O Retrato de Jennie (1948)

Portrait of Jennie - Poster 1
Título original – Portrait of Jennie

 

Mais um “retrato” de Jennie.

E este é mesmo o seu “retrato” definitivo.

Um retrato do que Jennie significa e inspira.

E é mais uma “pintura” perfeita do “quadro” que Jennie & Joe sabem fazer.

Mais uma vez, o amor, o fascínio, o mistério e o sonho.

 

Ahhh, Jennie, Jennie…

(qual delas? aí está o poder do filme – as duas Jennies confundem-se)

Portrait of Jennie - screenshot 8

Eben Adams é um pintor nova-iorquino, em busca de inspiração e de quem lhe compre os seus quadros.

A dona de uma galeria decide apostar em Eben, pois acredita que com a devida inspiração surgirá nele um grande artista.

Um dia, Eben conhece a jovem e misteriosa Jennie Appleton.

Jennie torna-se uma vital inspiração para Eben. Muitos são os trabalhos feito, que Eben vende a bom preço.

Mas Jennie parece vir de outro tempo, de outro mundo.

E ainda por cima, ninguém a conhece, ninguém a viu.

Jennie existe, é uma criatura só vista por Eben ou vinda da imaginação dele?

Portrait of Jennie - Lobbycard 1

O que são o Tempo, o Espaço, o Amor, a Vida, a Morte, a Alma, o encontro de Almas, o Destino, a Inspiração, a Criatividade, a Arte, o Sublime, a essência de estar vivo?

“Portrait of Jennie” dá uma “resposta” a todas estas (complexas) questões.

Mas o filme não é uma tese daquelas que pode provocar o bocejo (permanente) do espectador.

Portrait of Jennie - screenshot 2

É um poema visual e sentimental, que nos fala de tudo isto, mas sob a forma de um melodrama romântico clássico, com laivos de mistério fantasmagórico (as aparições/desaparições de Jennie e o mistério do seu passado).

 

Admiravelmente filmado (todo o filme é uma lição de fotografia, conseguindo ser permanentemente um quadro animado a 24 imagens/segundo), iluminado (os rostos e o que eles comunicam) e sentido (o filme é, permanentemente, um estado de alma), “Portrait of Jennie” arrebata-nos e faz-nos sentir criativos, inspirados, vivos e apaixonados (quem não fica assim com a Jennie?), como se tivéssemos encontrado Jennie.

Portrait of Jennie - screenshot 1

Como é de esperar (este é o seu terceiro filme que fizeram), Jennifer Jones e Joseph Cotten transcendem a química, a paixão, o amor, conseguindo mesmo emanar que as suas almas estão noutro tempo e espaço.

Portrait of Jennie - screenshot 7

Joseph Cotten é sempre perfeito como o gentleman romântico, desiludido, perdido, só, em busca da centelha feminino-sentimental que faça o seu coração florescer arte e sentimento.

 

And then there`s Jennie.

(bom, duas Jennies)

Jennifer Jones é o retrato supremo e sublime, celestial mesmo, da mulher-musa, verdadeiro anjo inspirador (e protector), útero máximo do amor de um homem.

E, como sempre, lindíssima e lindissimamente filmada.

E, como sempre, com aquela voz envolvente e aquele sorriso mágico e infantil que logo nos cativa.

E, como sempre, com toda aquela avassaladora fogosidade e fragilidade emocional, que só nos faz desejar ampará-la para sempre, pintando na nossa alma o sentimento como o seu rosto num quadro.

Portrait of Jennie - screenshot 5

A (belíssima) música só nos faz sonhar e apaixonar (com e por Jennie).

Um daqueles títulos que nos esgotam os adjectivos (ou obriga à criação de novos).

Portrait of Jennie - screenshot 3

Da pintura à inspiração, do renascer ao amor, “Portrait of Jennie” é, afinal, sobre a Fé.

No Amor, em nós, em desígnios superiores, em algo e/ou alguém que nos permite transcender.

E numa Jennie que nos surja, de outro tempo e espaço, para nos inspirar a um melhor e superior Eu.

Portrait of Jennie - screenshot 4

Há filmes assim – que (nos) transcendem.

 

Obra-prima absoluta.

 

Obrigatório.

 

“Portrait of Jennie” está, Infelizmente, inédito no nosso mercado. Mas tem edição inglesa, americana, francesa e espanhola, estando (com excepção da americana) a preço verdadeiramente “inspirado”.

 

Portrait of Jennie - Lobbycard 2

 

Realizador: William Dieterle

Argumentistas: Leonardo Bercovici, Paul Osborn, Peter Berneis, David O. Selznick e Ben Hecht, segundo um livro de Robert Nathan

Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Ethel Barrymore, Lillian Gish, Cecil Kellaway, David Wayne, Henry Hull

 

Trailer

 

Momentos

 

Um making of

 

Um tributo ao filme

 

Portrait of Jennie - screenshot 6

“Melhores Efeitos Visuais”, nos Oscars 1949. Esteve nomeado para “Melhor Fotografia – P&B”, mas perdeu para “The Naked City” de Jules Dassin.

“Melhor Actor” (Joseph Cotten), em Veneza 1949. Esteve nomeado para o “Leão de Ouro”, mas foi derrotado por “Manon” de Henri-Georges Clouzot.

Portrait of Jennie - Lobbycard 3

David O. Selznick comprou os direitos do livro e sempre teve em mente Jennifer Jones como protagonista.

 

Selznick chegou a ter uma ideia inovadora para o filme. A rodagem seria estendida ao longo de muitos anos, acompanhando o crescimento (desde a infância) da actriz que interpretaria Jennie. Foi considerada a pequena Shirley Temple (sob contrato com Selznick). Mas Selznick abandonou a ideia pelos custos e pelas dificuldades logísticas.

 

Bernard Herrmann foi convocado para fazer a banda sonora. Chegou a compor alguns temas, mas saiu de cena. Não só pelos atrasos nas filmagens, mas também porque Herrmann se cansou das exigências de Selznick. Foi substituído pelo igualmente brilhante Dimitri Tiomkin, que, por exigência de Selznick, usou temas de Claude Debussy. O que ficou de Herrmann foi a canção de Jennie, “Where I Come From, Nobody Knows”.

Primeiro filme de David Wayne, Nancy Reagan (sim, a futura esposa do actor de Presidente dos USA, Ronald Reagan) e Nancy Olsen.

Último filme do Director of Photography, Joseph H. August. Faleceu em 1947. O filme ainda não estava pronto e August foi substituído por Lee Garmes, cujo nome não recebeu crédito.

Portrait of Jennie

O retrato de Jennie foi pintado por Robert Brackman. Na verdade foram feitos dois. O primeiro foi recusado por ser demasiado opulento e pediu-se um mais simples. O quadro ficou na posse de Selznick, assim que casou com Jennifer.

 

O filme chegou a ser exibido, nalgumas salas, no sistema Magnascope num ecran Cycloramic com Multi-Sound. Os ecrans Cycloramic tinham melhor imagem e sem distorção, fosse qual fosse o lugar do espectador na sala. Multi-Sound era um primeiro experimentalismo no campo do Surround. A cena final (a tempestade marítima próxima ao farol) era, em termos visuais e sonoros, de um enorme realismo.

O filme falhou nas bilheteiras. Em 1950 foi feito um re-release, com o título “Tidal Wave”, com uma estratégia de marketing diferente. Mas este relançamento também falhou.

 

O “Lux Radio Theater” emitiu uma versão de 60 minutos, em 31 de Outubro de 1949. Joseph Cotten retomou o seu personagem.

O “Screen Director’s Playhouse” emitiu uma versão de 30 minutos, em 10 de Março de 1950. Cotten regressou ao seu personagem.

Jennifer Jones - Portrait of Jennie

 

 

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