Cimarron (1931)

 

Edna Ferber é uma escritora que se interessou pelos impérios do Old West.

Este é um dos seus mais famosos romances.

Os 30s eram uma época cheia para o Western. Já havia som. Os estúdios procuravam grande espectáculo em grandes produções.

Era, portanto, oportuno fazer uma adaptação.

 

Yancey Cravat ganha um pedaço de terra no Oklahoma, estabelece-se lá com a sua família e cria um império.

Ilustração épica da jornada igualmente épica do nascer da nação americana, do empreendedorismo individual, da criação de Law & Order, do crescimento das comunidades, do espalhar da palavra de Deus, os direitos dos nativos, a afirmação da Mulher na sociedade, os valores de liberdade (individual, de imprensa), os jogos políticos, algo da mentalidade do red neck county, a mudança de século e a afirmação de muitos ideais all-american (nisso, o filme é um “panfleto” patriótico maravilhoso).

Muita coisa, sim, com um argumento que parece um “documentário” best of do birth of a nation.

E tudo vem embrulhado pela história de um homem batalhador, empreendedor, convicto e fiel aos seus valores familiares.

Todo o filme respira fulgor cinematográfico, vontade de fazer e mostrar algo que ainda o Cinema não tinha feito.

Só que temos de perdoar alguns simplismos racistas (a forma como o catraio negro é ridicularizado na Sunday morning).

Boa prestação do elenco.

Um grandioso espectáculo sobre parte da fundação dos USA.

 

Um clássico que merece a (re)descoberta.

 

“Cimarron” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados a bom preço.

Realizador: Wesley Ruggles (sem crédito)

Argumentista(s): Howard Estabrook, Louis Sarecky (sem crédito), a partir do romance de Edna Ferber (“Cimarron”)

Elenco: Richard Dix, Irene Dunne, Estelle Taylor, Nance O’Neil, William Collier Jr., Roscoe Ates, George E. Stone, Stanley Fields, Robert McWade, Edna May Oliver, Judith Barrett, Eugene Jackson

 

Trailer

 

Clip

 

Uma consideração

 

Orçamento – 1.4 milhões de Dólares

Bilheteira – 1.3 milhões de Dólares

 

“Melhor Filme”, “Melhor Argumento Adaptado”, “Melhor Cenografia”, nos Oscars 1931. Ainda teve nomeações para “Melhor Actor” (Richard Dix foi derrotado por Lionel Barrymore em “A Free Soul”), “Melhor Actriz” (Irene Dunne foi derrotada por Marie Dressler em “Min and Bill”), “Melhor Realizador” (Wesley Ruggles foi derrotado por Norman Taurog em “Skippy”) e “Melhor Fotografia” (“Tabu: A Story of the South Seas” foi o vencedor).

“Top 10 do Ano”, pela National Board of Review 1931.

“Medalha de Honra”, nos Photoplay 1932.

Os direitos sobre o romance de Edna Ferber tiveram o custo de 125.000 Dólares, um recorde na época.

 

Fay Bainter foi considerada para Sabra. Mas Irene Dunne foi a eleita.

Um dos extras era neto do lendário líder dos Chiricahua, Cochise.

 

Por se estar em tempos da Depressão, a RKO queria investir em algo grandioso e trazer público às salas.

É um dos primeiros filmes sonoros com filmagens fora de estúdio. A RKO comprou 90 Acres em Encino, California, para a construção da cidade de Osage.

A corrida ocupou uma semana de filmagens, 5000 extras, 28 operadores de câmara, seis fotógrafos e 27 camera assistants. A cena tornou-se de tal modo icónica, que a versão de 1960 usou os mesmos ângulos de câmara.

O director de fotografia foi fiel à descrição de Ferber no livro quando filmou a cena da corrida.

Yancey Cravat é inspirado em Temple Houston, advogado e pistoleiro. Temple era filho de Sam Houston, que chegou a ser interpretado por Richard Dix em “Man of Conquest” (1939). Temple também foi inspiração para a série “Temple Houston” (1963, com Jeffrey Hunter).

Tal como no romance de Ferber, Yancey sai de cena a certo momento, regressando muito tempo depois. A escritora contraria assim as regras, pois queria que os leitores sentissem a sua ausência tal como a família do protagonista.

É considerado um Western, mas a história chega ao Século XX e ao ano de 1929.

O filme teve a sua premiere no RKO Palace Theatre, na Broadway, Nova Iorque, em Janeiro de 1931. Foi um evento em grande.

Foi um flop nas bilheteiras. Acredita-se que foi devido ao custo elevado e tendo em conta que se estava ainda no tempo da Grande Depressão, pelo que não havia muito público apto para ir às salas e rentabilizar grandes produções.

Apesar do falhanço nas bilheteiras, o filme foi muito elogiado pela crítica, que realçou o tom espectacular do filme, bem como a dimensão narrativa e emocional.

Apesar de ser um flop, foi o segundo filme mais popular de 1931.

No ano de estreia, o filme foi um flop de público. Mas com a reposição em 1935, o filme deu lucro.

 

Era o filme mais caro da RKO, até então. Só seria superado por “Gunga Din” (1939).

Irene Dunne considerava “Cimarron” como um dos seus filmes preferidos. Com a passagem do tempo, a actriz considerou o filme como apenas satisfatório.

A passagem do tempo levou a alguma crítica a mudar de opinião. Há quem considere o filme indigno dos Oscars (e nomeações) que recebeu, há quem o considere racista.

Está nos 400 filmes nomeados para serem os “Top 100 Greatest American Movies”, do American Film Institute.

 

É o primeiro filme a ter nomeações para quase todas as categorias dos Oscars. Na época eram 8 categorias e o filme esteve nomeado para 7 (não esteve, como é óbvio, nomeado para “Melhor Argumento Original”).

É o único filme produzido pela RKO a ganhar o Oscar para “Melhor Filme”.

Foi a única nomeação aos Oscars por Richard Dix.

 

Em 1941, a Metro-Goldwyn-Mayer comprou os direitos cinematográficos do romance de Edna Ferber. Pagou 100.000 Dólares. Isto ainda deu mais lucro à RKO sobre o filme (a MGM teve de os adquirir à RKO). A ideia da MGM era fazer uma nova versão. Esta só aconteceria em 1960 (de Anthony Mann, com Glenn Ford, Maria Schell e Anne Baxter; já aqui vista).

“Cimarron” só chegou ao mercado doméstico nos 80s.

 

Só em 1967 é que “Who’s Afraid of Virginia Woolf?” igualaria “Cimarron” ao estar nomeado em quase todas as categorias.

Foi o primeiro Western a ganhar o Oscar para “Melhor Filme”. O género só voltaria a ter tal prémio em 1991, com “Dances With Wolves” (1990).

De todos os filmes vencedores do Oscar de “Melhor Filme”, “Cimarron” é o que tem o valor mais baixo na IMDB – 5.9.

Sobre Edna Ferber

https://www.britannica.com/biography/Edna-Ferber

https://www.goodreads.com/author/show/86241.Edna_Ferber

https://www.biblio.com/edna-ferber/author/1237

https://womeninwisconsin.org/profile/edna-ferber/

https://www.literaryladiesguide.com/author-biography/edna-ferber/

https://americanliterature.com/author/edna-ferber

 

Edna Ferber no Cinema

https://cinemaclassico.com/listas/adaptacoes-de-edna-ferber-para-o-cinema/

 

One comment on “Cimarron (1931)

  1. […] adaptação de 1931 (já aqui vista) tinha sido […]

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