Instinto Fatal (1992)

 

 

Título original – Basic Instinct

 

Foi o filme mais polémico do seu ano, um dos mais controversos da década, mas também um dos mais significativos.

Excitou Hollywood e quase o planeta inteiro.

30 anos depois, mantém o mesmo poder?

 

O brutal assassinato de uma ex-estrela da música faz ligação com Catherine Tramell, uma escritora com muito interesse sobre o crime violento, sendo também uma mulher bem aberta na sua sexualidade e plena de frontalidade sobre muita coisa.

Nick Curran, o agente da polícia encarregue do caso envolve-se num jogo de desejos, prazeres e manipulação.

Um jogo irresistível e excitante, mas perigoso e mortal.

É toda uma fantasia sexual, que retoma algo de uma essência do Film Noir (crime, investigação, perdição), nomeadamente a da Femme Fatale (aqui na forma de Blonde Ambition), servindo como desculpa para um desfile na abordagem de prazeres sexuais.

A par de toda carga de suspense e erotismo, está sempre presente uma profunda ironia, que tanto se dá pela Polícia (a atitude descontraída na primeira crime scene) como contra ela (a reacção dos interrogados face aos interrogadores).

É um filme sobre crimes e suspeitos, sim.

Mas pegando nessa trama clássica, o filme envereda corajosamente por colocar como suspeitos pessoas de orientação bissexual (o que causou muita celeuma na época).

Embora a abordagem corajosa e perigosa não seja nova – em 1948, Hitchcock coloca dois gays a fazer um assassinato de “superioridade humana em “Rope”, o que também mexeu com algumas consciências e minorias (ainda que, na época, mais silenciosas e silenciadas que hoje ou na época de “Basic Instinct”).

É uma abordagem a uma certa minoria de orientação sexual diferente (bissexual ou lésbica) e ao facto dela libertar algum tipo de basic instinct através da violência assassina.

Tal insere-se na narrativa, mas o filme nunca procura uma “moralização” sobre tal nicho social.

É um conto sobre um certo basic instinct.

É este que move os protagonistas. Na sua letalidade, na sua postura perante a vida, sobre si próprios, sobre a sociedade, sobre relações e sobre o sexo.

O jogo entre Catherine e Nick não é só de provocação, é também um duelo de mentes para ver qual a superior, é um desafio de um ao outro e também de cada um a si próprio, bem como de instintos para ver qual o que permite a qual sobreviver e triunfar melhor.

É uma história sobre o “apelo” a comportamentos desviantes (há muito tempo que Nick não bebia, não se drogava, não fumava, não se relacionava com mulheres, e todo o caso e o contacto com Catherine desperta-lhe esse conjunto de apetites; Catherine não tem afecto por qualquer homem, mas algo muda assim que inicia a relação com Nick).

É o relato de uma verdadeira, obsessiva e excitante blonde ambition.

A perdição vem por uma mulher, sim, bem fatale (no desejo que suscita) e bem blonde.

É assim uma metáfora sobre o Mal enquanto elemento desafiante, desviante, possessor, fascinante, excitante e destrutivo.

Mas porque é um filme onde desde muito cedo se mostra que o tema é mesmo o sexo, este não cessa de se manifestar, mostrando-o como uma força (activa em Catherine e nas suas amigas, latente em Nick).

Uma força que se mostra libertadora, para diversos instintos (sejam de manipulação, de dominação, de destruição), bem como para libertação de violência e morte (contrariando assim a visão clássica do acto – prazer, sentimento, emoção e/ou procriação).

Para a História fica como a visão do mais inesperado, ilustrativo e ousado cruzar de pernas do Cinema, criando-se assim um dos mais incontornáveis momentos do Cinema.

Mas “Basic Instinct” é, basicamente, um entretenimento. De luxo (os meios, o visual, o cineasta, o elenco), com muito para cativar os olhinhos (dos meninos e das meninas), concebido com sentido de choque, impacto e espectáculo, sem ser banal ou idiota.

Os crimes são um máximo de violência (até se espeta um picador de gelo num olho), o sangue jorra aos litros (principalmente quando se ataca a jugular), as perseguições estão sempre a procurar o máximo da velocidade (tudo vale em ultrapassagens em curvas, com um Lotus Esprit a mostrar as suas muitas mais-valias; um Ford Mustang e um Lotus Esprit portam-se como uns todo-o-terreno, galgando todo o tipo de obstáculos urbanos), as cenas de sexo são o máximo do explícito (para um filme mainstream), os protagonistas estão no máximo da sua excitação (com um sex-appeal que tanto cativa o menino como a menina).

Todo o filme é uma vertigem que parece não ter fim nem limite, onde se procura ir onde nenhum filme antes foi.

“Basic Instinct” já fascina pelas imagens, pelo tom, pela atmosfera e pelas prestações dos protagonistas.

Mas o filme marca mesmo pontos pela sua protagonista.

Catherine Tramell não é apenas uma bela e curvilínea mulher. É uma mente astuta, dentro de um corpo deslumbrante, que sabe usar todo o poder mental e corporal (portanto, sexual) para se expressar livremente (no seu pensamento e comportamento – a forma como fala abertamente sobre a sua sexualidade, a forma como trata os polícias como bobos, a forma como usa as pessoas para as suas pesquisas e descoberta sobre elas e sobre si própria), bem como para manipular (a forma como ela controla os interrogadores e o interrogatório).

Catherine Tramell torna-se não só uma das maiores Femmes Fatales de sempre, mas também uma das melhores personagens de sempre.

O final é aberto a diversas conclusões, bem como as possibilidades de identidade sobre quem cometeu os crimes.

(não se surpreendam se por cada vez que vêm o filme mudem a vossa convicção sobre quem é o/a assassino/a de cada um, de alguns ou de todos os assassinatos)

“Fatal Attraction” (1987, também com Michael Douglas, ao lado de Glenn Close e Anne Archer, onde Douglas andava excitado e assustado devido a Close, tendo por isso ter de dar uma “facadinha no casamento” com Archer) era uma metáfora sobre a SIDA e os seus perigos nos comportamentos de risco (nesse mesmo ano, James Bond é alvo do mesmo “alerta” – em “The Living Daylights”, o primeiro com Timothy Dalton, 007 só tem um romance com uma Bond Girl).

“Basic Instinct” ignora tal doença e “apela” a todos os basic instincts que forneçam prazer e joie de vivre ao ser humano (a certo momento, Nick goza o amigo e diz “Next time, I`ll wear a rubber.”). O perigo de morte não vem dos comportamentos mas sim da psyche de certos nichos sociais/sexuais (as bissexuais).

É uma jogada perigosa, arriscada e corajosa, que, sim, abala uma sociedade conservadora.

Tal como é, “Basic Instinct” é impensável hoje em dia, com tanta preocupação com o “politicamente correcto” e conservadorismo de pacotilha.

O filme abalou a comunidade LGBT. E se isso já era controverso na época, ainda mais seria hoje. Mesmo assim, e ainda que involuntariamente, a verdade é que o filme abriu visibilidade a essa comunidade, permitiu-lhe uma voz, fez a sociedade dar conta que tal comunidade existia, tinha de se lidar com ela e permitiu que se começasse a resolver alguns dos seus problemas.

Por isso mesmo, o filme de Paul Verhoeven, apesar de ser digno rival de outros filmes trasgressores e corajosos no seu erotismo (“La Piscine”, onde Alain Delon & Romy Schneider aqueciam o ambiente na Riviera francesa; a versão de “The Postman Always Rings Twice” com Jack Nicholson & Jessica Lange mais quentes que nunca; “Body Heat”, onde se revelou Kathleen Turner com a grande sex bomb dos 80s), nunca mais teve um rival à sua altura desde então e dificilmente (ou impossivelmente) terá.

O guarda-roupa é vistoso, tanto no protagonista como nas senhoras presentes.

A cenografia é moderna, elegante e ampla (vejam-se as casas de Catherine, o bar, a discoteca, as instalações da Polícia).

Excelente fotografia, do sempre competente Jan de Bont (habitual do Cinema de Paul Verhoeven), bem limpa (as cenas íntimas), brilhante (os exteriores de San Francisco), viva (a cena do interrogatório), dinâmica (a cena na discoteca), nítida (as cenas nocturnas), que ganha uma nova vida no novo, recente e excelente master 4K.

Rob Bottin (“John Carpenter`s ´The Thing`”) faz os make-up effects e estes são de um impressionante realismo (acreditamos mesmo que aquelas pessoas foram infinitamente esburacadas e ensanguentadas).

Jerry Goldsmith compõe um score elegante, sexy, sofisticado, misterioso, trepidante, sendo um dos seus melhores (perfeitamente ao nível dos criados para “Legend”, “Total Recall”, “L.A. Confidential” e, claro, “First Blood” e “Rambo: First Blood – Part II”).

O elenco secundário cumpre bem, com destaque para o sempre certinho George Dzundza.

Michael Douglas era sempre perfeito para estes thrillers sexuais, onde se confrontava sempre com mulheres que o excitavam e o levavam ao desespero, mas estando sempre apto para pecar. E ei-lo aqui sempre com os nervos em franja, mas sempre excitado e pronto a seguir o seu basic instinct.

Jeanne Tripplehorn é uma bela revelação, de corpo, presença e talento. Pena que a indústria não a tenha aproveitado da melhor maneira. Vimo-la em “Waterworld” (1995, ao lado de Kevin Costner) e “The Firm” (1993, ao lado de Tom Cruise), mas sem o mesmo poder magnético (aqueles olhos vivos e intensos) e fascinante (aqueles lábios carnudos, de cor carregada) que tem aqui, apelando a um terepêutico basic instinct.

Sharon Stone era a grande bomba do filme e a razão porque íamos às salas. Já a tínhamos visto em “Total Recall” (também de Paul Verhoeven) e tinha surpreendido pela forma como mudava (em fracção de segundo) de loira fofinha e carinhosa para grande víbora assassina. Revela-se uma actriz com presença, sex-appeal, muita sensualidade, a saber usá-la bem como a sua capacidade letal. Uma interpretação plena de basic instinct e a convidar a muitos, que é um verdadeiro star vehicle (e assim aconteceu).

Paul Verhoeven é O Cineasta do “Sexo & Violência”. Mas não apenas para exibicionismo. O autor de “RoboCop” sabe sempre quando e porque recorrer a tal.

Ei-lo em casa, bem feliz e divertido com tudo o que está a fazer, procurando sempre atingir o máximo do que já se (não) viu no género, mas sempre com bom gosto visual.

Faz do filme uma obra de arte cinematográfica, num total domínio da linguagem cinematográfica, do poder de choque, da criação de imagens bonitas, da capacidade de envolver, fascinar e excitar, em plena filiação com elementos do Film Noir clássico, dentro do tema da Femme Fatale.

E sabe brincar a Hitchcock (nomeadamente a “Vertigo” – que, “por acaso”, e tal como “Basic Instinct”, se passa em San Francisco e é sobre a perdição de um homem por uma mulher… loira), sem cair na imitação ou no pretensiosismo.

É um dos seus grandes momentos.

De certa forma, Verhoeven já “tinha feito” um “Basic Instinct” – “The Fourth Man” (1981). O filme tem uma trama semelhante, uma protagonista igualmente sedutora, provocadora e excitante, tocando também em temas ligados à sexualidade (e até à homossexualidade). É um título que merece (re)descoberta.

É O grande thriller erótico dos 90s e um dos maiores de sempre, que em nada foi igualado (então hoje, em tempos de politicamente correcto…), estando perfeitamente ao nível de “Body Heat” (o grande thriller erótico dos 80s, que também muito mudou no género e no Cinema, que revelou a grande sex bomb desse tempo – Kathleen Turner).

 

Um clássico.

 

“Basic Instinct” tem edição portuguesa, a bom preço. A nossa edição tem o cut integral. Recentemente saiu uma edição com master 4K e novos (e recentes) extras, com um completo e excelente documentário onde se mostra também como o filme afectou (a diversos níveis) a vida (pessoal e profissional) de Sharon Stone. Tal edição existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador: Paul Verhoeven

Argumentista: Joe Eszterhas

Elenco: Michael Douglas, Sharon Stone, George Dzundza, Jeanne Tripplehorn, Denis Arndt, Leilani Sarelle, Chelcie Ross, Dorothy Malone, Wayne Knight, Daniel von Bargen, Stephen Tobolowsky

 

Trailers

 

Clips

 

Sharon Stone sobre o filme

 

O Main Theme de Jerry Goldsmith

 

Um ensaio sobre o filme

 

Orçamento – 49 milhões de Dólares

Bilheteira – 117 milhões de Dólares (USA); 352 (mundial)

 

Nomeado para “Melhor Montagem” e “Melhor Música”, nos Oscars 1993. Perdeu, respectivamente, para “Unforgiven” e “Aladdin”.

Sharon Stone esteve nomeada para “Melhor Actriz”, nos 20/20 2013. Perdeu para Emma Thompson em “Howards End”.

Nomeado para “Melhor Filme – Terror” (foi derrotado por “Dracula”), “Melhor Actriz” (Sharon Stone foi derrotada por Virginia Madsen em “Candyman”), “Melhor Realizador” (Paul Verhoeven foi derrotado por Francis Ford Coppola em “Dracula”), “Melhor Argumento” (foi preferido o de “Dracula”), “Melhor Música” (foi escolhida a de “Twin Peaks: Fire Walks With Me”), nos Saturn 1993.

“Melhor Música”, nos BMI Film & TV 1993.

Concorreu à “Palm d`Or”, em Cannes 1992.

Nomeado para “Melhor Actriz – Drama” (Sharon Stone perdeu para Emma Thompson em “Howards End”) e “Melhor Música” (ganhou “Aladdin”), nos Globos de Ouro 1003.

Sharon Stone foi a “Melhor Actriz” e “Melhor Mais Desejada”, nos MTV Movie+TV 1993. O filme concorreu a “Melhor Filme” (“A Few Good Men” foi preferido), “Melhor Actor” (Michael Douglas foi derrotado por Denzel Washington em “Malcolm X”), “Melhor Duo” (Mel Gibson & DannyGlover foram eleitos em “Lethal Weapon 3”), “Melhor Vilão/Vilã” (Jennifer Jason Leigh ganhou por “Single White Female”).

“Melhor Filme Estrangeiro”, no Nikkan Sports Film 1992.

Nomeações (?????) nos Razzie 1993 – Michael Douglas para “Pior Actor” (Sylvester Stallone ganhou por “Stop! Or My Mom Will Shoot”), Jeanne Tripplehorn para “Pior Actriz Secundária” (Estelle Getty ganhou por “Stop! Or My Mom Will Shoot”), “Pior Nova Estrela” (Pauly Shore ganhou por “Encino Man”).

 

CRIAÇÃO

Joe Eszterhas tinha escrito “Jagged Edge” (1985, com Glenn Close e Jeff Bridges, com uma trama semelhante), “Betrayed” (1988, com Debra Winger e Tom Berenger) e “The Music Box” (1989, com Jessica Lange). Voltaria a escrever para Sharon Stone (“Sliver”, em 1993), Paul Verhoeven (“Showgirls”, em 1995) e mais um thriller sexual (“Jade”, de William Friedkin, em 1985).

Eszterhas escreveu o argumento nos 80s, em 10 dias.

Catherine Tramell inspira-se numa mulher que Joe Eszterhas conheceu, que lhe chegou a apontar uma arma e ameaçou matá-lo. Após uma conversa calma, tudo se resolveu.

Nick Curran é baseado num agente da Polícia de Cleveland, algo viciado em adrenalina, que Eszterhas conheceu.

“Love Hurts” – era o título inicial do argumento.

O argumento andou por várias mãos, até assentar na Carolco Pictures.

Joe Eszterhas vendeu o argumento por 3 milhões de Dólares. Era um recorde (que pertencia a Shane Black, por “The Last Boy Scout”, em 1991 – 1.75 milhões de Dólares). Seria superado em 1996, por… Shane Black, com “The Long Kiss Goodnight” (4 milhões de Dólares).

 

 

PRÉ-PRODUÇÃO

Milos Forman é a primeira escolha de Eszterhas e Irwin Winkler (então produtor inicial do projecto) como realizador. Forman mostra-se interessado, mas Paul Verhoeven fica contratado.

Verhoeven faz alterações no argumento, para desagrado de Eszterhas. Verhoeven acentua ainda mais o lado sexual da narrativa.

Eszterhas abandona a produção.

Winkler (produtor com prestígio graças a “Rocky” e “Raging Bull”) sai de cena perante estas iniciativas de Verhoeven.

Alan Marshall entra em cena como produtor.

Gary Goldman é chamado para fazer alterações no argumento, a pedido de Verhoeven (já tinham trabalhado junto em “Total Recall”, em 1990). Após algumas versões, Verhoeven reconhece que algumas ideias eram desnecessárias e toscas.

Verhoven volta atrás com algumas das alterações, chama de volta Eszterhas e pede-lhe desculpa.

O argumento final é quase igual ao inicial de Eszterhas, com pequenas mudanças a nível visual e de diálogo.

Mas o argumento já anda a circular e suscita polémica na comunidade LGBT. Eszterhas propõe alterações para acalmar os ânimos, mas Verhoeven recusa.

 

No início, o personagem Nick Curran era uma mulher e queria-se que fosse interpretada por Kathleen Turner.

Chegou-se a ponderar que a assassina mataria também mulheres, mas Paul Verhoeven achou que ela só devia matar homens.

Verhoeven quis que houvesse uma cena lésbica entre Catherine e Roxy. Isto levou a grandes discussões com Eszterhas. Verhoeven até queria de Nick participasse na cena. Mas o cineasta mudou de ideias, pois achou que tal prejudicava o ritmo do filme.

O personagem Nick Curran ia ser mais jovem.

Peter Weller foi considerado como protagonista, por Verhoeven. Ele e Weller tinham trabalhado juntos em “RoboCop” (1987).

Verhoeven também sondou Tom Berenger para ser Nick Curran, mas Berenger não gostou do argumento. Berenger vinha de um outro argumento de Joe Eszterhas (“Betrayed”). Tom Berenger e Sharon Stone encontrar-se-iam em “Sliver” (1993), escrito por… Joe Eszterhas.

Richard Dean Anderson, Tom Berenger, Jeff Bridges (que vinha de um outro argumento de Joe Eszterhas – “Jagged Edge”), Nicolas Cage, Kevin Costner, Tom Cruise, Robert De Niro, Harrison Ford, Michael J. Fox, Richard Gere (que teria o seu thriller erótico em 1992 – “Final Analisys”, ao lado de Kim Basinger e Uma Thurman), Mel Gibson, Don Johnson (que teria o seu thriller erótico em 1995 – “The Hot Spot”, ao lado de Virginia Madsen e Jennifer Connelly), Tom Hanks, John Heard, Ray Liotta, Christopher Lloyd, Jack Nicholson, Chuck Norris, Al Pacino (que vinha de um óptimo thriller erótico – “Sea of Love”, ao lado de Ellen Barkin, em 1989), Sean Penn, Brad Pitt, Dennis Quaid, Charlie Sheen, Martin Sheen, Wesley Snipes, Sylvester Stallone (que trabalharia com Sharon Stone em 1994 num action thriller bem escaldante – “The Specialist”), Patrick Swayze, John Travolta, Denzel Washington, Peter Weller (que tivera o seu thriller erótico em 1989 – “Cat Chaser”, ao lado de Kelly McGillis) e Bruce Willis (que teria o seu thriller erótico em 1995 – “Color of Night”, ao lado de Jane March) – é a lista de actores considerados e sondados para interpretar Nick Curran.

Michael Douglas quis participar no filme porque achava que o Sexo no Cinema corria o risco de desaparecer devido à SIDA. Douglas já tinha feito um filme que se viu como uma metáfora sobre a SIDA e o seu “terror” sobre o Sexo – “Fatal Attraction”, em 1987.

Douglas volta a interpretar um agente da Polícia de San Francisco, depois da série “The Streets of San Fancisco” (1972, ao lado de Karl Malden).

Douglas não estava contente com o argumento inicial de Eszterhas (o personagem Nick Curran era algo frágil e fraco). Enquanto esperava pelo início das filmagens, filmou “Shinning Through” (1992, ao lado de Melanie Griffith, também com fotografia de Jan de Bont). Quando regressou desse filme, Douglas ficou chateado por ver que não se deram as alterações que ele queria no argumento.

Douglas exigiu alterações no argumento face ao seu personagem. Ele era algo frágil, o actor queria-o mais forte. Tudo isso se faz na fase em que Goldman está a fazer mudanças no argumento.

Douglas deixou bem claro no seu contrato que não faria cenas de nu frontal nem que o seu personagem seria bissexual (assim era, no argumento inicial).

Brooke Shields recusou ser Roxy (a amante de Catherine). Shields já tinha feito uma cena de nudez (aos 12 anos, em 1978, em “Pretty Baby”), mas não queria voltar a tal. Leilani Sarelle foi chamada.

Linda Fiorentino foi considerada para interpretar Beth Gardner. Ela seria protagonista de “Jade” (1995), outro thriller sexual, escrito por… Joe Eszterhas.

É o primeiro filme de Jeanne Tripplehorn. A actriz vinha do Teatro e Verheoven reparou nela.

Douglas defendia que devia ser uma actriz já bem estabelecida no meio a interpretar Catherine Trammell.

Douglas sugeriu Kim Basinger, mas a actriz recusou.

Verhoeven considerou Demi Moore (que trabalharia ao lado de Douglas num thriller erótico – “Disclosure”, em 1994).

Renée Soutendijk e Amanda Donohoe foram consideradas para Catherine, e estiveram quase. Soutendijk já tinha trabalhado com Verhoeven na Holanda (nomeadamente “The Fourth Man”, com uma trama muito semelhante a “Basic Instinct”). Mas Verhoeven queria que a escolhida fosse uma “all-american girl” e não uma europeia. Verhoeven achava que seria óbvio quem era a assassina, se fosse uma actriz europeia a interpretar a protagonista.

Julia Roberts, Greta Scacchi (actriz habituada ao thriller erótico – “White Mischief”, “Presumed Innocent”, “Shattered”) e Meg Ryan (que teria o seu thriller erótico – “In The Cut”, em 2003) foram sugeridas, mas todas elas recusaram. O mesmo aconteceu com Michelle Pfeiffer, Geena Davis, Kathleen Turner (que já tinha curriculum com Douglas – “Romancing the Stone”, “Jewel of the Nile”, “War of the Roses” – e com thillers eróticos – “Body Heat”, “Crimes of Passion”), Kelly Lynch, Ellen Barkin (que vinha de um bom thriller erótico – “Sea of Love”, ao lado de Al Pacino) e Mariel Hemingway.

Nancy Allen, Rosanna Arquette, Ellen Barkin, Drew Barrymore, Kim Basinger, Annette Bening, Elizabeth Berkley (que seria a protagonista de “Showgirls” em 1995, escrito por… Joe Eszterhas e realizado por… Paul Verhoeven), Helena Bonham Carter, Kim Cattrall, Stockard Channing, Jennifer Connelly, Courteney Cox, Geena Davis, Rebecca De Mornay (que teria o seu thriller erótico – “Never Talk to Strangers” e vinha do remake “And God Created Woman”), Laura Dern, Farrah Fawcett, Linda Fiorentino (que teria os seus thrillers eróticos – “The Last Seduction” e “Jade”, este escrito por… Joe Eszterhas), Carrie Fisher, Bridget Fonda, Jodie Foster, Gina Gershon, Heather Graham, Jennifer Grey, Melanie Griffith, Linda Hamilton, Daryl Hannah, Helen Hunt, Anjelica Huston, Diane Keaton, Nicole Kidman, Diane Lane, Jennifer Jason Leigh, Courtney Love, Andie MacDowell, Madonna (que faria a sua “resposta” a “Basic Instinct” com “Body of Evidence”, em 1993), Virginia Madsen (que teria o seu thriller erótico – “The Hot Spot”), Bette Midler, Demi Moore (que teria o seu thriller erótico – “Disclosure”, ao lado de… Michael Douglas), Catherine O’Hara, Annette O’Toole, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer, Annie Potts, Kelly Preston, Julia Roberts, Mimi Rogers, Isabella Rossellini, Rene Russo (que teria o seu thriller erótico – o remake “The Thomas Crown Affair”), Meg Ryan (que teria o seu thriller erótico – “In the Cut”), Winona Ryder, Ally Sheedy, Cybill Shepherd, Elisabeth Shue, Sissy Spacek, Emma Thompson, Lea Thompson, Uma Thurman, Marisa Tomei, Kathleen Turner, Debra Winger (que vinha de um outro thriller escrito por Joe Eszterhas, “Betrayed”) e Robin Wright – é a (longa e sedutora) lista de actrizes ponderadas e sondadas para interpretar Catherine Tramell.

Sharon Stone tinha trabalhado com Paul Verhoeven em “Total Recall” (1990). Verhoeven teve-a em conta, contactou-a e a actriz aceitou.

Stone ponderava deixar a carreira de actriz e ir estudar Direito.

Douglas não ficou convencido com a escolha de Stone.

Douglas manifestou-se contra a escolha de Stone, pois não a considerava conhecida e apta. Mas a vontade de Verhoeven em tê-la era grande e o cineasta lutou pela sua decisão.

Michael Douglas e James Rebhorn reencontrar-se-iam e “The Game” (1997, de David Fincher).

Paul Verhoeven ia ser o realizador de “Black Rain” (1989, de Ridley Scott), também com Michael Douglas, também fotografado por Jan De Bont. Mas Verhoeven preferiu “Total Recall” (1990).

É o último filme de Bill Cable.

É o último filme de Dorothy Malone.

Só Joe Eszterhas ficou com o crédito do argumento.

 

FILMAGENS

Paul Verhoeven, Michael Douglas e Sharon Stone. Realizador definido, elenco protagonista escolhido. Tudo arranca para as filmagens.

Douglas fez um lifting no rosto, antes das filmagens.

Sétima colaboração entre Jan De Bont e Paul Verhoeven (trabalharam juntos muitas vezes na Holanda). Foi também a última. De Bont seguiria depois para a realização (“Speed”, “Twister”, “Speed 2”, o remake de “The Haunting”).

É o único filme que Verhoeven filmou em anamorphic Panavision. Foi em formato 2.39:1.

Verhoeven queria que este fosse o primeiro filme mainstream de Hollywood a mostrar uma erecção.

Verhoeven estava mesmo determinado a ser bem ousado nas cenas de sexo. Para evitar futuras censuras depois da montagem, ele mostrou ao executives do estúdio todos os seus storyboards para as cenas em causa.

 

As filmagens eram frequentemente perturbadas pelos activistas gay e lésbicas.

A Polícia de San Francisco tinha de manter a segurança do set.

 

Michael Douglas e Paul Verhoeven queriam que o filme tivesse um tom na linha dos detective noir dos 40s.

Verhoeven quis seguir também algo de Hitchcock.

Verhoeven e Douglas tiveram vários conflitos por causa de Sharon Stone. A actriz estava nervosa nos primeiros dias. Produtores e Douglas ponderam substituí-la, mas Verhoeven lutou pela actriz e trabalhou muito com ela na criação da sua personagem. Com esta atenção, Douglas sentiu-se posto à margem. Verhoven achava que por Douglas não precisava de atenção, pois já era um actor estabelecido, uma movie star e um actor premiado (já tinha ganho um Oscar – em 1997, por “Wall Street”).

Stone inspirou-se em Barbara Stanwyck em “Double Indemnity” (1944) e Kathleen Turner em “Body Heat” (1981).

Stone não se sentiu confortável com Douglas e vice-versa. Mas acha que tal favoreceu o filme.

Verhoeven fez storyboards de todas as cenas de sexo, envolvendo detalhes que nem existiam no argumento.

Os detalhes coreográficos de Verhoeven eram tais, que Sharon Stone considerou que ela e Michael Douglas eram os “Fred Astaire & Ginger Rogers horizontais e dos 90s”.

 

A morte de Johnny Boz envolveu muito trabalho de prosthetics.

Os efeitos de make-up e prosthetic são do grande Rob Bottin.

Apesar do mistério narrativo sobre quem é a loira na cena inicial, Paul Verhoeven e Sharon Stone confirmam que é Sharon.

Stone estava muito nervosa nas filmagens da primeira cena do filme.

Nessa cena, Stone está de tal modo na personagem, que chegou a magoar o actor Bill Cable com o (falso) picador de gelo. Alguns dos gritos do actor, na cena, são mesmo de dor e não fingimento.

A cena da “violação” de Michael Douglas a Jeanne Tripplehorn era um ensaio e os actores não sabiam que estavam a ser filmados. Verhoeven gostou tanto da performance de Douglas e Tripplehorn, que incluiu a footage no final cut.

Douglas fez todas as stunts nas cenas automóveis.

Stone acreditava mesmo que o pormenor da sua personagem não estar de cuecas numa determinada cena seria uma alusão e que tal não seria filmado.

Na filmagem da dita cena, a actriz foi informada pelo realizador e pelo director de fotografia que o branco das suas cuecas fazia reflexo, e pediram à actriz para as tirar.

Stone diz que não sabia que a sua vagina ia ser mostrada no filme.

Verhoeven afirma que a actriz sabia de tudo.

A famosa “Fuck of the Century” demorou um total de 5 dias de filmagens.

Sabendo que iria ter problemas com a MPAA à volta das cenas de sexo, Verhoeven filmou-as de diversos ângulos, com diversos close-ups e wide shots, para assim ter imensa footage utilizável.

Nenhum body double foi usado nas cenas de sexo.

Para as cenas íntimas, Michael Douglas e Sharon Stone usaram protectores na zona genital.

 

PÓS-PRODUÇÃO

A The Motion Picture Association of America (MPAA) dá ao filme uma classificação NC-17 (surgida nos 90s, para substituição da classificação X). a MPAA procurou convencer a TriStar Pictures (estúdio distribuidor) que tal classificação não significava que o filme fosse pornográfico. Mas a TriStar decide editar o filme e 40 segundos são tirados do cut mostrado nos USA. Só o cut internacional era o integral.

Paul Verhoeven teve de editar o filme por 14 vezes. As cenas que mais foram editadas são as da morte de Johnny Boz, a violação sobre Beth, a primeira cena de sexo entre Nick e Catherine, e a morte de Gus.

O famoso cruzar de pernas ficou editado e filmado sem o conhecimento de Sharon Stone. Só quando a actriz viu a cena editada é que percebeu o que tinha acontecido. Ela ficou muito chateada com Paul Verhoeven e chegou a esbofetá-lo num screening room e a abandonar a sala. Mas foi esse momento que lançou a actriz como movie star.

Stone chegou a pedir a Verhoeven que retirasse o momento do cruzar de pernas. A actriz tinha ouvido o seu manager e este disse-lhe que tal momento lhe poderia estragar a sua carreira. Verhoeven negou-se e o resto é… História.

 

 

MOMENTOS

A casa que Catherine tem perto do mar fica em 157 Spindrift Road, Carmel Highlands, California. Spindriff Road também faz parte dos locais de “Play Misty For Me” (1971), o primeiro filme de Clint Eastwood como realizador (e também um thriller sexual). A casa foi vendida por 16 milhões de Dólares.

11431 Euclid Avenue, Cleveland, Ohio – é a morada de Lisa Hoberman. A morada é real – foi onde Joe Eszterhas trabalhou como jornalista.

O “The Johnny Boz Club” foi construído dentro dos estúdios do Warner Brothers Studio.

Houve quem criticasse a cena da discoteca, pois achou-se que Michael Douglas e Sharon Stone já não tinham idade para tais ambientes.

Num certo plano (quando Nick vê uma página escrita por Catherine para o seu novo romance), percebe-se que Catherine antecipa a morte de Gus.

O carro de Nick é um Ford Mustang GT descapotável de 1990.

O carro de Catherine é um Lotus Esprit SE Type 85 de 1991.

 

ESTREIA

O filme fez a abertura do Festival de Cinema de Cannes 1992. Causa sensação e celeuma.

O trailer mostra um momento que não consta do filme – Catherine a tirar o vestido, no seu primeiro acto sexual com Nick.

Alguns dos protestantes ao filme faziam manifestações com cartazes onde indicavam quem era a assassina. Mas tal não afectou a performance do filme nas bilheteiras.

O filme abriu como #1 no box-office americano.

Activistas gay e lésbicas protestaram imenso contra o filme, pela forma como mostrava as minorias homossexuais e lésbicas, retractando-as como psicopatas assassinas.

O filme foi criticado pela forma como glamorizava o acto de fumar. Joe Eszterhas seria doente de cancro na garganta e lamentaria ter suavizado o acto de fumar neste filme.

Faye Dunaway criticou Michael Douglas por ele não ter permitido que o nome de Sharon Stone aparecesse no genérico antes do título do filme.

As reacções da crítica foram diversas, mas na generalidade foram positivas.

O cut europeu tinha mais 40 segundos que o americano.

O mercado doméstico americano editou o director’s cut (que era o cut visto na Europa).

Bateu recordes em Itália – 5.4 milhões de Dólares.

Foi o maior sucesso em Espanha, até então – 21.6 milhões de Dólares.

Kirk Douglas (pai de Michael) elogiou o filho pela sua coragem em fazer o filme.

Sharon Stone tornava-se uma movie star, ao fim de 12 anos de carreira. E numa idade onde grande parte das actrizes em Hollywood vê a sua carreira a abrandar e a perder direito a oportunidades.

 

DEPOIS

Para Paul Verhoeven, o filme não é sobre Sexo, mas sim sobre o Mal e a forma que ele toma, como manipula e destrói o ser humano.

Michael Douglas considerou o seu personagem como o Mal.

Jerry Goldsmith considera que o score que compôs foi o mais difícil, mas um dos seus melhores.

 

Joe Eszterhas deu conta anos depois que deveria ter em conta a questão do ADN na identificação da assassina, logo depois do assassinato inicial.

Steven Spielberg gostou de ver Wayne Knight e chamou-o para “Jurassic Park” (1993).

Verhoeven ofereceu a Sharon Stone uma personagem em “Showgirls” (1995). A actriz recusou e Gina Gershon foi chamada.

 

O filme mexeu e mudou as regras de Hollywood sobre a forma como se tratava e filmava o sexo em filmes.

Apesar da polémica, o filme acabou por expandir o género do thriller erótico (embora com resultado$ desiguais, incluindo na qualidade) – “Final Analisys” (1992, com Richard Gere, Kim Basinger e Uma Thurman; foi sucesso), “Sliver” (1993, com… Sharon Stone; foi sucesso), “Body of Evidence” (1993, com Madonna, Willem Dafoe, Joe Mantegna, Anne Archer e Julianne Moore; foi flop), “Indecent Proposal” (1993, de Adrian Lyne, com Demi Moore e Robert Redford; foi sucesso), “Malice” (1993, com Nicole Kidman, Alec Baldwin e Bill Pullman; foi sucesso), “The Last Seduction” (1994, com Linda Fiorentino; foi sucesso), “The Getaway” (1994, com Alec Baldwin e Kim Basinger; foi flop), “The Specialist” (1994, com Sylvester Stallone e… Sharon Stone; foi sucesso), “Disclosure” (1994, com Demi Moore e… Michael Douglas; foi sucesso), “Jade” (1995, de William Friedkin, com David Caruso, Linda Fiorentino e Chazz Palminteri; foi flop), “Color of Night” (1995, com Bruce Willis e Jane March; foi flop), “Wild Things” (1998; foi sucesso), “Eyes Wide Shut” (1999, o ultimo filme de Stanley Kubrick; foi sucesso), “Unfaithful” (2002, com Diane Lane e Richard Gere; foi sucesso). Assim sendo, os “receios” de Michael Douglas revelavam-se infundados.

O filme seria (muito bem) parodiado – “Fatal Instinct” (1993), de Carl Reiner, com Armand Assante, Sherilyn Fenn, Kate Nelligan e Sean Young.

 

“Showgirls” (1995) reuniu Paul Verhoeven e Joe Eszterhas, novamente sobre sexo (as strippers de Las Vegas). Elizabeth Berkeley (e Verhoeven) acreditou que poderia tornar-se uma movie star, mas as coisas não lhe correram tão bem como a Sharon Stone.

 

Paul Verhoeven dirige quatro filmes que originam sequelas (“RoboCop” em 1987, “Basic Instinct” em 1992, “Starship Troopers” em 1997 e “Hollow Man” em 2000). Todas as sequelas (não realizadas por Verhoeven) falham nas bilheteiras.

 

Teria sequela em 2006. “Basic Instinct 2”, realizado por Michael Caton-Jones. (Só) Sharon Stone regressava (Michael Douglas recusou, pois sentiu-se demasiado velho). O filme foi um flop total de público e crítica.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s