Ontem ao Fim do Dia (1973)

 

Título original – Breezy

 

Ao seu terceiro filme como realizador, Clint Eastwood fica apenas atrás das câmaras (algo que seria rotineiro a partir do final dos 80s) e tal como na sua opera prima, o “durão” faz uma surpreendente mudança de registo.

 

Breezy é uma jovem que vive a sua liberdade e a vida. Conhece Frank, um sexagenário já algo apagado pela vida.

O romance surge entre ambos, obrigando cada um a fazer escolhas que vão mudar a forma de estar na vida.

Love story entre duas almas solitárias, mas de contrastado olhar sobre o Amor – ele céptico e solitário, ela crente em pessoas, relações e afectos.

Embate entre uma alma livre e salvadora com um “coração de pedra” em busca de um preenchimento existencial.

A história cativa pela simplicidade e pureza da abordagem (por aqui passa muito do espírito hippie dos 70s), mas acima de tudo pelos personagens, impecavelmente definidos, complementares e de emotividade capaz da rápida complacência do espectador.

Se muitos de nós já nos sentimos como ele, certamente já muitas mais vezes ainda sonhamos em conhecer alguém como Breezy.

A força do filme é mesmo a menina que dá nome ao filme.

Breezy é um espírito livre, aberto, confiante, feliz, dado, crente na libertação social, emocional e física do Amor entre as pessoas.

Breezy torna-se assim uma personagem fascinante, apelativa, inspiradora e uma das mais relevantes do Cinema.

Clint Eastwood estava nos seus early days como realizador (era o seu terceiro filme em tais funções) – depois “Play Misty for Me” (um verdadeiro avant garde a “Fatal Attraction”, com o “durão” já a desmistificar a sua imagem, ao ver-se assustado e perseguido por uma mulher) e “High Plains Drifter” (um western “infernal”).

Assina em perfeito modo classic, sempre atento a pessoas, emoções e aos eventos no espaço (magnífica a forma como Eastwood filma a costa californiana e a casa do protagonista).

William Holden tem uma das suas melhores performances, como um homem duro, veterano perante os dramas e pesos da vida.

Kay Lenz (lindíssima) enche o filme, plena de energia, paixão, entrega, carinho, pureza.

É, talvez, a melhor performance da actriz (que veria grande parte da sua carreira em Televisão e nalgumas produções cinematográficas B, não tendo o melhor aproveitamento por parte da indústria).

Um belíssimo filme sobre a libertação do coração humano, resultando num (ou no) dos mais belos filmes de Clint Eastwood (compondo um perfeito início da sua “trilogia sentimental tardia”, a que se seguiria “Honkytonk Man” e “The Bridges of Madison County”).

 

Obrigatório.

 

“Breezy” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador: Clint Eastwood

Argumentista: Jo Heims

Elenco: William Holden, Kay Lenz

 

Trailer

 

Clips

 

A música de Michel Legrand

 

Orçamento – 750.000 Dólares

Bilheteira – 200.000 Dólares

 

Kay Lenz esteve nomeada para “Estreante Promissora – Feminino”, nos Globos de Ouro 1974. Perdeu para Tatum O’Neal em “Paper Moon” (pois, escolha difícil). O filme também tentou “Melhor Banda Sonora” (perdeu para “Jonathan Livingston Seagull”, com música de Neil Diamond) e “Melhor Canção” (perdeu para “The Way We Were”, do filme com o mesmo título).

Jo Heims (que já tinha escrito para Clint Eastwood – “Play Misty for Me”, em 1971, o primeiro de Eastwood como realizador, que já marcava uma mudança no “durão”) criou uma love story entre um homem de meia-idade e uma jovem. Pensou em Eastwood como o homem. Mas Eastwood achou-se demasiado jovem para tal personagem. Preferiu ficar apenas na função de realizador.

 

Jo Ann Harris (tinha sido namorada de Eastwood e já tinha trabalhado com ele em “The Beguiled”, em 1971 – outra mudança de registo de Eastwood) era a favorita para ser Breezy.

Deborah Winters, Lauren Hutton, Cybill Shepherd, Tuesday Weld e Jo Ann Harris, todas foram consideradas como Breezy.

Heims chegou a recomendar Sondra Locke para falar com Eastwood. Locke teve pena em não ter ficado com a personagem Breezy (Eastwood não a achou com a idade adequada para interpretar uma jovem na fronteira final de adolescência e início de idade adulta). Mas houve bom diálogo entre ambos. Eastwood chamaria Locke para “The Oulaw Josey Wales” (1976, realizado por Eastwood). Trabalhariam juntos em mais filmes e até casariam.

Ao que tudo indica, Clint ficou fascinado por Kay Lenz.

Bruce Surtees (habitual director of photography de Eastwood) estava ocupado. Frank Stanley foi chamado. Ainda trataria da fotografia de mais quatro filmes de Eastwood.

Filmado em Los Angeles, em Novembro de 1972, ao longo de 5 semanas.

Eastwood terminou o filme abaixo do orçamento (estava orçamentado em 1 milhão de Dólares) e do prazo (3 dias antes do planeado).

É o primeiro filme que Clint Eastwood realiza em que não participa como actor.

Muita da crew já tinha trabalhado com Eastwood. Eastwood procurou estar rodeado de profissionais que já conhecia.

Quinta colaboração (num total de 15) entre Robert Daley (produtor) e Clint Eastwood.

Primeiro filme de Kay Lenz como protagonista.

Kay Lenz tinha 19 anos.

William Holden tinha 54 anos.

Breezy tem como nome Edith Alice Breezerman.

Quando Breezy e Frank vão ao cinema, o filme que vão ver é “High Plains Drifter”, realizado e protagonizado por… Clint Eastwood.

Cameo de Clint Eastwood – quando Breezy e Frank percorrem o passadiço ao pé do mar, Clint surge apoiado numa balustrada.

 

Neste ano de 1973, Eastwood realizaria o seu segundo filme (esse Western “diabólico” que é “High Plains Drifter”) e voltaria a ser Dirty Harry (“Magnum Force”).

Apesar da boa reacção da crítica, o filme foi um flop de público.

Segundo Eastwood, o estúdio (Universal) nunca acreditou no filme e promoveu-o mal.

Clint Eastwood só voltaria a ser apenas realizador em 1988, com “Bird”.

Eastwood gostou de trabalhar com William Holden.

É um dos filmes preferidos de Clint Eastwood, dentro dos que ele fez.

Eastwood voltaria às love stories – “The Bridges of Madison County” (1995). Novamente como realizador, mas também como protagonista, ao lado de Meryl Streep.

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