Godzilla – Os Filmes – Parte 2 – Anos 60

Godzilla - 1960s

Assim continua o meu passeio com Godzilla e pelos seus filmes.

Agora vamos até aos filmes feitos nos 60s.

Uma década cheia de filmes. A cores, com mais acção e humor, mais positivos, mais infantis, com mais espectáculo, mais vilões, mas desafios, mais criaturas.

E com Godzilla a mudar de atitude face a nós.

Comecemos.

 

 

King Kong vs Godzilla - Poster 3

King Kong vs Godzilla (1962)

 

São os mais míticos dos Monsters. Seria uma questão de tempo até se embaterem.

 

Uma empresa de farmacêuticos consegue encontrar e capturar King Kong. Leva-o para o Japão na esperança de o manter cativo para os seus interesses (pelos vistos a saúde, força e aspecto de Kong devem-se a uma planta que a empresa quer desenvolver como fármaco). Mas Kong foge. E pelo caminho encontra o monstro favorito dos nipónicos – yup, Godzilla is in town (livre do “congelamento” a que foi obrigado no final de “Godzilla Raids Again”). E só há espaço para um.

King Kong vs Godzilla - Image 7

O tom é campy ao longo de toda a metragem. E qual o mal nisso?

Quando os dois (maiores) Monstros Sagrados surgem em cena, temos épica monster action. E o ouvir dos rugidos de Godzilla e King Kong, é verdadeira sinfonia para os fãs.

Temos de esperar 1 hora pelo embate, mas vale a pena.

Quem ganha? Bom, é discutível. No final, a verdade a cada um dos espectadores.

 

Trailers

 

Realizador: Ishirô Honda

Argumentistas: Willis H. O’Brien, Shin’ichi Sekizawa

Elenco: Tadao Takashima, Kenji Sahara, Yû Fujiki, Mie Hama

King Kong vs Godzilla - Image 8

Ishirô Honda (o realizador do original “Godzilla”) regressa à saga.

A ideia começou em Willis O`Brien (o responsável pelos FX do original “King Kong”). Nos 50s, O`Brien quis fazer um “King Kong vs. Frankenstein”. A criatura de Frankenstein seria uma amálgama de vários animais. Ninguém em Hollywood se interessou pelo projecto. Um produtor conhecido de O`Brien levou a ideia à Toho e estes aceitaram, mas com a condição de substituir a criatura de Frankenstein por Godzilla.

Atenção à presença de Mie Hama (a Kissy de “007 – You Only Live Twice”, a “excursão de James Bond ao… Japão).

Num momento da luta entre Kong e Godzilla, este é atirado por cima do ombro do primeiro. Os dois monstros são “interpretados” por dois homens. Shoichi Hirose (no fato de Kong) queria provar que era mais forte que Haruo Nakajima (no fato de Godzilla) e tal momento provou isso.

No filme fala-se num míssil de nome Davy Crockett. É um míssil nuclear, que seria usado pelos USA. Na altura das filmagens, tal designação era segredo. Contudo…

O rugido de Godzilla sofre uma alteração. Foi essa que ficou até ao final da saga.

Ainda há uma renhida discussão entre os fãs das duas criaturas, sobre quem na verdade vence o combate. Contudo, sabe-se que a Toho queria que Kong fosse o vencedor. Na época, o gorila gozava de mais popularidade que o lagarto, como tal o estúdio quis agradar a mais massas de público.

Passaram-se décadas até que a versão japonesa deste filme fosse mostrada nos USA.

Numa cena são usados quatro polvos. Terminada a filmagem da cena, só três sobreviveram. Um deles foi o jantar de Eiji Tsuburaya, o responsável pelos efeitos visuais.

É o primeiro filme a cores, quer para King Kong, quer para Godzilla. É também o primeiro em Widescreen. É também o terceiro para a saga de ambos.

Durante uma luta, Kong tenta atacar Godzilla com uma árvore. No original “King Kong”, o gorila derrota um T-Rex com uma árvore.

Queria-se que o tom enveredasse mais pela comédia que pelo terror. Como tal, Godzilla foi redesenhado para parecer menos assustador.

Honda voltou a querer fazer recurso ao método de stop-motion (já tinha essa intenção no filme original). Mas mais uma vez, e por razões de orçamento, teve de recorrer ao man on a suit. Contudo, o método pretendido ainda chegou a ser usado num par de cenas – o ataque do polvo aos nativos e na segunda luta entre Kong e Godzilla.

Tsuburaya quis que Kong tivesse um comportamento algo cómico, com o intuito de não assustar os espectadores mais infantis, conseguindo assim que o espectador ficasse do lado do gorila em vez do lagarto (mais assustador).

O filme conta com as presenças de Jun Tazaki e Kenji Sahara. Tazaki participaria em 5 filmes da saga Godzilla. Sahara participaria em 12.

 

 

Mothra vs Godzilla - Poster 1

Mothra vs Godzilla (1964)

 

Mothra Contra Godzilla

Título original – Mosura tai Gojira”

 

Godzilla celebra 10 anos.

A prenda aos fãs é composta por dois filmes.

Este é o primeiro.

É um dos mais celebrados títulos da saga.

Contudo…

 

Um ovo gigantesco surge na costa japonesa. Um empresário sem escrúpulos logo se apropria dele para fins desconhecidos.

O ovo pertence a uma raça mística, que vive numa feliz harmonia, regida por Mothra, uma criatura mágica, mista de abelha e borboleta (gigante, claro).

(Mothra já tinha iniciado uma saga autónoma, regressaria à sua saga e à de Godzilla – à sua saga autónoma, falarei dela noutro dia; já tenho isso em agenda)

Quando Godzilla regressa à cidade (yup, King Kong só o deixou algo abalado no fundo do mar), o ovo fica em perigo (de lá virá o herdeiro de Mothra).

Os humanos convocam a ajuda de Mothra para afastar Godzilla da cidade.

Mothra vs Godzilla - Image 1

Mais uma vez, a saga anda pelo tom campy. Mas agora de forma algo embaraçosa.

Por lá se fala da ganância das grandes empresas e da Humanidade evoluir na sua harmonia, mas tal fica-se por um par de diálogos.

Como é óbvio, o mais esperado do filme é a chegada de Godzilla e o seu duelo com Mothra.

Os efeitos são interessantes (para a época), mas o que se passa roça o idiota.

Isto porque os autores tratam Godzilla como um “largartinho” mal-comportado, que estraga tudo o que lhe surge pelo caminho e não respeita Mothra, o ovinho e as crias.

(bad move, guys, não é assim que se trata um ícone gigantesco de gigantesca reputação como Godzilla)

Este não me fica na memória.

Tem o seu lugar devido à presença de Mothra e continuava aquela que seria a regra da saga durante esta década – Godzilla em confronto (ou aliado) a outros monstros do estúdio.

No filme seguinte tudo mudaria para (bem) melhor.

(e Mothra volta a aparecer por lá, com mais duas míticas criaturas)

 

Trailer

 

Realizador: Ishirô Honda

Argumentista: Shin’ichi Sekizawa

Elenco: Akira Takarada, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi

Mothra vs Godzilla - Image 2

Regresso de Ishirô Honda à saga.

Haruo Nakajima continua a “interpretar” Godzilla.

Teve direito a um cut USA, dobrado, mais curto e com uma cena onde Godzilla é visto como uma ameaça aos americanos e é atacado por tropas americanas. Mas tais cenas foram filmadas pela equipa japonesa e não acrescentadas por americanos.

Mothra começou a sua saga em “Mothra”, de 1961. A Toho aproveitou o hiato dado a Godzilla, de 1955 a 1962 e criou outras criaturas. Para além de Mothra, também surgiram Rodan, Manda, Baragon e Varan (todos com sagas autónomas, mas que teriam presença em títulos da saga Godzilla).

(deles falarei mais tarde, noutro artigo)

No ano de 1964, a Toho fez dois filmes para Godzilla. Para além deste “Mothra vs. Godzilla”, viria o épico “Ghidorah, the Three-Headed Monster” (onde surge um dos mais temíveis monstros do género Kaiju e dos inimigos de Godzilla).

Considera-se como o último filme da Era Showa. Bom, pelo menos de uma parte da fase (ela duraria até 1975). A partir do filme seguinte, Godzilla seria mostrado como um (poderoso) amigo e protector da Humanidade (Mothra incutiu-lhe bons valores – ao menos, é o que de bom se retira deste filme). Algumas correntes consideram que tal Era durou até 1975 (com “Terror of Mechagodzilla”, o último da década de 70). A partir de 1984, com “The Return of Godzilla” começa a fase Heisei, onde Godzilla volta a ser visto como mau.

Num momento da cena final, realizador e autor da música discutiram sobre a presença ou ausência da música. O compositor achou que ela seria desnecessária, pois a presença de Godzilla tinha já o devido impacto; o realizador achou que a música deveria estar presente. Prevaleceu a vontade do realizador.

Quando Godzilla destrói uma enorme casa, tal momento teve de ser filmado por várias vezes, com a casa a ter de ser reconstruida tantas vezes quantos os takes necessários. Isto porque havia falta de sincronismo entre os técnicos responsáveis pela queda da casa e nos movimentos de Godzilla.

Quando a cabeça de Godzilla começa a arder, tal foi um acidente pirotécnico. Nakajima nunca se apercebeu de tal (a cabeça de Godzilla estava acima da cabeça do actor). O fogo foi apagado a tempo, mas o realizador manteve a imagem na montagem final, pelo impacto que causava.

O filme marca a chegada de um novo look para Godzilla – o fato Mosugoji. Procurou-se fugir do look do filme anterior, pois a Toho achava que era algo cómico, daí que o estúdio tenha procurado regressar às origens.

Inicialmente, queria-se que fosse Godzilla quem vinha no interior da “barcaça”, no início do filme. Mas tal ideia foi rejeitada.

Num plano, Godzilla é filmado de costas por bastante tempo. Isto porque, no momento de filmagem, o fato em cena era o de “King Kong vs. Godzilla” e não o novo fato que se queria usar neste novo filme (de costas, as diferenças eram quase imperceptíveis). Como o momento envolvia água e queria-se usar o fato no próximo filme (para poupar custos), decidiu-se usar o fato antigo. Mesmo assim, ocorreram estragos na boca e na cabeça (o tal “incêndio”) e o fato teve de ser alvo de reparações. Criou-se uma cabeça nova, mais assustadora e mais móvel. Os fãs designam tal avanço como o fato Mosugoji II.

 

 

Ghidorah - The-Three-Headed-Monster - Poster 1

Ghidorah – The Three-Headed Monster (1964)

 

Título Origial – San Daikaijû: Chikyû Saidai no Kessen

 

10º ano de Godzilla.

Eis a segunda prenda.

É um título que muda muita coisa na saga Godzilla.

Em tom, espectáculo, criaturas e acção.

 

Um meteoro cai na Terra e dele sai Ghidorah, um monstro de três cabeças, verdadeiro destruidor de mundos. Godzilla e Rodan andam pela cidade, mas parecem mais preocupados em gladiarem-se do que em ajudar a salvar o planeta. Cabe a Mothra levá-los à razão. E depois…

… brutal monster action.

Ghidorah - The Three-Headed Monster - Image 1

Sim, continuamos em tom campy (e eu bem me divirto com isso), mas em grande diversão e espectáculo.

É certo que Godzilla e Rodan se portam como dois putos de bairro em luta pela supremacia, com Mothra a ter de ser uma espécie de Madre Superiora a pô-los em sentido.

Mas a monster action é grande, divertida e espectacular.

Temos de esperar cerca de uma hora para ver alguma e o conflito final é para os últimos 10 minutos. Mas vale a pena. E ainda por cima com quatro míticas criaturas do cinema Kaiju em cena.

Este fica como clássico.

 

Trailer

 

Realizador: Ishirô Honda

Argumentista: Shin’ichi Sekizawa

Elenco: Yôsuke Natsuki, Yuriko Hoshi, Hiroshi Koizumi

Ghidorah - The-Three-Headed-Monster - Image 2

Ishirô Honda volta a realizar um título da saga.

É o primeiro filme a mostrar King Ghidorah, que se tornaria no principal vilão-monstro dos estúdios Toho. Para além de filmes (onde defrontou Godzilla, Mothra e Rodan), Ghidorah também apareceu em televisão.

Rodan tinha iniciado e sua saga em 1956, com “Rodan”, também realizado por Honda. Rodan é um pterodáctilo pré-histórico, que regressa ao ser descoberto numa mina antiga. Rodan tem a capacidade de gerar grandes ventos, com a boca e com as asas.

Mothra começou a sua saga em “Mothra”, de 1961, realizador por… Honda.

O único filme, da saga Godzilla, onde Ghidorah não é controlado por alienígenas.

O filme marca uma mudança no fato de Godzilla, a nível da cabeça. Esta tinha-se queimado numa cena do filme anterior e teve de ser refeita. Aproveitou-se e fez um novo desenho.

É a última vez que encontramos as duas irmãs gémeas Ito, as Pastoras de Mothra.

Na cena do escritório do Presidente do Clube de UFO, vêem-se no background duas naves vindas do filme “Battle in Outer Space”, de 1959, também realizado por Honda.

Inicialmente, Ghidorah teria umas asas coloridas como o arco-íris e deitaria fogo pelas três cabeças.

Quando Godzilla está na água, o fato usado é um antigo, que já vinha dos filmes anteriores. A Toho queria preservar os fatos novos e em condições de água usava os fatos velhos.

 

 

Invasion of The Astro-Monster - Poster 1

Invasion of Astro-Monster (1965)

 

Título Original – Kaijû Daisensô

Título Internacional Alternativo – Monster Zero

 

Depois de ter enfrentado tantos perigos na Terra, era uma questão de tempo até Godzilla mudar de ares. Desta vez ele vai até ao Espaço, até outro planeta.

 

Uma missão espacial descobre um certo Planeta X. A civilização que lá vive é desenvolvida e pacífica. Mas vive assolada por um certo Monster Zero – King Ghidorah (que vem do filme anterior de Godzilla). O povo local pede aos humanos que ajudem na captura de Godzilla e Rodan (que também vem do filme anterior) para que estes derrotem Ghidorah.

As duas criaturas são capturadas e derrotam o vilão. Mas alguns dos terrestres envolvidos no processo descobrem que os alienígenas têm intenções hostis face à Terra e pretendem utilizar as três criaturas para nos conquistar. Como desbloquear o domínio mental que os extra-terrestres exercem sobre Godzilla e Rodan?

Invasion of The Astro-Monster - Image 1

Continuamos em tom campy, agora aliados à clássica space opera.

Excelente trabalho de efeitos visuais que ilustram grandiosa monster action, de grande espectacularidade, seja noutro planeta ou no nosso.

Há lugar para o humor – veja-se a dança/saltitar de Godzilla numa celebração de triunfo, que é o momento mais divertido e célebre da saga, sendo um dos mais memoráveis.

Ei-lo:

(irresistível)

 

Um dos melhores filmes da saga, digno de boa memória e de lugar na história.

 

Trailer

 

Realizador: Ishirô Honda

Argumentitas: Shin’ichi Sekizawa

Elenco: Nick Adams, Akira Takarada, Jun Tazaki, Kumi Mizuno

 Invasion of The Astro-Monster - Image 2

Ishirô Honda continua como o realizador oficial da saga.

A tal “dança” de Godzilla foi uma ideia do actor Yoshio Tsuchiya (o líder dos extra-terrestres). O director de FX Eiji Tsuburaya gostou da ideia, apesar da resistência do realizador Ishirô Honda. Muito debate e a ideia prevaleceu.

Invasion of The Astro-Monster - Godzilla dancing

Mothra estava pensada em aparecer, mas por razões de orçamento teve de ficar de fora. De fora ficarão também alusões a ela.

Invasion of The Astro-Monster - Backstage

Godzilla volta a ser alvo de um redesenho. O objectivo era que ficasse mais simpático e amigável, menos ameaçador, sem perder impacto. Godzilla era agora um amigo dos humanos e voltava a salvar o nosso planeta. Este novo fato seria usado no filme seguinte (“Godzilla Versus the Sea Monster”). Voltaria a ter uso noutro filme (“Destroy All Monsters”), mas apenas em cenas aquáticas. O mesmo acontecendo noutro título (“Godzilla vs. Hedora”).

O filme só foi lançado nos USA em 1970. A demora na estreia pode ter estado ligada ao falecimento repentino do actor Nick Adams (protagonista do filme). Por outro lado, também se pode ter devido a conflitos legais entre Henry G. Saperstein (que tinha os direitos de distribuição americana) e os seus antigos sócios (Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson).

Invasion of The Astro-Monster - Backstage 2

Quando foi estreado nos USA, foi exibido numa double bill session, com “The War of the Gargantuas”, sequela de “Frankenstein Conquers the World” (protagonizado por Adams). Nesta sequela Adams é substituído por Russ Tamblyn. Curiosamente, ambos os filmes são produções japonesas, realizadas por… Ishirô Honda, senhor que estava ligado à saga… Godzilla.

 

 

Godzilla vs The Sea Monster - Poster 1

Godzilla Versus the Sea Monster (1966)

 

Ebirah, Horror dos Oceanos

Título Original – Gojira, Ebirâ, Mosura: Nankai no Daiketto

 

Terminadas as peripécias no Espaço, Godzilla regressa à Terra. E ao mar.

Mas, pelo resultado do filme, Godzilla devia ter continuado em órbita.

 

Um grupo de catraios rouba um barco para procurar um amigo. Vão parar a uma ilha, onde os habitantes locais vivem no terror devido a Ebirah, uma lagosta gigante. Mas na ilha também lá andam uns militares com umas misteriosas intenções (pois, militares maus existem em todo o lado). Felizmente que o nosso “Lagartinho” estava por lá em férias e tem de se chatear para pôr as coisas em ordem e assegurar o seu sossego. E até fica de olhinhos em bico com uma nativa – humana, não réptil, OK?

Godzilla vs The Sea Monster - Image 2

Devo-vos uma desculpa. Pensei que “Godzilla Raids Again” era o pior filme do herói. Afinal parece que é este “Godzilla Versus the Sea Monster”.

Argumento idiota, eventos banais, ritmo chato (e o filme só dura 82 minutos).

Felizmente que quando Godzilla entra em cena tudo fica entusiasmante (que regozijo dá ao vê-lo a destruir uns caças com as mãos, bafo e a cauda, sem esquecer o arrasar de uma base militar com as patas). Way to go, Godzilla.

Eis uma parte com os aviões:

 

Por outro lado, deixa a sensação que o orçamento deve ter sido composto por uns tostões de Ienes. Os efeitos visuais são muito fracos.

Este não fica na memória.

 

Trailer

 

Realizador: Jun Fukuda

Argumentista: Shin’ichi Sekizawa

Elenco: Akira Takarada, Kumi Mizuno, Chôtarô Tôgin

Godzilla vs The Sea Monster - Image 1

Primeiro filme da saga assinado por Jun Fukuda, que faria um total de cinco.

O filme foi escrito com a intenção de ser protagonizado por King Kong. Chamar-se-ia “Operation Robinson Crusoe”.

“Ebirah” vem da palavra japonesa “Ebi”, que significa “camarão”.

Godzilla vs The Sea Monster - Backstage 1

Última aparição de Mothra na fase Showa. Depois só voltaria à saga Godzilla em 1992, em plena fase Heisei, com “Godzilla vs. Mothra”.

Primeiro filme da saga Godzilla com os efeitos visuais desenvolvidos por Sadamasa Arikawa. O habitual Eiji Tsuburaya tinha criado a sua própria companhia e aqui limitou-se a dar uma ajudinha técnica.

Godzilla vs The Sea Monster - Backstage 2

É o primeiro filme da saga a ser directamente vendido à televisão.

 

 

Son of Godzilla - Poster 1

Son of Godzilla (1967)

 

Título Original – Kaijûtô no Kessen: Gojira no Musuko

 

Godzilla ficou mais responsável na década de 60.

Ajudou os humanos em momentos de aflição e salvou o nosso planeta.

Como tal, era momento de lhe dar a responsabilidade maior – um filho, pois claro.

Eis a sua aparição num dos filmes mais simpáticos e divertidos da saga.

 

Um grupo de cientistas toma conta de uma ilha deserta, tropical e idílica. O objectivo é fazer experiências com o clima, para assim conseguirem criar fertilidades em solos secos e combater a fome.

Mas uma das experiências dá para o torto e tem como resultado uma mutação nuns Louva-a-Deus que habitam a ilha. Estes descobrem um enorme ovo, do qual brota um bebé-Godzilla, que logo é humilhado pelos insectos. Godzilla está de passagem pela ilha (dado que vinha de outra – no filme anterior – de onde lhe impediram o descanso) e decide meter-se em cena. E com tal nobre acto, ganha um filho – Minilla (também conhecido por Minya).

Son of Godzilla - Image 1

O tom é do mais puro e enternecedor feel good family movie. Por aqui passa um certo espírito Disney (ilhas paradisíacas isoladas, valores familiares, morais, científicos e ecológicos) adequado ao género Kaiju.

Minilla é encantador e Godzilla mostra os seus dotes paternais (a cena em que lhe ensina a deitar o raio atómico pela boca).

Mas como Godzilla movie que é, tem de haver boa monster action. Para além de uns mauzões louva-a-deus, Godzilla ainda tem de enfrentar uma enorme aranha. Tudo em generosas doses de acção.

Boa fotografia e bela paisagem.

Bom trabalho de efeitos visuais (um forte upgrade face ao filme anterior).

O final é comovente. Preparem lencinhos.

Este fica na memória, é dos mais relevantes da saga e merece lugar na sua história.

 

Trailer

 

Realizador: Jun Fukuda

Argumentistas: Shin’ichi Sekizawa, Kazue Shiba

Elenco: Tadao Takashima, Akira Kubo, Bibari Maeda

Son of Godzilla - Image 4

É o segundo filme da saga a ser directamente vendido à televisão.

Por esta altura, os produtores queriam que Godzilla fosse mais virado para um público infantil (agora ainda mais, dado que tinha um petiz a seu cargo). Como tal, havia que o tornar simpático, ainda que não isento de impacto. Aqui volta a ser alvo de um ligeiro redesenho no seu rosto.

Minira é a combinação de “Mini-Gojira”. Para a adaptação ao inglês, mudou-se a terminação – “Mini-Godzilla”, “Minilla”.

Son of Godzilla - Image 3

Son of Godzilla - Image 5

Pela primeira vez na saga, Godzilla não aparece numa zona civilizada.

Usou-se o maior stage dos estúdios Toho para montar um enorme e profundo lago.

Son of Godzilla - Image 2

Filmado na ilha de Guam, para aproveitar a paisagem e poupar dinheiro.

Algumas cenas do filme seriam reutilizadas em dois títulos futuros – “All Monsters Attack” e “Godzilla vs. Gigan.”

 

 

Destroy All Monsters - Poster 3

Destroy All Monsters (1968)

 

Título Original – Kaijû Sôshingeki

 

Eis o supremo Kaiju dream.

Todos os monstros do género reunidos, num só filme.

O gang está cá todo – Godzilla, Mothra, Rodan, King Ghidorah, Anguirus, Minilla, Kumonga, Baragon, Gorosaurus, Manda e Varan.

 

Os humanos conseguiram juntar todos os monstros numa ilha, com todas as condições para a sua sobrevivência e sossego (para eles e para nós), estando sobre controlo.

Mas uma raça de alienígenas consegue assegurar o controlo das criaturas e usá-las na conquista do nosso planeta. É um verdadeiro armageddon monstruoso.

Destroy All Monsters - Image 1

Novamente space opera combinado com tom campy.

É um verdadeiro épico monstruoso ver todas as criaturas em cena, e até no mesmo plano.

Épica monster action. Com tanta criatura à solta, temos direito a um festival de efeitos especiais de bom nível. E muito destroy, com as principais cidades do mundo a sofrerem com a fúria das criaturas.

É certo que trememos de medo quando todos se juntam na destruição do planeta, mas quando se dá o revés, o raid das criaturas (comandado por Godzilla) só nos faz saltar de júbilo.

Mais um dos momentos gloriosos da saga.

Digno de boa memória e lugar na história.

 

Trailer

 

Realizador: Ishirô Honda

Argumentista: Ishirô Honda, Takeshi Kimura

Elenco: Akira Kubo, Jun Tazaki, Yukiko Kobayashi

Destroy All Monsters - Image 4

Honda regressa à saga.

Foi o filme da saga que mais criaturas teve, até então. Só seria superado com “Godzilla: Final Wars” (2004, o último da saga até ao reboot 2014).

O título japonês devidamente traduzido para inglês é “The Monster Invasion.”

Muitos monstros já vinham das suas sagas autónomas (Mothra, Rodan), outros vinham de outros títulos da Toho:

  • Anguirus – “Godzilla Raids Again”
  • Baragon – “Frankenstein Conquers the World”
  • Gorosaurus – “King Kong Escapes”
  • Manda – “Atragon”
  • Varan – “Varan the Unbelievable”

Destroy All Monsters - Backstage - 1

Godzilla continua com ar simpático (desde há vários filmes que ele é amigo dos humanos), mas aqui foi sujeito a uma “dieta”. O fato teve de ser emagrecido, para ficar mais leve e flexível para as cenas de luta.

Iria ser o final da saga Godzilla (afinal, ele tem um filho, uma ilha paradisíaca e muitos monstros como vizinhos). Mas perante o (monstruoso) sucesso, a Toho mudou de ideias e assegurou a produção de mais filmes.

Mothra e Rodan despedem-se da saga, na fase Showa. Regressariam na fase Heisei, com novos poderes.

Última aparição de Varan.

Destroy All Monsters - Backstage - 2

Chegou-se a filmar uma cena de luta entre Godzilla e Manda (misto de lagarto, cobra e dinossauro). Mas foi rejeitada por ilógica narrativa (ambos estavam sobre controlo dos alienígenas para destruição da Terra e não entre eles). Contudo a cena ainda existe, está preservada e costuma ser exibida em convenções.

Mais uma vez recorreu-se a fatos antigos, nas cenas mais susceptíveis de estragos. Assim, o novo fato era preservado.

Estavam previstos mais dois monstros – Ebirah (vinha de “Godzila vs The Sea Monster”) e Maguma (uma morsa gigante – vinha de “Gorath”).

Destroy All Monsters - Poster 1

Varan e Manda são as únicas criaturas que nunca defrontaram outras criaturas do estúdio.

 

 

All Monsters Attack - Poster 1

All Monsters Attack (1969)

 

Título Original – Gojira-Minira-Gabara: Oru Kaijû Daishingeki

Título Alternativo – Godzilla`s Revenge

 

A saga continua em tom infantil.

 

Ichiro é um menino que vive em permanente humilhação por alguns dos seus colegas de escola. Ichiro é grande fã de Godzilla e sonha em ir até à sua ilha e estar com ele e com o filho Minilla. Entre sonho e realidade, Ichiro vai encontrar a coragem para enfrentar os seus inimigos, em verdadeiro Godzilla style.

All Monsters Attack - Image 1

Este filme é muito curtinho (pouco mais de uma hora de duração) e muito infantil.

Mas isto não é um defeito.

Fica a prova que Godzilla e o seu universo pode ser infantil, divertido e inspirador para crianças.

É, de facto, o momento mais divertido e infantil da saga.

Diverte os fãs e os petizes.

Não é memorável (não por ser mau, mas apenas por não conseguir o impacto – “Destroy All Monsters” – ou o encanto – “Son of Godzilla” – de outros títulos). Mas não ofende. Diverte e cumpre o que se propõe.

 

Trailer

 

Realizador: Ishirô Honda

Argumentista: Shin’ichi Sekizawa

Elenco: Kenji Sahara, Machiko Naka, Tomonori Yazak

All Monsters Attack - Image 2

Honda continua na saga.

Eiji Tsuburaya (o habitual responsável pelos FX) ficou ausente deste filme, devido aos seus compromissos com a sua empresa, recém-formada. Sendo assim, Honda assumiu também o controlo dos efeitos visuais.

Foi produzido de propósito para o público infantil e foi distribuído na época natalícia.

O filme recorre a muita stock footage dos dois filmes anteriores.

All Monsters Attack - Image 3

Até “Godzilla: Final Wars” (2004), foi a última vez que vimos, no mesmo filme, Gorosaurus, Manda, Kamakiras, Kumonga e Minya.

 

 

 

Son of Godzilla - Image 6

Godzilla tem na década de 60 uma das eras mais produtivas e ricas da sua carreira.

Muitos filmes, já a cores e com uma enorme evolução em matéria de efeitos visuais que ajudam ao espectáculo.

Godzilla passa a ser um protector da Humanidade, ganha um filho e até se bate e une com outros notáveis monstros.

Apesar de aqui e ali haver um filme menor, considero uma excelente década para Godzilla.

Vamos aos 70s. Década mais curta em filmes, mas com crescendo tecnológico, de espectáculo e até de tom.

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