Alguém Está a Observar-me (1978)

 

 

Título original – Someone’s Watching Me!

 

É o mais desconhecido filme de John Carpenter.

E um dos seus melhores.

 

Leigh Michaels muda-se para Los Angeles para ser realizadora num canal de Televisão local.

O seu apartamento é luxuoso e fica num enorme condomínio.

Tudo parece correr bem, até que Leigh começa a receber estranhos telefonemas e prendas.

O voyeurismo é sempre um favorito do cinema de suspense.

 

Aqui temos mais uma incursão.

Conto de suspense, medo e invasão de privacidade, que é todo um exemplar exercício de Cinema nessas áreas.

Há aqui ecos de Hitchcock e do seu exemplar “Rear Window”, mas Carpenter nunca cai no mimetismo, rip-off ou imitação.

Há homenagem (o genérico a recordar “North by Northwest”, o espreitar da vizinhança, a ida ao apartamento suspeito com acompanhamento vigiado), mas sempre personalidade no produto e na sua apresentação.

Mais uma vez, o autor de “Escape from New York” é profético e antecipa o gosto moderno das massas sociais vasculharem a vida alheia (sejam redes sociais, sejam shows de “realidade” ou programas de “entretenimento”).

Por outro lado ilustra algum lado obscuro da vida das grandes cidades e dos grandes condomínios, mostrando-os como lugares (mega-)povoados mas de total isolamento e solidão por imóvel.

Ou seja, é mais uma vez o autor de “They Live” a fazer um conto de suspense e terror, mas a fazer uma análise sobre outros terrores do mundo real.

Qualidade na fotografia, cenografia e música.

John Carpenter assina o seu terceiro filme (depois de “Dark Star” e “Assault on Precinct 13”). Ou o segundo profissional (depois de “Assault on Precinct 13”). É o seu primeiro para Televisão (regressaria alguns meses depois para “Elvis” e muitos anos depois num dos episódios de “Masters of Terror”).

Ei-lo em pleno das suas capacidade visuais. Elegância na movimentação da câmara (já há aqui experimentalismo para o que ele faria em “Halloween”), atmosfera carregada, domínio da tensão (os telefonemas, a solidão no apartamento, o final) e do suspense (o “encontro” na lavandaria).

É todo um mestre de Cinema a mostrar que o seu talento já vem desde o início de carreira.

É um produto televisivo, mas Carpenter faz Cinema.

Lauren Hutton é sempre linda e cativa qualquer câmara. Ei-la aqui novamente esbelta, bem forte e determinada (bem à maneira de Carpenter, portanto), sem perder a sua sensualidade.

Boa prestação do restante elenco.

Um perfeito exercício de estilo Hitchcockiano, mas com todo o vinco Carpenteriano.

Uma pérola desconhecida do autor de “Halloween”, que necessita de urgente descoberta.

 

Obrigatório.

 

“Someone`s Watching Me!” foi exibido na nossa RTP2, há muitos (muitos) anos, num notável gesto de coragem cinéfila. O filme não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados a bom preço.

Realizador: John Carpenter

Argumentista: John Carpenter

Elenco: Lauren Hutton, David Birney, Adrienne Barbeau, Charles Cyphers

 

Promos

 

Clips

 

O main theme

 

Adrienne Barbeau sobre John Carpenter

 

John Carpenter sobre o filme

 

Nomeado para “Melhor Telefilme”, nos Edgar Allan Poe 1979. Perdeu para “The Dain Curse”.

John Carpenter escreveu o argumento a pensar em levá-lo para Cinema. Mas a Warner Bros. preferiu fazê-lo para Televisão.

Baseado num evento verídico, ocorrido em Chicago.

 

“High Rise” – título inicial.

 

Filmado em 18 dias.

Foi neste filme que Carpenter conheceu Adrienne Barbeau. Casariam algum tempo depois. Adrienne seria vista em mais dois filmes de Carpenter – “The Fog” (1979) e “Escape from New York” (1981).

Adrienne Barbeau e Charles Cyphers reencontrar-se-iam em “The Fog”.

Cyphers e Carpenter já vinham de “Assault on Precinct 13” (1974), para depois se encontrarem em “Halloween” (1978) e “The Fog”.

 

O estúdio de Televisão é KJHC. O nome completo de John Carpenter é  John Howard Carpenter (JHC).

Um personagem tem o nome de Leone. É a homenagem de Carpenter a Sergio Leone, um dos seus cineastas preferidos.

Num momento, fala-se sobre a morte de uma certa Elizabeth Solley. Esse nome é o da personagem de Jamie Lee Curtis em “The Fog”.

 

Duas semanas depois do filme estar pronto, Carpenter começou a filmar “Halloween”.

 

Lauren Hutton considerou como o seu melhor filme e interpretação.

 

Foi o filme que permitiu a John Carpenter entrar para o Director’s Guild.

Durante décadas era o filme desconhecido de John Carpenter. Só alguns nerds sabiam da sua existência e não estava editado em vídeo nos USA (só alguns países da Europa o tinham em VHS). O filme seria editado nos USA, em DVD, só em 2007.

Segundo Carpenter, este é o filme onde ele fez experimentalismos técnicos que depois desenvolveria em “Halloween”.

John Carpenter tem grande orgulho neste filme.

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