Ciclo Roberto Rossellini – Roma, Cidade Aberta (1945)

 

 

Roma Cidade AbertaTítulo Original – Roma, Città Aperta

 

Rossellini & Magnani.

Neo-Realismo.

A invasão nazi em Itália.

Portanto…

 

As tropas alemãs invadiram Itália.

Roma está sob controlo e os locais podem circular “à vontade” pela cidade. Mas há limitações de horários, restrições a bens alimentares e há conflitos entre invasores e a Resistência.

Pina é uma viúva prestes a casar com Francesco. Mas Francesco tem relações com a Resistência e um camarada dele procura abrigo em sua casa.

Neste jogo de luta, segredos e fugas, muitos personagens se irão cruzar e vários serão os destinos para cada um.

Roma Città Aperta - screenshot 4

Entre o drama humano, o “documentário” social e o thriller de guerra, Rossellini filma a intimidade da sobrevivência familiar e comunitária, bem como a da guerrilha resistente.

 

O título é de uma suprema ironia, pois Rossellini mostra que o que está aberto é o cerco, opressão e esmagamento de uma cidade, de um povo e de uma nação.

 

O filme reserva dois dos mais impressionantes momentos-choque da História do Cinema, dando-nos também um dos mais tristes e belos planos (finais) de todo o Cinema – esperança nas novas gerações ou a destruição da esperança em todas as gerações? a resposta está em cada um.

Roma Città Aperta - screenshot 1

Aldo Fabrizi e Anna Magnani estão em grande, criando personagens de grande força emocional e humana/humanista, tornando-se autênticos Papa & Mamma de toda a comunidade. O restante elenco é igualmente magnífico (atenção às crianças).

 

Obra-prima total.

 

“Roma, Città Aperta” (ainda) não tem edição portuguesa, mas é de esperar que tal surja nas lojas assim que o ciclo terminar.

Roma Città Aperta - screenshot 5

Realizador: Roberto Rossellini

Argumentistas: Sergio Amidei, Federico Fellini, Roberto Rossellini, Alberto Consiglio

Elenco: Aldo Fabrizi, Anna Magnani, Marcello Pagliero, Francesco Grandjacquet

Roma Città Aperta - screenshot 6

Trailer –

Roma Città Aperta - screenshot 7

Nomeado para “Melhor Argumento Original”, nos Oscars 1947. Perdeu para “The Best Years of Our Lives”.

“Grande Prémio”, em Cannes 1946.

“Melhor Filme”, “Melhor Actriz Secundária” (Anna Magnani), pelo Sindicado Italiano de Jornalistas de Cinema 1946.

“Melhor Filme Estrangeiro”, “Melhor Actriz” (Anna Magnani), pela National Board of Review 1946.

“Melhor Filme Estrangeiro”, pelos críticos de Nova Iorque 1946.

Roma Città Aperta - screenshot 2

Roberto Rossellini e Sergio Amidei inspiraram-se nas vidas de diversas pessoas – Pina vem de Teresa Gullace, uma mulher de Roma, morta na rua em Março de 1944; Manfredi vem de Cesare Negarville, um partisano escondido na casa de Amidei.

Clara Calamai, a protagonista de “Ossessione” (1943, de Luchino Visconti), era a primeira escolha de Rossellini.

Para um maior realismo, Roberto Rossellini usou prisioneiros de guerra como extras.

Feito numa época em que havia escasso dinheiro para o Cinema, Rossellini encontrou financiamento numa senhora rica, muito interessada na história de um padre que foi morto por tropas nazis, por ajudar a Resistência. Rossellini logo pensou em Aldo Fabrizi e iniciou o projecto com Fellini. A senhora queria um documentário, mas Rossellini conseguiu convencê-la a financiar um filme, que focaria as duas histórias que a senhora queria (a do dito padre e a da relevância das crianças de Roma na ajuda à Resistência). O dinheiro dado pela senhora não era suficiente e o filme foi rodado em condições muito difíceis e realistas.

Tentou-se filmar nos estúdios da Cinecittà, mas eles estavam com problemas de fornecimento de electricidade e película.

A variação de tom na fotografia deve-se à permanente mudança do tipo de película – Ferrania C6 para as cenas de exterior, Agfa Super Pan e Agfa Ultra Rapid para interiores.

Muitos dos actores não eram profissionais.

Apesar de ver o seu nome creditado, Eraldo Da Roma não editou o filme, pois estava preso. A montagem foi feita por Jolanda Benvenuti.

O filme fazia parte de um contrato entre Rossellini e a distribuidora Artisti Associati. Mas a empresa não honrou o acordo, justificando-se que o filme não era uma obra de ficção mas sim uma afirmação. Rosselini vendeu os direitos de distribuição à Minerva Films.

O filme teve uma má recepção pelo público. Compreensivelmente, na época o público queria entretenimento e escapismo aos dramas a que o país (ainda) estava sujeito (fim de guerra, mas muita miséria e pobreza). A recepção noutros países e passagem do tempo encarregaram-se de lhe dar a devida revalorização.

O filme chegou a estar banido em diversos países. Sem surpresa, a Alemanha era um deles.

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s