O Crime da Avenida Foch (1947)

Quai des Orfevres - Poster 1
Título Original – Quai des Orfèvres

 

E eis mais uma pérola de Henri-Georges Clouzot.

Já tinha descoberto este filme há uns tempos, mas só agora tive tempo para o ver.

É mais um em que não sei se será um dos seus títulos mais populares, mas é mais uma das suas obras-primas.

 

Quai des Orfèvres é uma zona de pobres mas felizes pessoas, todas unidas à volta de um teatro de variedades que existe no bairro.

Jenny Lamour é uma cantora muito popular e muito “disputada” pelos homens.

Maurice é o seu marido e muito ciumento.

Brignon é um bon vivant, conquistador e disposto a ajudar Jenny na sua carreira.

Maurice não vê tal relação com bons olhos e uma noite dispõe-se a ir tirar satisfações com o rival. Mas ao chegar a casa de Brignon depara-se com o seu cadáver. Tudo parece indicar que a responsável foi Jenny. A amiga Dora visita a crime scene para limpar todos os indícios da presença de Jenny. Antoine, um rude, céptico e violento inspector da polícia, investiga e tudo o que encontra leva à culpabilidade de Maurice. Este aceita o sacrifício em nome do seu amor por Jenny.

Mas muitas revelações vão dar umas reviravoltas à investigação.

Quai des Orfevres - screenshot 1

Quai des Orfevres - screenshot 3

Belíssimo filme, entre o drama romântico, o policial de mistério sobre um assassínio e a crónica (igualmente romântica) de uma micro-sociedade.

Tudo tratado com grande sentido de atmosfera (magnífico trabalho a nível de fotografia), detalhes visuais sobre o pitoresco do quotidiano daquela comunidade e os ambientes (sub)urbanos, variedade de personagens, sentimentalismo (e não lamechice) nas relações, humor (como ilustrador dos costumes e personalidades) e o devido mistério clássico policial.

Quai des Orfevres - screenshot 8

Quai des Orfevres - screenshot 5

Quai des Orfevres - screenshot 6

Quai des Orfevres - screenshot 2

Excelente trabalho dos actores – Louis Jouvet é tenebroso como o inspector Antoine, Bernard Blier comove na sua devoção sentimental como Maurice, Suzy Delair arrebata como a mulher desejável que é Jenny e Simone Renant (por acaso, a mais bonita do filme) é muito sólida na demonstração da amizade e lealdade de Dora.

Quai des Orfevres - screenshot 7

Clouzot tinha mesmo um olhar atento e rigoroso sobre o ser humano.

 

 

Obra-prima total.

 

Claro que é um título que não existe no mercado lusitano.

Mas há em França e com bons extras. O preço anda jeitoso.

Quai des Orfevres - screenshot 10

Quai des Orfevres - screenshot 4

Quai des Orfevres - screenshot 9

 

Realizador: Henri-Georges Clouzot

Argumentistas: Henri-Georges Clouzot, Jean Ferry, a partir do romance de Stanislas-André Steeman (“Légitime Défense”)

Elenco: Louis Jouvet, Simone Renant, Bernard Blier, Suzy Delair

 

Site – http://www.rialtopictures.com/quai.html

 

Clips

 

 

 

 

 

 

“Melhor Filme Estrangeiro”, nos Prémios Edgar Allan Poe 1949.

“Melhor Realizador”, em Veneza 1947.


Quai des Orfevres - Poster 6

Em França teve uma visibilidade de quase 5 milhões de espectadores.

 

Era o filme que marcava o fim de uma pausa de 4 anos na carreira de Henri-Georges Clouzot. O cineasta estava proibido de fazer filmes depois da bronca causada por “Le Corbeau” (1943; o filme era uma co-produção com uma companhia germânica – na época, decorria a Segunda Guerra Mundial e a França estava ocupada pela Alemanha; o filme fora acusado de propaganda anti-França). Isso levou-o a estar numa lista negra e a ficar excluído da indústria cinematográfica francesa.

 

Clouzot escreveu cerca de 2/3 do argumento, recorrendo apenas à sua memória (já tinha lido o romance de Stanislas-André Steeman, mas há vários anos). Quando o filme estava em produção, o livro estava já fora de stock. Quando viu o filme, o escritor queixou-se das muitas diferenças entre filme e livro (muda-se a identidade do assassino, o local da acção e entra uma personagem feminina de ambiguidade sexual).

Era a terceira vez que Clouzot adaptava Steeman – “Dernier des Six” (1941, de Georges Lacombe, com Pierre Fresnay, Michèle Alfa, Suzy Delair), “L’Assassin Habite au 21” (1942, de Clouzot, com Pierre Fresnay, Suzy Delair, Jean Tissier).

 

Suzy Delair era a companheira sentimental de Clouzot, na época.

 

“Joyeux Noël” – era o título inicial do filme.

Quai des Orfèvres é a morada da Polícia Judiciaria, em Paris.

 

O filme foi muito elogiado à época de estreia e o culto tem-se mantido ao longo destas décadas. É considerado como um dos melhores filmes de Clouzot.

 

No prefácio do livro “La Nuit du 12 au 13”, Steeman reconhece que “´ Quai des Orfèvres` é o melhor filme desse diabo de homem (refere-se a Clouzot), verdadeira Besta de Cinema”.

 

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