A Fúria do Herói (1982)

Título original – First Blood

John Rambo é um dos personagens mais relevantes do Cinema e da pop culture.

John Rambo é um dos personagens mais emblemáticos de Sylvester Stallone.

Eis o filme que tudo começou.

Um título de produção complicada (ninguém o queria fazer e interpretar, apesar da excelência dos muitos nomes envolvidos – atrás e à frente das câmaras).

Stallone soube aproveitar um desígnio do Destino e criou uma nova segunda pele, bem como uma nova saga de sucesso.

John J. Rambo é um antigo combatente do Vietname.

Rambo chega a uma pequena povoação em busca de um antigo camarada.

A hostilidade das forças policiais locais levam Rambo a recorrer à sua melhor defesa (e ataque) – a sua suprema destreza de combatente.

John Rambo começa como um personagem literário (bem dramático, violento e trágico), num romance de título “First Blood”, escrito por David Morrell em 1972 (ainda durava o conflito do Vietnam, embora já perto do fim).

Hollywood interessa-se pela adaptação e bem longo é o processo entre o despertar do interesse até ao primeiro dia de filmagens – tal daria matéria para um filme.

Sylvester Stallone (então uma movie star graças ao sucesso da saga “Rocky” – que já contava com dois episódios) é a última escolha e Sly não perde a oportunidade (até porque vê aqui a possibilidade de mais uma saga-personagem para a sua carreira).

Muito se fala de “First Blood” como “apenas” (mais) um actioner.

Sim, o filme é desse género, mas é também um drama humano, uma ilustração sobre os efeitos da guerra num combatente, as acções da “casa” sobre os ex-combatentes regressados.

Como actioner, o filme não podia ser mais directo.

As peripécias começam pouco depois dos 15 minutos (poucos actioners conseguem tal, o que faz do filme uma referência) e decorrem a um ritmo non-stop, sem ser atabalhoado, banal ou confuso.

Inteligentemente, o argumento põe a  acção a mover-se primeiro e dá as explicações durante a mesma (algo que Steven Spielberg aplicou em “Raiders of the Lost Ark”; Walter Hill já tinha feito em “48 Hrs.”; James Cameron seguiria essa regra em “The Terminator”; Robert Zemeckis também brincaria com isso em “Back to the Future”; Paul Verhoeven faria tal em “RoboCop”; o mesmo aplicaria Richard Donner em “Lethal Weapon”; John McTiernan punha acção e terror, com poucas explicações, em “Predator”, sendo mais explicativo em “Die Hard”; não é por acaso que todos estes títulos são referências em matéria de actioner e ritmo) – outra virtude que faz do filme uma referência.

Contrariando as regras do género, aqui não há um duelo entre good guys e bad guys. O duelo move-se por erros, preconceitos, excessos de zelo na aplicação da Lei & Ordem. Todos os personagens em cena são vítimas, devido a diferentes circunstâncias.

Voltando a contrariar as regras do género, o body count é baixíssimo – 1. Muito se fala, ridicula e estupidamente, o quanto “First Blood” é um filme cheio de violência e mortos. Se a violência é um acto duplo, desnecessário na sua origem (a exercida pelas autoridades sobre Rambo) e justificado na sua reacção (Rambo só quer fugir e sobreviver), já a vítima mortal só se pode queixar de si própria (Rambo mata ninguém ao longo do filme, só fere) – mais um detalhe onde o filme é inteligente e referencial.

Portanto, aqui fica a lembrança (ou informação) – em “First Blood” só morre uma pessoa (em muito melodrama, até às vezes pleno de lamechice, morre-se mais).

No campo do drama, temos um homem ainda atormentado pelo seu passado violento como ex-combatente num conflito selvagem, que procura um regresso à civilização, o reencontro com um ex-camarada, o encontro de paz.

O drama é de um homem que só encontra hostilidade e indiferença perante um país que ele serviu com honra e bravura.

O drama é de um homem que se vê completamente só.

O drama é de um homem que tem de recorrer àquilo do qual ele pretende fugir, mas como sendo a sua única arma de sobrevivência.

O drama é de um homem que tudo o que precisa é de uma oportunidade de voltar a sentir-se útil, de encontrar tranquilidade e de libertar os seus traumas.

O drama é de um homem que só quer um ombro amigo.

Toda a action traz o conflito psicológico de um homem.

Toda a emotividade de um homem explode em acções típicas do actioner.

É deste “duelo” de géneros (magnificamente combinados) que nasce a força do filme.

Como actioner, não faltam boas cenas de acção e incríveis stunts.

O grande morceau de bravoure é mesmo aquele salto de Rambo pelo penhasco, capaz de nos tirar um fôlego. Um momento impressionante, que ainda hoje tem impacto, está na História do Cinema e continua inultrapassável e inigualável.

Como drama, também há espaço para a catarse emocional – o desabafo final de Rambo continua a ser um dos momentos mais emotivos do Cinema (e que faz de Rambo um porta-voz do que muito Viet Vet estava a passar e queria dizer).

Por outro lado, é igualmente notável (até porque estamos num filme com uma forte componente de survival movie) a ilustração muito realista da luta de Rambo contra os elementos adversos da Natureza.

E novamente no campo do contrariar regras e (voltar a) justificar ser um filme-referência está o facto de “First Blood” ser um dos poucos filmes em que o protagonista, sendo um “action hero”, chora. Ao longo dos 80s (década suprema para o action hero) tal voltaria a acontecer em “Lethal Weapon” (Martin Riggs a chorar a saudade da esposa falecida) e “Die Hard” (John McClane a dar um recado para a esposa) – “por acaso”, dois títulos reformadores e referenciais do actioner.

“First Blood” é, acima de tudo, sobre pessoas e não sobre balas, explosivos e murros.

Os personagens secundários (quase todos do Sheriff Department) movem-se como peões, conduzidos pelas ordens dos seus superiores, mas mostram-se com reservas face aos eventos.

Teasle não é uma pessoa má, apenas um lawman que foi demasiado zeloso ou dominado pelo preconceito. O seu duelo com Rambo passa por questões de Lei & Ordem, autoridade e regras, mas Teasle leva (a partir de certa altura) o duelo como “idealista” na base do relevo heróico-militar (Teasle não renega o heroísmo dos veteranos do Vietname nem os horrores lá sofridos, mas pede também reconhecimento para ele e para outros como ele – combatentes noutras frentes).

Trautman é uma figura militar de rigorosa conduta, que até poderia enfrentar e vencer Rambo (afinal, é o seu treinador e ex-líder), mas prefere compreender o que se passa (com as duas “facções”) e procura ajudar e salvar Rambo, Teasle e todos os agentes de segurança.

Rambo é todo ele uma vítima – da guerra, dos seus efeitos e traumas, da solidão, do menosprezo, da hostilidade. O green beret limita-se a sobreviver e a fugir a uma nova guerra. Uma guerra que o atinge não numa foreign land mas sim numa homeland.

“Só” por isto, nada mal para “apenas mais um actioner”.

Mas há mais.

Muito bom trabalho no campo do som e dos efeitos especiais (practical effects e pirotecnia ao seu melhor nível).

Excelente fotografia, a captar bem a vastidão, agressividade e humidade da paisagem, tendo um certo tom monocromático que ilustra bem o tom “cinzento” da narrativa.

Jerry Goldsmith já era um dos veteranos mais respeitados do Cinema, com um vasto curriculum notável, com (boas) provas dadas no actioner (“100 Rifles”, “The Cassandra Crossing”, “Capricorn One”, “The First Great Train Robbery”, “Logan`s Run”, “Papillon”, “Outland”). O seu score para este filme é magistral, conseguindo transmitir melancolia, solidão, raiva, desespero, acção, tensão, medo, dramatismo, intimidade. É um dos melhores trabalhos de Goldsmith. O seu main theme seria recorrente na saga e tornou-se um dos themes mais icónicos e (facil e rapidamente) reconhecíveis do Cinema (perfeitamente a par com o de John Barry para James Bond, o de Elmer Bernstein para “The Magnificent Seven”, o de John Williams para “Indiana Jones” e “Superman”, o de Brad Fiedel para “The Terminator”, o de Basil Poldedouris para “RoboCop” ou mesmo o de Alan Silvestri para “Back to the Future” e “Predator”).

Ted Kotcheff era um hábil tarefeiro, com jeito para vários géneros (Drama com “Life at the Top”, Comédia com “Fun with Dick and Jane”). Aqui ele dirige com mestria, grande sentido de ritmo, equilíbrio entre actioner e drama, cuidado na direcção de actores, sabe centrar os eventos nos três personagens em causa (Rambo, Teasle e Trautman), faz-nos sentir a floresta e a sua adversidade, o cerco ao protagonista e o seu desespero, a sobrevivência do protagonista e o seu alívio quando encontra uma saída, sabe gerar complacência pelo protagonista e nunca deixa o filme cair na banalidade de bom v mau(s).

É um dos seus melhores filmes, que é sempre recordado (com toda a justiça) quando o seu nome é evocado.

O elenco comporta-se a preceito.

Brian Dennehy consegue sempre a nossa antipatia mas nunca o ódio. Lamentamos o seu preconceito face a Rambo, mas depois acabamos por o desculpar, compreender e até dar a nossa compaixão – afinal todo o duelo com Rambo move-se por preconceito errado, excesso de autoridade, fragilidade psicológica face ao seu heroísmo e ao de Rambo, ambos em conflitos diferentes.

É um dos melhores trabalhos do actor.

Jack Starrett consegue ser mesmo odioso e tal como Rambo queremos explodir de raiva naquele detestável Deputy.

É um dos melhores trabalhos do actor.

Richard Crenna tem um trabalho muito sólido, ao compor um homem firme na sua conduta e valores, fazendo-nos acreditar que é apenas um homem preso às regras militares. O seu silêncio e atitude no final mostram uma pessoa emotiva, o que muito ajuda no personagem e na relação com Rambo.

É um dos melhores trabalhos do actor.

Sylvester Stallone encontra em Rambo uma nova segunda pele, depois de Rocky. Mas onde o boxeur é um poço de expressividade emocional, tanto através do corpo como da voz, o green beret é extremamente contido, calmo, reservado, calado. Isso funciona na perfeição, pois é sempre perceptível que Rambo está a assimilar tudo o que lhe dizem e fazem, fazendo-nos sentir que vai explodir a qualquer momento. Stallone faz do corpo, do rosto e do olhar todas as suas armas de expressividade, até não aguentar mais (o desabafo final é comovente).

É um dos melhores trabalhos do actor (entre o Top 5, digno de estar no Top 3), que assim se revela a escolha perfeita para John Rambo.

Um dos melhores actioners de sempre.

Um dos melhores filmes sobre os efeitos da guerra (a do Vietname ou qualquer outra) no ser humano, bem como as consequência no comeback home dos veteranos de guerra.

E John Rambo mostra que merece estar em os grandes personagens de Cinema (e do Actioner) de sempre.

Um clássico indiscutível.

Obrigatório.

“First Blood” tem edição portuguesa e está a bom preço. A edição é fraca de extras. O filme tem edições noutros mercados, a bom preço, com óptimos extras e com novo master (já há em 4K). Há também pack com os três primeiros filmes.

Realizador: Ted Kotcheff

Argumentistas: Michael Kozoll, William Sackheim, Sylvester Stallone, a partir do romance de David Morrell (“First Blood”)

Elenco: Sylvester Stallone, Richard Crenna, Brian Dennehy, Bill McKinney, Jack Starrett, Michael Talbott, Chris Mulkey, John McLiam, Alf Humphreys, David Caruso

Trailer

Clips

Cenas apagadas

Final alternativo

O Main Theme de Jerry Goldsmith

A banda sonora

Documentário

Sylvester Stallone sobre “First Blood” e “Rambo”

O comentário de Sylvester Stallone ao filme

Orçamento – 15 milhões de Dólares

Bilheteira – 47 milhões de Dólares (USA); 125 (mundial)

Mercado doméstico – 23 milhões de Dólares

“Melhor Actor Internacional” (Sylvester Stallone), nos Jupiter 1982.

David Morrell criou o seu livro inspirado em diversas sessões e conversas que teve com veteranos de guerra, principalmente a do Vietname.

Rambo vem de uma variedade de maçãs. Morrell escolheu esse nome pois achou que tinha impacto.

Morrell criou Rambo inspirado em Audie Murphy, actor B de Hollywood, que foi um herói da Segunda Guerra Mundial. Murphy chegou a pegar numa metralhadora de grande calibre e eliminar diversos inimigos, salvando muitos camaradas seus. Tal feito heróico valeu-lhe uma Medal of Honor. Em “Rambo” (2008), a acção heróica de Rambo no final, com o carro-metralhadora, é similar a esse um momento heróico de Murphy.

Segundo Morrell, o Coronel Samuel Trautman tem o seu nome vindo do Uncle Sam. Morrell defendia que o Uncle Sam era o criador de Rambo.

O livro de Morrell foi editado em 1972. A Columbia Pictures logo comprou os direitos por 75.000 Dólares, para os entregar ao produtor Lawrence Turman.

Richard Brooks chegou a estar designado como realizador. Brooks ainda trabalhou no projecto durante um ano e escreveu um argumento de 115 páginas. O argumento dava mais ênfase a Teasle, deixando Rambo como secundário. Rambo era morto no final, desarmado.

Brooks queria Lee Marvin ou Burt Lancaster como Teasle e Bette Davis como a psiquiatra de Rambo.

Em 1975, o produtor Martin Bregman vê no argumento um veículo perfeito para Al Pacino. David Rabe escreve o argumento, mas Pacino recusa. Mike Nichols, Ray Stark e Martin Ritt movem-se.

Mike Nichols mostra interesse na realização e procura Dustin Hoffman (seria o reencontro, depois de “The Graduate”) como Rambo. Hoffman recusa pela violência do projecto.

John Calley, da Warner Bros., compra os direitos à Columbia por 125.000 Dólares. Clint Eastwood e Robert De Niro são ponderados como Rambo. Martin Ritt aceita ser o realizador. Walter Newman escreve o argumento (Rambo e Teasle morrem, Trautman é ilustrado como o “mau da fita”). Ritt chega a ponderar Robert Mitchum como Teasle e Paul Newman como Rambo.

Em 1977, William Sackheim e Michael Kozoll avançam no argumento e na produção. John Badham é chamado, pensando-se em John Travolta (seria o reencontro de ambos depois do emblemático “Saturday Night Fever”) como Rambo, George C. Scott como Trautman e Gene Hackman ou Charles Durning como Teasle. Não surge financiamento.

Carter DeHaven compra os direitos à Warner Bros por 25.000 Dólares e procura John Frankenheimer para realizar. Powers Boothe, Nick Nolte e Michael Douglas são considerados como Rambo. Brad Davis, vindo de “Midnight Express” (1978) é o eleito. O projecto fica cancelado devido a problemas logístico-empresariais entre as companhias de produção envolvidas (Cinema Group financiava, Filmways distribuía; mas a Filmways é adquirida pela Orion).

Sydney Pollack pondera realizar o filme, com Steve McQueen como Rambo e Burt Lancaster como Teasle.

Bruce Beresford chegou a ser convidado para realizar, mas recusou pois não se sentia á vontade para fazer um action film.

Em 1976, Ted Kotcheff sabe do projecto e logo se move no sentido de conseguir realizá-lo. Pega no estado do projecto como estava em 1973, mas tudo fica rapidamente em stand-by.

Mario Kassar & Andrew G. Vajna eram distribuidores e procuram o seu espaço como produtores. O projecto “First Blood” chama-lhes a atenção e mexem-se. Kotcheff volta a ser chamado.

Al Pacino foi considerado como John Rambo, mas abandonou o projecto quando os produtores rejeitaram a sua ideia de fazer Rambo ainda mais louco.

Numa fase, Kris Kristofferson ia ser Rambo, com Gene Hackman a ser o Sheriff Teasle e Lee Marvin como Coronel Trautman. Kristofferson era um ex-Ranger e acreditava-se que o actor poderia convencer Sam Peckinpah a realizar (tinham feito “Convoy”, que fora um grande sucesso).

James Garner recusou ser Rambo. O actor tinha estado na Guerra da Coreia, tendo ganho dois Purple Hearts, pelo que não queria interpretar um veterano de guerra que regressava a casa para lutar contra polícias.

Terence Hill foi sondado, mas recusou por achar o projecto muito violento.

Em 1975, Steve McQueen é ponderado, mas é recusado por ser considerado como demasiado velho para ser um veterano do Vietname.

Chuck Norris foi ponderado como Rambo. Chuck faria a sua resposta a Rambo – era o Coronel James T. Braddock na saga “Missing in Action” (teve três episódios – 1984, 1985 e 1988; Braddock era um ex-combatente do Vietname; a saga acompanha as suas aventuras durante o conflito, bem como depois do mesmo, no sentido de resgatar prisioneiros de guerra e reencontrar um lost love).

É Kotcheff quem sugere Sylvester Stallone como Rambo. O actor aceita imediatamente.

Stallone pediu 3.5 milhões de Dólares de salário. Os produtores Mario Kassar e Andrew G. Vajna pagaram apenas 2. Sly conseguiu o que faltava com os direitos televisivos.

Gene Hackman, Robert Duvall e Lee Marvin são considerado como Trautman, mas recusam. Só Kirk Douglas aceita, mas impõe que no final Rambo morra pelas mãos de Trautman (assim acontecia no livro de Morrell).

Douglas ia ser o Coronel Trautman. Douglas abandona o projecto devido à alteração do final do filme. Douglas ainda procura convencer Stallone a manter o final original, mas Sly recusa.

Rock Hudson é sondado como Trautman, mas recusa pois ainda recupera de uma operação ao coração.

Segundo Stallone, Burt Reynolds quis ser Trautman. Mas Stallone achou que Reynolds, com o seu estatuto de big movie star, não queria ser secundário. Por outro lado, Stallone achou que Reynolds faria do seu Trautman um personagem mais imponente do que Rambo.

Jackie Mason, Milton Berle e Charles Nelson Reilly são considerados como Trautman. Stallone não concorda e sugere Richard Crenna, depois de o ver em “Body Heat” (1981).

Crenna é chamado para ser Trautman, dias antes do começo das filmagens.

Brian Dennehy é a única escolha de Kotcheff para Teasle.

George Miller (“Mad Max”) foi convidado para realizar.

John Milius foi chamado para escrever o argumento, mas recusou.

Balanço feito, eis os talentos pensados para “First Blood”:

  • Para Rambo – Clint Eastwood, Al Pacino, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Jeff Bridges, Michael Douglas, Paul Newman, Nick Nolte, Ryan O’Neal, John Travolta, Powers Boothe, Terence Hill, Brad Davis, Kris Kristofferson, James Garner, Chuck Norris, Steve McQueen.
  • Para Teasle – Lee Marvin, Burt Lancaster, Robert Mitchum, Gene Hackman, Charles Durning.
  • Para Trautman – George C. Scott, Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Duvall, Kirk Douglas, Rock Hudson, Burt Reynolds.
  • Para realizador – Richard Brooks, Mike Nichols,Martin Ritt, John Badham, John Frankenheimer, Sydney Pollack, Bruce Beresford, George Miller.

Só quando Sylvester Stallone aceita participar é que o projecto avança em bom ritmo. Apesar de alguns flops recentes (“Paradise Alley”, “Rhinestone”, “Night Hawks”), o actor ainda tinha bom movie star status graças à saga “Rocky” (então com dois filmes e um terceiro já em agenda).

Stallone decide fazer alterações no argumento e tornar Rambo um personagem mais simpático e susceptível da complacência do público, mudando também o final. Quando Sly aceita participar, o argumento ainda tem Rambo como um personagem violento, psicótico e a matar que se farta, sendo morto no final.

O argumento teve 26 versões. Stallone escreveu a versão final.

Stallone fez 7 revisões ao argumento. Kotcheff ainda pediu ajuda a Larry Gross e David Giler (estes ficaram sem crédito).

Dois finais foram ponderados, nenhum deles favorável a Rambo – num, Rambo é morto por Trautman, quando ele se prepara para matar Teasle; noutro, Rambo sai da esquadra e dispara para os agentes da Polícia, com esta a ser obrigada a matá-lo.

Numa versão prévia do argumento, Rambo matava 18 pessoas.

No livro, Rambo é um personagem psicótico e violento, espalhando a morte por todo o sítio. Stallone percebe que tal não vai ajudar a que Rambo tenha a simpatia do público. Como tal, há que mudá-lo. No filme, Rambo gere complacência por parte do espectador, pois limita-se a reagir à hostilidade das autoridades, fugir à violência e a sobreviver.

No livro, Teasle é um herói condecorado da Guerra da Coreia; Galt é um jovem agente; no início, Rambo procura uma boleia; Teasle procura reconciliar-se com a esposa; Rambo caça um mocho e não um javali; Rambo é voluntário para o Vietname e combate ao lado do pai; Rambo e Teasle morrem – Rambo mata Teasle e Trautman mata Rambo.

No livro, Rambo não tem primeiro nome. Foi Stallone quem decidiu chamar-lhe de John.

No livro, Will Teasle é o Chief of Police; no filme, é o Sheriff.

No livro não há referência à icónica faca que Rambo usa no filme.

No livro, a caverna tem morcegos; no filme, tem ratos.

No livro, Trautman é Capitão; no filme, é Coronel.

No livro, Rambo e Trautman não são próximos; no filme, são quase amigos.

John Rambo é o nome de um atleta olímpico americano dos Jogos Olímpicos de 1964 – ganhou uma medalha de bronze.

Jerry Goldsmith foi o compositor da música e asseguraria essa função nas duas sequelas seguintes. O seu falecimento retirou-o da saga. Mas o seu main theme está sempre presente na saga e é um tema icónico do Cinema.

Filmado em Hope, British Columbia, em pleno Inverno.

Segundo Stallone, durante as filmagens, uma jovem surgiu num bar e passou-se por fã, no sentido de conseguir uma bebida de borla. Stallone usaria tal evento para uma cena em “Rocky Balboa” (2006).

Stallone sofreu vários ferimentos durante as filmagens. Um deles foi no famoso salto do penhasco, onde o actor partiu uma costela.

Apesar do frio e das poucas roupas usadas, Stallone não adoeceu durante as filmagens.

Os atrasos na produção levaram Stallone a adiar as filmagens de “Rocky III” (1982).

A ponte da cidade é a mesma vista em “We’re No Angels” (1989).

Uma cena eliminada mostrava Rambo a ser escorraçado num restaurante.

A faca de Rambo foi fabricada por Jimmy Lile, um prestigiado fabricante de facas do Arkansas. Lile foi escolhido por Stallone.

Stallone partiu, acidentalmente, o nariz a Alf Humphreys, durante a cena da fuga da esquadra. Humphreys é visto durante o resto do filme com ligadura no nariz.

Um momento da perseguição de Teasle a Rambo, envolvia um choque do carro do Sheriff contra uma estrutura, depois de um incrível salto. Isso causou ferimentos no stuntman, pelo que a cena foi refilmada e reeditada de forma a ser mais realista.

O momento em que o carro de Teasle tomba ao perseguir Rambo não estava no argumento. Kotcheff gostou e decidiu continuar a filmar.

A peça de tecido que Rambo encontra no mato e usa para criar um “casaco” não era uma prop. A dita peça estava no meio da vegetação e Stallone improvisou o momento. Tal peça ainda está nas posses do actor.

Havia uma sub-intriga que visava explicar o porquê do conflito entre Rambo e Teasle – Rambo era combatente do Vietnam, um conflito mais conhecido e notório; Teasle vinha do conflito na Coreia, um evento menos falado. O conflito entre os dois homens era, portanto, de notoriedade e importância do evento militar e do esforço de cada um dos homens.

Num momento dentro do gabinete de Teasle, vêem-se várias condecorações.

Uma cena eliminada mostrava Rambo, quando em fuga na caverna, a recordar um momento no Vietname com uma rapariga local. A cena mostraria Rambo a chorar.

Os nomes dos membros da equipa de Rambo no Vietname são nomes de membros da crew.

A história que Rambo conta no final a Trautman (sobre um falecido ex-camarada) é uma história que Stallone ouviu de um veterano do Vietname.

Filmou-se um final alternativo, onde Rambo se suicida após o seu desabafo com Trautman. Nos primeiros screening tests, esse final foi mostrado. O público reagiu sempre bem ao filme, até que no final surgiram gritos de raiva contra realizador e produtores. Solução? Rambo vai sobreviver e há que remontar o final nesse sentido.

Body count – 1.

O primeiro cut tinha cerca de 3 horas e meia de duração.

Stallone detestou o primeiro cut do filme e quis comprar os direitos sobre ele para o destruir.

O filme é alvo de uma remontagem, no sentido de melhorar o ritmo, dar um tom mais actioner e ficar com uma duração mais curta.

Stallone chega a exigir que retirem muita da footage em que Rambo fala.

Stallone preferia que a expressividade de Rambo fosse apenas física (principalmente a nível de rosto).

“First Blood” abre como #1 nas bilheteiras americanas e assim se mantém durante três semanas. Sylvester Stallone volta aos sucessos na bilheteira, reforça ao seu movie star status, ganha um novo icónico personagem depois de Rocky Balboa e encontra potencial para uma nova saga cinematográfica.

O filme estreou com grande sucesso público, mas alguma indiferença da crítica. Esta só mudou de opinião com a passagem do tempo.

“First Blood” foi o primeiro filme de Sylvester Stallone, fora da saga “Rocky” (então com dois episódios) que não falhou nas bilheteiras (“F.I.S.T.”, “Paradise Alley”, “Night Hawks” – todos foram flops).

O filme não é tão violento como o livro. Rambo mata ninguém no filme, no livro mata que se farta.

Em 1983, a Televisão canadiana emitiu um cut com mais cenas do que o cut visto nas salas.

Em 19 de Agosto de 1987, Michael Ryan, um fã de filmes violentos, inicia uma carnificina em Hungerford, Inglaterra. No final, ele mata-se. Muito se atribuiu à saga “Rambo” a culpa do evento e a sua influência sobre Ryan.

Ao contrário do que foi “descoberto” na época (e mesmo depois) por alguns “intelectuais cinéfilos”, o body count de “First Blood” é baixíssimo – 1. Só uma pessoa morre, mais por estupidez (descura a sua segurança, movido pelo ódio a Rambo) e não por acção de Rambo – o herói nunca mata, nem age nesse sentido, apenas se defende e sobrevive.

É o menos violento filme da saga e com o menor body count.

É o único filme da saga em que Rambo não usa arco & flechas.

O filme gerou quatro sequelas, comics, uma série de animação, jogos e até um remake de Bollywood.

A passagem do tempo deu um (merecido) estatuto de classic & cult movie, bem como uma (justa) revalorização e reavaliação da crítica.

Rambo seria também alvo de brincadeiras (“Gremlins 2” em 1990) e paródias (“Hot Shots: Part Deux” em 1993) – mas tal foi mais causado pelas duas primeiras sequelas (feitas em 1985 e 1988).

Em 2008, a Empire colocou “First Blood” como #253 nos “500 Greatest Movies of All Time”.

No jogo “Rambo: The Video Game” (2014), o jogador toma o papel do herói e pode matar agentes da autoridade.

Em 2016, surgiu um remake feito em Bollywood. O protagonista é um ex-membro das forças especiais indianas, que regressa a casa e busca de paz. Mas só encontra hostilidade e o herói foge para as montanhas dos Himalaias, mas deixa um rasto de destruição.

Sylvester Stallone e Ted Kotcheff iniciaram outro projecto – “The Base”, escrito pot David Webb Peoples (“Blade Runner”, “Unforgiven”). O projecto não avançou e Clint Eastwood chegou a envolver-se. Tudo sofreu mais um cancelamento até que em 1998 Paul W.S. Anderson (“Alien Vs Predator”, “Resident Evil”) avançou – “Soldier”, com Kurt Russell.

É o filme preferido de Sylvester Stallone, dentro da saga “Rambo” (nos episódios 1 a 4).

Stallone compara a história de Rambo e Trautman à do monstro de Frankentein. Rambo é uma criação e cabe depois ao criador resolver a situação causada pelo seu “monstro”.

Stallone co-escreveu todos os episódios da saga “Rambo”.

“First Blood” (o livro) chegou a ter uma edição portuguesa, via edições Europa-América, sob a forma de livro de bolso. É uma raridade nas lojas. Ainda não teve reedição.

As sequelas:

  • “Rambo: First Blood Part II” (já aqui visto) – feito em 1985, realizado por George Pan Cosmatos, com Sylvester Stallone, Richard Crenna, Charles Napier, Steven Berkoff e Julia Nickson; Rambo parte para o Vietname, numa missão de resgatar prisioneiros de guerra; James Cameron co-escreveu o argumento.
  • “Rambo III” (já aqui visto) – feito em 1988, realizado por Peter MacDonald, com Sylvester Stallone, Richard Crenna e Marc De Jonge; Rambo vai até ao Afeganistão salvar Trautman dos soviéticos.
  • “Rambo” (já aqui visto) – feito em 2008, realizado por Sylvester Stallone, com Sylvester Stallone e Julie Benz; Rambo vai a Burma resgatar um grupo de missionários.
  • “Rambo: Last Blood” (já aqui visto) – feito em 2019, realizado por Adrian Grunberg, com Sylvester Stallone e Paz Vega; Rambo defende o seu lar e pessoas próximas de um cartel mexicano que rapta mulheres.

Todos os episódios tiveram números desiguais nas bilheteiras, mas foram sucesso. O maior foi mesmo o segundo filme, que foi o principal responsável pelo fenómeno “Rambo”.

Sobre David Morrell:

http://www.davidmorrell.net/

https://www.goodreads.com/author/show/12535.David_Morrell

https://davidmorrell.net/books/

https://www.fantasticfiction.com/m/david-morrell/

https://rambo.fandom.com/wiki/David_Morrell

https://www.thriftbooks.com/a/david-morrell/218404/

https://crimereads.com/david-morrell-preparing-for-crisis-and-finding-inspiration/

4 comments on “A Fúria do Herói (1982)

  1. […] graças ao sucesso e bom prestígio da sua estreia cinematográfica em “First Blood” (1982; já aqui […]

  2. […] First Blood Part II” é uma tremenda mudança face a “First Blood” (já aqui visto) – mais action, mais espectáculo, mais pirotecnia, mais violência, mais body […]

  3. […] e serem ícones do Actioner 80s), a saga regressa à suas origens (o primeiro filme – já aqui visto –  continua a ser o melhor da saga e ainda um modelo referencial de Actioner – […]

  4. […] país e a casa. Desta forma, e rematando assim com “First Blood” (1982, o começo da saga, já aqui visto), poderia-se “usar” Rambo como um observador sobre um novo “estado das coisas” nos […]

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