Os Olhos da Testemunha (1981)

 

Título original – Eyewitness

 

Um bom conjunto de actores numa clássica história de mistério e suspense, dirigidos por bom realizador do género.

 

O funcionário da limpeza de um edifício afirma ser testemunha de um assassinato ocorrido no local. Tudo para conseguir a atenção de uma bela repórter televisiva. Mas a brincadeira ganha contornos assustadores quando ambos são alvo da perseguição do assassino.

Thriller com tons de whodunit, por onde passa um olhar (ainda que muito ligeiro) sobre a solidão nas grandes cidades, a mediatização do crime, a reinserção dos veteranos do Vietname, o racismo e os conflitos étnico-políticos.

Claro que o objectivo não é complicar, analisar ou fazer pedagogia.

Os acessórios são interessantes (até surgem surpresas e equívocos com um inesperado triângulo amoroso) e é interessante o mistério à volta do crime, com parte da solução (investigação) a passar uma uma crush resolvida de forma enganadora (o janitor confessa a sua paixão à pivot, mente sobre a informação e com isso consegue a sua atenção).

A história consegue cativar, o crime tem a sua complexidade na justificação, os personagens têm espessura.

Toda a trama criminal parece demorar a arrancar, mas rapidamente nos apercebemos que a narrativa procura dar ênfase aos personagens, ao seu quotidiano, às suas relações e à forma inesperada como tudo e todos se relacionam, sempre através de equívocos (o zelador nada sabe mas atrai atenções de quem sabe ou quer saber algo, a jornalista tem zero informações mas é perseguida como se soubesse algo vital, ela acaba por estar mais próxima da verdade do que pensava).

Ou seja, “Eyewitness” é mais um drama sobre pessoas e a forma como vêem o dia-a-dia afectado por um crime, sendo menos mystery thriller sobre um crime e sua resolução à volta dos envolvidos.

Peter Yates mostra o seu jeito para contar este tipo de histórias, procurando equilibrar o ritmo, tensão, suspense e cuidado com o lado humano.

William Hurt estava em início de carreira (tinha feito “Altered States” e ia a caminho de “Body Heat”) e já mostrava as suas enormes capacidades de criação e interpretação de personagens solitários, frágeis, introspectivos.

James Woods também estava em início de carreira (vinha da Televisão e da excelente série “Holocaust” – ao lado de Meryl Streep; em Cinema, tinha causado boa impressão no muito bom “The Onion Field”) e já evidencia o carácter “eléctrico” do seu estilo de representação.

Christopher Plummer já era uma lenda viva do Cinema e não deixa o seu talento perdido, ainda que num personagem secundário (mas relevante).

Sigourney Weaver vinha de “Alien” e volta a mostrar que não é apenas um belo rosto, mas uma actriz capaz de criar mulheres fortes e corajosas.

Um simpático whodunit mais focado no drama humano do que mistério criminal.

 

Recomendável.

 

“Eyewitness” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizador: Peter Yates

Agumentista: Steve Tesich

Elenco: William Hurt, Sigourney Weaver, Christopher Plummer, James Woods, Irene Worth, Kenneth McMillan, Pamela Reed, Albert Paulsen, Steven Hill, Morgan Freeman

 

Trailer

 

Orçamento – 8.5 milhões de Dólares

Bilheteira – 6.4 milhões de Dólares

 

Segundo Peter Yates, o argumento de Steve Tesich era uma fusão de dois. Tesich não conseguiu vender qualquer um deles. Foi Yates que lhe sugeriu que os juntasse num só.

Tesich foi funcionário de limpeza de um prédio.

“The Janitor” – era o título inicial.

“The Janitor Can’t Dance” – foi outro título pensado. Yates e Tesich gostavam, mas não encontraram apoio por parte do estúdio.

No Reino Unido o filme teve como título… “The Janitor”.

 

William Hurt preparou-se ao passar muitas noites como homem de limpeza num edifício.

A personagem de Sigourney Weaver inspira-se numa jornalista televisiva por quem o argumentista Steve Tesich tinha um fascínio. Peter Yates chamou essa jornalista como conselheira para a personagem de Weaver.

Muitos elementos da estação WNEW-TV fazem cameos. Essa estação é agora a Fox 5.

 

Segunda de três colaborações entre Steve Tesich e Peter Yates – “Breaking Away” (1979; Tesich venceria o Oscar para “Melhor Argumento Original”), “Eyewitness” (1981) e “Eleni” (1985).

William Hurt e Sigourney Weaver reecontrar-se-iam em “The Village” (2004) e “Vantage Point” (2008).

 

O filme faz parte de um conjunto de filmes de suspense feitos nos 80s, à volta de testemunhas de crimes e assédios a celebridades – “Eyewitness” (1981), “The Fan” (1981, com Lauren Bacall, Michael Biehn, James Garner e Maureen Stapleton), “Body Double” (1984, de Brian De Palma, com Melanie Griffith), “The Seduction” (1982, Morgan Fairchild), “Visiting Hours” (1982) e “Eyes of a Stranger” (1981).

 

O filme daria origem a um remake feito em Bollywood chamado “Hum To Mohabbat Karega” (2000).

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