O Jovem Mentiroso (1963)

 

Título original – Billy Liar

 

Um clássico do Free Cinema e da comédia, com um fantástico personagem.

 

Billy é um jovem londrino, de vida e profissão modesta, mas sempre preso a um enorme imaginário que o leva sempre a mentir e a criar verdades/realidades.

Crónica divertida e dramática do quotidiano de um mentiroso sonhador, de um criativo na mentira e no sonho, que é uma ilustração de uma certa juventude à deriva e um hino ao poder criativo/imaginativo do ser humano como fuga e moldagem à realidade.

Há uma visão, simpática e desencantada, de um certa middle-class e working class britânica dos 60s, com o filme a ter algo de documental.

John Schlesinger foi um dos obreiros (ao lado de Tony Richardson e Lindsay Anderson) do Free Cinema.

Ei-lo fiel a essa corrente – olhar real sobre pessoas e a cidade (bem como subúrbios), shoot on location, planos longos.

Muito boa prestação do elenco, com destaque para um esplêndido Sir Tom Courtenay, numa interpretação de carreira. Divertido, irreverente, infantil, frágil, inseguro, sonhador. Uma das suas melhores performances e daquelas que elevam a british excellence.

Julie Christie (a caminho de “Darling”, também de Schlesinger) tem uma pequena presença, que parece um vinda de um sonho.

Um profundo, divertido e sensível conto sobre certas incertezas e sonhos eternos do ser humano.

Um dos grandes momentos do Free Cinema.

Um dos grandes personagens do Cinema.

 

Obrigatório.

 

“Billy Liar” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador: John Schlesinger

Argumentistas: Keith Waterhouse, Willis Hall, a partir do romance de Keith Waterhouse e peça teatral de Keith Waterhouse e Willis Hall

Elenco: Tom Courtenay, Wilfred Pickles, Mona Washbourne, Ethel Griffies, Finlay Currie, Gwendolyn Watts, Helen Fraser, Julie Christie

 

Trailer

 

Clips

 

Nomeado para “Melhor Filme Britânico”, “Melhor Actor” (Tom Courtenay), “Melhor Actriz” (Julie Christie) e “Melhor Argumento”, nos BAFTA 1964. Perdeu para, respectivamente, “Tom Jones”, Dirk Bogarde em “The Servant”, Rachel Roberts em “This Sporting Life” e “Tom Jones”.

Keith Waterhouse escreveu “Billy Liar” inspirado na história “Walter Mitty” de James Thurber.

 

John Schlesinger preferiu Tom Courtenay sobre Albert Finney, pois viu em Courtenay um físico mais adequado a ser um sonhador. Courtenay e Finney encontrar-se-iam em “The Dresser” (1984).

Julie Christie e John Schlesinger reencontrar-se-iam em “Darling” (1965).

Tom Courtenay e Julie Christie reencontrar-se-iam em “Doctor Zhivago” (1965).

Julie Christie aparece apenas 20 minutos mas a sua presença converteu-a logo numa movie star.

 

O British Film Institute colocou “Billy Liar” como #76 nos “Top 100 British Films”.

A Total Film colocou “Billy Liar” como #12 nos “Greatest British Films of All Time”.

A Slant considerou “Billy Liar” como um percursor do estilo de François Truffaut e Billy como um percursor do Alex de “A Clockwork Orange”.

 

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