The Matrix Resurrections (2021)

 

 

“The Matrix” (1999) marcou o seu tempo (e uma passagem de Século em termos cinematográficos) pela inovação dos (incríveis) efeitos visuais, pelas (estonteantes) cenas de acção e pela (profunda e complexa) narrativa.

Ficou logo como culto e clássico, originou “imitações”, “rip-offs”, foi influente e gerou duas sequelas (que ainda hoje dividem os fãs).

Há uns anos surgiu a ideia de nova sequela (ou começo de nova trilogia).

Cá está a ressurreição da Matriz.

 

Thomas Anderson tem a sensação de ter despertado de um sonho e de viver muito déjà vu perante certas pessoas.

As circunstâncias vão-lhe mostrar que nada é sonho, há muita memória de eventos vividos e que Thomas tem de voltar a ser o Neo para uma nova Matrix.

Fala-se em resurrections e de facto tal se procura.

Todo este regresso passa pela criação de uma estrutura narrativa que justifique a resurrection da matrix e da forma como os personagens que já conhecemos da trilogia inicial são trazidos de volta a este universo.

E até há boas ideias em campo (a de que os eventos anteriores estiveram algures entre o sonho e a vivência de um videogame – a ligação que o filme consegue com a actual realidade mundial em termos de entretenimentos de massas é muito pertinente).

O problema é depois.

É que deixamos de estar numa resurrection e parece estarmos mais em remake ou remix best of.

Isto porque assim que se estabelece qual a realidade onde se estão a mover os personagens (e o espectador) tudo soa (tal como ao protagonista) a déjà vu face a “The Matrix”.

Pena.

Sim, consegue-se ver o filme isoladamente (apesar dos muitos flashbacks de momentos dos filmes anteriores, tudo é muito claro mesmo para quem não viu os ditos filme ou já mal se lembra), funcionando até mais como um “The Matrix Reboot”.

Final aberto a mais, mas que assenta numa mudança de regras dentro da Matrix, que é, afinal, uma mensagem universal – o Amor vence.

Sobram algumas ideias (que não conseguem passar do primeiro acto), os sempre prodigiosos efeitos visuais (sem o poder fresco e inovador do primeiro e segundo filme, mas muito capazes e esplêndidos), as boas cenas de acção (atenção ao confronto final na rua, onde o filme volta a marcar pontos em termos de encenação, coreografia e visualização – quase ao nível do confronto no prédio em “The Matrix” e da perseguição na auto-estrada em “The Matrix Reloaded”) e a fotografia.

Lana Wachowski (o antigo Larry) está agora a solo, mas continua a mostrar saber como ilustrar aquele mundo. E nunca deixa cair o ritmo (as quase duas horas e meia passam a voar).

O elenco é que parece estar a precisar de umas resurrections.

Falta-lhe chama e convicção na entrega das suas lines.

Não é um filme falhado, mas não consegue o poder complexo (do ponto de vista narrativo – acaba por ser um actioner sci-fi de good guys vs bad guys) que a saga já atingiu nem consegue ser a tão indicada (e desejada) Resurrection.

Mas é entretenimento de qualidade, inteligente e pleno de espectáculo.

 

“The Matrix Resurrections” anda ressuscitado nas nossas salas. Como é um título da Warner Bros., e seguindo um acordo recente do estúdio com a HBO, o filme também se move na matriz do streaming, via HBO Max.

Realizadora: Lana Wachowski

Argumentistas: Lana Wachowski, David Mitchell, a partir dos personagens criados por Larry & Andy Wachowski (hoje Lana & Lilly Wachowski)

Elenco: Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Yahya Abdul-Mateen II, Jonathan Groff, Jessica Henwick, Neil Patrick Harris, Jada Pinkett Smith, Priyanka Chopra Jonas, Christina Ricci, Lambert Wilson

 

Site – https://www.matrix-ofilme.pt

 

Orçamento – 190 milhões de Dólares

Bilheteira (até agora) – 34 milhões de Dólares (USA); 124 (mundial)

 

Terminada a série “Sense8”, Lana e Lilly Wachowski quiseram parar no campo da realização (até por causa da trabalhosa logística da série – várias unidades de filmagem em diversos países).

A doença terminal dos seus pais também os obrigou a tal.

Perante a morte de ambos, Lana pensou neles, na morte e como fazer um filme que a ajudasse a lidar com a dor. E assim pensou em renascer Neo e Trinity, fazendo um regresso ao universo “The Matrix”.

 

Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Jada Pinkett Smith, Daniel Bernhardt e Lambert Wilson são os únicos membros do elenco que regressam dos filmes anteriores.

Hugo Weaving ia regressar como o Agente Smith, mas teve de reucsar por conflitos de agenda.

Ao contrário dos filmes anteriores, a fotografia não é de Bill Pope nem a música é de Don Davis.

Ao contrário dos filmes anteriores, Joel Silver não é o produtor.

Primeiro filme a solo de Lana Wachowski.

Ao contrário dos episódios anteriores, não houve recurso a second unit.

As filmagens começaram em Fevereiro de 2020 mas tiveram de parar em Março, devido à pandemia covid-19. Recomeçaram em Agosto e terminaram em Novembro.

Filmado em San Francisco, Chicago, Potsdam e Berlin.

Foi o terceiro filme seguido filmado em San Francisco, depois de “Shang-Chi” e “Venom 2”. Tal causou alterações na dinâmica da cidade e muitos protestos pelos seus habitants. A produção teve de pagar 420.000 para filmar na cidade.

“Project Ice Cream” – título durante a produção.

 

Os filhos de Trinity são interpretados pelos filhos da actriz Carrie-Anne Moss.

É o mais longo episódio da saga – 148 minutos.

 

Ia estrear em Maio de 2021, mas devido à pandemia covid-19 mudou para Dezembro de 2021.

O filme tem exibição via streaming no HBO Max, durante um mês, mantendo a regra do contrato entre a Warner e a HBO para 2021.

É o ultimo filme do acordo entre Warner Bros. Pictures e HBO Max. A Major tem agora um acordo com a Cineworld e os cinemas AMC.

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