O Espião Invisível (1952)

 

 

Título original – The Thief

 

Ray Milland protagoniza este original thriller que é um prodigioso exercício de estilo.

 

Um cientista na área da Física Nuclear anda a roubar projectos diversos e secretos e a vendê-los ao inimigo dos USA.

Uma investigação do FBI deixa-o sob observação e o cientista procura uma solução para a sua vida.

Relato detalhado das acções de um ladrão de informações de carácter científico.

Podia ser mais um (bom) filme do género (e é), mas o que o destaca é o facto da narrativa encontrar sempre uma forma de ser contada sem qualquer tipo de diálogo (mas há som, ok?).

Parece um filme mudo, no seu estado mais puro.

Já é engenhosa a forma como a narrativa consegue ser contada a criar situações que não necessitam de diálogo, e não é menos notável a forma como o realizador Russell Rouse consegue fazer uma clara ilustração dos eventos, precisamente de forma a confirmar que o diálogo não é necessário.

É mesmo um bravo exercício de estilo, acreditem.

Mas como estamos no campo do thriller, o filme não se esquiva de bons momentos de suspense (a mulher a mexer na mesma gaveta onde consta o desejado microfilme, a chegada inesperada no momento do roubo do plano científico) e tensão (a perseguição no Empire State Building).

Só se lamenta o final, que é (demasiado) moralista.

A música enfatiza bem o peso dos eventos e o drama do protagonista.

Ray Milland carrega e demonstra bem a solidão e desespero do seu personagem. É uma das suas melhores interpretações.

Um magnífico e surpreendente exercício de estilo, que também consegue entretenimento.

 

“The Thief” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador: Russell Rouse

Argumentistas: Clarence Greene, Russell Rouse

Elenco: Ray Milland, Martin Gabel, Rita Gam, John McKutcheon, Rex O`Malley, Rita Grapel (como Rita Vale), Harry Bronson

 

Clips

 

Filme

 

Bilheteira – 1 milhão de Dólares

 

“Top 10 do Ano”, pelo National Board of Review 1952.

Esteve a concurso em Veneza 1952. Perdeu para “Jeux Interdits”, de René Clément.

Nomeado para “Melhor Música”, nos Oscars 1953. Perdeu para “High Noon”.

Diversas nomeações nos Globos de Ouro 1953 – “Melhor Filme – Drama” (perdeu para “The Greatest Show on Earth”), “Melhor Actor – Drama” (Ray Milland foi derrotado por Gary Cooper em “High Noon”), “Melhor Estreante Promissora – Feminino” (Rita Gam perdeu para Colette Marchand em “Moulin Rouge”). “Melhor Argumento” (“5 Fingers” foi o eleito) e “Melhor Fotografia – P&B” (“High Noon” saiu vencedor).

É o primeiro filme de Rita Gam.

A máquina fotográfica é uma Minox, que era considerada uma câmara adequada para espiões.

Um dos processos fotografados tem a classificação de “Secret”. Na época, a hierarquia neste tipo de processos, era, por ordem crescente “Confidential”, “Secret” e “Top Secret”.

O filme marcou e inovou pelo recurso à técnica de ser todo ele sem diálogos.

Ray Milland considerou o seu mais difícil trabalho de interpretação, precisamente por não falar e ter de expressar tudo através do rosto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s