, com este a revelar todos os vícios e defeitos do ser humano normal.

Como é que Superman voltará a ser Super?

Até há potencial no argumento (o regresso de Clark à sua terra de infância e adolescência, a sua relação com Lana e o filho, o lado negro do herói e o duelo na sua consciência, Clark com a possibilidade de iniciar uma vida a dois com Lana), mas tudo é arruinado por um tom completamente (e, por vezes, irritantemente) campy.

Investiu-se muito na paródia e num humor mais desbragado (Richard Pryor e Robert Vaughn não levavam mesmo a sério o material – apesar da convicção de Vaughn – e Pryor cai, por várias vezes, num excesso desmedido que provoca cansaço), prejudicando toda a seriedade e progressão dramática que o argumento permitia na continuidade dos episódios anteriores.

Sobra um ou outro momento divertido (a sequência do genérico inicial a lembrar algum do burlesco clássico, Superman a embebedar-se com Johnny Walker e a brincar com amendoins), mas são os momentos mais sentimentais que evitam o desastre (os encontros e conversas entre Clark e Lana). Para a história da saga fica um dos momentos mais conseguidos – quando Superman se desmultiplica entre ele e Clark, com o duelo físico entre ambos.

“Superman III” não é uma mediocridade total, mas é um rápido, despretensioso e não memorável entretenimento campy, que nos dá vontade de rever os títulos de Donner (ou mesmo a versão Lester de “Superman II”) e nos faz desejar que Donner estivesse ao serviço da realização (que filme notável ele voltaria a fazer).

O argumento é da dupla David & Leslie Newman, que já tinham trabalhado nos argumentos de “Superman” e “Superman II”. Donner nunca gostou do seu trabalho (precisamente por serem muito campy) e pediu uma reescrita a Tom Mankiewicz. Ao ver-se “Superman III” compreende-se Donner.

Atenção à tonalidade cromática do fato quando Superman passa para o dark side – antecipa o fato de “Superman Returns”.

Destaque para Annette O`Toole, que dá grande inocência, romantismo e ternura à sua Lana Lang.

Margot Kidder limita-se a uma participação de poucos minutos – era o protesto da actriz face à saída de Donner.

O filme não aguentou a passagem do tempo.

Mesmo assim foi um sucesso.

Trailer

Supergirl (1984)

Supergirl - Poster 1 

A prima de Superman existe e também andou pela bd. Chama-se Kara. Era uma questão de tempo até aparecer no grande ecran.

Tal como aconteceu com o primo, não se poupou meios (orçamento de 35 milhões de Dólares) nem talentos (um óptimo cast com Faye Dunaway, Branda Vaccaro, Peter O`Toole, Mia Farrow, Peter Cook e a revelação Helen Slater).

A realização coube a Jeannot Szwarc, veterano da televisão e competente artesão (“Jaws 2”, “Enigma”).

A produção também pertenceu aos Salkind, que assim procuravam novos terrenos dentro do universo Superman.

Kara vive na Cidade de Argo e é uma menina sedenta de saber e aventuras. Um percalço faz com que ela perca uma importante pedra mágica, que vem parar ao nosso planeta. Kara segue-a e infiltra-se numa escola secundária, onde conhece Lucy Lane (irmã de Lois) e Jimmy Olsen. Enquanto Kara (com o nome de Linda Lee) descobre os encantos da vida adolescente (incluindo o primeiro amor), a dita pedra mágica vai parar às mãos de Selena, uma pérfida feiticeira que pretende dominar o mundo. Várias são as batalhas onde Kara é derrotada por Selena, mas a prima de Superman é feita de mesma fibra que o filho de Krytpon e prepara-se para a confrontação final.

Entre os géneros da sword & fantasy, a fantasia de uma super-heroína e a comédia adolescente, o filme não consegue decidir por qual tom enveredar e como conseguir o equilíbrio. O tom geral é goofy, mas nunca cai no excesso campy que vitimou “Superman III”.

Helen Slater é encantadora. Faye Dunaway mete o filme no bolso, divertindo-se à brava numa atitude it`s so good being bad. Peter O`Toole parece estar em estado ébrio a interpretar Shakespeare.

Bom trabalho de efeitos visuais (o filme convoca os serviços de Derek Meddings e Roy Field, que vinham de “Superman”). Jerry Goldsmith (que chegou a ser convocado para “Superman”, mas teve de recusar por incompatibilidade de agenda) compõe uma banda sonora a preceito. Marc McClure (Jimmy Olsen) faz a ponte com a saga do primo de Kara.

Sabe-se que se pretendia fazer uma cena onde Superman dava as boas-vindas a Kara, na sua chegada à Terra. Superman também deveria sucumbir aos encantos de Selena. Mas tudo teve de ser abandonado pela recusa de Reeve em participar. Ficou apenas a presença de Superman num poster de parede.

Um bom entretenimento. Bem inferior (como é óbvio) aos dois episódios assinados por Donner, mas bem superior aos episódios 3 e 4 de Superman.

Muitos foram os cuts – há de 150 minutos (cut original), 124 (cut internacional), 105 (cut USA), 138 min (Director’s Cut) e 89 min (cut para video).

Foi um flop total – crítica e público arrasaram-no. Ficaram assim destruídos o projecto dos Salkind para uma nova franchise.

Trailer

Superman IV – The Quest for Peace (1987)

Superman IV - Poster 1

Devido às reacções negativas feitas (com toda a justiça) ao terceiro episódio e ao flop de “Supergirl”, a Warner não se interessou muito por mais adaptações e até vendeu tais direitos à Cannon. Esta resolveu fazer um novo título (e até planeou um quinto) e tudo moveu para conseguir convencer Christopher Reeve (que estava triste pelas reacções ao episódio anterior e ponderava não mais interpretar o personagem). Reeve foi convencido com um bom ordenado, direito a participar na elaboração do argumento e até na realização (ficou com funções na Second Unit das cenas de voo), bem como a promessa de realizar o quinto filme (que seria a chegada de um novo Superman).

O jornal “The Daily Planet” vai passar para as mãos de um importante consórcio e corre o risco de se tornar um vulgar tablóide. Clark Kent consegue elucidar a filha do magnate sobre a essência jornalística daquele jornal e desperta-lhe um sentimento mais profundo. Lex Luthor consegue criar um ser com os mesmo poderes de Superman, a partir do DNA de um fio de cabelo do herói. Superman recebe o apelo a dar uma ajuda no desarmamento nuclear do planeta. Clark e Superman têm muito que fazer.

Devido a problemas financeiros que assolavam o estúdio, o orçamento passou de 37 milhões de Dólares para 17. Principais vítimas? Os efeitos visuais, verdadeiramente toscos (custa a acreditar que estamos num título que surge quase 10 anos depois do primeiro filme).

O argumento é um “prodígio” de simplório e banalidade. Havia potencial – o regresso aos ambientes do “The Daily Planet”, o regresso de Lex Luthor, Clark Kent a ser alvo do interesse sentimental de uma beldade rica que não tem qualquer interesse por Superman, o herói a enfrentar um vilão que tem os mesmos poderes, Superman a confrontar-se entre o intervir ou não no destino da Humanidade, Superman a ver a sua consciência a ser apelada por uma criança. Mas tudo é desperdiçado num argumento idiota e a montagem segue um tom atabalhoado, onde algumas passagens de cenas não fazem qualquer nexo.

Sobra a prestação de Reeve (se bem que aqui e ali mostra algum frete), a ironia de Gene Hackman (aqui e ali num registo entre o overacting e o cabotinismo) e a beleza de Mariel Hemingway.

Para a história da saga fica a divertida cena em que Clark e Superman são convidados para uma festa num apartamento, onde estão as duas meninas. Clark e Superman têm de estar sempre a arranjar desculpas para entrarem e saírem para que um ceda lugar ao outro.

Curiosamente, é visível alguma perda de química entre Reeve e Margot Kidder (esta queixou-se que Reeve estava algo alterado e com ego elevado, devido ao facto de ter funções de argumentista e de Second Unit Director).

Verdadeiramente esquecível.

Um justo flop.

Trailer

Superman Returns (2006)

Superman Returns - Poster 2

Marca o regresso deste emblemático personagem num filme de génese muito difícil. Quando estreou foi alvo de reacções nada consensuais que lhe retiraram os (muitos) méritos e que (por pouco) o impediram de ser um dos eventos cinematográficos do ano.

O filme anula os episódios III e IV (uff, que alívio) e retoma a saga a partir do episódio II (não fazendo assim um recomeço da saga, como eram as intenções do estúdio no início do projecto).

Superman ausentou-se da Terra por vários anos, em busca de restos do seu planeta de origem, Krypton. Quando regressa, encontra um mundo algo conformado com a sua ausência. Mas o destino reserva-lhe uma dor tremenda ao ver a sua eterna amada com a sua vida sentimental bem encaminhada com um filho e um marido. Quem não descansa é o pérfido Lex Luthor que descobre uma (aparentemente) infalível forma de destruir o herói.

Muito complicado andou este novo voo de Superman. Primeiro um projecto de Tim Burton (?) com argumento de Kevin Smith e protagonizado por Nicolas Cage (??) – o universo do homem da capa vermelha é demasiado “normal”, “bonito” e “colorido” para as visões bizarras de Burton. Depois andou pelas mãos de MCG (???), para logo a seguir saltar para as mãos de Brett Ratner (????) – com escolhas como estas, é bem compreensível a crise de ideias e de resultados no cinema actual. O destino intervém e Ratner passa para o terceiro episódio dos mutantes do Professor Xavier e Bryan Singer (autor das duas aventuras anteriores dos “X-Men” – em 2014 regressa a tal universo com “X-Men: Days of Future Past”, sequela de “X-Men: First Class”) passa a gerir o regresso do Superman. Singer aceita, mas impõe regras – argumento criado a partir do zero, continuar a saga a partir do episódio II, manter o score de John Williams, convocar um actor desconhecido para protagonista, dar ao novo filme um tom semelhante ao do filme de Donner. Aposta ganha. Singer mostra ser o melhor realizador para o personagem desde Donner e está para Superman como Sam Raimi para “Spider-Man” e Christopher Nolan para “Batman”. Domínio da narrativa, do ritmo, excelente direcção de actores, num filme que concilia o espectáculo moderno de efeitos visuais de alta tecnologia com a serenidade do cinema mais clássico (veja-se a forma tranquila e sentimental como Singer termina o filme ao longo dos últimos 15 minutos).

Muito dedo foi apontado à história e à duração do filme – considera-se história a menos para metragem a mais. Talvez. O que é visível é o amor e carinho de Singer pelos personagens, pelos actores, pelos ambientes. Dá-lhes tempo para falar, definirem-se entre si e com o espectador – ou seja, cinema à moda antiga, sem ritmos vertiginosos à videoclip nem vácua demonstração de F/X com um look de jogo-video. É um facto que o argumento do filme se conta em meia-dúzia de linhas, mas o que conta é o entusiasmo que Singer põe nas imagens e na forma como os actores se entregam aos seus personagens. E até há lugar para a surpresa, pois graças a um personagem secundário, os autores conseguem um tremendo twist que abala o universo do herói e teria muito potencial para futuras sequelas (Singer teve ideias para elas, mas os projectos nunca se concretizaram).

Outro dedo apontado é ao cast. Se até se pode ter algumas reservas face a Parker Posey (na figura da “amiguinha” de Lex Luhor, algo trenga e inexpressiva, mas analisando o personagem se calhar o trabalho da actriz não será assim tão mau e até é adequado à personagem), dúvidas com Kate Bosworth (na figura de Lois Lane; li algures que se deve dar algum tempo à actriz e à personagem para nos habituarmos, e depois de ver o filme concordo; não é logo no primeiro momento que concordamos com a escolha, mas quando Lois e Superman se encontram, Kate dá o seu melhor e Lois mostra todas as suas virtudes, forças e fraquezas e no final ambas ganham a nossa admiração; é preciso não esquecer que esta nova Lois já não é a screaming lady do passado, como foi mostrada por Margot Kidder; Lois já tem uma vida organizada e fez forças das suas fraquezas), vemos grande solidez nos restantes secundários (James Marsden como Richard, o marido de Lois; Frank Langella como Perry White, o editor do Daily Planet; Sam Huntington como Jimmy Olsen; a veterana Eve Marie-Saint como Martha Kent). Mas temos de tirar o chapéu aos protagonistas rivais. Kevin Spacey está excelente como Lex Luthor, num trabalho muito distante e oposto ao de Gene Hackman; este novo Luthor é mais amargo com a vida, mais odioso para com Superman e mais letal, por isso o humor é substituído por uma ironia algo agressiva e raivosa. Para dar corpo a Clark Kent/Superman está o newcomer Brandon Routh (tinha um pequeno curriculum em séries e soap operas) e é nele que Singer (e o filme) ganha o jackpot; Brandon consegue trazer toda a força e vigor do personagem, sem esquecer de lhe dar uma tremenda humanidade, não se inibindo de dar a Clark comportamentos que remetem para o mais típico humor da screwball americana; Brandon segue as pisadas de Christopher Reeve (entendamo-nos, Reeve é e será a mais perfeita incarnação do herói), há mesmo momentos em que dá a sensação que estamos a ver (e a ouvir) Reeve (o tom de voz, a postura, as expressões), mas conseguindo dar aqui e ali um cunho algo pessoal; um actor que revela potencial e merece oportunidades.

O filme custou cerca de 250 milhões de Dólares o que o colocou na “altura” como o mais caro de sempre (tal recorde seria superado no ano seguinte com “Spider-Man 3” e os seus 280 milhões), mas no ecran vêem-se todos os gastos (principalmente na primeira aparição do herói e no último acto, com uma meia-hora que é um prodígio de cinema-espectáculo).

Existem “piscadelas de olho” ao personagem (lembram-se da famosa frase “It´s a bird? It`s a plane? No… it`s…!”? pois bem, vejam como ela é brilhantemente usada) e ao clássico de 78 (logo ao abrir, genérico com as letras a vir do infinito e a criar a ilusão que se estão a deslocar/voar a alta velocidade deixando um “rasto”; o tema original de 78 composto por John Williams a acompanhar o genérico, com toda aquela pompa quando o S aparece no centro do ecran – pura movie magic que só quem esteve na estreia em 78 poderá apreciar na sua plenitude; a aparição de Marlon Brando como Jor-El, o pai do herói; Clark a correr em câmara lenta, a abrir a camisa e a visão do S no peito – em jeito de homenagem, já o primeiro “Spider-Man” tinha um momento semelhante; a primeira aparição do herói também é num salvamento aéreo e a Lois; e o final… exactamente, também é com o herói e sobrevoar o planeta e a sorrir para nós, sempre com o score de John Williams).

Nos créditos finais lê-se que o filme é “dedicado com amor e carinho a Christopher Reeve e à sua esposa Dana”. E é isso que “Superman Returns” é – um acto de amor. Amor ao personagem, ao filme de Donner, a Reeve e ao Cinema. Foi o regresso do ano e uma das grandes (e mais gratas) surpresas do ano (num Verão que foi muito morno em termos cinematográficos). O cinema-bd ganhou mais um clássico. Ele regressou e a magia do cinema continua a voar. Que nunca aterre.

Bem regressado, Superman.

O filme deve ser visto como uma sequela directa a “Superman II”, mas na versão Richard Lester. Isto porque ao ver-se a versão Richard Donner, há pormenores narrativos de “Superman Returns” que podem parecer contraditórios.

Teaser

Trailer 1

Trailer 2

Site – http://supermanreturns.warnerbros.com/

Man of Steel (2013)

 Man of Steel - Poster 4

Aqui está o tão prometido reboot de Superman.

A ideia veio de Christopher Nolan (que fez a brilhante trilogia dedicada a Batman), que fica nas funções de argumentista e produtor.

A realização está entregue a Zack Snyder, brilhante realizador, com forte sentido visual (“Sucker Punch”), de impacto (o excelente remake de “Dawn of the Dead”), jeito para cinema infantil (“Legend of the Guardians: The Owls of Ga’Hoole”) e apuro para adaptar bd (“300” e “Watchmen”).

Os trailers já andam por aí a até são promissores.

Não temos Lex Luthor, dado que o argumento vai centrar-se no General Zod e nos seus compinchas. Voltamos a ter a história da origem do herói (por lá aparece o planeta Krypton, o pai Jor-El, os Kent, a infância de Clark) e sabe-se que se quer dar um tom mais sério, adulto e real à história (de facto, os trailers prometem uma total falta de humor).

Henry Cavill tem uma enorme responsabilidade – mas será possível igualar Christopher Reeve?

Snyder tem talento, mas conseguirá criar a mesma magia que foi conseguida por Donner?

E ainda há que referir que Hans Zimmer criou um novo score. Irá atingir a sonoridade épica e memorável do tema de John Williams?

As expectativas são muitas e a fasquia está muito alta para este novo “Homem de Aço”.

O efeito 3-D parece resultar bem (e Snyder é um realizador com talento para saber usar bem tal formato).

Esperemos por 28 de Junho e por um novo mágico voo com Superman.

Site – http://manofsteel.warnerbros.com/index.html

Superman Returns - Poster 1

Em 2006, na consequência de “Superman Returns”, Bryan Singer (realizador do dito filme) produziu um (excelente) documentário sobre Superman. Narrado por Kevin Spacey (o Lex Luthor do filme de Singer), o documentário conta tudo o que há para saber sobre Superman – na bd, na rádio, na televisão, em animação e no cinema.

O documentário

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