Luca (2021)

 

É a nova maravilha da Pixar para este ano.

Bem adequada a este Verão.

 

Riviera italiana.

Luca é um menino, criatura do mar, ávido de descoberta do mundo terrestre.

Com a ajuda de Alberto, Luca mete-se em peripécias numa aldeia piscatória e descobre o valor da diferença.

A Pixar regressa a histórias com humanos (e peixes), criando um verdadeiro conto de Verão para/sobre miúdos e graúdos.

História sobre crianças e adultos, a descoberta (e ansiedade de tal) do mundo pelos petizes e os receios dos papás, amizades puras de infância e o direito pela diferença.

É um conto sobre o mar e alguma da sua fauna, a relação entre humanos e o oceano, os mitos tolos e os medos infundados.

E ainda há tempo para um ilustrar de uma simples aldeia piscatória, a sua fauna humana, os seus costumes e arquitectura.

A par da singela amizade infantil entre o trio, há a clássica história do underdog contra o poderoso.

Por aqui passa algum retomar de um certo modelo de comedia italiana.

Há todo um hino ao poder cultural, social, individual e libertário da mítica Vespa (os momentos em que os pequenos tentam criar uma, as peripécias em que se metem para ganhar uma).

Magnífica animação, imenso detalhe (a aldeia), imenso humor (o gabarolas da aldeia, os treinos, a forma como os pais procuram o filho), magia (os sonhos de Luca) e toda e emotividade (a ruptura entre Luca e Alberto, a conversa seguinte, o final) que o género consegue sempre.

Encontram-se ecos do melhor do Cinema italiano (em comédia ou drama) e do Cinema de Federico Fellini.

Como sempre na Pixar, boa acção (a competição final) e cinefilia (os posters de diversos filmes, espalhados pela vila).

Bonita música (bem italiana) e um bom conjunto de canções (italianas, claro).

Óptimo trabalho vocal.

Mais uma maravilha Pixar, para o seu vasto oceano de obras-primas.

 

Obrigatório.

 

“Luca” está disponível via Disney+.

 

Nota – Há cena extra depois do genérico final (que também merece atenção, pois conta o que se segue depois do final do filme).

Realizador: Enrico Casarosa

Argumentistas: Enrico Casarosa, Jesse Andrews, Simon Stephenson, Mike Jones, Julie Lynn, Randall Green

Vozes: Jacob Tremblay, Jack Dylan Grazer, Emma Berman, Saverio Raimondo, Maya Rudolph, Marco Barricelli, Jim Gaffigan

 

Site – https://movies.disney.com/luca

A Pixar – www.pixar.com

 

Bilheteira (até agora) – 21 milhões de Dólares (mundial)

 

Enrico Casarosa tinha feito uma (linda) curta-metragem na Pixar – “La Luna”.

Esta é a estreia de Casarosa em longas-metragens.

 

Casarosa inspirou-se em eventos da sua infância, nos filmes de Federico Fellini e nos de Hayao Miyazaki.

Uma primeira versão do argumento incluía um terceiro amigo, Ciccio. Ciccio usava objectos mágicos e mostrava-se Alberto a ser transformado num kraken. Casarosa decidiu focar a história na amizade entre Luca e Alberto, alterando a transformação de Alberto para que não fosse assustadora para crianças.

Portorosso deriva de “Porco Rosso” (uma das maravilhas dos estúdios Ghibli e de Hayao Miyazaki).

A vila de Portorosso pode ser vista publicitada numa agência de viagens em “Soul” (o filme anterior da Pixar).

Uma silhueta de Mickey aparece na combinação de três nuvens, quando Luca sonha em andar numa Vespa.

O prato que o pai de Giulia serve (“trenette al pesto”) é uma especialidade típica de Génova, cidade de onde Casarosa é oriundo.

Alberto tem como apelido Scorfano. É a palavra italiana para peixe-escorpião mas também para designar uma pessoa com mau aspecto.

Chiara Mastroianni autorizou o uso de imagens do seu pai, Marcello Mastroianni. A sua mãe, Catherine Deneuve, dá voz à mãe de Luca na dobragem da versão francesa.

Um prédio da povoação tem a indicação “Vicolo De Sica” – referência a Vittorio De Sica, grande nome do cinema italiano, na fase do neorealismo.

Um prédio da povoação tem a indicação “Piazza Calvino” – referência a Italo Calvino, prestigiado escritor italiano.

Num momento, Luca e Giulia estão a ler “Pinocchio”, de Carlo Collodi, um clássico da Literatura italiana.

Um dos brinquedos de Giulia parece o Pato Donald.

Num momento vêem-se posters de “La Strada”, “Roman Holiday” e um similar ao de “20.000 Leagues Under the Sea”.

O símbolo da Pixar pode ser visto num telhado, durante a corrida.

O final pretende fazer homenagem a “I Vitelloni” (um dos mais belos filmes de Fellini, sendo o seu mais pessoal).

O comboio tem o número “94608′, que é o código postal da Pixar em Emeryville, California.

O filme ia estrear nas salas em Junho de 2021. Mas a pandemia Covid-19 levou o filme para streaming via Disney+.

É o filme que celebra os 35 anos da Pixar.

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