Fim-de-Semana Alucinante (1972)

 

 

Título original – Deliverance

 

Um dos filmes essenciais dos 70s, uma brava lição de Cinema actioner survival, um realizador e elenco em ascensão.

50 anos depois, vamos ver se este fim-de-semana ainda é alucinante.

 

Quatro amigos reúnem-se para um fim-de-semana em ambiente natural.

Mas rapidamente descobrem que além das adversidades da Natureza ainda têm de enfrentar a hostilidade dos habitantes locais.

E surge uma desesperada luta pela sobrevivência.

Survival actioner assente numa situação bem extrema e plausível (amigos em diversão pela Natureza e com muitos problemas a surguirem), que também funciona como alegoria de acções destrutivas do Homem sobre a Natureza (os quatro amigos reúnem-se naquele rio como despedida, devido ao facto de ele ir deixar de existir devido ao avanço da “civilização” – uma barragem), dos perigos da Natureza (os quatro amigos são vítimas das suas “birras”, incontroláveis, inesperadas e incontornáveis), do conflito Vietname (os quatro amigos vão para território desconhecido e enfrentam guerrilha local), outras guerras (domésticas) dos USA (a relação de certos Estados americanos com os restantes USA, a América dos rednecks, a forma como alguma mentalidade sulista da Guerra Civil ainda não foi derrotada) e sobre a condição homicidade natural do ser humano (os quatro amigos têm de matar se querem sobreviver).

Porque estamos em cenários naturais, há uma bela paisagem sempre em cena, muito bem filmada e aproveitada.

Mas em contraste com esta beleza, há uma corrente tempestiva e imparável de violência (a violação e o que se sucede, o confronto final).

Excelente fotografia, que capta bem toda a selvajaria (natural e humana) dos locais e dos eventos.

John Boorman filma bem, sabe dar o devido tom e dá uma lição de como fazer bem action, adventure e survival.

Elenco com bons nomes, mas na época ainda eram rising stars.

O trabalho de todos é impecável e em excelente sintonia (entre si e com o tom do filme).

É uma pérola do survival actioner, filmado com estilo e sentido de realismo, que é ainda uma referência.

Um clássico absoluto.

 

“Deliverance” tem edição portuguesa, a bom preço. Há uma Collector`s Edition, com bons extras.

Realizador: John Boorman

Argumentistas: James Dickey, John Boorman, a partir do romance de James Dickey

Elenco: Jon Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty, Ronny Cox, Ed Ramey, Billy Redden, Bill McKinney, Herbert ‘Cowboy’ Coward

 

Trailer

 

Clips

 

Making of

 

Orçamento – 2 milhões de Dólares

Bilheteira – 46 milhões de Dólares

Mercado doméstico – 18 milhões de Dólares

 

Nomeado nos Oscars 1973 – “Melhor Filme” (perdeu para “The Godfather”), “Melhor Realizador” (John Boorman foi derrotado por Bob Fosse em “Cabaret”), “Melhor Montagem” (“Cabaret” foi o eleito).

John Boorman esteve nomeado para “Melhor Realizador – Filme”, pelo Directors Guild of America 1973. Francis Ford Coppola, por “The Godfather”, foi o vencedor.

Nomeações nos Globos de Ouro 1973 – “Melhor Filme – Drama” (perdeu para “The Godfather”), “Melhor Actor – Drama” (Jon Voight foi derrotado por Marlon Brando em “The Godfather”), “Melhor Realizador” (John Boorman foi derrotado por Francis Ford Coppola por “The Godfather”), “Melhor Argumento” (venceu “The Godfather”).

“Prémio do Juri”, no festival de Faro 1972.

“Top 10”, pela National Board of Review 1972.

“Filme a Preservar”, pela National Film Preservation Board 2008.

James Dickey afirma que o seu livro se inspira num caso verídico.

 

Dickey queria Sam Peckinpah como realizador.

Peckinpah queria realizar o filme. Perante a escolha de John Boorman, Peckinpah foi fazer “Straw Dogs” (1971 – um outro tremendo, intenso e incómodo ensaio sobre a violência).

Dickey queria Gene Hackman no personagem que foi entregue a Jon Voight. Boorman queria Lee Marvin (Boorman e Marvin já tinham trabalhado juntos em “Point Blank” e voltariam a fazê-lo em “Duel in the Pacific”).

Hackman queria interpretar o personagem que foi para Burt Reynolds.

Boorman quis Marlon Brando no personagem que foi entregue a Burt Reynolds.

Brando e Marvin recusaram por se acharem demasiado velhos para interpretar personagens metidos naquele tipo de aventuras.

Jack Nicholson foi considerado para o personagem que foi entregue a Jon Voight.

Donald Sutherland e Charlton Heston recusaram o personagem que foi entregue a Burt Reynolds.

Heston recusou por estar já comprometido com “Antony and Cleopatra” (1972).

Sutherland recusou por causa da violência no filme. Depois da estreia (e do sucesso), lamentaria a sua decisão.

Henry Fonda recusou o personagem que foi para Reynolds. James Stewart foi também considerado.

Robert Redford, Henry Fonda, George C. Scott e Warren Beatty, foram outros actores ponderados.

A Warner Brothers queria Steve McQueen para o personagem que foi para Reynolds. McQueen recusou.

Jack Nicholson aceitava participar no filme, se Marlon Brando também participasse. Os salários dos dois actores superavam a metade do orçamento. Boorman procurou outros actores, mais baratos.

Boorman descobriu Ronny Cox e Ned Beatty no Teatro.

Ronny Cox foi o primeiro actor seleccionado.

Primeiro filme de Ned Beatty e Ronny Cox.

Boorman queria Vilmos Zsigmond como director of photography. Boorman acreditava que como Zsigmond tinha filmado a invasão soviética à Hungria teria a capacidade de filmar todas as exigências técnicas e logísticas de “Deliverance”.

Filmado em Rabun County, Georgia.

O rio era o Chattoogar.

Para poupar custos, não se fez seguro.

Como tal, os actores faziam as suas próprias stunts. A mais incrível é a feita por Jon Voight ao longo do penhasco.

Também por poupança de custos, mas também para um maior realismo, recorreu-se a habitantes locais.

A primeira cena filmada foi a do “duelo” dos banjos.

O filme foi filmado em sequência.

Billy Redden (o rapaz do banjo) simpatizava com Ronny Cox e não com Ned Beatty. No final da filmagem da cena dos banjos, pedia-se a Redden para fazer uma cara hostil a Cox. Como o rapaz não o conseguiu, colocou-se Beatty à sua frente e o resultado foi mais natural.

Bill McKinney procurou criar distância e hostilidade a Ned Beatty. Tal funcionou na cena da violação.

Beatty recusou-se a fazer um novo take da cena da violação.

Numa das cenas na canoa, Beatty caiu à água e quase se afogou. Quando Boorman lhe perguntou sobre a experiência, Beatty disse que sentiu que se ia afogar e interrogou-se como o realizador ia terminar o filme sem o actor. Acreditar que Boorman encontraria uma saída levou Beatty a regressar à tona.

Burt Reynolds chegou a pedir um novo take num momento – o actor queria ser ele a fazer a queda nos rápidos e não queria que fosse um boneco. Quando o actor perguntou ao realizador como ficou, este respondeu que pareceu um boneco a cair num rápido.

Reynolds teve uma lesão.

James Dickey ficou impressionado pela entrega dos quatro actores.

James Dickey e John Boorman tiveram acesas discussões ao longo das filmagens, por causa das alterações que Boorman fez ao livro de Dickey. A confrontação foi de tal modo intensa, que Dickey chegou mesmo a esmurrar Boorman. Ambos se reconciliaram.

James Dickey faz um cameo – o Sheriff.

Charley Boorman, filho de John, aparece no final (o filho de Ed).

A esposa do personagem de Jon Voight é interpretada pela esposa de Ned Beatty.

John Boorman teve de fazer muita edição na morte de um personagem.

Filmou-se um final alternativo, que era o final inicial do argumento de Dickey. Passa-se algumas semanas depois do fim dos eventos, mostra Lewis sem uma perna, com ele, Bobby e Ed a encontrarem-se com o Sheriff, que lhes mostra um corpo para o reconhecerem (ele não é visível ao espectador).

O filme foi um enorme sucesso de público e crítica.

Burt Reynolds transformou-se numa movie star de nível A. O actor ainda se movia em produções televisivas e B.

 

Depois da estreia do filme, Burt Reynolds e Jimmy Carter (futuro President dos USA) criaram a “Georgia Film Commission”, uma comissão para encorajar produções e filmagens cinematográficas na Georgia.

Tal compensou – o local começou a ser muito procurado, tanto por Hollywood como por turistas. O próprio Reynolds ainda filmaria vários filmes na zona.

 

A cena final foi a inspiração para o final de “Carrie” (1976).

Burt Reynolds acreditou que o facto de ter posado nu para a “Cosmopolitan” impediu “Deliverance” de ser o “Melhor Filme” nos Oscars.

Burt Reynolds considerou “Deliverance” como o melhor filme em que participou.

Squeal like a pig” – é uma line que entrou na pop culture.

Está nos “1001 Movies You Must See Before You Die”, de Steven Schneider.

 

Teria um rip-off televisivo – “Deliver Us from Evil” (1973), com George Kennedy e Jan Michael Vincent. É sobre um par de homens que viajam à boleia pelo Oregon e descobrem que o condutor é um criminoso, com muito dinheiro roubado. Os dois homens decidem matá-lo e ficar com o dinheiro, mas depois têm grandes problemas e dilemas sobre como esconder o corpo e se devem devolver o dinheiro.

Sobre James Dickey

https://www.poetryfoundation.org/poets/james-l-dickey

https://www.britannica.com/biography/James-Dickey

https://www.georgiaencyclopedia.org/articles/arts-culture/james-dickey-1923-1997/

https://www.goodreads.com/author/show/31457.James_Dickey

 

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