O Ladrão de Bagdad (1924)

Título Original – The Thief of Bagdad

Douglas Fairbanks é uma das grandes estrelas de sempre e um dos nomes maiores da Era do Mudo.

Fez um conjunto de filmes de acção e aventura (Fairbanks recusava duplos), já muito avançados para o seu tempo, o que o tornou um dos dos grandes action heroes de sempre e um dos maiores no campo do Swashbuckler.

Eis um dos seus títulos mais populares.

Bagdad.

Um ladrão apaixona-se pela filha do Califa. Este concede a sua filha a quem lhe trouxer um tesouro raro.

O ladrão põe-se em campo e vive as mais incríveis peripécias.

O conto clássico de “As Mil e Uma Noites” recebe uma adaptação que (muito) o honra.

Estamos perante uma bela, épica, luxuosa, lírica e onírica aventura, que equilibra o exotismo (ainda que o requinte arquitectónico do Médio-Oriente seja criado em estúdio), o romance, a acção e as peripécias, com a trama clássica do (anti-)herói que vive à margem do sistema (mas que acaba por por ordem neste), a bela princesa disputada por muitos (entre eles, o vilão), a conspiração político-militar e as muitas peripécias que daí advêm.

O filme enche o olho e tais méritos caem sob o fabuloso trabalho do grande William Cameron Menzies e nos seus espectaculares, grandiosos, faustosos e incríveis cenários.

Alie-se a tal um perfeito guarda-roupa e uma música a preceito que transmite todo o poder de fantasia, romance e aventura que emana da narrativa.

Como fantasia que é, precisa de efeitos visuais.

Estes são incríveis, tanto para a época como ainda hoje (vejam-se os desafios do Ladrão, os momentos no tapete voador).

A gerir tudo isto está a visão e o talento de um dos grandes realizadores de Hollywood – Raoul Walsh.

Walsh começou no mudo e continuaria no sonoro, onde sempre mostrou garra para filmes de entretenimento e espectáculo, sabendo dar ao público o que ele queria, em diversos géneros.

Mas nada disto vale sem (bons) actores.

E aqui, “The Thief of Bagdad” (também) não falha.

Douglas Fairbanks já era uma das grandes estrelas de Hollywood e um intrépido action hero (nunca queria duplos para as suas stunts) – “The Mark of Zorro” (1920), “The Three Musketeers” (1921), “Robin Hood” (1922).

Aqui volta a mostrar tal.

Ágil, destemido, carismático, divertido, romântico, Fairbanks É (mesmo) O Ladrão de Bagdad.

Um magnífico exemplar da magia do Cinema, do poder de entretenimento de Hollywood e do que (também) o Cinema serve – entreter, fantasiar, escapar.

Obra-prima total de Cinema.

Clássico absoluto.

“The Thief of Bagdad” não tem edição portuguesa.

Mas entre nós vende-se uma edição espanhola, em Blu-Ray, com legendas em Português, impecavelmente restaurada. O preço é que ainda anda algo ladrão face ao cinéfilo.

Realizador: Raoul Walsh

Argumentistas: Lotta Woods, Douglas Fairbanks (com o pseudónimo de Elton Thomas)

Elenco: Douglas Fairbanks, Julanne Johnston, Snitz Edwards, Charles Belcher, Sôjin Kamiyama, Anna May Wong, Brandon Hurst

Trailer

Filme

Orçamento – 1.1 milhões de Dólares

Bilheteira – 2 milhões de Dólares

“Melhor Filme de Entretenimento”, nos Prémios Kinema Junpo 1926.

“Filme a Preservar”, pela National Film Preservation Board USA 1996.

A produção ocupou 28 semanas.

As filmagens ocuparam 35 dias.

William Cameron Menzies foi o responsável pela cenografia.

Menzies era um dos mais reputados, talentosos e solicitados production designers da época e é considerado como um dos maiores de sempre.

Menzies seguiu muitas das sugestões de Fairbanks.

Na cena em que o ladrão salta entre os jarros gigantes, Douglas Fairbanks tinha ao seu dispor umas camas elásticas (dentro dos jarros), o que lhe permitia fazer os saltos que são vistos.

Na cena do tapete voador, Fairbanks estava mesmo num tapete, preso por várias cordas (de piano), suspenso por uma grua que fazia deslocar o tapete.

Na cena com o símio gigante, os guardas são interpretados por crianças. Quando o símio está ao longe, os guardas são interpretados por adultos.

Na cena subaquática, recorreu-se ao truque de filmar através de uma tela baça.

Mathilde Comont vê o seu nome no genérico como M. Comont. O objectivo era ocultar que Comont era mulher. Ela interpreta o Príncipe Persa, mas nalguns momentos percebe-se que o personagem é interpretado por uma mulher.

O filme teve direito a duas outras versões:

  • Uma em 1940 (já aqui vista), com o mesmo título, realizado por Ludwig Berger, Michael Powell, Tim Whelan, Alexander Korda, Zoltan Korda (os manos Korda são nomes muito relevantes no campo do entretenimento fantasista dos 40s) e William Cameron Menzies, com Conrad Veidt, Sabu, June Duprez, John Justin e Rex Ingram.
  • Outra em 1961, feita em Itália (era a época do Peplum), com Steve Reeves.

O American Film Institute colocou “The Thief of Bagdad” na posição #9 dos “10 Maiores Filmes de Fantasia”.

É o segundo filme da era do Mudo (ou outro é “City Lights”, de 1931, de e com Charles Chaplin) a merecer estar na lista (também do AFI) “10 Top 10″ (10 filmes, de 10 géneros).

Está nos “1001 Movies You Must See Before You Die”, de Steven Schneider.

O poster foi eleito pela Premiere como o #9 dos “25 Melhores Posters de Cinema”.

É o filme mais caro dos anos 20.

O filme é considerado como um dos maiores filmes de sempre e o melhor de Fairbanks.

O filme concretizou o sonho de Fairbanks em fazer um épico.

Douglas Fairbanks considera este filme como o seu favorito.

One comment on “O Ladrão de Bagdad (1924)

  1. […] As peripécias deste ladrão já tinham inspirado um grande momento de Cinema de aventura e fantasia, com um grande Douglas Fairbanks. Foi em 1924 (já visto aqui). […]

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