Sean Connery (1930-2020) – RIP

 

Mais um Long Goodbye em Cinema.

Agora ao grande Sean Connery, o definitivo James Bond.

 

Thomas Sean Connery nasce em Agosto de 1930, em Edinburgo, Escócia.

Filho de uma dona-de-casa e de um operário fabril, Sean abandona a escola e move-se por várias áreas de trabalho – foi leiteiro, camionista, operário, modelo numa escola de Arte e até culturista (chegou a ser finalista para Mr. Universe).

Ingressa na Royal Navy aos 16 anos, mas tem de a abandonar por problemas de saúde (úlcera no estômago).

Aos 23 anos sente o apelo da Representação.

 

“No Road Back” (1957) é o seu primeiro filme.

Seguem-se vários e até telefilmes.

 

Tem uma pequena presença em “The Longest Day”(1962), numa produção de luxo (da Fox, pela mão de Darryl Zanuck), ao lado de um luxuoso elenco (Bourvil, Henry Fonda, Robert Mitchum, John Wayne, …).

Em 1962 tudo muda.

Sean é eleito James Bond, agente secreto 007, popular criação literária de Ian Fleming.

“Dr. No” é o filme e Sean vai interpretar o agente em 5 filmes – “Dr No” (1962), “From Russia With Love” (1963, o favorito de Sean), “Goldfinger” (1964), “Thunderball” (1965) e “You Only Live Twice” (1967). Interrompe (surge George Lazenby em “On Her Majesty`s Secret Service”, em 1969 – título que Sean bem gostaria de ter feito). Retoma em 1971, com “Diamonds are Forever” (onde recebe um chorudo salário para a época). Regressa a ele (apesar de lhe ter dito never again) em 1983, em “Never Say Never Again”, remake de “Thunderball” (o quarto filme de Sean como 007).

O sucesso da saga é enorme e Sean é uma big movie star a nível mundial.

Mas Sean sente a pressão, perseguição e a possibilidade de uma maldição tipo typecasting.

Procura uma carreira além de 007.

E vêmo-lo pela mão de grandes realizadores – Alfred Hitchccock em “Marnie” (1964); Sidney Lumet em “The Hill” (1965), Martin Ritt em “The Molly Maguires” (1970, ao lado de Richard Harris), “Murder on the Orient Express” (1974, ao lado de um luxuoso elenco) e “Family Business” (1989, ao lado de Dustin Hoffman e Matthew Broderick); John Boorman em “Zardoz” (1974, ao lado de Charlotte Rampling); John Huston em “The Man Who Would Be King” (1975, ao lado de Michael Caine); Terry Gilliam em “Time Bandits” (1981, com outro luxuoso elenco); Jean-Jacques Annaud em “The Name of the Rose” (1986); Steven Spielberg em “Indiana Jones and the Last Crusade” (1989); John McTiernan em “The Hunt for Red October” (1990).

Tem tempo para participar em filmes populares – “Shalako” (1968, ao lado de Brigitte Bardot), “Robin and Marian” (1976, ao lado de Audrey Hepburn), “A Bridge too Far” (1978, com um luxuoso elenco), “The First Great Train Robbery” (1978), “Outland” (1981), “Highlander” (1986), “The Russia House” (1990, ao lado de Michelle Pfeiffer), “Rising Sun” (1993), “First Knight”, “The Rock”(1996, mostrando uma invejável destreza como action hero, aos 65 anos), “League of Extraordinary Gentlemen” (2003, que marca a sua despedida do Cinema).

Apesar de um bom ritmo de actividade nos 70s, é nos 80s que surge o seu auge – em 1987 é um dos “The Untouchables” (de Brian De Palma) e ganha um Oscar.

E vários sucessos nas bilheteiras se sucedem.

Chega a dar voz a um dragão (“Dragonheart”, 1996) e até faz de vilão (a versão cinematográfica de “The Avengers”, em 1998).

Terminou em terceiro lugar, no concurso Mr. Universe 1953.

Teve lições de dança por 11 anos.

Era grande apoiante do Scottish National Party (SNP) e defensor da independência da Escócia.

Causou sensação em 1987, ao defender que por vezes deve-se esbofetear uma mulher (007 fê-lo em “From Russia With Love”).

Era grande jogador de golf.

Fundou a sua produtora – Fountainbridge Films. Fountainbridge é uma zona de Edinburgo, cidade onde ele nasceu.

Partiu um pulso em aulas de artes marciais na preparação de “Never Say Never Again”. O seu instructor era Steven Seagal.

Foi escolhido acidentalmente para “Time Bandits”. Terry Gilliam queria alguém “tipo Sean Connery”. Mas o argumento, de alguma forma, chegou às mãos de Connery e ele logo manifestou vontade em participar no filme.

Chegou a ser interpelado por excesso de velocidade. O agente da Polícia tinha o nome de… James Bond.

Tippi Hedren (a “Marnie”) chamou Sean a um dos seus gatos.

Tinha como ídolo o actor Stanley Baker.

Adorou participar em “A Bridge Too Far” (1977) pois contracenou com Dirk Bogarde, de quem era grande fã.

Juan Sanchez Villa-Lobos Ramirez (o seu personagem em “Highlander” e “Highander II”) é o único personagem, extra James Bond, que interpretou mais que uma vez.

Confrontou-se (em filme) com Robert Shaw por duas vezes – “From Russia With Love” e “Robin and Marian”.

O personagem Mufasa em “The Lion King” (1994) foi criado inspirado em Connery.

Tippi Hedren sentiu-se lisonjeada por ter Connery como colega em “Marnie”, considerando-o como o homem mais sexy do mundo. Mas pediu ajuda a Hitchcock sobre como interpretar uma mulher sexualmente frígida ao lado de um homem assim. Hitchcock disse-lhe para interpretar. Connery tinha ordens de Hitchcock em nunca tocar em Tippi fora das filmagens. Tippi lamentou não ter um affair com Connery.

Considera o seu personagem em “The Man Wo Would Be King” como o seu preferido.

Teve um affair com Jill St. John e Lana Wood, durante as filmagens de “Diamonds Are Forever”.

“Sleeping With The Enemy” (1991) ia ter como protagonistas Kim Basinger, Connery (que assim a reencontrava, depois de “Never Say Never Again”) e Aidan Quinn. Devido a diversas confusões, Julia Roberts, Patrick Bergin e Kevin Anderson foram os escolhidos.

Considerou ser jogador de futebol.

Nas filmagens de “Another Time, Another Place”, chegou a ter uma confrontação com o gangster Johnny Stamponato, namorado de Lana Turner (protagonista do filme). Stamponato seria depois morto pela filha de Lana.

Considera “The Rock” e “Entrapment” como os seus melhores filmes feitos nos 90s. Lamenta ter feito “The Avengers”.

Vivia em Marbella, Espanha. Terminou a sua vida nas Bahamas (zona por onde James Bond se moveu várias vezes, mesmo com Connery).

Em 2003 afirma que só regressaria à Escócia depois de a ver independente.

Era grande amigo de Roger Moore, Michael Caine e Richard Harris.

Queria ser um velho com cara simpática, como Alfred Hitchcock ou Pablo Picasso.

Albert R. Broccoli gostou de o ver numa cena de luta em “Darby O’Gill and the Little People” (1959). A sua esposa, Dana Broccoli, gostou do seu sex appeal.

Ao ser eleito James Bond, derrotou candidatos como Cary Grant, David Niven, Patrick McGoohan, Laurence Harvey, Richard Todd, Trevor Howard, Rex Harrison, James Mason, Steve Reeves, Richard Johnson, William Franklyn, Stanley Baker, Ian Hendry, Richard Burton, Rod Taylor e George Baker.

Ian Fleming não ficou contente com a escolha de Connery como James Bond. Cary Grant era o favorito do escritor. Fleming ficaria rendido a Connery depois.

Connery considera que o James Bond como ficou na saga, na sua fase, se deve a ideias de Terence Young (realizou “Dr. No”, “From Russia With Love” e “Thunderball”).

Quase que era morto na cena do helicóptero em “From Russia With Love”. O helicóptero passou-lhe muito próximo.

Usou peruca na saga 007, desde “Goldfinger”.

O seu salário em “Diamonds Are Forever” foi doado a acções de caridade na Escócia.

“From Russia With Love” era o seu filme favorito na saga “James Bond”.

Em conjunto com Roger Moore, tem o recorde de interpretações como James Bond – 7. Mas Roger fê-las na saga oficial, Sean só fez 6 (a sétima foi fora da saga oficial).

Sean foi entusiasta das performances de Pierce Brosnan e Daniel Craig como James Bond. Não gostou de Timothy Dalton, pois ele não soube fazer o personagem cool e mortífero.

Foi o único actor que interpretou James Bond que, tal como 007, serviu na Royal Navy.

Connery e Albert R. Broccoli zangaram-se depois da saída do actor como 007. Connery não foi ao funeral de Broccoli.

Quis sair da saga “James Bond” pois deu conta que eram os efeitos especiais que estavam a dominar a saga.

Sam Mendes queria-o em “Skyfall” (2012, a celebrar 50 anos da saga). Recusou. Albert Finney foi escolhido.

A line “Bond. James Bond” em “Dr. No” foi uma improvisação sua. A line escrita era “I am James Bond”, mas Connery não a achou convicta. E assim se fez História.

Dividia-se face a James Bond – reconhecia que a sua interpretação como 007 lhe abriu portas, mas chegou-lhe a causar limitações.

 

Teve dificuldades em encontrar trabalho depois de “Diamonds Are Forever”. John Boorman aproveitou para para o chamar (a baixo custo) para “Zardoz” (1974).

Faz um cameo em “Robin Hood: Prince of Thieves” (1991) e doa o seu (chorudo) salário a caridade.

Foi eleito #14 na “The Top 100 Movie Stars of All Time”, pela Empire.

Foi eleito “Sexiest Man Alive” pela revista “People”, em 1989.

Eleito #8 nas “100 Greatest Movie Stars”, pelo Channel 4.

Foi eleito #24 nas “Greatest Movie Star of All Time”, pelo “Entertainment Weekly”.

Foi eleito o “Best British Actor of All Time”, numa sondagem da Sky TV, em 2005.

Foi eleito #36 como “Greatest Movie Stars of All Time”, pela revista “Premiere”.

Em Itália era chamado pelo fans de “Mr. Kisskiss Bangbang”.

Foi nomeado Sir em 2000.

Em 1998 ganhou um Tony pela peça teatral “Art”, de Yasmina Reza. Connery era co-produtor.

Recebeu o prémio carreira nos prémios do Cinema Europeu pela mão de Jean-Jacques Annaud (que o dirigiu em “The Name of the Rose”).

Sentiu-se honrado pelo prémio recebido pelo American Film Institute, tendo em conta as muitas críticas que Connery fez a Hollywood.

James Bond ocupa a posição #5 nos “100 Greatest Movie Characters of All Time”, pela Premiere. Mas com a interpretação de Connery.

É o único actor a interpretar James Bond em filmes na saga oficial e não-oficial – “Never Say Never Again” foi feito à margem da saga oficial (questões de direitos).

Recusou “The Thomas Crown Affair” (1968), o que lamentaria. Steve McQueen aproveitou (e o resto é… Film History).

Recusou o personagem que foi entregue a Michael Caine em “Dressed to Kill” (1980, de Brian De Palma). Connery e De Palma encontrar-se-iam em “The Untouchables”, o que daria um Oscar a Connery e uma mudança na sua carreira.

Recusou protagonizar “Shogun” (1980), pois não queria trabalhar em Televisão. Richard Chamberlain seria escolhido.

Recusou ser Hannibal Lecter em “Silence of the Lambs” (1991), pois achou o personagem muito maléfico. Anthony Hopkins foi eleito (e o resto já se sabe).

Recusou ser John Hammond em “Jurassic Park” (1993). Richard Attenborough seria escolhido.

Recusou ser Simon Gruber em “Die Hard With a Vengeance”. Jeremy Irons seria escolhido.

Teve de recusar ser Edward I em “Braveheart” (Patrick McGoohan foi escolhido), pois estava ocupado com “Just Cause” (1995).

Recusou ser The Architect em “The Matrix Reloaded” (2003) e “The Matrix Revolutions” (2003).

Recusou ser Gandalf na saga “The Lord of the Rings”. O personagem iria para Sir Ian McKellen. Connery não queria estar na Nova Zelândia por 18 meses e não compreendia a saga literária e o argumento dos filmes.

Sean Connery era um actor versátil, capaz de tudo, sempre em estado de excelência.

A sua ascensão deve-se a um personagem – Bond, James Bond.

Mas a sua afirmação deve-se a um homem – Connery, Sean Connery.

 

Perde-se mesmo um grandessíssimo actor.

 

So Long, Sean.

 

Fica a marca como O James Bond.

E toda uma galeria de personagens e filmes notáveis, ao nível do estatuto de Sean.

 

Evocações

 

Sean Connery sobre James Bond

 

Sean Connery nos Oscars

 

Sean Connery no AFI

 

Sean Connery como Bond, James Bond

 

Trailers de alguns dos seus filmes

 

Dr. No

 

From Russia With Love

 

Goldfinger

 

Marnie

 

The Man Who Would Be King

 

The Hill

 

Robin and Marian

 

Zardoz

 

Outland

 

Never Say Never Again

 

Highlander

 

The Untouchables

 

Indiana Jones and the Last Crusade

 

The Hunt for Red October

 

The Russia House

 

Rising Sun

 

The Rock

 

The Avengers

 

Dragonheart

 

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