Viagem Fantástica (1966)

Fantastic Voyage - Poster 14

 

Título original – Fantastic Voyage

 

Os 50`s e 60`s foram as décadas perfeitas para a Sci-Fi.

A investigação no campo do Nuclear, a exploração no Espaço, a Guerra Fria, todos fomentaram ideias, sonhos, medos e fantasias.

O Cinema não ficou imune a tal e soube explorar esse filão, tendo criado imensas obras-primas.

Eis um título bem revolucionário para o género, onde se propõe uma viagem deveras fantástica – uma viagem ao corpo humano.

 

Um cientista de Leste é “raptado” pelos serviços secretos americanos e levado para os USA.

Mas o homem é atacado e deixado em coma.

Para o salvar, há que organizar uma equipa com uma delicada missão – entrar no corpo da vítima, ir à zona afectada e curá-lo.

Fantastic Voyage - Screenshot 1

Fantastic Voyage - Screenshot 2

Fantastic Voyage - Screenshot 3

“Fantastic Voyage” começa em tom de spy thriller, mas logo envereda pela melhor ficção científica (a ideia é, de facto, fascinante).

Fantastic Voyage - Lobbycard 1

Fantastic Voyage - Lobbycard 2

O filme leva-nos à mais incrível das viagens – uma pelo interior do corpo humano.

E este revela-se tão fascinante e complexo como o vasto Cosmos.

Fantastic Voyage - Screenshot 7

Fantastic Voyage - Screenshot 8

Fantastic Voyage - Screenshot 9

O filme ilustra devidamente o nosso interior orgânico, mas a par do deslumbre visual e científico também é mostrado como um mundo onde se podem viver grandes peripécias (o fluxo vertiginoso da corrente sanguínea, o poder do bater do coração, o impacto de um som nos ouvidos, o perigo dos ataques dos glóbulos brancos).

Fantastic Voyage - Screenshot 10

Fantastic Voyage - Screenshot 11

“Fantastic Voyage” parece quase um episódio sci-fi da mítica série “Mission Impossible” (que até tinha, a momentos, algo de sci-fi).

Fantastic Voyage - Screenshot 12

Fantastic Voyage - Screenshot 13

Bonita fotografia, a mostrar a riqueza e variedade de cor dentro do nosso organismo.

Excelente cenografia, que recorda o (magnífico) trabalho de Ken Adam em muitos episódios da saga “James Bond”.

Efeitos visuais bem groundbreaking para a época.

Fantastic Voyage - Screenshot 15

Trabalho suficiente dos actores.

O elenco é vistoso, mas as stars são mesmo os visual effects.

Fantastic Voyage - Screenshot 16

Fantastic Voyage - Screenshot 17

Richard Fleischer era um dos tarefeiros mais versáteis e competentes de Hollywood.

O seu curriculum levou-o a diversos géneros e em muitos deixou grandes filmes – film noir (“Narrow Margin”), policial (“Armored Car Robbery”), aventuras (“The Vikings”, “20.000 Leagues Under the Sea”), sci-fi (“Soylent Green”), actioner (“Mr. Majestyk”), guerra (“Tora! Tora! Tora!”), suspense (“See No Evil”, “The Boston Strangler”).

“Fantastic Voyage” é mais um dos seus finest moments.

Fantastic Voyage - Screenshot 18

Fantastic Voyage - Screenshot 19

Um marco incontornável no Cinema Sci-Fi e no mundo dos FX.

 

Obrigatório.

 

“Fantastic Voyage” é inédito no nosso mercado. Existe noutros, a bom preço. Procure-se a a edição com extras (comentários de técnicos dos FX e um documentário sobre tal).

Fantastic Voyage - Screenshot 20

Fantastic Voyage - Screenshot 21

Realizador: Richard Fleischer

Argumentistas: Harry Kleiner, David Duncan, Otto Klement, Jerome Bixby

Elenco: Stephen Boyd, Raquel Welch, Edmond O’Brien, Donald Pleasence, Arthur O’Connell, William Redfield, Arthur Kennedy

 

Trailer

 

Clip

 

Documentário

 

Orçamento – 6 milhões de Dólares

Bilheteira – 12 milhões de Dólares

 

Fantastic Voyage - Poster 11

“Melhores Efeitos Visuais”, “Melhor Cenografia – Cor”, nos Oscars 1967. Esteve nomeado para “Melhor Fotografia – Cor”, mas perdeu para “A Man for All Seasons”. Esteve também nomeado para “Melhores Efeitos Sonoros”, mas perdeu para “Grand Prix”.

“Melhor Montagem”, pelos American Cinema Editors 1967.

“Melhores Efeitos Sonoros”, pela Motion Picture Sound Editors 1967.

Tentou ser a “Best Dramatic Presentation”, nos Hugo 1967. Perdeu para “Star Trek” (a série televisiva).

Nomeado para “Melhor Action Drama”, nos Laurel 1967. Perdeu para “The Professionals”.

Fantastic Voyage - Poster 12

Por causa das exigências técnicas, Richard Fleischer procurou rodear-se de muita da equipa técnica que teve em “20.000 Leagues Under the Sea” (1954), um filme também exigente do ponto de vista técnico.

 

Do orçamento, 3 milhões de Dólares foram para a cenografia.

Era o primeiro filme de Stephen Boyd em Hollywood, após uma pausa de cinco anos.

Era o primeiro filme de Raquel Welch para a Twentith-Century Fox. A actriz ficaria sob contrato com o estúdio por vários anos.

Fantastic Voyage - Promo - Raquel Welch - 1

Para as cenas em que os personagens “nadam” no corpo, os actores estavam suspensos por cabos e eram filmados a uma velocidade maior. A projecção dava-se à velocidade normal e criava-se a ilusão que que se moviam lentamente.

Fantastic Voyage - Backstage

Welch ficou caidinha por Boyd e procurou seduzi-lo várias vezes. Boyd ficou sempre imune.

Fantastic Voyage - Screenshot 6

A missão só pode durar uma hora e é esse tempo de metragem que a missão dura.

 

Os avanços técnicos para este filme eram de tal modo notáveis, que Richard Schickel dedicou-lhes um artigo na “Life”.

Fleischer chegou a querer estudar Medicina.

É o primeiro filme americano a não ter música durante o genérico inicial, mas apenas efeitos de som.

Fantastic Voyage - Book 1

Isaac Asimov (prestigiado escritor de Sci-Fi) foi convidado a escrever a novelização do filme. Asimov afirmou que o argumento do filme estava cheio de buracos, pelo que pediu liberdade criativa total. Perante os atrasos nas filmagens, o livro foi editado antes da estreia do filme.

O livro de Asimov leva a equipa e o submarino a saírem do corpo da vítima. Se o submersível não saísse também, ele retomaria o seu tamanho normal (era o “mas” do processo de miniaturização) e mataria o paciente.

Apesar da impossibilidade da miniaturização, Asimov explorou as possibilidades científicas de tal.

Fantastic Voyage - Promo - Raquel Welch - 2

O filme teve boa recepção por parte da crítica.

 

Algumas escolas de medicina, até aos 80`s, usavam este filme para abordar questões de anatomia humana.

 

Em 1998, esteve na lista do American Film Institute, entre 400 candidatos aos “Top 100 Greatest American Movies”.

Fantastic Voyage - Comics

A Gold Key Comics editou um comic em 1967. Basicamente era a adaptação do filme à bd.

A revista “Mad” publicou uma paródia –”Fantastecch Voyage”.

Em 1968, a ABC criou uma série televisiva de animação. Era sobre as missões de uma equipa, num submarino chamado Voyager.

Eis o episódio 1:

 

Em 2008, o Voyager era alvo de um kit de brinquedos.

Voyager Kit

 

Em 1977, a popular série televisiva “Doctor Who” faz uma homenagem a “Fantastic Voyage”. No episódio “The Invisible Enemy”, o protagonista está contaminado por um vírus mortal. A solução passa por colocar clones de si mesmo e da sua assistente dentro do seu corpo, no sentido de localizar e derrotar o virus.

 

Em 1987, Steven Spielberg produz “Innerspace”. Contava a história de um piloto de testes que se vê miniaturizado durante um ensaio, sendo injectado num cidadão comum, depois de um ataque inimigo. Cabe aos dois descobrir o que se passa. Dennis Quaid, Martin Short e Meg Ryan protagonizam, Joe Dante realiza. Como grande cinéfilo que é, Dante faz do seu filme uma brincadeira/homenagem a “Fantastic Voyage”. O filme marcou pelos (incríveis) efeitos visuais e seria recompensado com um Oscar para essa área.

 

Fantastic Voyage - Book 2

“Fantastic Voyage II: Destination Brain” (1987) seria o regresso de Asimov a este universo. Apesar do título, não é uma sequela e não usa personagens ou eventos do filme de 1966.

“Fantastic Voyage: Microcosm” (2001) é escrito por Kevin J. Anderson. A equipa do filme regressa e faz uma viagem ao corpo de de um alienígena morto.

Fantastic Voyage - Lobbycard 3

Em 1984 falou-se em sequela ou remake. E assim tem sido até à actualidade.

Chegou-se a convidar Asimov para a escrever e até se sugeriu que envolvesse um duelo entre dois submarinos (um americano e outro soviético) dentro de um corpo humano. Asimov rejeitou a ideia e decide escrever um livro autónomo, ainda que com o título ligado ao filme inicial.

James Cameron mostra interesse em 1997, perante os avanços dos efeitos visuais em Cinema (que ele muito ajudou a desenvolver com “Terminator 2”, “True Lies” e “Titanic”), mas depois decide fazer uma pausa no Cinema e depois dedica-se a “Avatar”. Mesmo assim, Cameron admite a possibilidade de produzir e escrever o remake.

Em 2007 anuncia-se que o projecto vai avançar e que Roland Emmerich vai realizar. Mas Emmerich rejeita o argumento de Cameron.

Em 2010, Paul Greengrass mostra-se interessado. O argumento vem de Shane Salerno e produção de Cameron (ambos estão a colaborar nas sequelas de “Avatar”). Greengrass sai de cena e entra Shawn Levy.

Em 2016, Guillermo del Toro é anunciado como o realizador, com argumento de David S. Goyer e produção de… James Cameron.

E ainda nada mais se sabe.

Fantastic Voyage - Poster 2

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