Segurança Máxima (2012)

 

Título original – Lockout

 

Luc Besson não cessa de mostrar como o cinema francês (ainda que com actores americanos e falado em Inglês, mas rodado em França ou na Europa, com técnicos franceses) bate-se por igual com o americano no campo do actioner.

Besson fez de Liam Neeson uma action star com o imparável “Taken” (2008; gerou duas sequelas). Tentou revitalizar John Travolta e impor Jonathan Rhys Meyers com action hero no divertido “From Paris With Love” (2010; o injusto flop não o permitiu).  Tentou outra revitalização, agora a Kevin Costner com o dinâmico “3 Days to Kill” (2014; com sucesso modesto).

Com este “Lockout”, Besson apostou em Guy Pearce – um actor capaz (“L.A. Confidential”, “Memento”), mas que ainda não teve a sua glória na indústria.

 

USA. Futuro.

Os maiores criminosos estão numa prisão no espaço.

Numa visita humanitária, a filha do Presidente americano fica presa e à mercê de violadores, assassinos e psicopatas.

Snow, um ex-operacional especial com reputação de implacável na atitude e cáustico no humor, é chamado para a resgatar.

Tarefa simples – “só” tem de enfrentar 500 inimigos.

Eis um descarado e descomplexado rip-off de “Escape from New York” e “Escape from L.A.” (o caos social no futuro, o protagonista a ter de se infiltrar numa prisão caótica e efectuar um resgate ligado à presidência dos USA, o herói cínico face ao sistema), com laivos de “Die Hard” (herói sozinho contra muitos mauzões num espaço fechado), não se inibindo até de uns momentos à “Star Wars” (a batalha espacial).

Mas não faz mal.

Estamos perante um actioner imparável, espectacular, divertido, violento, excessivo, com alto poder de entretenimento.

A dupla de realizadores James Mather e Stephen St. Leger mostra que prefere o ritmo e o espectáculo em detrimento da lógica narrativa e da profundidade emocional dos personagens, fazendo do filme quase uma adaptação comic ou videogame.

Mas nada disso importa num título destas características.

Guy Pearce revela-se um magnífico action hero, compõe um sarcástico personagem (quase, quase ao nível do de Kurt Russell como Snake Plissken – o herói dos dois “Escape from…”).

Foi pena o flop do filme. Snow tinha potencial para uma saga.

Luc Besson (aqui nas funções de argumentista e produtor) volta a mostrar que o cinema europeu tem (óptimos) recursos para rivalizar com o actioner de Hollywood (se faz diferente e/ou melhor, isso é outra conversa).

90 minutos de puro, desbragado e grande entretenimento.

Um verdadeiro delírio B (ou Z).

 

Obrigatório.

 

“Lockout” tem edição portuguesa e anda a bom preço.

Realizadores: Steve Saint Leger (como Stephen Saint Leger), James Mather

Argumentistas: James Mather, Steve Saint Leger, Luc Besson

Elenco: Guy Pearce, Maggie Grace, Vincent Regan, Joseph Gilgun, Lennie James, Peter Stormare

 

Site – http://lockoutfilm.com/

 

Trailer

 

Clips

 

Orçamento – 20 milhões de Dólares

Bilheteira – 14 milhões de Dólares (USA); 32 (mundial)

 

Nomeado para o “Corvo de Ouro” nos Festival de Bruxelas 2012. Perdeu para “The Awakening”.

A dupla de realizadores James Mather e Stephen St. Leger ganhou notoriedade por uma (vertiginosa) curta-metragem chamada “Prey Alone”, que ganhou culto e prémios. Luc Besson viu-a e ficou de tal modo fascinado que quis imediatamente trabalhar com eles, oferecendo-lhes este “Lockout” (que tem um par de momentos em homenagem a esta curta).

 

Prey Alone

A polícia procura deter um criminoso, hábil em fugas, tiroteios e perseguições. A revelação será surpreendente.

Filmagens principais em 4 dias. 3 meses de pós-produção em computador. Cerca de 45.000 Libras de orçamento. Resultados de uma notável eficácia.

Ei-la

 

Detalhes – http://www.fantasticfilms.ie/filmography/preyalone

Luc Besson criou o personagem de Snow inspirado no mítico Snake Plissken (a criação de Kurt Russell para o dupleto “Escape from New York” e “Escape from L.A”, ambos de John Carpenter).

Guy Pearce treinou levantamento de pesos para ganhar músculo e ser convincente como action hero. Ganhou 20 quilos em 3 meses.

Maggie Grace já era conhecida de Besson – era a filha de Liam Neeson na saga “Taken” (escrita e produzida por Besson).

A pré-produção recorreu muito à técnica de “previsualisation”, no sentido de fazer as melhores escolhas em matéria de decors e roupa.

Filmado em Belgrado.

Filmado com muito recurso ao green screen.

Frequentemente Besson tinha conflitos criativos com a dupla Mather & St. Leger. Besson pedia à dupla para o convencerem de que estavam a tomar a melhor decisão. Frequentemente, Besson era convencido.

Os realizadores tentaram que o filme tivesse o equilíbrio de humor e acção como se viu em “Die Hard” e “Romancing The Stone”.

As cenas de luta contaram com a coreografia e supervisão de dois especialistas veteranos – Patrick Cauderlier (“Léon”, “Goldeneye”, “Ronin”) e Hugo Bariller (“Banlieue 13” “Banlieue 13: Ultimatum”, “Hors-la-loi”).

Grace procurou executar todas as stunts.

Montagem de Camille Delamarre (que também tinha editado “Transporter 3”, “Colombiana”, “Taken 2”), que seria realizador de “Brick Mansions” (o remake USA de “Banlieue 13”) e “The Transporter Refueled”. Todos esses filmes  são produção de Luc Besson.

A história passa-se em 2079.

Num momento, Guy Pearce diz “I`m not Houdini“. Em 2007 Pearce tinha interpretado Harry Houdini em “Death Defying Acts” (2007).

Num momento, Snow revela que o seu nome é Marion, pois o seu pai era fã de John Wayne. O nome verdadeiro do “The Duke” era Marion Morrison.

 

John Carpenter considerou “Lockout” como um plágio aos seus “Escape from New York” e “Escape from L.A.”. Foi a tribunal e ganhou a causa. O tribunal era francês. O caso deu-se em 2015. Carpenter recebeu 20.000 Euros, Nick Castle (co-argumentista de “Escape from New York”) recebeu 10.000 Euros, com a Metro-Goldwyn-Mayer (estúdio detentor dos direitos do filme) a receber 50.000 Euros. Besson tentou recurso, mas foi rejeitado. Em todo do processo, Besson perdeu 450.000 Euros.

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