O Prisioneiro do Castelo de Zenda (1937)

 

Título original – The Prisoner of Zenda

 

O romance de Anthony Hope é um clássico da Literatura.

Já tivera várias versões cinematográficas na era do mudo.

Com a chegada do sonoro, era pertinente fazer uma nova adaptação.

Grande elenco e um versátil realizador experimentado.

E produção de David O. Selznick.

Portanto…

 

Rudolf Rassendyll, nobre inglês, viaja até à Ruritãncia em férias.

Mas as suas (enormes) semelhanças com o Rei Rudolf V levam dois oficiais da sua segurança a pedir a Rassendyll que se passe pelo Rei e assim desmontarem uma acção terrorista que visa o usurpar do trono.

Swashbuckler, sim, mas com forte índole de thriller conspirativo de carácter político.

Como é óbvio, estamos (muito) longe das “análises” político-sociais que o género (thriller conspirativo político) teria nos 70s e por diante.

Aqui estamos no campo da mais pura “capa-e-espada” romântica, servida com grande sentido de entretenimento, espectáculo, luxo, evasão e sonho.

É todo um desfile de mistério, tensão, suspense, acção, aventura e romance, admiravelmente combinados e encenados.

Fantástico duelo final, digno de ficar entre os maiores da História do Swashbuckler e do Cinema.

É produção de David O. Selznick (ainda nos seus glory days, mas antes de “Gone With The Wind”), pelo que meios e luxo não faltam – sumptuosidade nos decors, no guarda-roupa e nos extras.

John Cromwell, hábil tarefeiro, apto para todo o género, sabe fazer brilhar tanto luxo.

Magnífico elenco, em impecável prestação.

David Niven (bem novinho) e C. Aubrey Smith (admirável secundário) dão a devida segurança e apoio.

Raymond Massey é sempre inquietante como vilão.

Douglas Fairbanks é tão ágil e divertido como o seu lendário pai.

Ronald Colman é sempre um master de sobriedade e british chilvalry.

Madeleine Carroll (lindíssima) e Mary Aston defendem bem a entrega romântica das suas personagens.

O clássico romance de Anthony Hope torna-se um clássico do Swashbuckler e do Cinema, num título de grande nível de espectáculo e entretenimento, sendo ainda um modelo referencial.

 

Obrigatório.

 

“The Prisoner of Zenda” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados a bom preço.

Realizador(es): John Cromwell, W.S. Van Dyke (sem crédito)

Argumentistas: John L. Balderston, Edward E. Rose, Wells Root, Donald Ogden Stewart, Ben Hecht (sem crédito), Sidney Howard (sem crédito), a partir do romance de Anthony Hope (“The Prisoner of Zenda”)

Elenco: Ronald Colman, Madeleine Carroll, C. Aubrey Smith, Raymond Massey, Mary Astor, David Niven, Douglas Fairbanks Jr.,Montagu Love

 

Clips

 

O Score de Alfred Newman

 

Filme

http://putlockers.tf/watch/PGpQLXd3-the-prisoner-of-zenda.html

 

Orçamento – 1.2 milhões de Dólares

 

Nomeado para “Melhor Cenografia”, “Melhor Música”, nos Oscars 1938. Perdeu, respectivamente, para “Lost Horizon” (curiosamente, também com Ronald Colman) e “One Hundred Men and a Girl”.

“Filme a Preservar”, pela National Film Preservation Board 1991.

Nomeado para “Melhor Filme Estrangeiro”, em Veneza 1938. Perdeu (?????) para “Olympia 1. Teil – Fest der Völker”, de Leni Riefenstahl.

O romance de Anthony Hope foi editado em 1894.

O argumento também se inspira numa na peça teatral de 1896. A primeira adaptação teatral de “The Prisoner of Zenda” deu-se no Lyceum Theater, a 4 de Setembro de 1895.

Em 1936, a MGM anunciou William Powell e Myrna Loy (um popular par da década e um dos mais relevantes do Cinema) como protagonistas.

A MGM chegou a planear o filme como um musical, com Nelson Eddy e Jeanette MacDonald, com música de Richard Rodgers e Lorenz Hart. O projecto nunca avançou.

 

Douglas Fairbanks Jr. queria interpretar os dois Rudolfs. Chegou a fazer auditions para tal. Ficou triste quando soube que Ronald Colman tinha sido o escolhido. Foi o pai (o lendário Douglas Fairbanks, grande movie star do mudo e grande figura do Swashbuckler) que convenceu o filho a aceitar o personagem de Rupert of Hentzau. Segundo David O. Selznick, ninguém seria melhor que Fairbanks Jr. para tal (não se enganou).

Fay Wray fez uma audition para Princess Flavia.

Sir C. Aubrey Smith interpretou os dois Rudolfs na peça teatral de 1896.

 

O ex-Príncipe da Suécia Sigvard Bernadotte estava a trabalhar em Hollywood na época e foi um consultor técnico para o filme.

Segundo Fairbanks Jr., Raymond Massey chegou a dizer a Smith que não compreendia o personagem de Black Michael. Smith disse que também não.

John Cromwell não estava muito contente com o elenco. Queixava-se que Douglas Fairbanks Jr. e David Niven eram preguiçosos e iam sempre para borgas nocturnas, Ronald Colman não sabia a suas lines, ele e Madeleine Carroll não queriam que certas partes dos seus rostos fossem apanhadas pela câmara.

George Cukor foi chamado para filmar nos dias em que Cromwell andava farto e cansado do elenco.

David O. Selznick não gostou das cenas de acção, pelo que chamou W.S. Van Dyke para as refilmar.

Quando Antoinette de Mauban se vai embora, Rupert cita-lhe um poema. É de Sir Walter Scott – “O woman! in our hours of ease uncertain, coy, and hard to please, and variable as the shade by the light quivering aspen made; when pain and anguish wring the brow, a ministering angel thou!“.

Filmou-se um prólogo e um epílogo. No prólogo, um já velho Rudolf Rassendyll conta esta aventura aos seus amigos do clube. No epílogo, Rudolf recebe uma carta e uma rosa vindos de Fritz von Tarlenheim, a informar o falecimento de Flavia. Apesar de filmados, nunca foram usados na montagem final. Nada se sabe sobre o estado dessa footage.

O filme foi um grande sucesso nas bilheteiras.

Alfred Newman recebeu a sua primeira (num total de 43) nomeação aos Oscars.

Em 1947, Selznick anunciou que faria uma sequela, baseado na peça teatral “Rupert of Hentzau”. Joseph Cotten (como os dois Rudolfs), Louis Jourdan (como vilão) e Alida Valli (como Flavia) seriam os protagonistas. O projecto nunca avançou.

 

O “Lux Radio Theater” emitiu uma versão radiofónica de 60 minutos em Junho de 1939. Ronald Colman e Douglas Fairbanks Jr. retomaram os seus personagens.

 

O “Academy Award Theater” emitiu uma versão radiofónica de 30 minutos em Julho de 1946. Douglas Fairbanks Jr. retomou o seu personagem.

 

O “Screen Director’s Playhouse” emitiu uma versão radiofónica de 30 minutos em Fevereiro de 1949. Ronald Colman, Douglas Fairbanks Jr. e C. Aubrey Smith retomaram os seus personagens. Benita Hume dava voz a Flavia.

 

Em persa, a palavra “prisão” diz-se “zendân”.

David Niven e Raymond Massey faleceriam no mesmo dia – 29 de Julho de 1983.

Mary Astor e Madeleine Carroll faleceriam com uma semana de diferença – Astor a 25 de Setembro de 1987 e Carroll a 2 de Outubro de 1987.

 

No seu “Film Guide”, Leslie Halliwell coloca “The Prisoner of Zenda” na posição #590 na sua lista dos melhores filmes, elogiando o seu poder de espectáculo, ritmo, luxo e entretenimento, considerando-o um dos filmes mais entretidos já feitos por Hollywood.

A (excelente) série “Get Smart” parodiou “The Prisoner of Zenda” em dois episódios – “The King Lives?” e “To Sire With Love, Parts 1 and 2”.

A (excelente) série “Futurama” tem um episódio com o título “The Prisoner of Benda”.

Durante a pre-production de “Star Trek II: The Wrath of Khan”, o realizador Nicholas Meyer pediu ao costume designer Robert Fletcher que desenhasse os uniformes dos elementos da Starfleet inspirados no design dos uniformes de “The Prisoner of Zenda”. Esses uniformes seriam usados desde “The Wrath of Khan” até “Generations”, num total de 6 filmes.

Em “The Great Race” (1965), Blake Edwards brinca e homenageia “The Prisoner Of Zenda” – é na cena em Potsdorf.

 

O romance de Hope teria uma nova adaptação cinematográfica. Foi em 1952, com Stewart Granger, Deborah Kerr e James Mason, com realização de Richard Thorpe. O argumento seria praticamente igual, com muitos shots iguais e o mesmo score, com a vantagem de ser a cores. Foi igualmente um grande sucesso nas bilheteiras.

Sobre Anthony Hope

https://www.britannica.com/biography/Anthony-Hope

https://www.fantasticfiction.com/h/anthony-hope/

https://www.goodreads.com/author/show/30775.Anthony_Hope

 

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