No Reino dos Corsários (1952)

 

 

Título original – Against All Flags

 

Quarteto de luxo numa grande aventura entre piratas.

 

1700.

Os piratas de Madagascar andam a fazer estragos na dinâmica comercial da zona.

Brian Hawke, oficial da marinha britânica, é infiltrado no meio, no sentido de destruir a organização.

Mas a presença (e beleza) de aguerrida Spitfire Stevens vai complicar as coisas.

Ainda que em espírito de swashbuckler, é um verdadeiro spy thriller no mundo dos piratas.

Sim há abordagens marítimas, tesouros pirateados, donzelas compradas, disputas por espólios, intrigas, peripécias e duelos de espada, mas tudo devido a uma missão de infiltração em território inimigo.

História simples, curta e bem contada, indo directa ao assunto, sem perder tempo com banalidades, plena de economia narrativa mas bem recheada com os (bons) pergaminhos do género.

Excelente fotografia (do grande Russell Metty) e bons efeitos de matte painting.

George Sherman era um tarefeiro versátil e assina com eficácia. Não consegue estar ao nível de Michael Curtiz, mas cumpre.

O quarteto protagonista é sempre de respeito e volta a mostrar porquê.

Mildred Natwick é bem maternal com as suas meninas.

Anthony Quinn é sempre divertido como vilão.

Maureen O`Hara dá boa luta a todos os homens daquele meio – com lábia, atitude e com a espada. E, claro, sempre deslumbrante com os seus cabelos (bem) ruivos e lábios (bem) vermelhos.

Errol Flynn ainda era o grande leading man para o género e volta a demonstrá-lo com a sua destreza física, desarmante ironia e sedutor charme.

Um Swashbuckler de bom nível de entretenimento.

 

“Against All Flags” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador(es): George Sherman, Douglas Sirk (sem crédito)

Argumentistas: Æneas MacKenzie, Joseph Hoffman

Elenco: Errol Flynn, Maureen O’Hara, Anthony Quinn, Alice Kelley, Mildred Natwick

 

Trailer

 

Clip

 

Bilheteira – 1.6 milhões de Dólares; 2 milhões de Espectadores (França)

 

O projecto começou nas mãos de Aeneas MacKenzie (argumentista) e Richard Wallace (realizador), pensado para Douglas Fairbanks Jr. (Wallace, Fairbanks, Jr. e Maureen O`Hara já tinham trabalhado juntos no maravilhoso “Sinbad the Sailor”, em 1947).

Nada avançou e MacKenzie vendeu o argumento à Universal.

Alexis Smith e Yvonne De Carlo são consideradas.

Em 1951 Errol Flynn assina um contrato com a Universal para um filme e este passa a ser o considerado. Flynn ainda estava sob contrato com a Warner Bros., mas era-lhe permitido fazer contratos com outros estúdios, mas só por um filme por ano.

Reencontro entre Anthony Quinn e Maureen O’Hara, depois de “Sinbad the Sailor”. Segundo ele, houve um affaire entre ambos nas filmagens desse filme e algo foi retomado nas filmagens deste novo. Reencontrar-se-iam em “The Magnificent Matador” (1955).

Reencontro entre Errol Flynn e Anthony Quinn, depois de “They Died With Their Boots On” (1941).

As filmagens começam com atraso, pois Flynn estava a terminar “Mara Maru” (para a… Warner).

Segundo George Sherman, Flynn estava nervoso por ter de fazer cenas de luta de esgrima com uma mulher.

Flynn tinha tentado um avanço romântico sobre Maureen O’Hara, anos antes. A actriz estava algo receosa por este reencontro, mas tudo correu bem e Flynn ganhou o respeito pessoal e profissional de O`Hara.

Segundo O’Hara, Flynn bebia muito nas filmagens e isso deixava-o incapacitado depois das 16.00. Sherman chegou a proibir o actor de beber e trazer álcool para o set, mas Flynn conseguia injectar vodka em laranjas e comia-as ao longo do dia.

Flynn já estava bastante doente do fígado.

Algumas das cenas românticas entre Flynn e O`Hara envolviam close-ups à actriz, que reagia a uma bandeira negra que simbolizava Flynn.

Flynn fez quase todas as stunts requeridas. Só a que envolveu descer por uma vela é que requereu um stuntman.

As filmagens tiveram de parar por uns dias, devido ao facto de Flynn ter tido uma lesão no tornozelo.

Quando Flynn regressou, já George Sherman estava comprometido com outro filme (“Willie and Joe Back at the Front”). Douglas Sirk terminou as filmagens que faltavam.

Afirma-se que grande parte das filmagens foram feitas por Douglas Sirk.

O argumento inspira-se em eventos e personagens reais, mas de forma muito ligeira.

 

O filme não foi o sucesso que se esperava.

Tal obrigou Flynn mudar-se para a Europa, de forma a continuar a ter trabalho.

Flynn voltaria a fazer um filme para a Universal – “Istanbul” (1957).

Foi o último swashbuckler feito por Flynn em Hollywood. Faria mais três, mas na Europa – “The Master of Ballantrae” (1953), “Il Maestro di Don Giovanni” (1954) e “The Dark Avenger” (1955).

 

O filme teria um remake em 1967 – “The King’s Pirate”, de Don Weis, com Doug McClure, Jill St. John e Guy Stockwell.

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