Agente Secreto 007 (1962)

 

 

Título original – Dr. No

 

James Bond é uma feliz criação de Ian Fleming, que se inspirou nalgumas das suas peripécias na Royal Navy durante a Segunda Guerra Mundial (ele até teve algumas no nosso Casino do Estoril, que lhe serviram para inspiração para o primeiro romance protagonizado por Bond – “Casino Royale”).

James Bond é um espião, duro, machista, assassino, cínico, não deixando de ser um apreciador do bom da vida, um verdadeiro connaisseur de diversas áreas (bebidas, comidas, arte, lugares), um jogador sempre cheio de sorte (quase sempre no chemin de fer) e um grande conquistador de mulheres, sendo assim toda uma fantasia masculina (muito derivada de muitas fantasias do próprio Fleming).

Os livros eram populares e mais ainda ficaram por recomendação de JFK, grande fã dos livros.

O Cinema interessou-se e nasceu a mais popular franchise da 7ª Arte.

Eis o titulo que tudo começou.

Foi há 60 anos.

 

James Bond, agente secreto do MI6 e com o código 007, recebe a missão de investigar a morte de um agente na Jamaica.

A investigação leva-o à parceria com um agente da CIA, um batedor local e uma bela coleccionardora de conchas.

Juntos vão enfrentar o misterioso e sinistro Dr. No.

A novidade do filme no género é mesmo o seu protagonista.

James Bond é mostrado com um bon vivant, um homem que aprecia o lazer e o prazer (mesmo que no cumprimento do dever), um herói imbatível, um sedutor irresistível e um connaisseur de quase tudo.

A forma como se apresenta já dá o mote estilizado e másculo de 007, e permite a primeira audição da line mais repetida da saga e mais famosa do Cinema – “Bond. James Bond.”.

Resulta engraçado que Bond entregue tal line como réplica à forma como a sua (sedutora) adversária (em chemin de fer) se apresenta.

(“Casino Royale”, o primeiro com Daniel Craig, mostraria 007 a criar tal line a partir de uma forma semelhante de apresentação de um aliado seu na missão em causa)

Pegando em temas e ideias de um spy thriller típico da Cold War (tecnologia cobiçada, ameaças eventuais de Leste, um agente secreto empenhado, parceria entre MI6 e CIA), eis que se cria algo único, diferente, inovador, influente e relevante no género.

Sim, estamos em ambiente de espionagem (há jogos de informação entre ingleses e americanos, há uma ameaça mundial, o protagonista é um espião), com o protagonista a ser uma espécie de detective (007 não pára de recolher informações, pistas e indícios, relacionando tudo para chegar à verdade).

Notam-se mudanças no tom – sério, sim, mas sem a complexidade de muitos spy thrillers (os que adaptam John Le Carré ou Len Deighton, por exemplo); violento e duro, mas sem ser extremo; divertido sem ser cómico; com uma forte carga erótica, mas sem ser banal.

Notam-se também mudanças na apresentação – ritmo fluído, beleza nos sets, paisagem convidativa, acção dinâmica, mulheres de sonho.

A história é simples e bem contada, com a devida progressão de eventos, pistas, descobertas e peripécias, sem ser atabalhoado nem descurar a lógica.

É certo que (ainda) estamos (muito) longe dos delírios de acção, espectáculo e fantasia que a saga daria no futuro, mas já estão aqui muitos dos arquétipos da saga – vilão refinado e perigoso, ameaça mundial, um dos habituais parceiros de 007 (Felix Leiter), cenários exóticos (aqui, a Jamaica), sets quase saídos da Sci-Fi (a base de operações do Dr. No), pirotecnia e boas lutas, muita mulher deslumbrante a aquecer o colo de 007 e este a ser mostrado tal como é (e deve ser).

As cenas de luta evidenciam algo de novo na montagem (mais energética).

Claro que pelos standards de hoje (de 007 ou qualquer boa saga ou filme de action), as cenas de acção são muito modestas (o orçamento não era generoso) e até algo “toscas” (a perseguição automobilística é bem óbvia no uso da técnica rear & front projection).

Fotografia de muito bom nível (de Ted Moore, que seria habitual na fase inicial da saga), que ganha um glamour ainda maior com o novo master HD.

Excelente paisagem, muito bem aproveitada – a ilha, a praia.

A música sabe pegar em sonoridades locais, mas é o tema principal que fica na memória e na História (quem não o conhece e/ou não sabe assobiá-lo?).

Ken Adam (outro nome habitual da saga) cria incríveis sets (mais ainda por terem sido feitos com poucos recurso$) – o clube, o casino, o gabinete do MI6, o apartamento de Bond, o covil e casa de Dr. No).

Há um par de momentos que conseguem bons calafrios – as execuções, o movimento da tarântula, a ida de Dr. No ao quarto.

Há aquele momento, absolutamente icónico na saga, no Cinema, na memória de muito cinéfilo e um dos mais eróticos de sempre – a “aparição” de Honey Ryder, na praia, saída da água.

Aprendemos algo com 007 sobre prazer gourmet (é errado desperdiçar um Don Pérignon 55, o de 53 é melhor).

A apresentação de Bond é um brilhante momento de mise en scéne (a forma como ele é “escondido” e mostrado no momento certo).

Logo na sua primeira aventura, Bond mostra que é, no meio de tanto charme, sabedoria gourmet e heroísmo, um frio assassino – a forma como executa um inimigo (um dos momenos mais implacáveis da saga).

Cada um dos restantes actores que interpretaram 007 também tiveram tal tipo de momento, perfeitamente ao mesmo nível de impacto – George Lazenby em “On Her Majesty`s Secret Service” (a luta na praia), Roger Moore em “For Your Eyes Only” (quando despacha um inimigo pelo penhasco abaixo), Timothy Dalton em “License to Kill” (quando liquida o seu inimigo – que ainda é a mais cruel matança de 007 na saga), Pierce Brosnan em “The World is Not Enough” (quando mata a sua inimiga – momento ainda com maior impacto, tendo em conta quem ela é e o que significava para Bond) e Daniel Craig em “Casino Royale” (quando faz a segunda execução, para merecer ser promovido a agente da classe 00).

No meio do heroísmo, o filme não se inibe de brincar com a moral do personagem – Bond vai ter com uma menina, sabe quem ela é, não esquece o seu dever, mas não deixa fugir a sua oportunidade para umas horas de prazer com ela.

Terence Young é o realizador que começa a saga (realizaria três, todos com Sean Connery, todos entre os melhores da saga – “Dr. No”, “From Russia With Love” e “Thunderball”).

E dá já mote da saga, definindo muitos dos seus (melhores) arquétipos – ritmo fluído, elegância no filmar dos sets grandiosos, paisagem exótica, vilão refinado, seriedade, humor (por vezes negro) no momento certo, erotismo carregado, acção dinâmica e explosiva, lutas energéticas.

O elenco é um perfeito exercício de casting.

Fiel à (boa) essência da saga não faltam belas meninas – Lois Maxwell é a dedicada secretária do MI6, Eunice Gayson é a sedutora e sedenta jogadora, Marguerite LeWars é a cativante fotógrafa, Zena Marshall é a ardente secretária do clube e, claro, Ursula Andress, que deixa o ecran a derreter sempre que está em cena.

Bernard Lee compõe e define M – rigoroso, metódico, líder.

Jack Lord cria um Felix Leiter bem cool. Pena que Lord não voltasse a aparecer na saga.

Joseph Wiseman impressiona pela calma inquietante com que fala e se move.

Sean Connery tem aqui o seu star vehicle. E cria A essência de James Bond, sendo A referência. Duro, sedutor, cínico, heróico, viril, másculo, sofisticado, sempre com a sua sexualidade acesa. É certo que há um momento ou outro em que parece estar algo perdido (as súbitas “caretas” e a mudança brusca de voz – o que se pode explicar pela ainda pouca experiência como actor, e nula como leading man), mas nota-se que tem quem o saiba dirigir na criação de 007.

É o primeiro episódio da saga, é o mais mode$to, mas é um episódio que já define muito do melhor da saga, sendo um dos melhores.

 

“Dr. No” tem edição portuguesa, a bom preço.

Realizador: Terence Young

Argumentistas: Richard Maibaum, Johanna Harwood, Berkely Mather, Wolf Mankowitz (sem crédito), Terence Young (sem crédito), a partir do romance de Ian Fleming (“Dr. No”)

Elenco: Sean Connery, Ursula Andress, Joseph Wiseman, Jack Lord, Bernard Lee, Anthony Dawson, Zena Marshall, John Kitzmiller, Eunice Gayson, Lois Maxwell, Peter Burton

 

Trailer

 

Clips

 

Orçamento – 1.1 milhões de Dólares

Bilheteira – 16 milhões de Dólares (USA); 60 (mundial)

 

“Melhor Colecção DVD”, nos Saturn 2007.

“Melhor Promessa Feminina” (Ursula Andress), nos Globos de Ouro 1964. Ursula recebeu o prémio de forma ex-acquo com Tippi Hedren por “The Birds” e Elke Sommer por “The Prize”.

O filme e Sean Connery estiveram nomeados, respectivamente, para “Top Action Drama” e “Top Action Performance”, nos Laurel 1964. Perderam, respectivamente, para “McLintock!” e John Wayne (por “McLintock!”).

“Hall of Fame – Melhor Personagem”, pela Online Film & Television Association 2021. O prémio ia ser entregue a Sean Connery, mas já tinha falecido.

“Hall of Fame – Melhor Filme”, pela Online Film & Television Association 2020.

Pré –Produção

Ian Fleming escreveu o romance para uma série que se chamaria “James Gunn, Secret Agent”. Seria para o episódio “Commander Jamaica”.

O objectivo inicial do conceito de Ian Fleming era um filme para promover o turismo na Jamaica.

 

Harry Saltzman comprou os direitos.

Albert R. “Cubby” Broccoli dispôs-se a comprá-los a Saltzman.

Saltzman e Broccoli fizeram parceria e fundaram duas companhias – a Danjaq (para tratar dos direitos) e a Eon (para produzir os filmes).

Nenhum estúdio queria produzir o filme.

A United Artists mostrou interesse.

 

“Dr. No” não é o primeiro romance Fleming dedicado a 007 (esse é “Casino Royale”). Mas aos produtores pareceu ser o mais fácil e barato de adaptar – intriga simples, um único local de filmagens, poucos efeitos especiais e uma única grande cena de acção.

“Thunderball” ia ser o romance a ser adaptado. Até porque ele foi escrito (por Fleming e outras mãos) com a ideia de ser um argumento apto para o grande ecran. Ia-se intitular “James Bond, Secret Agent”. Mas tal romance estava envolvido em muitas confusões de direitos, que muito demoraram a ficar resolvidas. O romance seria adaptado em 1965 (ainda com Sean Connery, e novamente com Terence Young como realizador) e depois em 1983 (com o título “Never Say Never Again”, com Sean Connery, produzido à margem da saga oficial – então em plena fase Roger Moore, que no mesmo ano trouxe “Octopussy”).

Richard Maibaum é um dos argumentistas e seria um dos mais activos na saga, só saindo em 1989 com “License to Kill” (o último com Timothy Dalton). Apenas não escreveu “You Only Live Twice” (1969, ainda com Sean Connery, com o popular escritor Roald Dahl a tratar do argumento), “Live and Let Die” (1973, o primeiro com Roger Moore, com o argumento a cargo de Tom Mankiewicz) e “Moonraker” (1979, também com Moore, com a escrita a cargo de Christopher Wood).

Johanna Harwood é uma das poucas mulheres a escrever para James Bond. A excepção voltou a ser exercida recentemente com “No Time to Die” (2021, o último com Daniel Craig). Harwood voltaria a escrever para James Bond no episódio seguinte – “From Russia With Love”, em 1963.

 

Phil Karlson foi a primeira escolha como realizador, mas pediu um salário muito alto.

Guy Green, Guy Hamilton (que faria 4 filmes na saga, 2 com Sean Connery – “Goldfinger” e “Diamonds are Forever” – e 2 com Roger Moore – “Live and Let Die” e “The Man With the Golden Gun”), Bryan Forbes, Val Guest e Ken Hughes (ambos participariam no spoof “Casino Royale”, em 1967) recusaram.

Terence Young é escolhido, pois já tinha curriculum com Broccoli.

Roger Moore era uma escolha favorita como James Bond. Moore estava activo como Simon Templar na série “The Saint”. A série começou a ser emitida um dia depois da estreia de “Dr. No”. Moore seria Bond depois de Connery, em 7 filmes (ainda o recorde máximo na saga), de 1973 a 1985.

Broccoli e Saltzman queriam Cary Grant como protagonista. Grant era o padrinho de casamento de Albert & Dana Broccoli. Mas o actor não queria compromissos por mais que um filme com o mesmo personagem. E o seu salário daria para pagar o filme.

Richard Johnson foi a primeira escolha de Young, mas o actor teve de recusar por contrato com a MGM. Johnson faria um spy thriller (“Danger Route”, em 1967) e um spoof a James Bond, com o personagem Hugh “Bulldog” Drummond, em dois filmes (“Deadlier Than the Male” em 1967, e “Some Girls Do” em 1969).

Patrick McGoohan (que se tornaria popular na Televisão como o espião John Drake, na série “Danger Man”, de 1964 a 1967) foi considerado, mas recusou.

David Niven também foi ponderado. Niven seria 007 em “Casino Royale” (1967), toda uma paródia a James Bond.

Ian Fleming chegou a sugerir Richard Todd, Trevor Howard e Michael Redgrave.

Broccoli viu “Darby O’Gill and the Little People” (1959) e gostou da presença de Sean Connery, principalmente na cena da luta. A esposa, Dana Broccoli, considerou Connery muito sexy.

Sean Connery derrotou Peter Anthony. Este era considerado com o melhor físico para 007, mas não convenceu os produtores nas capacidades como actor.

Connery foi inicialmente recusado pela United Artists. Depois mudaria de opinião.

Fleming não gostou da escolha de Connery como 007. Bond é inglês, Connery é escocês; Bond é de classe superior, Connery é da classe trabalhadora; Bond é sofisticado, Connery teve de ser treinado. Contudo, depois de ver o filme, o escritor mudou de opinião.

Na criação do Dr. No, Fleming inspirou-se em Fu Manchu, que era interpretado por Christopher Lee (primo de Fleming) numa série de filmes populares.

Dr. No foi proposto a Max von Sydow (que seria vilão em “Never Say Never Again”, com Sean Connery, um remake de “Thunderball”, feito à margen da saga oficial), Christopher Lee (que seria vilão em “The Man With The Golden Gun”, com Roger Moore) e Noel Coward (que respondeu a Brocolli e Saltzman, perante a proposta, com um vigoroso “No, no, no.”).

Saltzman escolheu Joseph Wiseman, depois de o ver “Detective Story” (1951).

Bernard Lee seria M em 11 filme seguidos. O seu último seria “Moonraker” (1979). Lee contraceneria com 3 actores que fariam de James Bond – Sean Connery, George Lazenby e Roger Moore.

Peter Burton interpreta o personagem do Major Boothroyd, conhecido por Q. Seria a única vez. O personagem seria imortalizado por Desmond Llewelyn. Llewelyn surgiria no filme seguinte (“From Russia With Love”) e percorreria toda a saga com Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e quase toda a de Pierce Brosnan (faleceria pouco depois das filmagens de “The World is Not Enough”, o penúltimo de Brosnan).

O nome verdadeiro de Jack Lord é Jack Ryan. Jack Ryan seria um personagem, que é um analista da CIA, criado por Tom Clancy. Tal personagem surge no Cinema pela primeira vez em “The Hunt for Red October” (1990, com o rosto de Alec Baldwin). No filme também participa… Sean Connery.

Lois Maxwell seria Moneypenny em 14 filme seguidos. A actriz estaria presente em todas as fases de Sean Connery, George Lazenby e Roger Moore. Maxwell teve à escolha duas personagens – Moneypenny e Sylvia Trench. Preferiu Moneypenny, pois considerou Sylvia Trench demasiado sexual.

Eunice Gayson seria Sylvia Trench em dois filmes seguidos – “Dr. No” e “From Russia With Love”. Estabeleceria um recorde que só seria quebrado duas vezes – Maud Adams a ser Bond Girl em dois filmes (“The Man With The Golden Gun” e “Octopussy”, ambos com Roger Moore; em ambos Adams interpreta personagens diferentes) e Léa Seydoux a interpretar a mesma personagem em dois filmes (“SPECTRE” e “No Time to Die”, ambos com Daniel Craig).

Curiosamente, no início ponderou-se Eunice Gayson como Moneypenny e Lois Maxwell como Sylvia Trench.

Young considerava Gayson como um amuleto de sorte nos filmes do realizador. Já tinham trabalhado juntos.

Young também ajudou na escolha final, ao dizer que Gayson cheirava a sexo e Maxwell a sabonete.

Marguerite LeWars (que interpreta a fotografa jamaicana) era hospedeira de bordo e foi Miss Jamaica.

Anita Ekberg foi considerada como Honey Ryder.

Julie Christie também foi considerada, mas foi recusada por não ser curvilínea.

Martine Beswick foi considerada, mas foi recusada por ter pouca experiência como actriz. Beswick participaria em “Thunderball” (1965), como secundária.

A duas semanas do começo das filmagens ainda não se tinha encontrado a actriz para a personagem Honey Ryder. Um dos produtores viu a fotografia de Ursula Andress ao lado marido John Derek, e ficou cativado. Ursula foi incentivada por Kirk Douglas, amigo dela, que estava entusiasmado pelo argumento.

Young levou Connery ao alfaiate do realizador e “educou-o” em restaurantes, hotéis, casinos e mulheres.

Os fatos de Connery foram feitos na Saville Row, por Anthony Sinclair.

Reza a lenda que Young chegou a ordenar a Connery para dormir de fato vestido, para que este se ajustasse devidamente ao corpo do actor.

 

Maurice Binder cria o genérico inicial. Algo que ele faria nas fases Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore e Timothy Dalton.

Monty Norman compôs a música, incluindo o tema principal.

John Barry faria um rearranjo a esse tema. Barry seria o compositor oficial da saga até “The Living Daylights” (1987, o primeiro com Timothy Dalton). Barry estaria fora em poucos casos – “Live and Let Die” (1973, o primeiro com Roger Moore, com a música a cargo de George Martin e Paul McCartney), “The Spy Who Loved Me” (1977, também com Moore, com a música a cargo de Marvin Hamlisch), e “For Your Eyes Only” (1981, também com Moore, com música a cargo de Bill Conti).

Uma primeira versão do argumento (de Richard Maibaum e de Wolf Mankowitz, amigo de Broccoli) foi rejeitado. Mankowitz foi embora e Maibaum fez uma nova versão, mais fiel ao romance de Fleming.

Young colocou no argumento e na personalidade de 007 muita da sua.

Young é o responsável pela presença de humor.

Filmagens

Bernard Lee foi chamado no dia anterior ao primeiro de filmagens.

O orçamento inicial de Ken Adam era de 14,500 Libras. Os produtores deram-lhe depois mais 6.000 dos seus bolsos.

O orçamento de Maurice Binder era de 2.000 Libras.

A cena com a tarântula recorreu a uma verdadeira e ao stuntman Bob Simmons. Uma primeira versão usava uma placa separadora entre a tarântula e Connery, mas Young não gostou do resultado.

Simmons era também o coordenador das lutas e quem faz de 007 no momento inicial (007 visto pelo cano de uma arma). Simmons faria o mesmo nos dois filmes seguintes (“From Russia With Love” e “Goldfinger”). Só a partir de “Thunderball” é que o actor a interpretar James Bond faria tal momento.

Connery tinha medo de aranhas.

Connery usava peruca. Connery começou a perder cabelo aos 17 anos.

Reencontro entre Sean Connery e Terence Young, depois de “Action of the Tiger” (1957).

Filmado na Jamaica e em 58 dias.

Momentos

O momento inicial (que seria constante ao longo da saga) era filmado em sepia, com uma câmara pinhole dentro do cano de uma arma calibre .38.

James Bond só aparece ao fim de 8 minutos.

A introdução de James Bond deriva de um momento parecido em “Juarez” (1939, de William Dieterle, com Paul Muni) – vários planos à volta do personagem, mas sem lhe mostrar o rosto, até ao momento crucial.

A frase “Bond. James Bond.” é ouvida aqui pela primeira vez, sendo uma constante ao longo da saga.

Na cena em que 007 se apresenta como “Bond. James Bond.”, Connery estava sempre a baralhar-se e dizia “Connery. Sean Connery“, “Bond. Sean Bond“, “Connery. James Connery“. Terence Young pediu a Eunice Gayson para chamar Connery para irem tomar um copo e para ela o acalmar.

O filme marca a estreia da famosa Walther PPK, a arma habitual de 007 na saga.

No momento em que Bond executa um inimigo, 007 disparava cinco tiros. A censura obrigou a que só fossem dois.

Honey Ryder aparece ao fim de 62 minutos.

O momento em que Ursula Andress emerge na água é considerado como um dos momentos mais sexy do Cinema.

No livro, Honey Ryder emerge do mar despida.

Dr. No só aparece ao fim de 87 minutos.

O aquário na casa do Dr. No é um conjunto de imagens de um, mas projectadas num rear-projection screen.

O quadro que se vê na casa de Dr. No, ao jantar é um retrato do Duque de Wellington, por Goya. O retrato estava roubado há vários anos. Ken Adam desenhou uma cópia, a partir dos registos na National Gallery.

Num momento, Bond usa uma garrafa de Dom Pérignon como arma. O Dr. No diz-lhe que usar uma de 55 é um desperdício, ao que Bond responde que prefere a de 53. Tal vinho é envelhecido em turnos de 7 anos.

Publicidade a diversos produtos e marcas – Turnbull & Aser (alfaiates), Pan Am Airlines, Rolex (relógios), Dom Pérignon (champanhe), Red Stripe (cerveja), Black & White (whisky), BOAC Airlines, Smirnoff (vodka).

Carros mostrados – Sunbeam Alpine Series 5 Sports Tourer convertible II Tiger 1961, Packard LaSalle, Chevrolet Bel Air convertible 1957, Ford Mk II, Austin A55 Cambridge, Ford Zephyr.

Body Count – 16.

Uma cena foi filmada mas eliminada. No final, Honey Ryder está no quarto, com uma garrafa, à espera de James Bond; quando este surge, ela salta-lhe nos braços e ela segura-a e à garrafa; ele retira a rolha com os dentes e transporta Honey nos braços.

Após

Peter R. Hunt era o responsável pela montagem. Seria assim durante muita da fase Sean Connery e realizaria um filme (“On Her Majesty`s Secret Service”, feito em 1969, o único com George Lazenby, sendo um dos mais elogidos episódios da saga). Hunt quis inovar na montagem, com cuts rápidos e efeitos de som exagerados. 

Ursula Andress foi dobrada vocalmente por Nikki Van der Zyl. Voltaria a fazê-lo em “The Blue Max” (1966), “She” (1965) e “Casino Royale” (1967).

Na Alemanha, Sean Connery foi dobrado vocalmente por Klaus Kindler. Kindler faria o mesmo a Roger Moore e Clint Eastwood. Faria tal um par de vezes a Louis Jourdan, Robert Davi e Michael Lonsdale – “curiosamente”, todos seriam vilões de 007.

Títulos do filme em diversos países:

  • “Agent 007: Licence to Kill” (Itália)
  • “James Bond Versus Dr. No” (Bélgica e França)
  • “Dr. No: Mission Killing”/”Agent 007 – Mission: Kill Dr. No” (Dinamarca)
  • “James Bond Chases Dr. No” (Alemanha)
  • “Dr. No: 007 Is The Killing Number” (Japão)
  • “007: Murder Number” (Coreia do Sul)
  • “Agent 007 With A Licence To Kill” (Suécia)
  • “Agent 007 Versus Dr. No” (Espanha)
  • “James Bond, Agent 007 Against Dr. No” (Grécia)
  • “007 Seized The Secret Island” (China)
  • “007 – The Secret Agent” (Portugal)
  • “007 and Dr. No” (Finlândia)
  • “007 Against The Satanic Dr. No” (Brasil e toda a América do Sul) 

Ian Fleming não gostou do filme.

Na época, a crítica reagiu de forma diversa. Com o tempo, tornou-se um dos mais elogiados da saga.

Stanley Kubrick ficou tão impressionado pelo trabalho de Ken Adam, que o chamou para tratar da cenografia de “Dr. Strangelove” (1964).

Pela época da estreia saiu um comic escrito por Norman J. Nodel. A Classics Illustrated editou-o no Reino Unido, a DC editou-o nos USA.

É o primeiro filme da saga, mas não o primeiro filme com James Bond. Tal é a adaptação como telefilme de “Casino Royale”, para o programa “Climax!” (1954). Barry Nelson é que foi o primeiro James Bond (embora no dito filme se chame Jimmy Bond e seja um agente secreto americano).

É a primeira de muitas incursões de James Bond à Jamaica. Nos romances de Fleming, 007 andaria em tal região em “Live and Let Die” (1954), “Dr. No” (1958), “For Your Eyes Only” (1960), “The Man with the Golden Gun” (1965) e “Octopussy” (1966).

Nos filmes, 007 move-se pela Jamaica em “Dr. No” (1962, com Sean Connery, o seu primeiro filme como 007), “Live and Let Die” (1973, com Roger Moore, o seu primeiro filme como 007) e “No Time to Die” (2020, com Daniel Craig, o seu último filme como 007). Em todos surge Felix Leiter, mas sempre com actores diferentes (Jack Lord, David Hedison e Jeffrey Wright, respectivamente – só Hedison e Wright interpretaram o personagem mais que uma vez; Hedison trabalhou com Roger Moore e Timothy Dalton, Wright só trabalhou com Daniel Craig).

É o único filme da saga que nunca sai de território britânico.

É o primeiro de três filmes onde se vê o apartamento de James Bond – os outros são “Live and Let Die” (1973, o primeiro com Roger Moore) e “SPECTRE” (2015, com Daniel Craig).

É o único filme da saga onde 007 é atacado por uma mulher e não riposta.

Durante anos, era um dos episódios mais curtos da saga (quase todos passavam as duas horas de duração), ao lado de “Goldfinger” (1964) – 105 minutos. “Quantum of Solace” (2008, com Daniel Craig) juntou-se à excepção – 106 minutos.

Sean Connery é o padrinho do filho de Ursula Andress, Dimitri Hamlin.

Jack Lord interpreta Felix Leiter e foi considerado demasiado cool, pelo que poderia ofuscar Connery. Para “Goldfinger” (o filme seguinte da saga onde Leiter aparece) foi chamado um outro actor que desse menos nas vistas. Também se sabe que Lord pediu mais dinheiro e mais presença para esse filme. Lord chegou a ser considerado para James T. Kirk em “Star Trek”. A sua hora de glória chegaria em 1968 com “Hawaii Five-O”, que durou até 1980.

Em 2019, a filha de Cary Grant, Jennifer Grant, revelou que o seu pai lamentou ter rejeitado ser James Bond (Whoa, que interpretação incrível que o Mr. Grant daria a 007!).

Em 1999, “Dr. No” ficou em #41, nos “Top 100 British Films”, do British Film Institute.

O IGN considera “Dr. No” como #6 da saga.

O Entertainment Weekly considera “Dr. No” como #7 da saga.

Em 2001, os espectadores britânicos consideraram a line Bond. James Bond.” como “A Mais Amada Line do Cinema”.

Em 2005, o American Film Institute considerou a line Bond. James Bond.” como a 22ª line mais famosa do Cinema.

A Premiere deixou a line Bond. James Bond.” como #51 nas “The 100 Greatest Movie Lines”.

A 5 de Outubro de 2012, a Eon Productions considerou tal dia como o “Global James Bond Day”. O dia envolve exibição dos filmes da saga, documentários sobre os filmes e leilões para caridade.

Sobre Ian Fleming

https://www.ianfleming.com

https://www.britannica.com/biography/Ian-Fleming

https://www.goodreads.com/author/show/2565.Ian_Fleming

https://www.fantasticfiction.com/f/ian-fleming/

 

Sobre James Bond

https://www.007.com

 

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