Laura (1944)

 

 

Um Film Noir diferente, marcante e com a revelação de uma mulher fascinante.

 

Laura Hunt é assassinada.

A comunidade à sua volta está em choque e o detective que investiga o caso ganha uma obsessão pela falecida.

Mas há muitos mistérios a desvendar. Incluindo na falecida.

É um Film Noir diferente, mais psicológico, sentimental e humano, mas a manter muitos dos seus arquétipos.

Começamos no campo de um murder mystery “convencional”.

Há um cadáver, um assassinato, um police detective, uma investigação, muitos suspeitos.

A par da descoberta que todos os personagens próximos a Laura são suspeitos (todos tinham motivos), há (através de todos os suspeitos) a descoberta (pelo detective e pelo espectador) da figura de Laura, quem é ela, como é, a sua personalidade e quotidiano.

E toda esta trama já envolve, cativa e fascina. Mas já lá vamos.

Como título do género film noir, entramos nalgumas das suas áreas (técnicas e temáticas).

Estamos a ver tudo num glorioso P&B, rico em sombras, detalhes (rostos, o interior das casas, alguns objectos).

Estamos num ambiente social sofisticado, poderoso, influente, endinheirado. Mas tão decadente, vulnerável, podre e corrupto como os meios sociais mais baixos ou criminosos – Shelby é um verdadeito proxeneta, que conquista meninas e procura viver à custa de quem o sustente, Anne é uma ricalhaça que quer comprar um catraio que a satisfaça, Waldo é erudito e usa tal poder para subjugar os outros.

O filme, fiel à “moral” do género, não deixa de ser uma ilustração noir de um meio social e mais uma constatação da corrupção social (em diversas áreas).

Pelo meio, parece um drama.

Um drama sobre uma “educação” – Laura tem talento, mas precisa de uma ajuda que a impulsione naquele mundo empresarial, sendo patrocinada por Waldo.

Um drama sobre uma possessão – Waldo sente-se superior e realizado enquanto “artista” por “criar” Laura.

Um drama sobre uma obsessão – Laura fascina e cativa todos os que a rodeiam (por diversas razões, com diferentes resultados), até mesmo depois de morta.

É precisamente este lado obsessivo da narrativa que remete o filme para outras leituras e mais que um “simples” film noir.

É um “desfile” de pessoas obcecadas/fascinadas por Laura, com um “duelo” rico em psicanálise – um que a queria possuir em vida (Waldo), outro que a queria possuir mesmo depois de morta (Mark).

É uma história também sobre fascínio.

E não são só os personagens em cena que sentem tal.

O espectador é o novo fascinado. Porque a forma como Laura é apresentada só nos convida a tal, levando-nos a querer saber mais sobre ela e a conhecê-la melhor.

O comportamento de Mark pode ser estranho (como polícia e como pessoa), mas tem toda a cumplicidade do espectador (nós também queremos Laura para nós).

Laura.

É o título do filme.

É o nome da protagonista.

Mas (logo nos primeiros segundos de metragem) sabemos que ela está morta.

Apesar de tal, Laura está constantemente presente. Não só pelos flashbacks, mas pela forma como os outros falam dela, os resultados da sua obra e presença, o requinte da sua casa.

E depois há aquele (onírico) quadro e aquele (lírico) score, sempre tão presentes (aos olhos e ouvidos), que Laura nunca nos foge, cerca-nos constantemente, obrigando (ou convidando) ainda mais a esse fascínio (ou obsessão).

É uma história sobre a “criação” de uma mulher, que se não perfeita, certamente fascinante pela sua beleza, candura, brilho existencial e sentido humano.

E como tal, é também sobre a destruição dessa mesma criação. Seja pela obsessão, pelo cíume, pela possessão impossível.

É um filme sobre rupturas. A meio do filme surge um twist e este origina rupturas entre todos os intervenientes face a Laura, evidenciando ainda mais o poder de Laura, tanto como mulher, pessoa ou “criação”.

“Laura” é toda uma trama plena de mudanças (suspeitos, rumo da investigação, os rumos sentimentais de e a Laura, o twist).

E Laura é uma mulher que muda – entre si (de frágil a forte, de funcionária a líder, as inclinações sentimentais) e para com os outros (muda com e por Waldo, depois por causa e a Waldo).

Mas Laura também gera mudança – nos outros (suaviza dois homens rudes e amargos – Walgo e Mark).

“Laura” pode remeter para Hitchcock – “Rebecca” (temos a omnipresença da falecida, que está por todo o lado, sempre a fascinar os que a descobrem e os que a conheciam) ou “Vertigo” (a “criação” dA Mulher e da obsessão/fascínio por ela – primeiro “para a vítima” enquanto viva, depois “pela vítima” quando morta).

Mas é desnecessária a comparação. Se nos casos de Hitchcock temos uma “celebração” da necrofilia (“Rebecca”) e uma “alegoria” sobre a demência do amor (“Vertigo”), na obra de Preminger há uma “reconstrução” constante da vida que é e significa Laura.

Certamente três formas de vermos situações semelhantes, tratadas com o que mais sublime tem a Arte Cinematográfica, feita por dois mestres de Cinema.

O filme é sobre uma mulher de luxo, em ambientes sociais de luxo.

E todo o filme é um luxo nessa ilustração.

Já aqui elogiei a (fabulosa) fotografia.

Mas é também de alta nota o guarda-roupa (de Laura) e a cenografia (os detalhes do requinte dos apartamentos de Laura e Waldo).

E há a (envolvente) música de David Raksin, que nos arrebata como se estivéssemos a ser abraçados por Laura.

O elenco é todo um luxo e são um luxo de carisma e interpretação.

Judith Anderson (que bem percebe de fascínio por uma falecida – é a tenebrosa Mrs. Danvers do “Rebecca” de… Hitchcock) transmite bem o vazio e opulência sentimental da sua personagem.

Vincent Price é prodigioso como um “pinga amor” fraco, manipulador, mesquinho. E depois há aquela voz…!!!

Dana Andrews é sempre convincente como tough guy, aqui acrescentando uma vulnerabilidade psicológica e emocional inesperada.

Clifton Webb é um dos maiores actores de sempre (a redescoberta é urgente) e aqui mostra bem porquê. Cria um personagem superior, de erudita sofisticação, cruel, misterioso, previsível e maligno. É uma das suas interpretações mais marcantes, sendo uma de carreira.

Gene Tierney (uma das mais belas mulheres de sempre – no Cinema e na Humanidade) controla o filme. É certo que Laura é uma mulher incrível e fascinante, mas de nada serve uma boa criação no papel se não houver um rosto que a saiba interpretar. Gene entrega pureza, inocência, elegância, charme, determinação, força e delicadeza. E aqueles lábios…!!! Uma interpretação para a eternidade (do Cinema, mas também de carreira). Gene/Laura é uma das mulheres mais fascinantes de todo o Cinema.

Otto Preminger assina com um trabalho de altíssima qualidade.

Notável a forma como consegue fazer um filme tão curto (menos de 90 minutos) e tão complexo (as diversas “palettes” narrativas, humanas, psicológicas).

Sendo um film noir diferente, Preminger sabe empregar diferenças – a forma como nos faz sentir Laura (mesmo quando morta), a ilustração quase teatral de certos momentos (muita gente no mesmo local, no mesmo plano), a capacidade de mostrar ao espectador os efeitos acção-reacção dos rostos dos personagens recorrendo à técnica de os mostrar sempre no mesmo plano.

É um dos seus melhores trabalhos.

“Laura” é um film noir diferente, fiel ao seu género, rico em complexidade.

É um film noir com uma Femme, mas para quem algum destino e pessoas é que foram fatales.

É a revelação de uma das mais fascinantes mulheres do Cinema.

E é grande filme, é uma obra-prima, é um clássico que nos fascinará/obcecará eternamente.

 

“Laura” tem edição portuguesa, a bom preço. E tem generosos extras.

Realizador: Otto Preminger

Argumentistas: Jay Dratler, Samuel Hoffenstein, Elizabeth Reinhardt, Ring Lardner Jr. (sem crédito), a partir do romance de Vera Caspary (“Laura”)

Elenco: Gene Tierney, Dana Andrews, Clifton Webb, Vincent Price, Judith Anderson, Dorothy Adams (sem crédito)

 

Trailer

 

Clips

 

O tema de David Raksin

 

“Laura” no TCM

 

Robert Osborne e Drew Barrymore sobre o filme

 

Eddie Muller sobre “Laura”

 

Gene Tierney sobre a sua carreira e “Laura”

 

 

Orçamento – 1 milhão de Dólares

Mercado doméstico – 2 milhões de Dólares

 

“Melhor Fotografia – P&B”, nos Oscars 1945. Concorreu a “Melhor Actor Secundário” (Clifton Webb foi derrotado por Barry Fitzgerald em “Going My Way”), “Melhor Realizador” (Otto Preminger foi derrotado por Leo McCarey em “Going My Way”), “Melhor Argumento” (“Going My Way” foi preferido), “Melhor Cenografia – P&B” (“Gaslight” foi o vencedor).

“Melhor Filme do Mês – Janeiro”, “Melhores Interpretações do Mês – Janeiro” (Gene Tierney, Dana Andrews, Clifton Webb), nos Photoplay 1945.

“Filme a Preservar”, pelo National Film Preservation Board 1999.

“Hall of Fame”, pela Online Film & Television Association 2017.

Vera Caspary queria escrever uma história policial e de mistério sobre um police detective que se apaixona por uma falecida, a vítima do crime que o detective investiga.

Caspary foi aconselhada em inspirar-se no romance “The Moon Stone”, de Wilkie Collins. É considerado o primeiro romance policial e o evento é contado por vários personagens, pelo seu ponto de vista.

Caspary não tinha criado o personagem de Waldo nem tinha um terceiro acto satisfatório.

 

Otto Preminger procurava um projecto e ficou cativado pelo conceito narrativo de Caspary. O agente da escritora enviou ao realizador o argumento de uma peça teatral com o título “Ring Twice for Laura”. Preminger gostou da ligação ao mundo da alta sociedade e do twist, mas sentiu que o argumento precisava de ser arranjado e chamou um argumentista para tal. Preminger e Caspary tiveram divergências e ela chamou George Sklar para a escrita.

Quando Caspary não conseguiu encontrar uma actriz adequada nem um produtor empenhado, o projecto ficou cancelado.

Caspary decidiu pegar no conceito e escrever um romance e a respectiva sequela.

 

Só a MGM e a 20th Century Fox se mostraram interessados em produzir o filme, mas como produção B.

A Fox compra os direitos por 30.000 Dólares.

Preminger e Darryl F. Zanuck (o #1 do estúdio) estavam de relações cortadas desde 1937, quando Preminger foi substituído na realização de “Kidnapped” (1938).

William Goetz geria a Fox quando Zanuck foi cumprir o serviço militar, tendo chamado Preminger para “Margin for Error” (1943).

O estúdio chama Preminger. Preminger trabalha o argumento com Jay Dratler, Samuel Hoffenstein e Betty Reinhardt. Preminger não envolve Caspary no processo até uma primeira versão do argumento estar pronta. Preminger considera mais interessante o persoangem Waldo Lydecker do que Laura, dando mais relevo a ele. Caspary não fica contente com isto.

Quando Zanuck regressa e vê Preminger em acção no estúdio, na preparação de “Laura”, acusou Goetz de traição e avisou Preminger que ele poderia produzir “Laura”, mas que jamais realizaria filmes na Fox enquanto Zanuck estivesse aos comandos do estúdio.

 

Lewis Milestone é chamado, mas recusa.

Segundo Preminger, Walter Lang e Lewis Milestone recusaram a realização por falta de entusiasmo no argumento.

Em Fevereiro de 1944, o “Hollywood Reporter” anuncia Irving Cummings como realizador.

John Brahm foi considerado como realizador, mas recusou. Contudo aceitaria realizar um remake televisivo.

Rouben Mamoulian é chamado e aceita.

Mamoulian inicia o processo de reescrita do argumento.

 

Zanuck queria Jennifer Jones como Laura, Laird Cregar como Waldo Lydecker, John Hodiak como Mark McPherson. Mas Preminger insistiu em Gene Tierney como Laura, Clifton Webb como Waldo Lydecker, Dana Andrews como Mark McPherson. Zanuck também considerou Heddy Lamarr como Laura.

 

George Sanders e Laird Cregar são anunciados.

Cregar é chamado. Mas Preminger acha que Cregar, tão habitual em personagens de vilão, será óbvio perante o público.

Clifton Webb, um prestigiado actor da Broadway, é chamado.

Webb já estava afastado do Cinema há muitos anos. A última aparição tinha sido em 1925.

Zanuck não queria Webb devido à sua homossexualidade.

Zanuck mudou de opinião sobre Webb ao vê-lo na peça teatral “Blithe Spirit”.

 

Mamoulian recomendou Judith Anderson.

 

A Fox chegou a negociar com George Raft para interpretar Mark McPherson.

Milestone recomendou o argumento a Dana Andrews, defendendo que tal o faria uma movie star.

Marlene Dietrich mostrou interesse em ser Laura. Vera Caspary não gostou da ideia.

Hedy Lamarr foi ponderada, mas recusou. Anos depois, quando lhe perguntaram o porquê ela disse que lhe tinham enviado o argumento e não a música.

Rosalind Russell foi considerada mas recusou por se achar demsiado baixa para a personagem.

Jennifer Jones recusou ser Laura.

Gene Tierney inicialmente recusou, pois achou que tinha pouco screen time para a personagem que dava título ao filme.

Há versões que indicam que Tierney foi obrigada devido ao contrato com a Fox; há versões que defendem que Tierney foi chamada por Zanuck, por amizade e carinho à actriz que estava a passar um mau momento na sua vida pessoal.

Tierney era uma movie star muito acaranhinada e preferida por Zanuck – juntos fizeram filmes relevantes (no género, para o estúdio e para a actriz) como “The Return of Frank James” (1940, de Fritz Lang, com Henry Fonda), “Tobacco Road” (1941, de John Ford), “Son of Fury: The Story of Benjamin Blake” (1942, com Tyrone Power e George Sanders), “Leave Her to Heaven” (1945, pelo qual foi nomeada aos Oscars como “Melhor Actriz”) e “The Razor’s Edge” (1946, com Tyrone Power); a actriz também já tinha ganho bom estatuto fora de Zanuck com “Hudson’s Bay” (1940), “The Shanghai Gesture” (1941, de Josef von Sternberg), “Belle Starr” (1941, com Randolph Scott) e “Heaven Can Wait” (1943, de Ernst Lubitsch).

Tierney estava casada com Oleg Cassini, designer de moda (que chegou a desenhar a roupa da esposa em vários filmes), e ambos tinham passado um mau momento devido a uma gravidez dela. Houve quem achasse, incluindo a actriz, que tal drama a deixou no estado adequado para interpretar Laura de forma tão misteriosa.

 

Judith Anderson e Vincent Price reencontrar-se-iam em “The Ten Commandments” (1956).

É o primeiro filme sonoro de Clifton Webb.

As filmagens começam, Mamoulian ainda filma alguma footage, mas cedo revela problemas com o elenco. Gene Tierney e Dana Andrews recebem pouca ajuda do realizador, Judith Anderson e Clifton Webb são ignorados.

Isto origina conflitos com Preminger.

Zanuck chama Mamoulian e Preminger. Ambos se acusam sobre o elenco. Zanuck viu os primeiros dailies de Mamoulian e pediu que fossem refilmados. Ao ver que tudo ficou pior, Zanuck depediu Mamoulian, chamou Preminger para a realização e pediu-lhe para filmar tudo desde o início.

Lucien Ballard era o director of photography na fase em que Mamoulian era o realizador.

 

Joseph LaShelle passa a ser o director of photography com Preminger como realizador.

Segundo Preminger, ele teve de trabalhar muito para ganhar o respeito e simpatia do elenco.

Judith Anderson e Otto Preminger não se deram bem.

Segundo Preminger, “Laura” reestabeleceu boas relações entre ele e a 20th Century Fox.

 

Preminger chamou David Raksin para a música. O realizador queria que se usasse o tema “Sophisticated Lady” de Duke Ellington como o main theme, mas Raksin recusou. Alfred Newman, o music director da Fox, convence Preminger a dar uma oportunidade a Raksin, e este tem um fim-de-semana para compor o main theme.

Raksin compõe o tema, Johnny Mercer escreve a letra. O tema chegou a ter reinterpretações por parte de Stan Kenton, Dick Haymes, Woody Herman, Nat King Cole, The Four Freshmen, Charlie Parker, Billy Eckstine, Ella Fitzgerald e Frank Sinatra.

Bernard Herrmann recusou compor a música.

O romance de Vera Caspary é em 5 partes, cada uma narrada por personagens diferentes. Os argumentistas tiveram de simplificar as coisas.

No início, o filme ia ter vários capítulos, narrados por Waldo, depois Mark, para terminar em Laura. As duas últimas narrações foram retiradas.

O personagem Waldo Lydecker inspira-se no prestigiado colunista e crítico de teatro do “New Yorker”, Alexander Woollcott, que era muito espirituoso na conversa, afiado na escrita e fascinado pelo assassínio. Woollcott também jantava com regularidade no Algonquin Hotel, que é onde Laura aborda Waldo.

Monty Woolley era a escolha inicial para Waldo Lydecker. Como Waldo era inspirado em Alexander Woollcott e Woolley já tinha interpretado Woollcott, tal pode ter sido decisivo na mudança de actor.

O guarda-roupa de Gene Tierney tinha 28 peças diferentes.

Inicialmente, o quadro de Laura foi pintado pela esposa de Mamoulian. Preminger preferiu usar uma fotografia de Gene Tierney e dar um look de pintura. O quadro de Laura é na verdade um blow-up de uma fotografia.

Em 1960, o “Hollywood Reporter” informa que 2 minutos foram retirados do filme. A edição em LaserDisc restaura essa footage. A cena mostra Waldo a seleccionar a roupa e o estilo de penteado para Laura. O estúdio tinha receio que a mensagem de tal cena mostrasse aos combatentes da Guerra (a Segunda Guerra Mundial) que haveria um ambiente de luxúria nos USA.

No primeiro cut, Vincent Price canta numa cena. Price também o fazia com o Yale Glee Club e numa cena de ” The House of the Seven Gables” (1940). O departamento de relações públicas do estúdio teme que Price se torne no próximo Perry Como. A cena foi retirada.

Zanuck não gostou do primeiro cut e pediu um novo final – que mostraria que tudo fora um sonho de Waldo Lydecker. Um crítico importante reclama e Zanuck decide manter o final inicial.

O final que Preminger pretendia mostrava Laura a descobrir a espingarda no interior do relógio, a perceber que Waldo era o assassino, mas a dar-lhe uma oportunidade de fuga; Waldo não a aproveita, regressa ao apartamento de Laura e tenta matá-la, mas a intervenção de Mark impede tal e Waldo é preso. Este final foi filmado mas não usado, pois Zanuck não o aprovou. Filmou-se outro, que é que consta no final cut. Contudo, este final tinha uma cena extra, onde Laura explicava a Mark que a forma como Waldo contou o primeiro encontro entre ela e ele era uma fantasia; Laura tinha sido “salva” em tribunal, com ela a ser julgada por vadiagem e Waldo a pagar-lhe a fiança. Walter Winchell (critico importante e amigo de Zanuck) não gostou desta cena. Zanuck mandou removê-la.

Filmaram-se dois finais alternativos – um que revelava que tudo era um sonho (a partir do momento em que se dá o twist), outro (que não envolvia sonhos) que mudava algumas coisas na forma como se conclui (não sendo muito diferente do final definitivo – mostrava a atitude de uma mulher a confrontar o assassino com a descoberta da arma e a oferecer-lhe a possibilidade de fuga, com o police detective a descobrir a forma como a arma estava escondida, a associar as coisas, ir proteger a nova vítima, o assassino a tentar um novo homicídio, e a confrontação final).

Chegaram a ocorrer petições do público para que se editasse a banda sonora. Assim aconteceu e foi um sucesso de vendas.

 

“Laura” teve duas adaptações radiofónicas pelo Lux Radio Theater, cada uma de 60 minutos. A primeira foi em Fevereiro de 1945, com Gene Tierney, Dana Andrews e Vincent Price a darem voz aos mesmos personagens que interpretaram no filme. A segunda foi em Fevereiro de 1954, com Gene Tierney de volta, agora ao lado de Victor Mature.

 

Em Maio de 1948, o Ford Theatre faz uma versão radiofónica com Virginia Gilmore e John Larkin.

O The Screen Guild Theater faz duas versões radiofónicas, de 30 minutos, em Agosto de 1945 e em Fevereiro de 1950. Ambas contam com Gene Tierney, Dana Andrews e Clifton Webb, a darem voz aos mesmos personagens que interpretaram no filme.

 

O “retrato” de Gene Tierney surge em “On the Riviera” (1951, com Danny Kaye e Gene Tierney; o “retrato” é visto a cores) e “Woman’s World” (1954, com Clifton Webb, Cornel Wilde, Van Heflin, Fred MacMurray, June Allyson e Lauren Bacall).

 

Em 1955 surge um remake televisivo, no programa “The 20th Century Fox Hour”. Dana Wynter é Laura, Robert Stack é McPherson, George Sanders é Lydecker. John Brahm realiza (e tinha recusado realizar do original de 1944!!!). Mas o canal produtor (o Fox Channel) achou-o tão fraco que nunca o exibiu.

 

Em 1968 surge uma nova versão televisiva, escrita por Truman Capote. Lee Radziwiłł protagoniza, Robert Stack e George Sanders voltam aos personagens que tinham interpretado na versão anterior. Teve péssimas reacções, principalmente pelo trabalho de Radziwiłł.

 

Na série “Magnum, P.I.” (a com Tom Selleck) surgem dois episódios (“Skin Deep” e “Cold Case”), que têm umas tramas semelhantes à de “Laura”.

Um episódio da série “Star Trek: The Next Generation”, com o título “Aquiel” com uma trama semelhante à de “Laura”.

Em 2005, Bollywood faz um remake – “Rog”, de Himanshu Brahmbhatt, com Irrfan Khan e Ilene Hamann.

Segundo Vincent Price, o sucesso do filme deve-se tanto à realização de Otto Preminger como à interpretação e beleza de Gene Tierney.

Price considera “Laura” como o melhor filme em que participou.

 

O reencontro entre Gene Tierney, Dana Andrews, Vincent Price, David Raksin e Otto Preminger

 

“Laura” é um dos filmes preferidos de Burt Reynolds e teve-o como inspiração em “Sharky’s Machine” (1981, realizado e protagonizado por Reynolds – a certo momento, o protagonista apaixona-se por uma mulher que acreditava estar morta).

 

Gene Tierney, Judith Anderson, Dana Andrews e Vincent Price faleceram com 3 anos de separação entre cada um.

Gene Tierney e Clifton Webb têm a mesma data de aniversário.

 

“Laura” é #73 nos “100 Years … 100 Thrills”, do American Film Institute.

“Laura” é #7 nos “100 Years of Film Scores”, do American Film Institute.

“Laura” é #4 nos “Mystery Film”, do American Film Institute.

Está nos “Great Movies” de Roger Ebert.

Está nos “1001 Movies You Must See Before You Die”, de Steven Schneider.

É um dos 10 melhores “Mystery Films”, pelo American Film Institute.

Sobre Vera Caspary

http://womencrime.loa.org/?page_id=60

https://www.newyorker.com/books/page-turner/the-secrets-of-vera-caspary-the-woman-who-wrote-laura

https://www.goodreads.com/author/show/11216.Vera_Caspary

https://www.thriftbooks.com/a/vera-caspary/354174/

https://www.fantasticfiction.com/c/vera-caspary/

 

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