Mad Max – A Primeira Trilogia

Mad Max - Logo

 

Mad Max está de regresso ao Cinema.

Figura e saga relevante do género e do Cinema, “Mad” Max (Rockatansky) teve direito a três (notáveis, personalizados e diferentes) filmes.

Tornou Mel Gibson numa estrela.

Mostrou George Miller como um cineasta a ter em atenção.

Chamou a atenção sobre o Cinema vindo da Austrália.

 

Aceleremos até aos três filmes que compõem esta (primeira) saga.

Mad Max - As Motos da Morte - Poster 2

 

Mad Max – As Motos da Morte (1979)

 

Título Original – Mad Max

 

E assim começa a saga.

E aqui nasce o post-apocalyptic sci-fi actioner.

 

Mad Max - Photo 1

 

Austrália. Futuro (ou actualidade?). O mundo está mergulhado no caos e as estradas são autênticos campos de batalha. Os rivais são gangues acelerados (em carros ou motos) e a polícia, através de unidades especializadas.

Max Rockatansky é um polícia jovem, com esposa e filho, que começa a ficar incomodado com o facto de se divertir com a luta e receia que a única diferença entre ele e os inimigos seja o seu crachá.

Pela estrada fora, em busca de sossego com a família, Max volta a ver-se perseguido pelo inimigo e pela violência.

Está na hora da definitiva confrontação.

 

Mad Max - Photo 6

 

Há várias razões para se amar (sim, este é um desses títulos que justifica, plenamente, o uso deste verbo) este filme:

  • A ideia. Visto hoje, o filme ganha um tremendo e assustador poder de (ante)visão da actualidade e do estado das coisas no mundo rodoviário, e até mesmo dos mundos criminal e policial. Visto na época, assustava por aquilo que abordava e antecipava – o mundo regressava às arenas e estas eram as estradas.
  • O tom. Seco, árido, desolador, pessimista, violento e duro.
  • A desolação social. Só na cena inicial se vêm civis, sendo estes como que “carne para canhão” dos gangues, nunca havendo a sensação que estão a salvo e protegidos pelas autoridades.
  • Visão nada heróica da Polícia – parecem criminosos com crachá, dando a ideia que se divertem no caos instaurado.
  • A violência – raramente mostrada, sempre sugerida, de intensa omnipresença, permanentemente ilustrando os seus efeitos.
  • A electrizante música de Brian May (Obs.: não é o elemento dos The Queen).
  • A realização. É um filme feito com uma incrível minúcia, com uma atenção milimétrica ao detalhe, encenação, tom, estilo, de notável sentido de coreografia, impacto e espectáculo.
  • Acção automobilística. É aqui que o filme mostra a sua mais-valia, onde inova e surpreende, com um poder de impacto e espectáculo que fez (e ainda faz) escola.

 

Mad Max - lobbycard 2

 

 

Mad Max - Photo 2

 

 

Mad Max - Photo 3

 

 

Mad Max - Photo 4

 

 

MAD MAX -1979...BKBKRH MAD MAX -1979

 

Sim, já se tinham feito filmes de sci-fi, de antecipação e parábola sobre a sociedade. Mas “Mad Max” é um abanão total. Pela economia narrativa (a história é simples e clássica – mundo em caos, herói com valores e família, que quer fugir da violência, esta persegue-o e ele tem de recorrer a ela para lhe pôr um fim), técnica (o filme é de muito low budget), pelos resultados visuais (verdadeiramente impressionantes – desde o look do futuro até à car action).

Sendo um futuristic sci-fi film, toda estrutura narrativa e o tom traz algo de western clássico.

 

Mad Max - lobbycard 1

 

 

Mad Max - Photo 7

 

 

Mad Max - Photo 10

 

 

Notável trabalho de fotografia, production design e guarda-roupa, que muito ajudam na definição e caracterização dos ambientes e personagens.

 

Mad Max - Photo 11

 

Mel Gibson (ainda muito jovem) tem uma excelente interpretação e uma das melhores da sua carreira, equilibrando o seu lado heróico (ainda que inicialmente relutante, para depois ser vingativo), emocional (a dor quando descobre o que aconteceu à sua família, a raiva quando decide o que fazer) e sentimental (emociona como pai e marido, comove na sua dor quando perde os seus queridos).

 

Mad Max - Photo 9

 

“Mad Max” é um grande filme de acção, de sci-fi futurista e grande Cinema, executado de uma forma absolutamente perfeita.

 

Mad Max - Photo 14

 

 

Mad Max - Photo 15

 

 

Mad Max - Photo 16

 

 

Mad Max - Photo 17

 

Obra-prima total.

Clássico definitivo.

Cult Movie absoluto.

 

Mad Max - Photo 12

 

 

Mad Max (1979) | Pers: Mel Gibson | Dir: George Miller | Ref: MAD003BP | Photo Credit: [ The Kobal Collection / Mad Max ] | Editorial use only related to cinema, television and personalities. Not for cover use, advertising or fictional works without specific prior agreement

 

Realizador: George Miller

Argumentistas: George Miller, James McCausland, Byron Kennedy (sem crédito)

Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, Steve Bisley, Tim Burns, Roger Ward

 

Mad Max - As Motos da Morte - Poster 5

 

Trailer – 

 

Orçamento – 650.000 Dólares

Bilheteira – 8.7 milhões (USA); 100 milhões (mundial)

 

Mad Max - backstage 2

 

Nomeado para “Melhor Colecção em DVD/Blu-Ray”, nos Prémios Saturn 2014. Perdeu (???) para “Chucky/Child`s Play”.

“Melhor Música”, “Melhor Som”, “Melhor Montagem, pelo Australian Film Institute 1979.

“Prémio Especial do Júri”, em Avoriaz 1980.

 

Mad Max - backstage 1

 

Mel Gibson ia a acompanhar Steve Bisley (amigo de Gibson e que interpreta Jim Goose, amigo de Max) à audition para o filme. Mas como Gibson tinha estado numa contenda de porrada na noite anterior (já começavam aqui os violent issues de Gibson) e o seu aspecto estava de tal modo intenso, doloroso e mal-tratado, que o actor foi convidado a voltar dias depois para um screen test (os responsáveis pela auditition ficaram muito bem impressionados pelo look de Gibson). Não foi reconhecido (as feridas estavam saradas), mas foi de tal modo convincente no teste, que foi logo chamado.

O gang das motos era um verdadeiro (mas pacífico), chamado The Vigilantes.

Filmado em 12 semanas, nos arredores de Melbourne. Seis foram para a First Unit, quatro foram para as stunts.

George Miller conseguiu dinheiro ao trabalhar como médico, nas emergências de um hospital (Miller tem formação como médico).

Miller inspirou-se na quantidade de vítimas que assistiu, vindas de acidentes de viação, bem como nas suas memórias de adolescência, em corridas de carros que participou e a assistiu, tendo perdido três amigos nesses eventos.

Devido às restrições orçamentais, muitos dos carros eram reutilizados, mas com cores diferentes (eram pintados e repintados, consoante a cena em que eram necessários), sendo frequentemente utilizados com a tinta ainda fresca. Alguns dos carros eram antigos carros da polícia.

As motos foram uma doação da Kawasaki. Muitos dos bikers ficaram com as motos que tinham em uso.

A carrinha que “explode” na cena inicial estava sem motor. Quando recebe o impacto do carro, e como estava mais leve, a carrinha faz todo aquele espectacular giro. A carrinha era de Miller.

Muitas cenas de acção automobilística planeadas tiveram de ser canceladas por falta de dinheiro.

A cena do acidente automóvel foi tornada mais realista dada a experiência médica de Miler, principalmente com vítimas de acidentes automóveis.

Miller inspirou-se em “A Boy and his Dog” (1975).

Nightrider usa frases que são retiradas da canção “Rocker”, dos AC/DC.

Nos USA, o filme foi alvo de dobragem, devido ao sotaque australiano dos actores. A Special Edition em DVD, de 2002, repôs o som original.

Hugh Keays-Byrne, Tim Burns e Reg Evans (Toecutter, Johnny the Boy, The Stationmaster) são actores de teatro, com formação shakespeariana.

O crash do carro de The Nightrider resulta de um carro “comandado” por um rocket que o lança contra um tanque de combustível. Mas o descontrolo do carro foi grande e este perseguiu a equipa de filmagem por umas boas centenas de metros. Reposta a tranquilidade, filmou-se a explosão da viatura, mas com ela parada. A (engenhosa) montagem cria a devida ilusão da continuidade dos eventos.

Devido ao orçamento reduzido, só Gibson é que usa roupa de couro. As dos outros personagens são feitas de vinil.

Byrne inspirou-se em Genghis Khan.

O carro de Max, no final do filme, é um Ford XB Falcon Coupé, de venda exclusiva na Austrália, de 1973 a 1976. Era um V8 de 5.75 litros.

O carro de Max, no início do filme, é um Ford Falcon XB sedan, e era um carro da polícia, do estado de Victoria.

No filme vêem-se duas placas a indicar duas estradas – “Anarchie” e “Bedlam”. Estas placas ainda hoje existem.

A mota de Goose é uma Kawasaki Z1000, de 1977. A indicação da marca foi removida e substituída por “Kwaka”.

“Mad Max” e “Mad Max 2” partilham dois actores – para além de Gibson, há Max Fairchild – Benno no primeiro filme, um refém (preso à frente do carro dos vilões) no segundo.

Uma cena ficou de fora – Max a tratar da sua ferida, antes de ir à caça de Johnny the Boy. No prólogo de “Mad Max 2”, vê-se parte desta cena.

Uma outra cena apagada mostra os motoqueiros a fazerem um assalto à esquadra da polícia e a matarem todos os agentes.

Joanne Samuel (Jessie, a esposa de Max) foi chamada à última da hora, pois a actriz inicial teve de cancelar a sua presença devido a um… acidente de viação, numa… mota.

Um dos primeiros filmes australianos filmados com lentes widescreen anamorphic. Um outro foi “The Cars That Ate Paris” (1974), de Peter Weir (o seu primeiro filme), que até tem um tema muito semelhante.

Só dois Interceptors foram usados na saga. Um para este filme, que depois seria modificado para cenas de interior em “Mad Max 2”. Terminados os filmes, o carro foi restaurado e exibido no “Cars of the Stars Motor Museum”. O outro foi usado nas cenas de perseguição do segundo filme, mas teve de ser destruído numa cena. Os destroços chegaram a ser vistos em Broken Hill, mas foram roubados. O Planet Hollywood tem uma réplica.

A post-production foi feita na casa de Byron Kennedy. A montagem era feita no quarto, com uma máquina que o pai dele tinha criado.

14 viaturas foram destruídas.

Cameo de James McCausland (co-argumentista) – o homem de barba, com um avental, no diner.

O apelido de Max (Rockatansky) vem de Carl Von Rokitansky, um patologista do Século XIX, pioneiro de um novo método de remoção de órgãos numa autópsia.

Durante 20 anos foi o mais rentável filme de sempre (na relação custo/receitas), sendo depois superado, 1999, por “The Blair Witch Project”.

 

Mad Max - As Motos da Morte - Poster 6

 

 

Mad Max 2 - O Guerreiro da Estrada - Poster 4

 

Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada (1981)

 

Título Original – Mad Max 2

Título USA e para outros países – The Road Warrior

 

Perante o sucesso (e culto) do primeiro filme, eis a sequela.

 

Mad Max 2 - Photo 1

 

Max anda à deriva pela estrada. Trava encontro com uma pequena comunidade, que vive assolada por um gangue. O objectivo? Roubar o combustível feito pela comunidade. A luta é violenta e desigual. Mas com Max, as coisas podem mudar. Até porque (como diz a tagline de um dos posters) “Um Homem pode fazer a diferença”. Mas antes, há que conseguir convencer Max a dar uma ajuda aos bons e inocentes.

 

Mais do que sequela, é uma continuidade.

Dá-se o passo seguinte no desenvolvimento psicológico de Max (está só, abalado, egoísta, sendo apenas um sobrevivente). Inteligente a ideia que o ser mais próximo que ele tem é um cão selvagem.

 

Mad Max 2 - Photo 7

 

Volta-se a ter um look árido e desolador.

Volta-se a ter uma parábola bem pertinente e actual – o estado de dependência dos combustíveis fósseis e os conflitos que tal gera.

Volta-se a ter uma estrutura de western (cenário sem lei nem ordem, maus a assolar bons, anti-herói em cena que vai marcar a diferença).

 

Mad Max 2 - Photo 2

 

 

Mad Max 2 - Photo 3

 

Mas o que se volta a ter é um prodígio de acção. Automobilística. O que já tinha sido excelente no primeiro filme, aqui é elevado à potência. A cena final (que dura quase 20 minutos) é a cena de acção (automobilística ou não) mais louca, demencial, elaborada e espectacular já alguma vez vista e filmada.

  • e lembro que estamos em 1981, ano de “Raiders of The Lost Ark”, a primeira aventura de Indiana Jones, que conta com uma colossal, espectacular, memorável e referencial cena de acção num camião em movimento – com peripécias no interior e no exterior, paralelamente à perseguição.
  • pois bem, o final de “Mad Max 2” está ao nível de espectáculo e é igualmente referencial.

Mad Max 2 - Photo 14

 

 

Mad Max 2 - Photo 18

 

 

Mad Max 2 - Photo 19

 

 

Mad Max 2 - Photo 20

 

Muito interessante é a mudança de Max. Mais susceptível da nossa complacência no primeiro filme, agora roça a entrega da nossa hostilidade. Max é “apenas” um sobrevivente, convertido num egoísta que apenas visa os seus interesses. Mas logra passar pelas portas da redenção (que tem um passo neste filme, mas que virá no filme seguinte).

 

Mad Max 2 - Photo 6

 

 

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Mad Max 2 - Photo 10

 

 

Mad Max 2 - Photo 11

 

 

Mad Max 2 - Photo 4

 

E, como se começava a ver que era/é regra da saga, elogie-se o impecável trabalho a nível de música (mais uma vez, de Brian May – ouça-se o score para a perseguição final), de fotografia (do grande Dean Semler – “Farewell to the King”, “Dead Calm”, “Dances with Wolves”, “Last Action Hero”, “Waterworld”, “xXx”, “Apocalypto”, “Maleficent”), production design (a fortificação no deserto) e guarda-roupa (o look sado-maso e gay dos vilões).

 

George Miller volta a dar uma lição de eficácia, espectáculo, entretenimento, de grande minimalismo narrativo e técnico, resultando tudo em grande impacto, executado na mais rigorosa perfeição.

 

Mel Gibson volta a mostrar que Max é uma segunda pele, conseguindo até que Max seja por vezes algo antipático (veja-se quando ele dá restos ao cão, a sua atitude interesseira e egoísta face ao grupo), mas reabilitando-se quando escolhe um lado e uma atitude (o seu cuidado com a a criança).

 

Mad Max 2 - Photo 12

 

Mais um caso (raro) em que a sequela supera o original.

Mais uma obra-prima do género e de Cinema.

Clássico total.

Culto absoluto.

Seguramente, um dos (três) melhores filmes de acção de sempre.

 

Mad Max 2 - Photo 21

 

Realizador: George Miller

Argumentistas: George Miller, Terry Hayes, Brian Hannant

Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael Preston, Max Phipps, Vernon Wells, Kjell Nilsson, Emil Minty, Virginia Hey

 

Mad Max 2 - O Guerreiro da Estrada - Poster 2

 

Trailer –

 

Orçamento – 2 milhões de Dólares

Bilheteira – 24 milhões (USA)

Mad Max 2 - O Guerreiro da Estrada - Poster 5

 

“Melhor Filme Internacional”, nos Prémios Saturn 1983. Mel Gibson chegou a estar nomeado para “Melhor Actor”, mas perdeu (???) para William Shatner em “Star Trek II: The Wrath of Khan”. George Miller tentou ser “Melhor Realizador”, mas Nicholas Meyer levou (???) a melhor (por “Star Trek II: The Wrath of Khan”). “E.T.” derrotou-o (bem) na categoria de “Melhor Argumento”.

“Melhor Realização”, “Melhor Som”, “Melhor Cenografia”, “Melhor Guarda-Roupa”, “Melhor Montagem”, pelo Australian Film Institute 1982.

“Grande Prémio”, em Avoriaz 1982.

“Melhor Filme Estrangeiro”, pelos críticos de Los Angeles 1982.

 

Mad Max 2 - O Guerreiro da Estrada - Poster 1

 

Nos USA recebeu o título “The Road Warrior”, pois “Mad Max” teve uma estreia limitada e “Mad Max 2” poderia confundir os espectadores.

Muitos dos carros do filme original foram recuperados e reutilizados na sequela.

Grande parte do orçamento foi usado na construção e destruição do set montado no deserto.

O guarda-roupa dos vilões é composto por artigos vindos de lojas de segunda mão, de desporto e de sado-maso.

O local das filmagens foi escolhido por ser seco e raramente chover. Curiosamente, a meio das filmagens choveu – pela primeira vez, em quatro anos. Contudo, ao contrário do que o filme indica, fazia muito frio. Entre takes, Gibson tinha de usar um cobertor.

 

Mad Max 2 - backstage 2

 

Dean Semler foi o Director of Photography escolhido. Mas John Seale também foi ponderado. Seale assina a fotografia de “Mad Max: Fury Road”. Semler regressaria à mesma zona de filmagens em 1984, para “Razorback” (de Russell Mulcahy).

Filmado em continuidade.

Mais de 80 viaturas foram usadas.

 

Mad Max 2 - Photo 5

 

As explicações para o look de Max:

  • Manga direita do casaco em falta – depois de ter sido atropelado nesse braço em “Mad Max”, os médicos precisaram de cortar a manga para o tratar.
  • Ligeiro mancar e a articulação externa num joelho – Max foi ferido numa perna no final de “Mad Max”.
  • Ferramentas na perna – para reparações no seu Interceptor.
  • Luvas cortadas nos dedos – para maior controlo quando pega em balas e as carrega na sua shotgun.

Mad Max 2 - Photo 8

 

O cão de Max foi comprado num abrigo para animais. O cão foi salvo da morte, pois estava numa death row. O ruído dos carros assustava-o, pelo que ele teve de usar umas protecções para os ouvidos. Terminadas as filmagens, foi adoptado por um dos operadores de câmara.

Um dos acidentes simulados foi mesmo real. Um stuntman, numa mota, choca com um carro e deveria “voar” sobre ele, mas embate no parabrisas. O momento ficou na montagem final e o homem partiu uma perna.

 

Mad Max 2 - backstage 1

 

Miller e os argumentistas inspiraram-se em samurais movies de Akira Kurosawa e num livro de Joseph Campbell (“The Hero With a Thousand Faces”).

O prólogo não faz parte da montagem para o mercado australiano. O prólogo tem como objectivo apresentar o personagem de Max (“Mad Max” teve estreia escassa nalguns mercados; “Mad Max 2” teve melhor sorte e tal cena servia para dar a devida informação aos espectadores que não conheciam Max e a sua origem).

A amizade entre Max e o miúdo inspira-se em “Shane”.

Chegou-se a ponderar um romance entre Max e a mulher guerreira.

Humungus deveria ser Jim Goose (o colega e amigo de Max, no filme original), agora tornado mau. Recusou-se a ideia, mas mesmo assim, o personagem permite a ligação – rosto queimado, uso de veículo policial e de uma arma da polícia.

A acção passa-se dois anos depois de “Mad Max”, 15 anos antes de “Mad Max 3”.

Uma cena inicial mostraria Max a chegar a uma quinta, onde encontraria os seus habitantes massacrados por Wez e os seus comparsas. Max seria perseguido por eles e chegaríamos à perseguição do início do filme.

 

Mad Max 2 - Photo 13

 

O camião-cisterna tem a indicação “7 Sisters Oil”. É uma referência a uma (suposta) conspiração que envolvia sete companhias produtoras de petróleo, que teriam criado um consórcio no sentido de controlar e manipular o mercado.

O cut original era mais violento.

Na data, era o filme australiano mais caro de sempre.

É o primeiro filme australiano a ter som Dolby.

Dentro da saga, é o filme preferido de Mel Gibson.

Gibson só tem 16 lines.

“Mad Max 2” deveria ser o final da saga. Miller não queria um terceiro filme e pretendia levar a cabo a adaptação de “Lord of the Flies”, novamente sobre um futuro apocalíptico, com um grupo de crianças selvagens, encontradas e salvas por um adulto. Mas tudo rumou para “Mad Max 3” quando alguém ponderou que Max deveria ser esse adulto.

 

Mad Max 2 - O Guerreiro da Estrada - Poster 7

 

A Empire elegeu “Mad Max 2” como um dos “500 Melhores Filmes de Sempre”.

O New York Times elegeu “Mad Max 2” como um dos “1000 Melhores Filmes de Sempre”.

A Entertainment Weekly elegeu “Mad Max” na posição 41 dos “100 Melhores Filmes de Sempre”. Max é o 11º dos “Heróis Mais Cool da Pop Culture”.

Há um museu dedicado a Mad Max, na pequena povoação de Silverton, a 25 Km de Broken Hill. “Mad Max 2” foi filmado nas imediações.

Steven Spielberg ficou de tal modo impressionado com o filme e com o trabalho de Miller, que o convidou para realizar um segmento de “The Twilight Zone” (“Nightmare at 20.000 Feet”, o quarto capítulo do filme, considerado como o melhor).

“Mad Max 2” é uma grande influência em James Cameron para “The Terminator”.

 

Mad Max 2 - O Guerreiro da Estrada - Poster 6

 

 

 

Mad Max 3 - Além da Cúpula do Trovão - Poster 1

 

Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão (1985)

 

Título Original – Mad Max Beyond Thunderdome

 

Chegamos ao terceiro filme.

Onde há uma mudança.

 

Mad Max 3 - Photo 1

 

Max continua na sua deambulação pelo deserto. Vai parar a Bartertown, uma cidade selvagem, gerida por uma mulher. Max consegue fugir e no percurso é encontrado por uma tribo de crianças que precisa de um líder. Assim se inicia uma nova jornada de luta para Max.

 

Mad Max 3 - Photo 2

 

Menos actioner (há “apenas” duas cenas de acção – impecavelmente encenadas), é mais uma dark fairytale, sendo, talvez por isso, o menos amado título da saga.

O que é injusto.

(e eu até torci o nariz quando o vi pela primeira vez, tendo-o revalorizado nas revisões seguintes)

Continuamos numa visão nada utópica do futuro (houve uma guerra nuclear e os sobreviventes organizaram-se em tribos algo primitivas), mas o que conta é a redenção final de Max, o seu encontro com a sua humanidades graças a uns lost boys, o seu esforço em levá-los a “casa”, mesmo que tal acarrete um sacrifício ao (anti-)herói.

 

Mad Max 3 - Photo 4

 

 

Mad Max 3 - Photo 12

 

 

Mad Max 3 - Photo 14

 

 

kinopoisk.ru

 

 

Mad Max 3 - Photo 16

 

 

Mad Max 3 - Photo 18

 

Como sempre na saga, grande e muito bem coreografada acção (o duelo em Thunderdome reinventa o conceito das arenas romanas; a perseguição final evoca a de “Mad Max 2”, com algumas e interessantes variantes), aliada a um humor algo negro e inesperado (os comportamentos de Aunt Entity; quando Max entrega as suas armas e “desfila” um autêntico arsenal).

 

É certo que nunca seria fácil à saga (ou a qualquer outra) igualar os feitos (absolutamente brilhantes) dos dois episódios anteriores. George Miller e companhia têm noção disso e tentam (bem, a meu ver) levar a saga para outros rumos e tons. Mas apesar das suas “fraquezas” (na “hierarquia qualitativa”, “Mad Max 3” é o último desta trilogia – mas não por falta de méritos, mas porque os dois episódios anteriores são magistrais e insuperáveis), “Mad Max: Beyond Thunderdome” é um filme que merece ser (re)descoberto e (re)valorizado, tendo muito a ganhar com novas (re)visões.

 

Mad Max 3 - Photo 11

 

 

MAD MAX BEYOND THUNDERDOME, from left: Angry Anderson, Ted Hodgeman, 1985, ©Warner Bros.

 

 

Mad Max 3 - Photo 5

 

 

Mad Max 3 - Photo 6

 

 

kinopoisk.ru

 

Como habitual, um impecável production design (o look de Bartertown – entre o medieval e o primitivo) e guarda-roupa, ilustrados por uma excelente fotografia (o grande Dean Semler repete funções).

 

Como é regra na saga, um argumento com uma estrutura de western (a povoação sem lei nem ordem, o forasteiro a resolver o caos).

 

Muito boa partitura do grande Maurice Jarre.

 

Mad Max 3 - Photo 3

 

Mel Gibson continua excelente como Max.

Tina Turner dá um ar da sua graça, como uma divertida vilã.

 

Miller (agora com uma ajuda) volta a filmar o caos de forma rigorosa e brilhante, criando imagens e momentos de desolação com grande impacto.

 

A perseguição final é de bom nível de espectáculo, mas (como era de esperar) não atinge o nível demolidor da de “Mad Max 2”.

 

Um óptimo “adeus” a Max e à saga.

 

Mad Max 3 - Photo 8

 

Realizadores: George Miller, George Ogilvie

Argumentistas: George Miller, Terry Hayes

Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence

 

Orçamento – 12 milhões de Dólares

Bilheteira – 36 milhões (USA)

 

Mad Max 3 - Photo 17

 

Trailer –

 

Mad Max 3 - Magazine Cover 1

 

As canções de Tina Turner, da banda sonora:

 

One of the Living” – o tema que abre o filme

(#15 no Canadá e nos USA, #55 a Inglaterra, nas single charts)

 

We Don`t Need Another Hero” – o tema que fecha o filme

(#1 no Canadá, #2 nos USA, #3 na Inglaterra, nas single charts)

 

Mad Max 3 - Mel Gibson & Tina Turner - Promo Photo 1

 

A canção “We Don’t Need Another Hero” esteve nomeada para “Melhor Canção”, nos Globos de Ouro 1986. Perdeu para “Say You, Say Me” (de Lionel Richie, para o filme “White Nights”).

Nomeado para “Melhor Filme de Ficção Científica”, nos Prémios Saturn 1986. Perdeu (com justiça) para “Back to the Future”. George Miller esteve nomeado para “Melhor Realizador”, mas Ron Howard (por “Cocoon”) foi preferido (???). O filme também tentou o “Melhor Argumento”, mas “Fright Night” foi considerado superior (é justo).

“Melhor Actriz” (Tina Turner), nos Prémios Image 1986.

 

Mad Max 3 - Mel Gibson & Tina Turner - Promo Photo 2

 

George Miller perdeu interesse em fazer o filme depois da morte do seu amigo e produtor Byron Kennedy. Kennedy faleceu num acidente de helicóptero, enquanto sondava locais para filmagens. Mesmo assim, Miller acabou por participar no filme, assinando apenas as cenas de acção (George Ogilvie tratou das outras cenas – Ogilvie já era conhecido de Miller, pois tinham trabalhado numa mini-série, em 1983, chamada “The Dismissal”). O filme é dedicado a Kennedy.

Inicialmente o filme seria sobre um grupo de crianças selvagens, a partir do livro “Lord of the Flies”. Enquanto se pensava que adulto os deveria encontrar, alguém pensou em Max. E assim nasce a sua terceira aventura.

Miller disse, na época de “Mad Max 2”, que o mundo onde a acção se passa é um onde se dão os colapsos dos sistemas políticos, sociais e económicos (uau, então é um documentário sobre a actualidade!!!), contrariando assim opiniões que o colocavam depois da Terceira Guerra Mundial (com nuclear). Este novo filme acaba por contradizer a questão da guerra.

A tempestade de areia que se vê no final é real. Estava-se em filmagens no momento e todos tiveram de procurar abrigo.

 

Mad Max 3 - Photo 13

 

O argumento exigia que a personagem de Tina conduzisse. Mas como ela não sabia conduzir com mudanças manuais (todos os carros tinham essa opção), um carro com mudanças automáticas (Tina sentia-se mais à vontade com elas) teve de ser construído.

A acção passa-se 15 anos depois de “Mad Max 2”.

Max usa agora uma shotgun diferente.

Era suposto ser o final da saga, com Max a recuperar a sua humanidade.

É o primeiro filme da saga com financiamento americano.

Mudança na música – depois de Brian May nos dois primeiros filmes, agora é o lendário Maurice Jarre que assina o score.

Foi o único filme da saga a ter classificação PG-13.

Duas cenas tiveram de ser retiradas da montagem final, por uma questão de ritmo:

  • Numa, Max ainda sonha com a esposa e filho (já falecidos – “Mad Max”), acorda e chora, dando conta que se tornou igual àqueles que lhe fizeram mal e que ele perseguiu.
  • Na outra, Max ajuda um moribundo personagem a chegar a Bartertown.

 

 

Mad Max - Mel Gibson - Photo 1

 

Mad Max e a sua influência

 

Mad Max

James Wan e Leigh Whannell inspiraram-se na cena de Max e um vilão, à volta das algemas, tornozelo e um serrote, para a saga “Saw”.

O vídeo musical “Addicted to Bass”, dos Puretones, é inspirado pela perseguição inicial em “Mad Max”.

A cantora Ke$ha inspirou-se no visual da saga para a sua “Get $leazy Tour”.

 

Mad Max 2

Guillermo Del Toro, David Fincher, Robert Rodríguez e James Cameron têm no filme como um dos seus favoritos.

Num episódio da série “Rugrats” (“The Sky is Falling”), faz-se uma paródia ao filme.

Nikki Sixx usou os filmes da saga (e também “John Carpenter`s ´Escape From New York`”) como inspiração para os seus espectáculos e para as roupas de Motley Crue.

 

Mad Max Beyond Thunderdome

Na canção de Snoop Dogg, “Gangbanging 101”, faz-se referência a Thunderdome.

Um spot publicitário à série “The Voice” paradiava o conceito de Thunderdome.

No vídeo de uma canção de 2Pac’s, “California Love”, usam-se ideias de momentos do filme.

 

Como criador do género post-apocalyptic sci-fi actioner, aliado ao sucesso e culto gerado, era de esperar que “Mad Max” tivesse uma série de sucedâneos, imitações e rip-offs. Eis alguns:

http://www.empireonline.com/features/mad-max-knock-offs

 

O maior importador e construtor de replicas à volta da saga “Mad Max”

www.madmaxcars.com

 

Girl-Power em Mad Max style

https://faustuscrow.wordpress.com/2014/08/22/mad-max-malphas-dystopian-succubus/

 

Mad Max - Mel Gibson - Photo 2

 

Décadas depois da sua criação, Mad Max ainda mantém o seu poder?

Sim, e por várias razões.

O poder de entretenimento continua incólume, pelo tom estonteante do planeamento e espectáculo da acção automobilística (em jeito old school, sem ajudas informáticas).

Max é um personagem fascinante pelas suas emoções, comportamentos e variações na descoberta do seu Eu, na iniciativa e capacidade de sobrevivência naquele mundo.

A parábola que as histórias contêm estão mais actuais que nunca e é caso para se questionar onde termina (terminou?) a sci-fi e começa o “documentário”.

Em termos logísticos, a saga é uma lição de Cinema em matéria de gestão de meios, organização narrativa, minimalismo (técnico e narrativo) para uma maximização de espectáculo.

É, portanto, e com toda a justiça, uma das sagas mais aclamadas, referenciais e influentes do Cinema.

 

 

Mad Max - Collection Cover

 

A saga “Mad Max” tem edição portuguesa em DVD (com masters antigos) e em Blu-Ray (num excelente transfer, diga-se). Os DVD andam a bom preço. Nos mercados externos é possível encontrar o pack em Blu-Ray a melhor preço.

 

 

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