Engraxadores de Sapatos (1946)

Sciuscià - Poster 1

 

Título original – Sciuscià

 

Dois anos antes do seu célebre “Ladri di Biciclette”, Vittorio De Sica fazia esta notável incursão pelo Neo-Realismo.

Os protagonistas? Crianças.

 

Giuseppe e Pasquale são dois miúdos de rua, que ganham a vida a engraxar sapatos. Fascinados por cavalos, sonham em comprar um.

Para além de dar brilho a sapatos, os dois rapazes também se metem em negócios clandestinos de vender mercadoria roubada a troco de uma comissão.

O amealhar de poupanças e ganhos permite-lhes comprar um cavalo. É uma enorme alegria para ambos.

Mas devido a uma investigação policial, Giuseppe e Pasquale são enviados para uma tituria. O fim da liberdade verga os rapazes. A hostilidade de outros rapazes obriga-os a serem firmes na sua sobrevivência.

Mas o desenrolar da investigação policial (a procura de mais detalhes e nomes que os petizes parecem saber) vai causar uma ruptura entre os dois amigos.

Sciuscià - screenshot 1

Sciuscià - screenshot 4

O Neo-Realismo nunca foi simpático, divertido ou feliz.

Este belíssimo filme de De Sica não é excepção.

 

Com um atento olhar humano e um detalhe ao quotidiano quase documental, De Sica traça várias realidades desencantadas – a pobreza de Itália no pós-guerra (a Segunda), a delinquência juvenil e a vida (amarga e violenta) dos estabelecimentos de correcção juvenil.

 

A presença de crianças pouco ou nada traz algo de inocente, infantil ou mágico.

Apesar de petizes, os protagonistas sofrem toda a amargura que a realidade social e económica de Itália, daquele tempo, sujeitava qualquer pessoa. Algum encanto nos seus sonhos (o cavalo) e na sua capacidade de desenrascanço.

 

Mas para além de um (triste) retrato social de uma nação (e de uma geração), De Sica retrata também uma história de amizade. Mas como esta se move em tempos de crise, nem algo tão belo como uma amizade (infantil) fica imune à pobreza (a diversos níveis).

Sciuscià - screenshot 5

Sciuscià - screenshot 6

Sciuscià - screenshot 7

Bom…

Quando muito ficam os cavalos, sempre aptos e capazes para grandes cavalgadas. Algo a que nem todos os humanos estão aptos.

Final de imenso poder trágico.

Sciuscià - screenshot 2

Absolutamente belíssimo.

Como ser belo na fealdade social e humana?

Só Vittorio De Sica sabe. E por isso, é ele O Maestro do Neo-Realismo.

“Siuscià” está disponível no mercado português e anda a preço bem “pobrezinho”.

 

Sciuscià - screenshot 8

Realizador: Vittorio De Sica

Argumentistas: Sergio Amidei, Adolfo Franci, Cesare Giulio Viola, Cesare Zavattini

Elenco: Rinaldo Smordoni, Franco Interlenghi, Annielo Mele

 

Trailer

 

Recordações de Riccardo Smordoni

 

A entrega do Oscar

 

O filme

 

 

Sciuscià - Poster 2

“Prémio Honorário” (seria depois transformado em “Melhor Filme Estrangeiro”), nos Oscars 1948. Também esteve nomeado para “Melhor Argumento”, mas perdeu para “The Bachelor and the Bobby-Soxer” (de Irving Reis, com Cary Grant, Myrna Loy e Shirley Temple).

“Melhor Realizador”, pelo Sindicato de Jornalistas de Cinema 1946.

“Top 10 do Ano”, pela National Board of Review USA 1947.

“2º Lugar – Melhor Filme Estrangeiro”, pelo Círculo de Críticos de Nova Iorque 1947. O 1º lugar foi para “Vivere in Pace” (de Luigi Zampa).

Sciuscià - screenshot 3

O título original é um termo popular napolitano para “engraxador de sapatos”.

Primeiro filme de Rinaldo Smordoni e Franco Interlenghi. Smordoni teria uma carreira mais curta (apenas 3 filmes), Interlenghi seria mais duradouro (mais de 100 filmes).

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