Um Assassino Pelas Costas (1971)

 

 

Título original – Duel

 

É o primeiro filme de Steven Spielberg.

E logo um dos seus melhores.

(há mesmo quem considere o seu melhor)

Celebra 50 anos de vida e está mais vivo que nunca – nas ideias e como Cinema.

 

Um homem vê-se perseguido por um camião, num jogo bem mortal.

Feliz é qualquer um dos títulos do filme.

É mesmo um duel, de homem v máquina, um jogo de gato-e-rato e de sobrevivência devido a um assassino que está sempre pelas costas, nunca pára, nunca se cansa, não tem valores, só visa a destruição e a morte.

Em paralelo com a abstracção (nunca se vê o rosto do camionista) e irracionalidade (qual o porquê e objectivo de tudo aquilo) dos eventos, o filme até acaba por ser uma metáfora sobre David (que “por acaso” é o nome do protagonista) v Golias (agora em versão rodoviária), uma alegoria sobre o medo e morte nas estradas quando se tem um veículo capaz de semear ou estar sujeito a tal, sendo até profético sobre algum estado das coisas no mundo rodoviário moderno.

Mas é também um filme sobre o Mal. Tal como “Halloween” (o de John Carpenter, claro) ou “The Hitcher” (o com Rutger Hauer, como é óbvio – o melhor “terror rodoviário” depois de “Duel”, sendo ambos os títulos máximos deste sub-género), “Duel” não dá explicações, complacências ou compreensões sobre o mal presente. “Limita-se” apenas a ilustrá-lo como algo que pode assumir várias formas, atacar em qualquer lugar, qualquer um, de qualquer maneira.

Apesar de ter laivos de actioner e survival movie, o protagonista nunca é mostrado como heróico, capaz ou mais inteligente. É até por vezes irresponsável (a forma como negligencia o tubo do radiador) e insensato (a forma como aborda um desconhecido convencido que é o culpado).

É a clássica história de “poderia acontecer-te” tratada com supremo domínio de “lógica”, coerência, sentido de ritmo, de tensão e de medo.

Excelente montagem, notável trabalho no campo do som e um score cuja sonoridade traduz bem o medo e urgência da situação.

Dennis Weaver está presente todo o tempo.

Enfatiza bem o homem vulgar e é bem explícito no medo que o domina.

Steven Spielberg andava pela Televisão, já dava nas vistas e tem aqui a sua primeira big break.

E é bem demonstrativo do seu talento, da sua criatividade, criando shots insólitos, originais e bem inseridos no tom do filme, mostrando já bom domínio nas cenas de acção (as perseguições quase que antecipam a de “Raiders of the Lost Ark”), de tensão (a cena no restaurante onde qualquer dos clientes pode ser o camionista), com hábil domínio de câmara (o momento em plano contínuo, a atenção ao detalhe).

Um perfeito exercício de Cinema, de suspense, de terror e de medo.

Um perfeito inicio de carreira, sendo um dos melhores trabalhos de realização do autor de “E.T.”.

 

Obrigatório.

 

“Duel” tem edição portuguesa, a bom preço.

Realizador: Steven Spielberg

Argumentista: Richard Matheson, a partir do seu conto

Elenco: Dennis Weaver

 

Trailer

 

Filme

 

Cut para Televisão

 

Cut para Cinema

 

Steven Spielberg sobre o filme

 

Orçamento – 450.000 Dólares

 

Nomeado para “Melhor Filme – Televisão”, nos Globos de Ouro 1972. Perdeu para “The Snow Goose”.

“Melhor Som”, nos Emmy 1972.

“Grande Prémio”, em Avoriaz 1973.

“Melhor Primeiro Filme”, no Festival de Taormina 1973.

Richard Matheson inspirou-se num dia em que um camionista o perseguia. Foi no dia em que JFK foi assassinado.

Foi a secretária de Steven Spielberg que lhe recomendou o conto de Matheson, ao lê-lo na “Playboy”.

Spielberg é fã de Matheson.

Gregory Peck e Dustin Hoffman foram considerados como protagonista.

Spielberg considerou Jean-Louis Trintignant para protagonista. Também o quis para “Close Encounters of the Third Kind” (mas seria François Truffaut o eleito).

Spielberg escolheu Dennis Weaver ao vê-lo em “A Touch of Evil” (1958, de Orson Welles).

Spielberg teve 7 camiões à escolha. Escolheu um Peterbilt pois parecia-lhe ter um rosto.

Carey Loftin, prestigiado stuntman para cenas automóveis, interpreta o condutor do camião. Ao perguntar a Spielberg sobre quais as motivações, o realizador disse-lhe para interpretar um sacana. Carey disse-lhe que era a pessoa certa.

Spielberg queria que o carro de David fosse vermelho, para assim se distinguir na paisagem.

Spielberg tratou o filme como se fosse um kaiju da Toho, com Godzilla a ser substituído por um camião.

 

Filmado em 13 dias, mais 3 que o previsto. Spielberg diz que hoje não conseguiria ser tão rápido.

Filmado em locais reais e naturais. Não houve recurso a estúdio.

O carro de David Mann é um Plymouth Valiant 1970.

O “Chuck’s Cafe” existia mesmo. Passou a ser um restaurante francês. Fica perto de Acton, California, a Sul.

No momento em que David telefona à Polícia, vê-se o reflexo de Spielberg.

Na cena com a cabine telefónica, Weaver fez toda a stunt.

A dona da estação de serviço aparece em “1941” (1979, também de Spielberg).

O casal idoso aparece em “Close Encounters of the Third Kind” (1977).

Foi quase sempre Weaver a conduzir o carro. Spielberg insistiu num stunt driver para alguns momentos mais delicados.

Quando o camião irrompe pela “porta”, no final, ele embate mesmo contra a câmara.

O efeito de som na queda do camião é o mesmo que Spielberg usa no final de “Jaws” (1975), após a morte do tubarão.

Os executivos do estúdio queriam uma explosão no final. Spielberg recusou, pois achava que o final como ficou ilustra a agonia e sofrimento que o culpado deu à vítima.

Para evitar tentativa de sequela, Spielberg quis filmar sangue nos escombros do camião.

O cut inicial era de 74 minutos, sendo exibido em Televisão. Mas houve interesse em estreá-lo em salas de Cinema. A duração não o permitia, pelo que se filmou footage adicional (a conversa telefónica de David com a esposa, a ajuda de David às crianças e ao autocarro escolar, o empurrar do camião ao carro para a linha do comboio).

Os Parker Brothers fizeram um jogo a partir do filme. Não vendeu bem.

Alguma footage foi usada num episódio de The Incredible Hulk” (“Never Give a Trucker an Even Break”, em 1978). Spielberg ficou chateado com tal e moveu esforços no sentido de proteger mais os seus filmes.

“Duel” chega a ser referenciado em jogos (“Grand Theft Auto V”, “Hard Truck: 18 Wheels of Steel”, “Sonic Adventure 2”, “Hidden Folks”, “Driv3r”), filmes (“Lupin III: The Mystery of Mamo”, “Torque”, “Nightmares”, “Fire Down Below”, “Joy Ride”, “Monster Man”, “Throttle”, “Wrecker”), música (“Smokin’ Taters!” dos Nine Pound Hammer, “Duel” dos Swervedriver, “Duel” de Steve Hackett, “She’s My Machine” David Lee Roth, “John Postal” de They Might Be Giants), livros (“Mr. Monk on the Road”, “JoJo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders”, “Road Rage”) e televisão (“The Rockford Files: The Dark and Bloody Ground”, “The Incredible Hulk: Never Give a Trucker an Even Break”, “Red Dwarf: Only the Good…”, “Transformers: Prime – Nemesis Prime”, “Tiny Toons’ Night Ghoulery”, “Bob’s Burgers: Christmas in the Car”, “Murder, She Wrote: The Cemetery Vote”, “Scooby Doo! Mystery Incorporated: The Secret of the Ghost Rig”).

O filme teve imensos elogios da crítica.

O filme ganhou estatuto de cult film.

 

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