Riddick – A Saga

Riddick-Eyes

Esta semana chega às salas a nova e esperada aventura de Riddick.

Com apenas dois filmes (o que estreia é o terceiro), uma extensão ao cinema de animação e ao mundo dos vídeo-jogos, Riddick tornou-se um dos personagens mais interessantes da pop culture actual.

Riddick mantém o fascínio clássico que existe por personagens obscuros, marginais, violentos e à margem do sistema, mas sempre com uma forte ética, sentido de coolness e bem definida imagem.

Pitch Black - Poster 3

Pitch Black – Eclipse Mortal (2000)

Foi com este filme que fomos apresentados a Riddick e a Vin Diesel.

Uma nave transporta a sua tripulação, civis, um presidiário e o mercenário que o capturou. Uma avaria mecânica obriga a uma aterragem de emergência, da qual poucos sobrevivem. Os nove sobreviventes descobrem estar num planeta deserto, com três sois. Encontram os restos de uma colónia, onde há casas, abrigos, alguma alimentação e até um vaivém. Há condições para o reparar e conseguir retomar o rumo da viagem. Mas tudo se complica quando o grupo descobre que não está sozinho no planeta. Parece que há umas criaturas, sedentas de sangue, que se movem na escuridão. Para ajudar, o grupo descobre que um eclipse se avizinha. Quando cai a escuridão total, as criaturas soltam-se e procuram alimento. A sobrevivência vai mesmo ser do mais primitivo. Como se fosse pouco, o grupo tem de lidar com o misterioso e mortífero Riddick, um fora-da-lei, apenas preocupado com a sua sobrevivência, de grande destreza para tal e com uma capacidade notável – consegue ver no escuro. Riddick pode ser a ajuda que o grupo precisa. Mas há que superar as quezílias entre eles e esperar que Riddick e o seu captor não se matem um ao outro (ou eles matem todo o resto do grupo).

“´The Birds` in Space”. É uma boa forma de definir este “Pitch Black”.

É uma grande pérola de Série B, que combina excelentemente o terror, a sci-fi e o survival movie.

Notável trabalho de fotografia (do grande David Eggby – “Mad Max”) que traduz na perfeição o que é um planeta inundado pela luz solar (vejam-se as diferentes tonalidades que a imagem adquire) e afundado nas trevas, conseguindo belas imagens (o desenrolar do eclipse, a fuga do grupo e o cerco que os acompanha).

A atmosfera de isolamento e medo está muito bem criada e os 20 minutos finais são arrasadores em matéria de tensão.

As criaturas são criadas por Patrick Tatopoulos (“Independence Day”, “Godzilla”, “Underworld”).

O argumento permite algumas surpresas, pois mostra que nenhum personagem está a salvo, acrescido que poucos são recomendáveis (e até há um twist em relação a um).

David Twohy é um dos mais interessantes argumentistas e realizadores do meio e género (escreveu “Waterword” e “The Fugitive” e realizou pérolas como “Timescape” e “The Arrival”, um dos mais curiosos filmes sobre close encounters) e dá-nos aqui uma excelente lição sobre gestão de minimalismo técnico e narrativo.

Foi uma das grandes surpresas do ano.

Vin Diesel dava provas de ser uma futura estrela com o devido carisma para este tipo de filmes (“The Fast & The Furious” só surgiria no ano seguinte).

E Riddick tornava-se o mais fascinante fora-da-lei desde Snake Plissken. Comum a ambos, a perfeição na caracterização visual e a escolha dos actores que os personificam.

Teve um modesto orçamento de 23 milhões, as receitas (mundiais) chegaram aos 53.

A nave inicial chama-se “Hunter/Gratzner”. Este é o nome da empresa responsável pelos efeitos visuais ligados à dita nave.

O deserto onde decorreram as filmagens é o mesmo que se usou para “Mad Max – Beyond Thunderdome”.

Num primeiro tratamento do argumento, Riddick era uma mulher. Curiosamente, Riddick morria no final original. O estúdio decidiu mudar tal destino pois viu no personagem potencial para uma franchise.

Site – http://www.universalstudiosentertainment.com/pitch-black/

Trailer

Dark Fury - Poster 1

Dark Fury – Fúria Negra (2004)

Um título de animação, assinado pelo prestigiado Peter Chung (“Aeon Flux”), que procura fazer a ligação entre “Pitch Black” e “The Chronicles of Riddick”.

É uma pequena (dura pouco mais de 30 minutos) continuidade face a “Pitch Black”.

Riddick e os sobreviventes estão à deriva pelo espaço e o seu vaivém é capturado por uma nave de mercenários. O grupo é liderado por uma mulher estranha, que conhece Riddick e quer acrescentá-lo à sua bizarra colecção – criminosos famosos, “congelados” (mas ainda com actividade cerebral) e transformados em estátuas. Mas antes disso, ela quer brincar com Riddick nuns joguinhos de sobrevivência. Big mistake. É nesses joguinhos que Riddick é mestre. E se houver escuridão…

Boa animação, ao mais puro espírito Anime, com a habitual estilização do seu realizador e em boa filiação com o título que a origina (vejam-se as sequências de luta na escuridão).

O argumento é simples e dá mais um passo na definição da personalidade complexa e obscura de Riddick – ora é uma besta de violência e sobrevivência, ora demonstra ter um coração (a sua preocupação com os seus companheiros).

O final faz a ponte com o início do filme seguinte e deixa a devida ponta solta à volta de um personagem que persegue Riddick (que aparecerá no filme seguinte).

Vin Diesel dá a voz a Riddick.

Site – http://www.darkfurydvd.com/

Trailer – http://www.youtube.com/watch?v=0KhiAM7U9JM

The Chronicles of Riddick - Poster 1-1

The Chronicles of Riddick – As Crónicas de Riddick (2004)

Se as sequelas devem oferecer mais e maior, então eis um excelente exemplo.

Aqui tudo fica grandioso, maior e mais espectacular.

Mas David Twohy não repete a fórmula. Onde “Pitch Black” tinha terror, “The Chronicles of Riddick” substitui por uma componente acção/aventura à “Star Wars” e uns pozinhos de fantasia à “The Lord of the Rings”.

Riddick anda escondido, a viver como um eremita. Mas um dia é localizado por um grupo de mercenários. Ao descobrir que a sua cabeça foi posta a prémio por aqueles que salvou (nos dois episódios anteriores), Riddick decide ir tirar satisfações. Descobre que tal procura se deve ao facto de uma civilização (os Elementars) precisar da ajuda de Riddick para combater uma outra civilização (os Necromongers) que se dedicam a exterminar e dominar as civilizações que encontram. Riddick vai-se mostrar um adversário que não se ajoelha com facilidade. Mas antes, há que resgatar uma velha “chama”.

De facto, esta sequela expande em grandiosidade tudo o que no filme original era modesto e minimalista.

A narrativa ganha contornos mais densos, está pleno de sub-intrigas e até desenvolve mais sobre o passado/origem de Riddick. Riddick continua a confirmar-se uma besta assassina, mas não isenta de sentimentos (a sua relação com Kyra mostra o seu lado mais doce, mas a relação é plena de ambiguidade).

A nível visual, o filme é um esplendor total. O primeiro terço do filme é uma das experiencias visuais mais ricas que o cinema recente nos deu. O trabalho dos efeitos visuais é arrebatador. A cenografia é avassaladora. E tal como no filme original, a fotografia é prodigiosa.

Um excelente caso em que mais é melhor.

Apesar dos seus muitos méritos, o filme foi um (grande) flop. Alguns fãs não gostaram muito da complexidade narrativa, da grandiosidade visual (há mais  luz e cor que no filme original) e da atitude sentimental de Riddick.

Custo de 105 milhões, receitas (mundiais) de 115. Contudo, as receitas do mercado DVD ajudaram a tornar o filme num sucesso e, à semelhança do que aconteceu com o primeiro filme, gerou-se um culto à volta do título.

O fato de Judi Dench foi feito pela Swarovski.

Judi Dench foi convocada pelo próprio Vin Diesel, grande fã da actriz. Diesel chegou mesmo a dizer a Dench que não haveria acções de casting enquanto ela não dissesse “Sim”. Diesel chegou ao ponto de decorar, todos os dias, o camarim de Dench com flores. Curiosamente, Dench escreveria na sua autobiografia que nunca conseguiu compreender o argumento do filme, mas gostou imenso da experiência.

Diesel usa um tipo de luta inspirada numa arte marcial chamada Kali. A cena de luta em Crematoria foi filmada no dia de aniversário do actor.

Todos os extras receberam treino militar para um maior realismo nas cenas de combate. Muitos dos extras são elementos do Cirque du Soleil.

Site – http://www.thechroniclesofriddick.com/

Trailer

Escape from Butcher Bay - Poster 1

Escape fom Butcher Bay (2004)

É um jogo, que assim continua a desenvolver o impacto de Riddick na pop culture. Entre a estratégia (há que ser Riddick e fugir da prisão) e shoot`em up, com muita porrada pelo meio, o jogo procura recriar e explicar a tal fuga de Riddick da prisão de alta segurança que é Butcher Bay, conforme se fala em momentos de “Pitch Black”.

Como é óbvio, Vin Diesel continua a dar voz a Riddick.

Site – http://riddick.wikia.com/wiki/Escape_from_Butcher_Bay

Trailer

Assault on Dark Athena - Poster 1

Assault on Dark Athena (2009)

Segundo jogo dedicado a Riddick.

É uma sequela para “Escape from Butcher Bay” (e ocorre antes de “Pitch Black”).

Riddick & Johns (sim, o mercenário que o tem cativo em “Pitch Black”) fogem de Butcher Bay, mas a nave que usam é apanhada por uma nave de mercenários. Riddick consegue evitar a captura, mas Johns é capturado. Riddick vai usar as suas aptidões, não para fugir, mas para se infiltrar na nave Dark Athena, arrumar com quem se meter consigo e resgatar Johns. E quanta mais escuridão, melhor.

Yup, Vin Diesel dá voz a Riddick.

Site – http://riddick.wikia.com/wiki/Assault_on_Dark_Athena

Trailer

Riddick - Poster 5

Riddick – A Ascensão (2013)

É o ansiado regresso de Riddick, agora ao Cinema.

Vin Diesel e David Twohy foram sensíveis às críticas dos fãs face a “The Chronicles of Riddick” e cumpriram o prometido – regressar a saga às origens.

Voltamos a uma produção low budget (38 milhões de Dólares no orçamento), ambiente dark, laivos de survival movie. A coisa parece estar a ir bem – os fãs estão contentes e as receitas a bom rumo.

David Eggby, o responsável pela fotografia de “Pitch Black”, está de volta e o trailer promete um novo notável trabalho.

Quando Vin Diesel aceitou fazer um cameo em “The Fast & The Furious – Tokyo Drift”, exigiu ficar com os direitos de Riddick. Isto permitiu a Diesel produzir os restantes episódios da saga de forma mais independente.

Houve um período de produção onde se esgotou o orçamento disponível. Diesel deu dinheiro do seu bolso até o resto dos fundos chegarem.

Título inicial – “The Chronicles of Riddick: Dead Man Stalking”.

Site – http://www.riddickmovie.com/

Trailer – http://www.youtube.com/watch?v=rTw4OHsh9so

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