O Monstro (1980)

 

Título original – Humanoids from the Deep

 

Roger Corman sempre adorou filmar e produzir terror.

E quanto mais criaturas bizarras, sangue e meninas despidas, melhor.

Eis um excelente exemplo.

 

Uma povoação piscatória vive dias de terror devido a ataques de umas medonhas criaturas marinhas, mas com gostos peculiares face aos humanos – matam os homens e violam as mulheres.

O conceito narrativo é bem simples e bem campy.

Misto de rip-off a “Creature from the Black Lagoon” aliado à exploitation tão em voga na época (criaturas, terror, blood & guts, sexo, nudez, meninas bonitas, violência), até se consegue alguma ilustração do quotidiano de uma comunidade piscatória, aliado a uma trama simples (simplória, mesmo) sobre os desastres que o Homem/Ciência provoca(m) quando brinca(m) com a Natureza.

Transições bruscas entre cenas e ar de low cost – coisas habituais deste tipo de produção e quando vinda da Roger Corman factory.

Os 20 minutos finais são avassaladores em matéria de acção, violência, terror e sangue. Um verdadeiro must no género.

Plano final bem shocker, mas a ser um (descarado) rip-off de um outro filme (ao verem percebem qual).

Actores em modo automático (as produções de Roger Corman nunca pediam muito a eles – a excepção está nos títulos protagonizados por Vincent Price, adaptados de contos de Edgar Allan Poe).

Bons efeitos gore, meninas bonitas, curta duração, as regras da exploitation em pleno, bom entretenimento.

É a fórmula do Cinema de Roger Corman em grande.

Um delírio Z.

Um dos títulos mais entretidos da casa de Roger Corman.

 

Obrigatório.

 

“Humanoids from the Deep” nao tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Realizadores: Barbara Peeters, Jimmy T. Murakami (sem crédito)

Argumentistas: Frank Arnold, Martin B. Cohen, William Martin (como Frederick James)

Elenco: Doug McClure, Ann Turkel, Vic Morrow, Cindy Weintraub, Anthony Pena, Denise Galik, Lynn Theel, Meegan King, Breck Costin, Linda Shayne

 

Trailer

 

Melhores momentos

 

Making of

 

Orçamento – 2.5 milhões de Dólares

 

Título inicial – “Beneath the Darkness”.

 

Joe Dante (que tinha assinado “Piranha” para Corman em 1978), recusou realizar.

Roger Corman quebrou as regras ao chamar uma mulher para realizar um filme de terror (habitualmente eram só homens nesse registo).

 

Música de James Horner (“48 Hrs.”, “Commando”, “Aliens”, “Titanic”). Horner compôs o score em 14 dias. Era o seu primeiro filme.

Montagem de Mark Goldblatt (“The Terminator”, “Terminator 2”, “True Lies”, “Titanic”).

Efeitos especiais de Chris Walas (“The Fly”).

Criaturas de Rob Bottin (“John Carpenter`s ´The Thing`”).

Gale Anne Hurd (“The Terminator”, “Aliens”, “The Abyss”) é a production assistant.

Jimmy T. Murakami vinha de “Battle Beyond the Stars”, também produzido por Roger Corman.

 

Barbara Peeters era bem explícita na violência das criaturas sobre os homens, mostrando a violência sobre a mulheres de forma off-screen.

Todas as cenas com Linda Shayne foram filmadas pela second unit.

 

Os humanoids iam ser interpretados por stuntmen, mas estes consideraram os fatos demasiados parvos e recusaram. As criaturas seriam interpretados por actores especialmente convocados para tal.

Por questões financeiras, só três humanoids foram criados, com apenas um a ter direito a um fato completo. O engenho da montagem e truques nos ângulos de câmara criam a ilusão de serem muitos e não se mostram as imperfeições dos fatos dos outros dois.

 

O primeiro cut não satisfez Corman. O produtor pediu mais cenas de nudez e mais violência no ataque das criaturas. Peeters recusou, pois considerou tal como explícito gratuito. Perante isto, Corman despediu-a e contratou outro realizador. Curiosamente, muita dessa nova footage filmada seria retirada da montagem final.

James Sbardellati (que depois faria “Deathstalker”, também produzido por Corman) filmou as cenas adicionais.

Ann Turkel aceitou participar no filme pois considerou-o um terror convencional, inteligente e sem ângulo sexual. Quando viu o cut final, a actriz procurou que o filme não tivesse exibição, recorrendo ao Hollywood’s Screen Actors’ Guild.

Peeters e Turkel até pediram para os seus nomes serem retirados do genérico.

 

O filme teria o título de “Monster” na Europa e Japão.

 

Era o segundo filme que se inspirava em “Creature from the Black Lagoon” (1954). O outro era “The Island of the Fishmen” (1979).

“Humanoids from the Deep” junta-se a uma vasta galeria de filmes que eram rip-offs de “Jaws” (1975) – “Jaws 2” (1978), “Jaws 3” (1983) e “Jaws 4” (1987), “Orca” (1977), “Piranha” (1978), “Tentacles” (1977), “Killer Fish” (1979), “Barracuda” (1978), “Tiger Shark” (1977), “Blood Beach” (1980), “Piranha II” (1981), “Great White” (1981), “Up from the Depths” (1979), “The Island of the Fishmen” (1979), “Shark” (1984), “Mako: The Jaws of Death” (1976).

 

Planeou-se uma sequela em 1991, que seria produzida pela 21st Century Film Corporation (a companhia de Menahem Golan, terminada a Cannon), mas nunca se concretizou.

Teria direito a um remake em 1996, também produzido por Corman, para o canal Showtime. Feito para Televisão, seria muito suave em matéria de violência e nudez, usando até muita footage do filme original.

É  o último filme de Barbara Peeters.

 

É um dos primeiros filmes a abordar a manipulação genética.

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