Judge Dredd vs Dredd

Judge Dredd Sly & Karl

Há dias, este personagem foi alvo de mais uma das minhas habituais double sessions. E ainda bem, pois permitiu-me corrigir (para melhor) uma opinião que tinha sobre um dos títulos e fazer uma mais correcta comparação entre os dois filmes.

Judge Dredd é o mais violento e implacável herói de bd (sim, bem mais que The Punisher, Wolverine ou Batman). Surgiu em 1977 na revista “2000 AD”, foi criado por John Wagner e Carlos Ezquerra e para além de ser uma bd de grande poder de espectáculo e entretenimento (para adultos), é também uma fascinante parábola sobre a violência na sociedade moderna, os perigos das grandes metrópoles e uma reflexão sobre diversas questões da Lei & Ordem.

O cinema há muito que o perseguia. Os títulos surgiram, cada um com os seus percalços, mas plenos de virtudes.

Judge Dredd - Poster 1

Judge Dredd (1995)

Esta foi a primeira (e muito ansiada) adaptação cinematográfica de Judge Dredd.

Futuro. A Ordem dos Juízes é responsável pelo policiamento, julgamento e aplicação da Justiça.

Judge Dredd é o nome mais conhecido, respeitado e implacável. Um dia, Dredd vê o sistema a virar-se contra ele, ao ser considerado culpado por um crime que não cometeu. Conseguindo fugir da prisão, Dredd procura saber a verdade. No processo, Dredd vai descobrir muitos pormenores sobre o seu misterioso passado/origem.

 

O filme não é tão mau como o pintam. Começa em boa sintonia com a bd (mostrando o quanto implacável e violento é Dredd, como única resposta possível à violência da sociedade vigente), ilustrando muito bem o caos social de Mega-City, apoiado em grande luxo visual (hello “Blade Runner”). Mas depois perde impacto quando Dredd tira o capacete (o estúdio estava assustado com a ideia que um filme com Sly, onde ele nunca mostrasse o rosto, perderia público). O personagem wisecracking de Rob Schneider dá um tom de humor excessivo ao filme (a bd carregava mais num violento e corrosivo cinismo) e, por vezes, algo cansativo e irritante. Tendo em conta a bd, há momentos em que Dredd fica algo “adocicado”.

O argumento, apesar de escorregar num vulgar whodunit conspirativo (Dredd é acusado de um crime que não cometeu, vê-se perseguido pelo sistema que sempre defendeu e descobre as falhas da lei que cegamente defendia), até traz muitas boas ideias sobre a origem de Dredd (bem como “explicações” sobre a sua falta de emotividade humana) e algumas pertinentes reflexões sobre o modelo de Lei & Ordem para uma sociedade.

Feitas as contas, “Judge Dredd” é um muito eficaz, competente e espectacular entretenimento. Méritos para a cenografia, guarda-roupa (ambos com maior relevância nos tais minutos iniciais) e efeitos visuais.

Sly dá a voz, postura e físico perfeitamente adequados ao personagem. Ao seu lado, boa gente com Diane Lane (sempre segura), Max Von Sydow (sempre impecável), Jurgen Prochnow (sempre intenso) e Armand Assante (sempre inquietante).

Quando “Dredd” estreou, a comparação foi inevitável, mas a verdade é que “Judge Dredd” merece uma revalorização.

Foi um ligeiro (mas injusto) flop (ficou pago, mas não deu o lucro suficiente).

 

Já agora, sabiam que os fatos foram desenhados por Versace?

Ei-los:

http://www.comicbookmovie.com/fansites/nailbiter111/news/?a=65111

Trailer

 

Filme

 

 

Dredd - Poster 3

Dredd (2012)

Eis o título cuja segunda visão me fez mudar de opinião (para melhor).

 

Futuro (bem apocalíptico). Um conflito nuclear deixou os sobreviventes aglomerados em mega-cidades. O caos e o crime reinam. A execução da Lei reside num grupo de Juízes, que são também júri e carrascos. Judge Dredd é o juiz mais reputado e implacável. Um dia de rotina, onde vai dar treino a uma juíza recruta, transforma-se num dia infernal. Uma investigação leva-o a um edifício que é o quartel-general de Ma Ma, uma violenta líder de um grupo traficante de uma nova droga. O conflito vai ser uma autêntica guerra.

 

Nesta nova versão, Dredd nunca tira o capacete e o filme filia-se bem com o tom violento e brutal da bd.

O argumento é simples (no fundo, é um training day num raid a um covil de traficantes), consegue aqui e ali dar a visão daquele mundo apocalíptico, mas não consegue atingir o poder que a bd tem ao ser uma parábola sobre a lei, a justiça, a ordem, o crime, o caos e as sociedades urbanas. Mas estão lá boas ideias (a recruta que aplica a justiça com o coração e a razão, face a um Dredd que segue apenas as directivas da lei; Dredd a fazer o juízo final, seguindo mais o coração do que a lei). Para filme que se pretende como início de saga e apresentação de um personagem (embora funcione muito bem como uma quase-sequela ao filme de Sly), o resultado é muito satisfatório, seja como entretenimento (o ritmo é avassalador e o visual é de grande impacto, mas também descolorido, feio e sujo) seja como adaptação de uma excelente bd (graças ao tom dado ao filme que está em óptima sintonia com o material de base).

Karl Urban sai-se muito bem como Dredd, com atitude, presença e voz a preceito, mas não consegue igualar Sly (que tem toda aquela presença épica onscreen que lhe permite atingir aquele estatuto bigger than life). Olivia Thirlby cativa e Lena Headey é verdadeiramente medonha.

Foi exibido num 3-D muito aceitável, com alguns momentos muito eficazes (as cenas em slow-mo).

Muito bom entretenimento, que faz justiça a Judge Dredd.

 

Assisti-o numa sala de cinema só a mim dedicada. Carago, há assim tão poucos Dredd-nerds em Portugal?

 

Nos bastidores já se falava em trilogia. É algo que pode estar em perigo devido aos maus resultados nas bilheteiras americanas e mundiais (o filme não ficou pago – o orçamento foi de 50 milhões de Dólares e as receitas globais ficaram pelos 35). Contudo, as receitas que estão a ser geradas no mercado doméstico parecem incentivar a produção de uma sequela. Já há algum buzz à volta disso. Aguardemos.

 

Duncan Jones (“Moon”, “Source Code”) foi o primeiro realizador escolhido. Jones (grande fã de Dredd) recusou, apenas por achar que as suas ideias poderiam ser recusadas pelo estúdio. Que filme seria com Jones, só a imaginação diz. Mas defendo que teríamos algo mais magistral com Paul Verhoeven. Ou até mesmo com Oliver Stone.

 

Pormenor interessante – na altura comparou-se “Dredd” com “The Raid”, um filme de acção indonésio (do qual falo no artigo sobre Gareth Evans), devido ao facto do argumento de ambos focar uma situação semelhante.

 

Judge Dredd - Sly - 2

Comparação feita – apesar dos bons méritos de “Judge Dredd”, este acaba por ser algo irregular face a “Dredd”, que é mais homogéneo, regular e certinho face à bd, pelo que considero “Dredd” superior a “Judge Dredd”.

Judge Dredd - Karl

 

Site – http://dreddthemovie.com/

 

Judge Dredd - 1

Um poster balístico

http://www.empireonline.com/News/story.asp?nid=34453

 

Uma prequela em bd

http://pt.scribd.com/doc/104439907/DREDD-MA-MA

 

O site da bd de Judge Dredd – http://www.2000adonline.com/

 

10 Curiosidades sobre Judge Dredd

http://www.empireonline.com/features/10-things-dredd

Judge Dredd - 2

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