Randolph Scott & Budd Boetticher – The Ranown Westerns

 

É uma das duplas mais relevantes do Cinema e do Western.

Perfeitamente ao nível das criadas por John Wayne & John Ford, John Wayne & Howard Hawks, James Stewart & Anthony Mann, Glenn Ford & Delmer Daves.

Uma parceria que esteve quase para não acontecer, mas que o acaso desenhou na História do Cinema.

7 filmes, 7 Westerns, 7 produções B que muito fizeram e mudaram no género.

Vamos revisitá-los.

 

 

7 Homens Para Matar (1956)

 

Titulo original – 7 Men from Now

 

Eis o filme que começa a parceria.

 

Ben Stride, ex-sheriff, há muito que persegue 7 homens, que foram os responsáveis por um avultado assalto a uma diligência da Wells Fargo e pela morte da sua esposa.

A sua jornada cruza-o com um conjunto de pessoas. Tal cruzamento pode não ser obra do acaso.

Estarão os 7 homens assim tão próximos?

A cena inicial dá logo o mote – os diálogos e a atmosfera sugerem que um confronto vai explodir a qualquer momento.

Quando este se dá, tudo se explica.

E eis um perfeito uso de economia narrativa e técnica.

Western actioner sobre vingança e justiça (e, subtilmente, aborda-se as semelhanças e diferenças), centrada no pistoleiro solitário.

Sim, é um tema habitual do Western (e noutros géneros).

Aqui recebe um tratamento de um notável minimalismo, de firme definição nos personagens, motivações e eventos.

A informação vai surgindo de forma gradual, com direito até a um twist.

Excelente fotografia (algo em que esta “saga” foi sempre impecável), a fazer um bom uso da paisagem.

Budd Boetticher dirige com ritmo e boas ideias de mise en scène nos momentos de confrontação.

Randolph Scott já era um grande veterano do Western.

Ei-lo em forma, a mostrar porque era um dos nomes emblemáticos do género (ainda que em produções B – e qual o mal?) – contido, calmo, íntegro, de poucas palavras, emotivo, heróico.

Lee Marvin (outra lenda do Cinema) cria um dos seus habituais personagens – fanfarrão, viril, macho, durão.

Um óptimo Western B, sendo também um excelente início de parceria e “saga”.

 

Obrigatório.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentista: Burt Kennedy

Elenco: Randolph Scott, Gail Russell, Lee Marvin, Walter Reed, John Larch

 

Trailer

 

Filme

 

O filme ia ser protagonizado por John Wayne. Wayne decide sair de cena (John Ford chama-o para “The Searchers”) e Gary Cooper é chamado. Cooper rejeita também. Robert Mitchum mostrou interesse. Joel McCrea e Robert Preston também foram ponderados. Wayne sugere Randolph Scott (já tinham trabalhado juntos – “The Spoilers”, em 1942, ao lado de Marlene Dietrich).

É Scott que sugere Budd Boetticher como realizador.

Wayne sugeriu Gail Russell, pois já tinha trabalhado com ela em “Angel and the Badman” (1947) e “Wake of the Red Witch” (1948). A actriz já não fazia um filme há cinco anos e andava a passar por um grave problema com o álcool. Russell suicidar-se-ia aos 36 anos. Boetticher foi muito amigo dela no set, procurando sempre que Russell estivesse sóbria e calma.

Filmado nas Alabama Hills e em Lone Pine, California.

Budd Boetticher, Randolph Scott e Gail Russell eram os únicos membros de cast & crew a irem para o set a cavalo.

Logo na sua primeira cena, Russell tinha de estar coberta de lama. A crew achou que a actriz se poderia dar mal com tal, mas ela aguentou as 6 horas de filmagem que toda a cena requereu.

Wayne chegou a editar o filme a seu gosto, à margem de Boetticher. O processo de restoration devolveu o director`s cut.

Boetticher e Burt Kennedy nunca gostaram da canção escolhida para o filme. Queriam que ela fosse eliminada no processo de restoration. Mas a Batjac (a production company de John Wayne) e a UCLA tinham os direitos totais sobre o filme e decidiram mantê-la.

O filme andou afastado do grande público durante décadas, por causa de conflitos de direitos e falta de vontade da Batjac em libertá-lo. O filme só era visto em festivais de Cinema.

É o primeiro argumento de Burt Kennedy.

É o primeiro filme que reúne Randolph Scott e Budd Boetticher. Colaborariam em 7 filmes – “Seven Men from Now” (1956), “The Tall T” (1957), “Decision at Sundown” (1957), “Buchanan Rides Alone” (1958), “Westbound” (1959), “Ride Lonesome” (1959) e “Comanche Station” (1960). Este ciclo de filmes seria denominado como “Ranown Westerns” (Ranown vinha de Randolph Scott e do produtor Harry Joe Brown). Todos foram realizados por Boetticher, Scott era sempre o protagonista, Kennedy escreveu muitos deles (alguns foram escritos por Charles Lang). Este conjunto de filmes fez reviver a carreira de Scott.

 

 

A Marca do Terror (1957)

 

Título original – The Tall T

 

É o segundo dos “Ranown Westerns” e da parceria Randolph Scott & Budd Boetticher.

Alguns consideram como o melhor.

 

Pat Brennan, veterano rancheiro, vê-se refém de um grupo de ladrões que pretende assaltar a próxima stagecoach.

A tensão sobe nos outlaws quando um dos reféns decide trocar a esposa por um resgate.

Estamos numa situação mais habitual para o Thriller.

Toda ela é clássica, sendo aqui adaptada aos arquétipos do Western.

Há situações típicas – o protagonista com o seu pequeno rancho e em busca de se expandir, a dinâmica da little town, os personagens que vão chegando e com relevância.

Notável é a passagem de tom de western para um thriller, criando uma atmosfera de tensão, violência e morte constante.

No meio da tensão e violência, até há lugar para um momento de simpatia e leveza – o protagonista a enfrentar um boi, a ficar sujo, a ter de caminhar até casa com a sela às costas, com uma pedra na bota e uma meia rota.

Fiel ao estilo de Elmore Leonard (uma grande influência sobre Tarantino), não falta boa conversa, sobre muita coisa, onde se definem personagens, emoções e motivações, jogos e relações – Brennan com o condutor da diligência, Brennan com os vilões.

Profundamente simbólica é a (constante) linguagem corporal dos antagonistas, com uma postura física que assenta no desafio e preparação para um confronto que se sente que vai acontecer a qualquer momento e será mortal para muitos.

Óptima fotografia (como seria regra na “saga”).

Bela paisagem, muito bem usada.

Budd Boetticher gere muito bem o ambiente fechado, a atmosfera tensa e o súbito libertar da violência.

Randolph Scott sempre em grande como o herói típico desta “saga” – íntegro, emotivo, duro.

Richard Boone e Henry Silva são bem temíveis como vilões.

Uma hábil mix de coboiada e suspense.

 

Obrigatório.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentistas: Burt Kennedy, Elmore Leonard

Elenco: Randolph Scott, Richard Boone, Maureen O’Sullivan, Arthur Hunnicutt, Skip Homeier, Henry Silva, John Hubbard, Robert Burton

 

Trailer

 

Filme

 

Martin Scorsese sobre o filme

 

“Filme a Preservar”, pela National Film Preservation Board 2000.

O conto de Elmore Leonard tinha o titulo “The Captives”. Foi esse o working title. Em vésperas de estreia o titulo mudou para “The Tall T” (é o rancho do personagem Tenvoorde, surgido no início do filme).

Apesar de interpretar um old timer, Arthur Hunnicutt era 12 anos mais novo que Randolph Scott.

Maureen O’Sullivan (a famosa Jane da saga “Tarzan”, com Johnny Weissmuller) tinha 45 anos e foi considerada já algo velha para a sua personagem.

A conversa entre Chink e Hank sobre Mrs. Sims é quase igual a uma que se dá em “Return of the Magnificent Seven” (1966; também escrito por Kennedy) – quando Warren Oates fala sobre mulheres.

A determinado momento, Scott diz “Some things a man can’t ride around“. Esta line teria uma variante “Ride Lonesome” (1959), também escrito por Kennedy, realizado por Boetticher e protagonizado por Scott.

A mesma line seria usada em mais dois Westerns escritos por Kennedy – “Six Black Horses” (1962, com Audie Murphy) e “Support Your Local Gunfighter” (1971, com James Garner).

A Columbia Pictures estreou o filme em formato double bill com “Hellcats of the Navy” (1957, com Ronald Reagan e Nancy Reagan).

 

 

Entardecer Sangrento (1957)

 

Título original – Decision at Sundown

 

Randolphh Scott & Budd Boetticher estavam a habituar o público a dinâmicas coboiadas.

Eis uma mudança.

Bem dramática.

 

Bart Allison e o seu companheiro Sam chegam à povoação de Sundown.

Interrompem o casamento de Tate Kimbrough e Allison jura matá-lo e vingar-se.

Porquê?

Western psicológico (talvez o mais carregado nesta área, de todos os que compõem a “saga”) e trágico, que “disfarça” tal através de uma situação de cerco (o que leva o filme para a área do suspense thriller como “The Tall T” já o tinha feito).

Jornada de obsessiva vingança, por parte de um homem cego perante a verdade (que sempre esteve à sua frente).

Tragédia de um homem e mulher, presos a um sentimento e vítimas dos efeitos colaterais dos eventos.

Pois, “Decision at Sundown” desmarca-se totalmente do que Scott & Boetticher nos tinham dado até então (embora “Ride Lonesome”, em 1959, andasse ligeiramente por certos traumas no protagonista, mas com outras consequências – internas e externas).

Aqui, estamos em várias áreas do melodrama, seguindo por áreas que parecem conhecidas mas que se revelam inesperadas (quem é o vilão? há vilão? há herói? quem é herói?), fazendo acreditar no heróico protagonista para o revelar como uma vítima.

Final com gunfight (at sundown, claro), mas bem atípico.

Mas calma.

O filme não descura a componente Western e cria bons momentos de tensão (o momento no saloon com o dinheiro e o whiskey) e até humor (a relação entre os dois partners é divertida e ilustra uma forte amizade, sendo tal feito de forma simples, rápida e esclarecedora – mais um perfeito exemplo de escrita minimalista e eficaz), com o cerco a prometer ter um desfecho bem violento.

Budd Boetticher em grande forma, a saber gerir tudo isto com um admirável equilíbrio.

Randolph Scott tem aqui uma das suas melhores performances (talvez mesmo a melhor da “saga”), ao compor um homem duro, violento, vingativo, cego perante a obsessão e a verdade, culminado em tragédia emocional.

O restante elenco acompanha-o muito bem.

Um Western diferente, mais virado para emoções e pessoas, menos para tiroteios, que se revela como o mais emotivo e profundo dos “Ranown Westerns”.

 

Obrigatório.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentistas: Charles Lang, Vernon L. Fluharty

Elenco: Randolph Scott, John Carroll, Karen Steele, Valerie French, Noah Beery Jr., John Archer, Andrew Duggan, Vaughn Taylor

 

Trailer

 

Filme

 

A partir de certo momento vê-se Tate Kimbrough com uma unha negra no dedo indicador esquerdo. Acredita-se que John Carroll se tenha magoado nas filmagens.

 

 

Têmpera de Herói (1958)

 

Titulo original – Buchanan Rides Alone

 

Depois de um título bem interior, dramático e trágico (“Decision at Sundown”), voltamos a ter algo diferente do habitual em Randolph Scott & Budd Boetticher.

Agora com mais humor.

 

Tom Buchanan regressa a casa, depois de ter feito alguma fortuna no México.

A sua passagem por uma pequena povoação vai metê-lo em campo numa confrontação local.

Estamos no tema da cidade corrupta, dominada por um família cheia de poder e influência, centrado nas peripécias de um “lone gunfighter” que surge no local errado, no momento errado, procurando fazer justiça.

 

A ideia não é nova (“Dodge City” ainda é A referência nessas coisas), mas resulta (muito bem) a ideia de levar (quase) tudo para o campo do humor, sendo a acção uma constante (algo que funcionou na perfeição em “Destry Rides Again”, sendo também Uma referência).

Há lugar para a ironia (Buchanan a queixar-se dos preços, o tribunal no bar com o juiz a recusar bêbados no júri).

 

É toda esta componente humorística que faz com que “Buchanan Rides Alone” marque a diferença na “saga”.

Mas o filme consegue ser credível na componente séria, com laivos de country noir (a dimensão da corrupção, a podridão humana na povoação).

 

Elevada tensão nos últimos 15 minutos, culminando num duelo final cheio de surpresas.

Quase que se pode ver aqui um ensaio para Sergio Leone e o seu renovador “A Fistful of Dollars” (embora aqui haveria menos humor, mais cinismo e violência, e uma desconstrução do herói do Oeste).

Budd Boetticher faz-nos sentir o caos da cidade, gere muito bem o equilíbrio entre acção e humor, bem como o tempo e o espaço.

Randolph Scott em grande forma, agora mais sorridente e divertido, mas sem perder a esteira heróica.

Boa cumplicidade do elenco.

É o mais divertido e dinâmico filme da parceria Randolph Scott & Budd Boetticher.

 

Obrigatório.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentista: Charles Lang, a partir do romance de Jonas Ward (“The Name’s Buchanan”)

Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley, Tol Avery, Peter Whitney, Manuel Rojas, L. Q. Jones

 

Trailer

 

Filme

 

Charles Lang escreveu o argumento, mas este foi alvo de mudanças por parte de Burt Kennedy, a pedido de Budd Boetticher (Kennedy era o argumentista habitual dos Westerns de Boetticher/Scott; Lang ainda escreveria um par deles). A esposa de Lang estava doente, pelo que Kennedy deixou todo do crédito do argumento a Lang, para que fosse ele a ser pago.

 

 

 

Luta sem Tréguas (1959)

 

Título original – Westbound

 

Ainda que envolva a parceria Randolph Scott & Budd Boetticher, este filme fica de fora da “saga”.

Os fãs colocam-no nela (afinal tem Randolph & Budd), mas por questões burocráticas ele fica de fora.

 

O Capitão John Hayes da Cavalaria tem como missão ir ao Colorado e assegurar as boas ligações das novas rotas das diligências, no sentido de trazerem ouro para o Norte.

Mas os interesses do Sul são opostos.

A história é de conflito entre Norte e Sul, envolve uma missão delicada, há uma conspiração e abordam-se alguns dramas recentes da nação.

Tudo é tratado com eficácia, simplicidade e sentido de economia.

Argumento simples e directo, rápida introdução dos personagens.

(desta vez, o argumento não é de Burt Kennedy)

Budd Boetticher dirige com ritmo (o filme dura pouco mais que 60 minutos).

Randolph Scott em forma, fiel à sua imagem.

Virginia Mayo mostra porque era uma das (grandes) rainhas do Technicolor (embora aqui seja o Warnercolor).

É o mais rotineiro filme da parceria Randolph Scott & Budd Boetticher, mas conserva bom valor de entretenimento.

 

Recomendável.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentistas: Berne Giler, Albert S. Le Vino

Elenco: Randolph Scott, Karen Steele, Virginia Mayo, Andrew Duggan

 

Trailer

https://www.videodetective.com/movies/westbound/173295

 

Clips

 

Filme

 

Orçamento – 565.000 Dólares

 

Karen Steele estava ligada sentimentalmente a Budd Boetticher. Steele participaria em diversos filmes de Boetticher.

Virginia Mayo ia ser a protagonista, mas como Steele era a “Mrs. Boetticher”, ficou ela como protagonista e Mayo mais secundaria.

Filmado em 20 dias.

Ainda que feito com a parceria Budd Boetticher/Randolph Scott, o filme não é considerado como parte do círculo denominado “Ranown Westerns”. Scott devia à Warner Bros. um filme, devido a um antigo contrato. Boetticher ofereceu-se a Scott para realizar o filme. Boetticher nunca descartou o filme, mas não o considera como membro do grupo dos outros filmes que fez com Scott.

 

 

 

O Homem que luta só (1959)

 

Título original – Ride Lonesome

 

Resolvido o imbroglio que Randolph Scott tinha com a Warner, a sua parceria com Budd Boetticher regressa ao seu rumo habitual.

 

Ben Brigade, caçador de recompensas, captura Billy John, um foragido em fuga e procurado.

A viagem cruza-os com uma mulher indomável, um par de outlaws e o irmão do prisioneiro.

Conseguirá Brigade defender-se de todos?

Minimalismo de personagens, eventos e locais.

A fórmula em pleno da sua eficácia.

Aqui consegue-se uma riqueza humana no facto de todos os personagens em cena terem uma agenda própria, que se vai descobrindo com o desenrolar dos eventos.

O habitual minimalismo narrativo da “saga” serve aqui para contar menos uma história e ilustrar mais uma situação.

E ele funciona perfeitamente, conseguindo oferecer a devida dose de suspense e tensão até ao confronto final.

Inteligente resulta a abordagem da psicologia do protagonista – o que há para se saber dele só surge nos momentos finais.

Belíssimo plano final, digno de várias leituras.

Budd Boetticher gere bem o tempo, o espaço (a cena inicial), os eventos e a tensão.

Randolph Scott em domínio total do estilo que criou para esta saga.

Óptimo conjunto de secundários, em generosa prestação.

Mais uma conseguida mix de coboiada e suspense.

 

Obrigatório.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentista: Burt Kennedy

Elenco: Randolph Scott, Karen Steele, Pernell Roberts, James Best, Lee Van Cleef, James Coburn

 

Trailer

 

Filme

 

Budd Boetticher sobre o filme

 

John Sayles sobre o filme

 

No filme, Pernell Roberts diz a line There are some things a man just can’t ride around“. Em “The Tall T” (1957) , Randolph Scott diz uma line semelhante. (1957). Os dois filmes são escritos por Burt Kennedy, realizados por Budd Boetticher e protagonizados por Scott.

É o primeiro filme de James Coburn.

Karen Steele, Pernell Roberts, James Best, Lee Van Cleef, and James Coburn – todos participariam mais tarde na popular série televisiva “Bonanza”; Roberts era um dos protagonistas, os outros eram guest stars.

 

Está nos “1001 Movies You Must See Before You Die”, de Steven Schneider.

Martin Scorsese é grande fã do filme.

 

 

 

Emboscada Fatal (1960)

 

Título original – Comanche Station

 

E assim chegamos ao fim dos “Ranown Westerns”.

Assim termina a parceria Randolph Scott & Budd Boetticher.

E termina em grande.

 

Jefferson Cody negoceia com uma tribo de Comanches a libertação de uma mulher branca, há algum tempo procurada.

A jornada de regresso a casa é marcada pela companhia inesperada de um par de pistoleiros gananciosos e por algumas emboscadas dos nativos.

A “saga” retoma o tom sério, sentimental e humano.

Os “vilões” são os Comanches, mas o filme dedica tempo à compreensão por eles.

Há algo de trágico naquilo que move o protagonista.

Há algo de delicado na relação entre o protagonista e a donzela, sentindo-se também uma tensão sexual.

Há aqui algo que recorda “The Searchers” (o protagonista tem um drama familiar por resolver com os nativos), há algo já conhecido na “saga” (“The Tall T” e “Ride Lonesome”), mas o filme define uma identidade própria e nunca o rip-off.

Bem conseguida é a tensão dupla – o ataque dos Comanches a qualquer momento e os conflitos no grupo dos “caras pálidas”.

Budd Boetticher volta a saber usar de forma impecável o espaço (ainda que alargado, por vezes parece apertado), conseguindo bom ritmo e tensão (os cercos).

Randolph Scott tem agora um soft touch que lhe fica muito bem, não comprometendo a sua índole heróica.

Boa prestação do restante elenco, com destaque para Claude Akins.

Um excelente final de “saga” e parceria, resultando num dos melhores títulos dos “Ranown Westerns”.

 

Obrigatório.

Realizador: Budd Boetticher

Argumentista: Burt Kennedy

Elenco: Randolph Scott, Nancy Gates, Claude Akins, Skip Homeier

 

Trailer

 

Filme

 

Filmado na Califórnia, na Eastern Sierra, Lone Pine, Mount Whitney.

Filmado em 12 dias.

Na cena em que o grupo atravessa um riacho, depois de saírem da Comanche Station, vê-se uma árvore, bem centrada no plano, que recorda a árvore do final de “Ride Lonesome” (1959).

Ao longo do filme fala-se da “Stage to Lordsburg” – é o título da história que inspirou “Stagecoach” (1939, de John Ford); Burt Kennedy era fã do filme e quis assim homenageá-lo.

É o sétimo e último dos Westerns da denominado ciclo “Ranown Westerns” – produzidos por Randolph Scott e Harry Joe Brown (criadores da Ranown Pictures), com realização de Budd Boetticher e protagonismo de Randolph Scott.

Scott decidiu retirar-se do Cinema depois deste filme. Mas regressaria (precisamente num Western) em 1962, ao lado de Joel McCrea (outra lenda veterana do género) no belíssimo “Ride The High Country” (o segundo e um dos melhores filmes de Sam Peckinpah, sendo mesmo um dos melhores Westerns de sempre). Scott retirava-se, definitivamente, depois desse filme.

 

 

Alguns poderão criticar que Randolph e Budd fizeram o mesmo filme 7 vezes.

(muita boa mente cinéfila vê nenhum mal nisto, defendendo as diversas variações que se podem fazer com o mesmo tema)

Eu prefiro a ideia que um é uma espécie de continuação do anterior.

(aliás, muita boa mente cinéfila também vê as coisas assim)

Pode-se ver que Randolph Scott interpreta sempre o mesmo personagem. Assim sendo, isto pode ser visto como uma saga de um homem, desde a raiva movida pela violência (“Seven Men from Now”) até à redenção (“Comanche Station”).

 

Seja como for, Randolph & Budd criaram uma parceria criativa, produtiva e talentosa.

Os seus 7 filmes (embora “Westbound” fique de fora por questões burocráticas) são um marco na Produção B, pelo ritmo, tom, eficácia na economia técnica e narrativa.

 

Uma parceria e um conjunto de filmes que pedem urgência no acto cinéfilo de redescoberta e revalorização.

 

Alguns dos filmes têm edições autónomas, com cinéfilos extras, estando a bom preço.

“The Ranown Westerns” tem direito a um pack, embora com a ausência de “Westbound” e “Seven Men from Now” (questões de direitos). O preço anda jeitoso.

Sobre os “Ranown Westerns” (Ranown = Randoph Scott + Harry Joe Brown – o produtor) e Randolph Scott & Budd Boetticher:

http://blueprintreview.co.uk/2018/05/five-tall-tales-budd-boetticher-randolph-scott-at-columbia-1957-1960/

https://www.latimes.com/entertainment/movies/la-xpm-2012-jul-12-la-et-ucla-westerns-20120712-story.html

https://lwlies.com/articles/budd-boetticher-randolph-scott-westerns/

https://filmcentric.wordpress.com/2015/01/22/the-ranown-cycle-of-westerns/

http://ranown.blogspot.com

 

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