Psycho – Os Filmes

Bates House - 2

Esta obra-prima de Cinema esteve em foco no início de 2013.

O filme foi reposto em cópia nova, digital e restaurada. O filme “Hitchcock” abordou o processo de produção deste clássico.

“Psycho” é um título absolutamente fundamental nos géneros terror, suspense e shocker, sendo muitas vezes eleito como o melhor de sempre numa (ou em todas) das categorias consideradas. Mas é igualmente essencial na filmografia de Hitchcock e na História do Cinema.

Curiosamente, e sem que os responsáveis contassem com tal, o filme gerou três (desiguais, mas interessantes) sequelas, um (inútil) remake e uma (excelente) serie televisiva (“Bates Motel”, da qual já falarei).

Há dias consegui, finalmente, fazer a há muito desejada “maratona ´Psycho`”.

Eis os resultados:

(deixo de fora o dito remake, pois o silêncio e/ou a indiferença são os melhores comentários)

Psycho - Poster 1

Psycho (1960)

Depois deste filme nunca mais olharemos da mesma maneira para moteis e para os “meninos da mamã”.

Marion Crane é uma modesta secretária que não resiste à tentação de roubar 40.000 Dólares. No percurso de viagem até ao namorado, Marion pára no “Bates Motel”. E tudo sofre uma assustadora reviravolta.

Um título onde Hitchcock apostou muito, arriscou ainda mais e elevou a fasquia. O resultado é um filme transgressor e inovador.

Hitchcock renova o terror (este só surge depois de meio da metragem), altera as regras (a meio da metragem dá-se uma reviravolta com a protagonista) e cria um novo tipo de medo (nunca se sabe quem é o “mau” e este tem um rosto de uma enorme inocência). A música é um dos elementos terroríficos do filme. A fotografia ajuda no tom. Como sempre, Hitchcock inova sempre no seu modo de filmar e traz-nos uma das cenas mais emblemáticas, analisadas, fascinantes, imitadas e parodiadas de sempre (o assassinato no duche).

Como sempre em Hitchcock, a presença de muitos temas – o desejo, a culpa, a disfunção de personalidade, os complexos dignos do interesse de um psicanalista e o medo.

Psycho - Image 1

Belíssima Janet Leigh (e Hitchcock a fazer o gosto ao voyeurismo ao filmá-la, por várias vezes, em lingerie). Perfeito Anthony Hopkins (na interpretação que definiria e “amaldiçoaria” a sua carreira). Excelente Vera Miles (uma das últimas Loiras Hitchcockianas).

O pai dos modernos psycho-killers, psycho-thrillers, shockers e slashers.

Clássico total. Obra-prima absoluta. O Mestre no máximo das suas qualidades.

A sua reposição foi um gesto de agradecida cinefilia. E a prova que o legado de Hitchcock continua vivo e moderno.

Psycho - Hitchcock

Curiosidades:

Perante um orçamento de cerca de 800.000 Dólares, o filme arrecadou mais de 30 milhões de Dólares, logo no final da estreia USA. Ainda é o maior sucesso comercial da filmografia de Hitchcock.

Baseado num livro de Robert Bloch. Hitchcock comprou os direitos por 9.000 Dólares e todas as cópias existentes nos USA, para que ninguém conhecesse o final da história.

Hitchcock filmou a Preto-e-Branco, por razões financeiras (seria mais barato) e por razões estéticas (não queria que o filme ficasse demasiado gore, devido à visualização do sangue a cores). Foi o último P&B do Mestre e o seu primeiro filme de terror (o seguinte seria “Frenzy”, em terras britânicas, um dos seus melhores filmes). Também por questões financeiras e logísticas, Hitchcock usou a equipa técnica da série “Alfred Hitchcock Presents”, que era exibida a época. Foi filmado em 30 dias.

Hitchcock chegou a estar nomeado para “Melhor Realização”, nos Oscars 1961. Perdeu para Billy Wilder (“The Apartment”). Na verdade, Hitchcock nunca ganhou um Oscar.

“Melhor Filme”, nos Prémios Edgar Allan Poe 1961. “Melhor Actriz Secundária” (Janet Leigh), nos Globos de Ouro 1961.

Foi o último filme que Hitchcock fez para a Paramount. Contudo, durante a fase de produção, Hitchcock já se tinha mudado para a Universal (onde acabaria a sua carreira). A Paramount estava receosa com o projecto. Financiou com pouco e até retirou salário a Hitchcock, acordando apenas percentagens das receitas (o estúdio acreditava num flop). Com o sucesso imenso, a comissão de Hitchcock permitiu-lhe ganhar uma “pequena” fortuna.

Hitchcock usou lentes com distância focal de 50mm, permitindo um ângulo de visão/aproximação o mais próximo do tipo de visão do olho humano.

Para Hitchcock, “Psycho” é uma comédia (bem negra). Quando lhe perguntaram porquê, o Mestre respondeu que “tinha de ser”.

Para testar o efeito do aparecimento de um “cadáver”, Hitchcock fez Janet Leigh de “cobaia”. O resultado foi (como Hitchcock acreditava) “gritante”.

Walt Disney chegou a negar a Hitchcock o acesso à Disneyland, quando este quis ir lá filmar, anos depois. Disney acusava Hitchcock de ter feito um filme asqueroso chamado “Psycho”.

É o primeiro filme americano onde se vê o dar ao autoclismo numa sanita, algo que provocou grandes embaraços nos executivos dos estúdios e na Censura.

QUEM AINDA NÃO VIU O FILME, SALTE ESTA PARTE

Psycho - Hitchcock & Janet

Muito se falou que Saul Bass (responsável pelos story-boards e pelo genérico) é que desenhou e filmou a cena do chuveiro. A equipa técnica nega.

A famosa cena do chuveiro dura cerca de 45 segundos, conta com 78 planos e foi filmada em 7 dias. É uma das cenas mais estudadas nas escolas de cinema. Hitchcock queria a cena com um mínimo de som (os gritos da vítima e o som da faca a cravar-se na carne), mas mudou de opinião ao ouvir a música que Bernard Herrman compôs para tal momento e o efeito que dava à cena. Hitchcock gostou de tal maneira da música de Herrman, que lhe duplicou o salário. Segundo Hitchcock, “Psycho” deve 33% do seu efeito à música.

Ao ver a dita cena, Janet Leigh deu conta do quanto vulnerável é o acto do duche. Passou a tomar banho de imersão.

Ao contrário do que diz um “mito urbano”, sobre a cena do chuveiro, a água não estava fria (para ajudar aos gritos de Janet Leigh). Leigh sempre disse que toda a equipa foi muito atenciosa com ela e que a água estava sempre a uma temperatura confortável.

O som correspondente ao da faca a penetrar na carne (humana) é de uma a furar um melão. O sangue era feito a partir de xarope de chocolate.

Surgiu o rumor que se via um pouco dos seios de Janet Leigh na cena do duche. Nada de mais falso. Tal cena foi revista frame by frame por Hitchcock e os editores e nada foi encontrado.

Para a cena do chuveiro, Janet Leigh usava peças adesivas para tapar as partes íntimas. Mas a água quente fez com que muitas se soltassem e deixassem Janet “au naturel”. Hitchcock ainda fez mais um take depois de tal e parte dele está na montagem final. Há quem se tenha dado ao trabalho de ver a cena, frame by frame, e com retoques digitais a nível de nitidez e luminosidade, tenha conseguido ver algumas private parts.

Uma body double foi usada na cena do chuveiro. Era Marli Renfro, que foi capa da Playboy em Setembro de 1960, ainda em plena estreia de “Psycho”. Curiosamente, a foto da capa mostrava Marli num… chuveiro.

Peritos em oftalmologia disseram a Hitchcock que Janet Leigh tinha as pupilas contraídas quando simulava estar morta. Na realidade, quando alguém morre, as pupilas dilatam. Recomendaram a Hitchcock o uso de gotas de belladonna. Hitchcock recorreria a este truque em filmes posteriores.

Hitchcock recebeu uma carta de um pai indignado pelo facto da filha nunca mais ter tomado banho após ter visto “Psycho”. Hitchcock sugeriu ao senhor que a levasse às lavagens a seco.

Janet Leigh sobre a cena do chuveiro –

Psycho - Image 3

———  E PRONTO, TERMINARAM OS SPOILERS ——–

O livro de Robert Bloch inspira-se nos crimes de Ed Gein, um assassino que matou várias mulheres em 1957, conservava-lhes as cabeças, fazia artefactos com a pele delas e mantinha limpinho o quarto da falecida mãe. Gein inspirou também o personagem de Leatherface (o assassino da moto-serra na saga “The Texas Chainsaw Massacre”, que tinha uma máscara feita da pele humana de muitas das suas vítimas) e Buffalo Bill (o psycho-killer de “Silence of the Lambs” que matava mulheres e retirava-lhes a pele).

“Psycho” originou 3 sequelas – “Psycho II” (assinado por Richard Franklin, que foi grande estudioso de Hitchcock, chegou a conhecê-lo e a ter amizade com ele), “Psycho III” (realizado pelo próprio Anthony Perkins) e “Psycho IV – The Beginning”. Não são isentos de interesse (principalmente o “II”). “Psycho IV” é um telefilme (e uma prequela, que foca a infância de Norman – Henry Thomas, o menino de “E.T.” dá-lhe rosto).

O livro “Psycho” – http://mgpfeff.home.sprynet.com/bio-01.html

Sobre Robert Bloch – http://www.goodreads.com/author/show/12540.Robert_Bloch

Sobre Ed Gein (o assassino que inspirou o livro) – http://oserialkiller.com.br/ed-gein/

Citações de Robert Bloch –

http://www.goodreads.com/author/quotes/12540.Robert_Bloch

Marli Renfro (a body double de Janet Leigh) – http://tookuspookus.wordpress.com/tag/marli-renfro/

A cover de Marli – http://www.whosdatedwho.com/tpx_192662/marli-renfro/magazinecovers

Psycho II - Poster 1

Psycho II (1983)

Foi uma das grandes surpresas do ano. Afinal, quem imaginaria que haveria uma sequela a um filme de Hitchcock. E quem se atreveria a tal?

Mas ela veio.

23 anos depois dos eventos conhecidos no primeiro filme, Norman Bates já está devidamente avaliado e considerado apto para viver na sociedade. Norman regressa ao motel e a casa. Lila (a irmã de Marion, uma das vítimas do primeiro filme) não se conforma com a decisão do tribunal e decide perseguir Norman com objectivo de se vingar ou de o apanhar em flagrante. Norman consegue um emprego como auxiliar de cozinha num diner e até trava amizade com a simpática Mary, uma das empregadas. Norman convida Mary a viver na casa e a ajudá-lo no motel. A amizade cresce (e cada um até parece ter outros sentimentos). Mas uns estranhos eventos começam a ocorrer na casa e no motel, acrescidos de uns assassinatos. Está Norman ainda louco, a mãe está de “volta” ou anda alguém a assombrar a casa?

Há gente ilustre a bordo de “Psycho II”.

Richard Franklin realiza. Este australiano chegou a estudar Hitchcock durante os seus tempos de faculdade, conheceu o Mestre e até conviveu com ele. Franklin deu nas vistas em 1981 com “Roadgames” (por lá anda Jamie Lee Curtis, filha de Janet Leigh – a Marion Crane de “Psycho” – e revelada em “John Carpenter`s Halloween”, que chegou a ser considerado o melhor filme de terror depois de… “Psycho”), que recebeu bons elogios da crítica que viu no filme um exercício hitchcockiano e derivado de “Rear Window”.

Na fotografia está Dean Cundey. Cundey assinou a fabulosa trilogia “Back to the Future” e tem grande parte do seu curriculum associada a uma boa parte da filmografia de John Carpenter (incluindo “Halloween”).

Albert Whitlock assina os efeitos visuais (atenção a um plano com panorâmica aérea, num perfeito uso de matte painting, que faria as delícias de Hitch). Whitlock teve essa função em “The Birds”, outra obra-prima de Hitchcock.

Jerry Goldsmith encarrega-se da música e faz um bom trabalho.

Tom Holland escreve o argumento. Holland mostrar-se-ia um dos nomes mais talentosos do terror 80s (escreveu e realizou “Fright Night” e “Child`s Play”, duas sagas emblemáticas do género).

Vera Miles regressa como Lila (o seu apelido traz uma surpresa).

Meg Tilly, uma das adoráveis meninas dos 80s, é o interesse sentimental de Norman.

“Psycho II” deve ser visto mais como uma continuação do que uma sequela.

Holland cria um argumento que visa mostrar o que acontece a Norman e às personagens que ele afectou, 23 anos depois. Norman é mostrado como um indivíduo que quer ser normal e a narrativa até atinge bons níveis emotivos e sentimentais (a sua amizade com Mary). O argumento passeia-se pela clássica história da casa assombrada com toques de Agatha Christie. Há lugar para bons twists – um logo a meio do filme sobre quem é quem e quais as suas motivações, mas o (surpreendente) final reserva-nos ainda mais duas surpresas (embora fique a sensação que, com a passagem do tempo e à medida que pensamos nelas, ainda que as surpresas resultem como surpresas, acabam por ser narrativamente forçadas – mas isso será algo à consideração de cada um).

Franklin dirige com competente sentido de ritmo e atmosfera, sabe brincar e homenagear Hitchcock (alguns planos parecem copy/paste e até há momentos que parecem momentos do filme original mas em reverse), não se inibe de vincar o filme na linha do género como era feito nos 80s, sabe ser contido nos momentos de violência (apesar de haver um plano que faria a inveja a Lucio Fulci) e dá ao filme um tom próximo do giallo. Há momentos de medo e susto muito bem conseguidos e os assassinatos estão bem encenados.

Vermos o Bates Motel e a casa a cores tem um efeito interessante, mas menos assustador. Afinal, por alguma razão (para além da financeira e logística) Hitchcock filmou “Psycho” a preto-e-branco.

Anthony Perkins tem em Norman Bates a sua segunda pele, pele que, obviamente, o actor está sempre esplêndido, comovente e inquietante.

Atenção plano final.

Um muito conseguido regresso e uma sequela de bom nivel.

Curiosidades:

  • A personagem de Meg Tilly chama-se Mary Samuels (em “Psycho”, Marion Crane inscrevia-se no Bates Motel como Marie Samuels).
  • Meg Tilly não tinha visto “Psycho” e por isso não compreendia o impacto do filme e toda a atenção dada pela imprensa a Anthony Perkins. Um dia, quando perguntou o porquê de tanta atenção dada a Perkins, este ficou de tal modo incomodado que chegou a sugerir a substituição de Meg.
  • Atenção à silhueta de Hitchcock no momento em que se entra no quarto da mãe.
  • Oz Perkins, um dos filhos de Anthony, surge num reflexo, para mostrar um jovem Norman.
  • John Williams chegou a ser sugerido como o autor da banda sonora.
  • Hilton A. Green (Assistente de Realização de Hitchcock em “Psycho” e produtor da sequela) queria Jamie Lee Curtis para a personagem que foi para Meg Tilly. Como Jamie era filha de Janet Leigh…
  • Foi produzido para ser exibido na televisão, mas tudo mudou quando Anthony Perkins aceitou participar.
  • Os produtores estavam receosos que Perkins não aceitasse participar no filme, por isso Christopher Walken era o Plano B.
  • Perkins chorou quando ouviu o tema principal da banda sonora.
  • Robert Bloch (o autor do livro em que se inspira “Psycho”) chegou a escrever, em livro, “Psycho II”, em 1982. Mas a trama é diferente – Norman foge do asilo e segue para Hollywood para impedir que se faça um filme sobre ele.
  • Holland demorou 6 meses a fazer o argumento.
  • Arrecadou 34 milhões de Dólares no box-office USA. Foram mais 2 que “Psycho”. Mas como “Psycho” custou menos de 1 e “Psycho II” custou 5, acrescido dos devidos efeitos de inflação 23 anos depois, o filme de Hitchcock foi mais bem sucedido financeiramente.
  • A cena final foi mantida em segredo total até ao momento da rodagem. Os detalhes dela só eram do conhecimento de Franklin e Holland.

Trailer

Psycho III - Poster 1

Psycho III (1986)

Perante a boa aceitação crítica e pública de “Psycho II”, siga para mais.

Desta vez, Perkins também assina a realização. É a sua opera prima.

O filme decorre pouco tempo depois dos eventos vistos no filme anterior. Norman parece melhor, mas a “mãe” é que anda mais possessiva. Tudo se complica entre os “dois”, quando Norman dá guarida a uma (bonita) ex-freira que fez uma tentativa de suicídio. Pelo meio, surge um road drifter em busca de diversão, pouco trabalho e dinheiro fácil. No encalço de Norman anda uma jornalista. Durante uma noite, o Bates Motel é o cenário de uma rave (sim, andam por lá beldades desejáveis e com roupas curtas). Como é que Norman vai equilibrar os seus desejos e as obsessões da “mamã”?

Mais gente ilustre na equipa técnica:

Carter Burwell (habitual colaborador dos Cohen) é responsável pela música e faz um bom trabalho.

Bruce Surtees (colaborador em muitos filmes de Clint Eastwood – como actor e como realizador) assina a fotografia.

Henry Bumstead (que também já trabalhou com Eastwood e Hitchcock) encarrega-se da cenografia.

Ainda que localizado no Bates Motel e à volta de Norman & Mama, estamos mais perante um típico horror flick da década. Há, aqui e ali, uma tentativa de fazer continuidade dentro da saga, mas sente-se que já pouca coisa há para desenvolver e o que se narra é simples. Há uma questão religiosa que envolve a freira, mas não tem o devido desenvolvimento.

Perkins dirige com eficácia, conseguindo aqui e ali um bom momento de susto e suspense (a cena com a geladeira e o cadáver). Felizmente que Perkins nunca cai na armadilha de imitar Hitchcock (embora o prólogo tem a sua piscadela ao mestre e a “Vertigo”), mas deixa o filme fugir para um maior explicito (na nudez e na violência – um assassinato numa cabine telefónica tem um toque à Dario Argento) que era regra na época. Vale um final que até consegue algum impacto.

Pormenor curioso na narrativa – depois do twist que nos é dado no final de “Psycho II”, aqui faz-se um twist a esse twist. A cada um decidir qual volta ou reviravolta prefere.

Há lugar para humor negro (quando alguém diz a Norman que não pretende ficar no motel durante muito tempo, ele responde “Ninguém Fica” – veja-se o ar de Norman) e umas piscadelas ao primeiro filme (uma morte nas escadas, a freira tem como iniciais M.C.).

Perkins continua perfeito como Norman e o plano final é bem prova disso (conseguindo dar mais medo e inquietação que todo o filme).

Curiosidades:

  • Apesar de ser a sua estreia como realizador, toda a gente tratou impecavelmente Perkins nessa função, tendo boas recordações das filmagens e do clima criado.
  • Perkins chegou a convidar Richard Franklin (responsável por “Psycho II”) como co-realizador, mas ele recusou.
  • Perkins quis filmar a preto-e-branco, como homenagem ao filme de Hitchcock, mas o estúdio recusou.
  • O final teve de ser refilmado, pois o primeiro screening não foi totalmente do agrado do estúdio.
  • O argumentista Charles Edward Pogue (“The Fly”, “D.O.A.”, “Dragonheart”) confessou, anos mais tarde, como era o argumento inicial – a personagem feminina era a psicanalista de Norman e este estava ser assediado por um obcecado assassino.
  • Foi durante as filmagens que Perkins descobriu que estava doente de SIDA.
  • Hilton A. Green (novamente produtor) nunca gostou muito deste filme e considera-o como o mais fraco da saga, devido à nudez e violência mais explícita.
  • Perkins andava de tal modo entusiasmado, que era frequente ligar a Pogue, mesmo a horas tardias, com ideias.
  • Perkins inspirou-se em “Blood Simple” (a obra de estreia dos Irmãos Cohen) e tentou dar ao seu filme o mesmo estilo. Pediu mesmo às equipas de filmagem e elenco que vissem o filme dos Cohen.

Trailer

Psycho IV - Poster 3

Psycho IV (1990)

(subtitulado “The Beginning“)

Os fracos resultados de público e crítica à volta de “Psycho III” levaram a que esta nova sequela fosse feita para televisão.

Anos depois dos eventos do filme anterior, encontramos Norman aparentemente curado (?), recuperado, feliz, casado (??), numa casa nova e ocupado com o seu aniversário. Durante os preparativos, Norman acompanha um programa radiofónico sobre assassinos das suas mães, com depoimentos dos próprios e de analistas. Norman decide dar o seu testemunho, por telefone, sobre a sua experiência. É assim contada a sua infância e muitas explicações são dadas. Mas Norman assusta com a revelação final – a prenda máxima do seu aniversário vai ser mais um assassinato. Quem e porquê?

Mais um encontro de boa gente:

O argumentista de “Psycho”, Joseph Stefano, regressa. Stefano decide ignorar todos os twists que foram feitos em “Psycho II” e “Psycho III” e seguir o caminho delineado em “Psycho”.

Na realização está Mick Garris, competente artesão do género nos 80s e 90s (escreveu “Critters II”, “The Fly II”, da sua parceria com Stephen King surgiram “Sleepwalkers” e a série “The Shinning”).

Graeme Revell (“From Dusk Till Dwan”, “Pitch Black”, “Sin City”) compõe a música e utiliza o tema original de Bernard Herrmann.

No elenco, gente talentosa como Henry Thomas (o Elliott de “E.T.”) e Olivia Hussey (talentosa e bela actriz conhecida em dois do maiores trabalhos de Franco Zeffirelli – “Romeo & Juliet” e “Jesus of Nazareth” – mas com gosto pelo terror – o original “Black Christmas” e a mini-série “It”).

Na fotografia está Rodney Charters, um veterano da televisão (“Friday the 13th – The Series”, “Nightmare Café”, “Pretender”, “24”, “Dollhouse”).

John Landis tem uma pequena participação.

Com este novo filme, pretende-se um regresso às origens.

É certo que o tom geral do filme não se afasta dos pergaminhos de um bom telefilme. Mas isto não é um defeito. O argumento até consegue criar no espectador a devida complacência por Norman devido aos abusos e opressões a que foi sujeito. Mostra-nos uma criança especial, mas que procura ter uma vida normal, algo que lhe é impedido por uma mãe completamente perturbada, obcecada e possessiva (veja-se quando ela lhe bate e confessa que desejava que ele tivesse morrido à nascença). Perto do fim, alguma tensão quando se sabe quem Norman quer matar e surpresa quando sabemos o porquê.

É um bom “desfecho” e “explicação” sobre a personalidade de Norman.

Perkins continua a saber interpretar Norman, nem que seja de olhos fechados. Henry Thomas está muito bem e torna difícil a comparação com Freddie Highmore em “Bates Motel”. Olivia Hussey está esplêndida e bem rivaliza com Vera Farmiga (também de “Bates Motel”).

Foi uma boa “conclusão” para uma das mais enigmáticas, fascinantes e perturbantes figuras do Cinema do Século XX, cujo legado e fascínio vai perdurar ao longo dos tempos.

Curiosidades:

  • Foram filmados vários finais, com o objectivo de confundir todos os membros de equipa técnica e artística, e assim evitar-se fuga de informação. Janet Leigh explicou isso na introdução feita quando o filme foi exibido. Contudo o realizador Mick Garris afirma que só um final foi filmado e que a indicação de tantos finais foi uma manobra de marketing do estúdio.
  • De todas as sequelas, Anthony Perkins considera esta como sendo a melhor.
  • Perkins e Charles Edward Pogue (argumentita de “Psycho III”) pensaram numa ideia para “Psycho IV” – o Bates Motel estava transformado numa atracção para fins-de-semana de festa em ambiente de terror; Norman fugia do manicómio e regressava a casa; o actor que faria de Norman (dentro da festa) não aparecia e Norman ficava com o lugar; claro que as mortes não tardariam e surgia o caos e pânico na confusão entre realidade e fantasia. O estúdio recusou a ideia pois achou que daria origem a uma black comedy e não era isso que estava nos planos.
  • Surgiram planos para “Psycho V”. Este iria focar o filho de Norman e até que ponto a loucura dele seria hereditária ou não. O projecto ficou cancelado quando surgiu a ideia de um remake.

(para ser franco, qual das ideias a pior???)

 Trailer

Considerações sobre as sequelas:

http://www.feoamante.com/Movies/Psycho/psycho_art.html

http://www.peacheschrist.com/?p=5128

Psycho - Image 6

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