Pecado Original (2001)

 

 

Título original – Original Sin

 

O romance “Waltz Into Darkness”, escrito por William Irish (pseudónimo de Cornell Woolrich), tinha sido levado ao Cinema por François Truffaut com o excelente “La Siréne du Mississippi” (1969; já aqui visto).

Alguém achou que seria fixe fazer uma nova adaptação. Mais escaldante.

Há protagonistas para tal – Antonio Banderas & Angelina Jolie.

Vai esta nova versão ser um pecado ou uma sereia?

 

Luís é um milionário no mundo da produção de café. Está noivo de Julie, que conheceu por correspondência.

Entre ambos nasce uma paixão que vai além do desejo.

Quando Julie foge, Luís persegue-a. E descobre uma outra pessoa.

Mas o que não muda é o desejo obsessivo de posse.

Não é uma história de amor, é uma história sobre o amor.” – assim diz a protagonista, várias vezes.

De facto, assim é.

Estamos numa história sobre o amor, o desejo, a obsessão e toda a irracionalidade de tais emoções.

O facto de se passar (inteligentemente) em ambientes latinos, remete-nos para as clássicas histórias de “faca e alguidar” latinas, bem como muitas tramas telenovelescas.

Há elegância na encenação, graças a cuidados trabalhos nas áreas de fotografia e cenografia, conseguindo-se uns ambientes muitos carregados e realistas.

Michael Cristofer até consegue uma ilustração muito competente dessa elegância, criando uma atmosfera de forte erotismo e sensualidade.

Para tal muito ajudam os dois protagonistas, na plenitude do seu carisma sexy.

Antonio Banderas e Angelina Jolie têm uma química de forte ardor sexual.

Um drama sentimental e carnal, bem sexy.

“Original Sin” vê-se por si e tem méritos autónomos.

Mas sabendo-se que readapta o romance de Cornell Woolrich/William Irish que deu origem ao “La Sirène do Mississippi” de François Truffaut, é inevitável a comparação.

  • O argumento é praticamente igual, mudando apenas o tempo (dos anos 60 do Século XX vamos para o final do Século XIX) e a localização (de África vamos para a América Latina), havendo aqui e ali uma variação e um twist. Mas ao longo de 90% do filme temos uma sensação de déjà vu face aos eventos do filme de Truffaut.
  • François Truffaut realiza de forma mais clássica, em filiação com o clássico modelo do Film Noir, uns toques de Hitchcock e o estilo Nouvelle Vague; Michael Cristofer carrega nalgum estilismo (a movimentação da câmara, a montagem de imagens), sendo mais moderna.
  • O duelo de actores é interessante – Jean-Paul Belmondo & Catherine Deneuve são de outra escola e estilo (mais clássicos), Antonio Banderas & Angelina Jolie são de uma nova geração, com outras regras e estilos. Há boa cumplicidade entre os dois pares, sendo de sensualidade e sexualidade mais aberta e intensa entre Antonio & Angelina e de uma frieza e repressão mais intensa com Jean-Paul & Catherine. Antonio & Angelina enfatizam bem o seu poder sensual, mas não conseguem a devida densidade interpretativa. Jean-Paul & Catherine são (muito) melhores actores e conseguem mais profundidade nas suas interpretações
  • O tom é mais sexy em “Original Sin” e mais suave em “La Sirène do Mississippi” (ainda que se sinta a necessidade/urgência dos dois personagens em libertarem a sua “fome”).
  • “La Sirène do Mississippi” é mais um Film Noir Nouvellevaguesque, pleno de (boas) influências clássicas, enfatizando a obsessão do Amor; “Original Sin” e mais um drama latino romântico, de forte ênfase sexual, focando a relação entre o Amor e o Desejo.

 

A cada um o seu preferido, mas considero “La Sirène do Mississippi” um filme muito superior, mais completo e complexo, é mais Cinema e cinéfilo, que sabe como recorrer ao subtendido e subtileza.

“Original Sin” tem edição portuguesa, a bom preço. Pode ser uma raridade. Existe noutros mercados, a bom preço.

Dado o “calor” do filme, prefira-se a versão Unrated.

Realizador: Michael Cristofer

Argumentista: Michael Cristofer, a partir do romance de Cornell Woolrich (“Waltz Into Darkness”, escrito como William Irish)

Elenco: Antonio Banderas, Angelina Jolie, Thomas Jane, Jack Thompson

 

Trailer

 

Clips

 

Antonio Banderas sobre o filme

 

Orçamento – 42 milhões de Dólares

Bilheteira – 16.5 milhões de Dólares (USA); 35 (mundial)

 

Angelina Jolie esteve nomeada para “Pior Actriz” nos Razzie 2002 e nos The Stinkers Bad Movie 2001. Perdeu, nas duas nomeações, para Mariah Carey em “Glitter”.

Reencontro entre Angelina Jolie e Michael Cristofer, depois de “Gia” (1998; que deu vários prémios a Angelina).

 

Filmado no México.

O filme é produzido pela companhia de Michelle Pfeiffer (Via Rosa Productions). Michelle comprou os direitos do livro de Irish e pensou em protagonizá-lo.

É o último filme produzido pela Via Rosa Productions.

A plantação era uma verdadeira plantação de cana de açúcar. Hoje está abandonada.

Melanie Griffith (na época, esposa de Antonio Banderas) andava frequentemente no set. Alguém rumorou que ela estava preocupada devido às cenas íntimas de Antonio com Angelina. Para serenar as preocupações de Melanie, no set também estava Billy Bob Thornton (na época, marido de Angelina Jolie).

Segundo Michael Cristofer, Angelina Jolie e Antonio Banderas queriam nudez total na cena íntima. A cena foi filmada apenas com os actores, o realizador e um par de elementos da crew.

Na época surgiu o rumor que a dita cena não era simulada.

Segundo o “E! Online”, a cena de sexo entre Luís e Julia durava 20 minutos. Teve de ser editada em duração e conteúdo para evitar a classificação de soft-core porn.

Cristofer diz que ainda tem o cut original, com a cena na íntegra.

É um de muitos filmes com Angelina Jolie que viu censuradas as cenas íntimas – “Hackers” (1995), “Playing God” (1997), “The Bone Collector” (1999), “Pushing Tin” (1999).

O título teve de ser alterado (ia ter o título “Waltz Into Darkness”) para não se confundir com “Dancer in the Dark” (2000).

Sobre Cornell Woolrich/William Irish

https://crimereads.com/the-noir-poetry-and-doomed-romanticism-of-cornell-woolrich/

https://www.goodreads.com/author/show/25413.Cornell_Woolrich

https://www.goodreads.com/author/list/247321.William_Irish

 

One comment on “Pecado Original (2001)

  1. […] 2001 viria um “remake” – “Original Sin” (já aqui visto) readapta o romance de Woolrich/Irish, de uma forma mais latina e erótica; Michael Cristofer […]

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