O Grande Assalto (1986)

 

 

Título original – Black Moon Rising

 

John Carpenter criou este actioner sobre um carro incrível.

 

Sam Quint é um hábil larápio, com os seus serviços a serem frequentemente requisitados pelo Justice Department, no sentido de arranjar provas para incriminar criminosos de difícil “acesso”.

O seu mais recente trabalho mete-o numa grande embrulhada e Quint tem de esconder as provas num carro.

Só que este é roubado.

Quint vai procurar reaver o veículo e envolve-se com uma estranha organização.

Um super-carro (quase que podia rivalizar com o KITT de “Knight Rider” – só lhe falta o falar), um assalto audacioso, organizações em conflito, uma beldade aguerrida, um herói rebelde.

Tudo misturado dá um actioner correcto, divertido e entretido, cujo fascínio é mesmo o dito “Black Moon”.

Infelizmente, ele fica com (muito) pouco tempo de antena e peripécias.

Seguindo-se uma das regras de Hitchcock, há a presença do MacGuffin, mas o carro não deveria ser um deles. O Black Moon deveria ser a estrela do filme e ser alvo de um conjunto de set pieces espectaculares (sim, para tal também se precisa de um bom budget).

 

Depois há um conjunto de sub-intrigas que atrasam (os criadores do carro em busca de patrocinadores, as duas organizações em cena, a procura da tape).

Percebe-se que alguém complicou um argumento que deveria ser mais simples e directo.

(e sabe-se que ele assim era, no início, quando vindo do seu criador)

Sim, está lá algo de John Carpenter (a ideia básica e simples, de puro actioner B; a menina rebelde; o herói à margem do sistema mas utilizado por este), mas percebe-se que muito foi adulterado.

Podia ser uma aventura de Snake Plissken.

Electrizante música do grande Lalo Schifrin, a recorrer a sintetizadores, brincando às sonoridades de Carpenter.

Harley Cokeliss (por vezes referido como como Harley Cokliss) era second unit director (“The Empire Strikes Back”) e virou-se para a realização. Assinou uns títulos interessantes (este “Black Moon Rising”, “Malone” e “Dream Demon” – talvez o seu melhor filme) e move-se pela Televisão.

Assina com eficácia.

Tommy Lee Jones sai-se bem como action hero (ele esteve quase para ser Snake Plissken e vê-se aqui um possível take do actor para tal).

Robert Vaughn faz, de olhos fechados, um competente vilão.

Linda Hamilton (pós-“The Terminator”) confirma a sua capacidade para action heroine e está no auge da sua beleza.

Um actioner (quase) automobilístico que não explora totalmente as suas possibilidades, mas consegue entreter.

 

Vê-se muito bem.

 

“Black Moon Rising” tem edição portuguesa e está a bom preço. Pode ser uma raridade nas lojas. Recentemente saiu uma edição inglesa plena de extras e remasterizada. O preço ainda está algo “black”.

Realizador: Harley Cokeliss (como Harley Cokliss)

Argumentistas: John Carpenter, Desmond Nakano, William Gray

Elenco: Tommy Lee Jones, Linda Hamilton, Robert Vaughn, Richard Jaeckel, Bubba Smith, William Sanderson, Keenan Wynn, Nick Cassavetes

 

Trailers

 

Clip

 

O Main Theme de Lalo Schiffrin

 

Making of

 

Promo à nova edição

 

Bilheteira – 6.5 milhões de Dólares

 

John Carpenter escreveu o argumento pouco depois de ter escrito o de “Escape From New York”. O seu conceito era o de um roubo do carro do protagonista e as peripécias deste em reavê-lo.

 

Charles Bronson foi o primeiro nome pensado como protagonista. Carpenter é grande fã de Bronson. Bronson chegou  a ser pensado como Snake Plissken para “Escape from New York” (1981, de Carpenter).

Jeff Bridges, Don Johnson, Tom Berenger e Richard Dean Anderson foram considerados como Quint. Bridges trabalhou com John Carpenter em “Starman” (1984; o actor esteve nomeado para o Oscar de “Melhor Actor” por esse filme) e chegou a ser considerado como Snake Plissken para “Escape from New York”.

Linda Hamilton e Tommy Lee Jones não se deram bem. Jones ainda estava com fortes problemas de alcoolismo na época.

Jones fez muitas das stunts.

Jones improvisou muitas das suas piadas.

 

Algo do main theme vinha do filme “Blue Thunder” (1983).

Tommy Lee Jones usa uma H&K P7 9mm. Usaria outra em “Under Siege” (1992). É considerada como uma das armas mais seguras do mundo.

A zona de Hollywood onde o Black Moon é mostrado chama-se “The Betsy”. Tommy Lee Jones participou num filme com esse título, em 1978.

O Black Moon inspira-se num Wingho Concordia II 1980, desenhado por Bernard Beaujardins e Clyde Kwok, feito pela Wingho Auto Classique, em Montreal. Só uma unidade foi produzida.

John Carpenter nunca viu o filme.

Sabe-se que o director’s cut tem mais 15 minutos. Ainda nada se sabe sobre o lançamento desse cut.

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