Fluido Mortal (1958)

 

 

Título original – The Blob

 

É um dos primeiros filmes de Steve McQueen e que se tornou num clássico do terror sci-fi.

 

Uma estranha substância viscosa aparece numa pequena povoação e começa a crescer à medida que ataca pessoas.

Tendo em conta que os 50s foram a década-prodígio da Sci-Fi em Cinema (as primeiras investigações sobre o Espaço, como lá chegar e viajar, ainda o medo do nuclear, o que poderia surgir destes “admiráveis mundos novos”), eis um título bem adequado.

Estamos numa pequena povoação, o que permite acompanhar algo da sua dinâmica e presença humana.

Estamos numa povoação simples onde pouco há que fazer nas jovens comunidades (ver filmes de terror e fazer corridas de carros – e nisto o filme tem algo de “documental” face à realidade da época).

É, portanto, certeira, a ideia de criar um caos terrorífico, vindo do Espaço, em tal local.

A ideia é gira e funciona.

Mas necessita de um realizador mais dotado para tal.

Alguns diálogos são risíveis (“Excuse me, we`re looking for a monster.”), muitos dos personagens são toscos (as autoridades), muitos dos actores parecem perdidos e sem convicção, e, pior ainda, não se consegue criar medo nem tensão (o que é o terror maior num filme que pretende ser de… terror).

Não é culpa da situação (percebe-se o pânico, a urgência, o caos, o desespero no encontrar uma solução, a dinâmica da povoação em enfrentar tal perigo em conjunto).

O problema mesmo é a realização não estar ao nível do stress e medo que a situação gera.

O grande Jack Arnold (“Tarantula”, “The Incredible Shrinking Man”) dava muito jeito.

Tem (imensas) fraquezas, mas é um título que resume e ilustra bem a mentalidade da época (entre os jovens e a sociedade em geral), o poder e criatividade do género e a forma como o público olhava para a Sci-Fi.

Fica a qualidade da fotografia (aquelas cores quentes brilham ainda mais no recente e excelente novo master para Blu-Ray), a simpatia dos efeitos visuais e a presença carismática de Steve McQueen.

Entretém e diverte, precisamente pela sua ideia e ingenuidade (aquele genérico com aquela música…!!!).

Mas é um clássico. E até merece ser. Pela ideia, pelo tom, pela ingenuidade, pela simplicidade, pela honestidade.

Felizmente que há remake e este é (muito) melhor.

 

“The Blob” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador(es): Irvin S. Yeaworth Jr., Russell S. Doughten Jr. (sem crédito)

Argumentistas: Theodore Simonson, Kay Linaker, Irvine H. Millgate

Elenco: Steve McQueen, Aneta Corsaut, Earl Rowe, Olin Howland, Stephen Chase, John Benson, George Karas, Lee Payton

 

Trailers

 

Clips

 

Filme

 

A canção

 

Orçamento – 110.000 Dólares

Bilheteira – 4 milhões de Dólares

 

“The Molten Meteor” – título inicial.

Chegou a ter o título “The Glob”. Mas ao saber-se que havia um cartoon com esse título (de Walt Kelly), mudou-se para “The Blob”.

 

Irvin S. Yeaworth Jr. conheceu Steve McQueen no set de um filme que Irvin estava a realizar, onde Neile Adams (na época, esposa de McQueen) era protagonista.  O realizador recorda o actor como incómodo.

Anthony Franciosa e Ben Gazzara foram considerados para protagonista.

É o primeiro filme de Steve McQueen, que surge no genérico como Steven McQueen.

É o primeiro filme de Aneta Corsaut.

É a primeira produção de Jack Harris.

A companhia de produção tem o nome de Tonylyn Production – é a combinação dos filhos de Jack H. Harris, Anthony e Lynda Harris.

O orçamento inicial era de 120.000 Dólares.

Steve McQueen recebeu 3.000 Dólares como salário. Recusou um montante inferior, mas com o acréscimo de 10% das receitas.  McQueen acreditava que o filme ia falhar nas bilheteiras. McQueen lamentaria sempre esta decisão.

 

O carro de Steve é um Plymouth Cranbrook de 1953.

McQueen fumava constantemente, mas nunca durante o filme. Mas num momento, vê-se o seu personagem a libertar fumo pela boca e com uma mão escondida atrás das costas.

A cena da morte do médico ia ser mais explícita, mas essa footage foi retirada por ser considerada demasiado violenta.

The Blob era feita de silicone com tinta vegetal.

No argumento, a criatura era referida como “The Mass”.

 

A Paramount comprou o filme por 300.000 Dólares. Harris gastou esse montante em publicidade.

A canção “The Blob” foi escrita por Burt Bacharach e Mack David. Cantada pelos Five Blobs, foi um enorme sucesso de vendas.

Dick Powell estava a comandar a Four Star Productions. Depois de ter visto um rough cut do filme chamou Steve McQueen para protagonizar a série “Wanted: Dead or Alive” (1958). E o resto é… História.

McQueen não gostou do filme e recusava falar sobre ele.

Segundo Harris, surgiram duas propostas para transformar “The Blob” em série televisiva. Nada avançou.

 

Em 1965, a prop que fazia de The Blob foi comprada pelo coleccionador Wes Shank. Shank escreveu um livro sobre o filme.

Steve McQueen tinha um poster do filme no seu quarto.

O trailer de “The Blob” pode ser visto num momento de “Grease” (1978).

“Killer Klowns from Outer Space” (1988) inspira-se em “The Blob”.

“Monster!” (1999) inspira-se em “The Blob”.

Um episódio de “SpongeBob SquarePants” (“The Krabby Patty that Ate Bikini Bottom”) inspira-se em “The Blob”.

“Monsters vs. Aliens” inspira-se em “The Blob”.

Na saga “Hotel Transylvania” há um personagem de nome Blobby, muito parecido com The Blob.

O poster de “The Blob” é visto em “The Post” (2017).

 

Teria uma sequela, mas virada para o humor – “Beware! The Blob”, feita em 1972 por Larry Hagman (o J.R. de “Dallas”).

Em 1988 surgiria o (excelente) remake (já aqui visto), também produzido por Jack H. Harris – “The Blob”, realizado por Chuck Russell (vindo de “A Nightmare on Elm Street 3”), com Kevin Dillon, Shawnee Smith e Joe Seneca. Russell faria um monster movie de grande nível de espectáculo, acção, tensão, medo e terror, com generosas doses de humor, apoiado em grandes efeitos de make-up. Supera o original é junta-se aos grandes monster movies dos 80s que foram remakes superiores aos originais (“The Thing” de John Carpenter, “The Fly” de David Cronenberg).

 

Em 2009 falou-se que Rob Zombie ia fazer um (novo) remake. Em 2015, surgiu o nome de Simon West. Em qualquer um dos casos, Jack H. Harris (o produtor do original) ia ser executive producer. Harris faleceu em 2017 e nada mais avançou.

 

É o filme preferido de Jack H. Harris, dos que ele produziu.

O astrofísico Neil deGrasse Tyson tem “The Blob” como um dos seus filmes favoritos no que diz respeito a história sobre organismos alienígenas.

One comment on “Fluido Mortal (1958)

  1. […] Blob” (1958, já aqui visto) já tinha bom estatuto como culto e clássico no campo da sci-fi terror dos 50s, sendo até […]

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