A Casa Maldita (1963)

The Haunting - 1963 - Poster 1

 

Título original – The Haunting

 

Um clássico do terror, vindo de um realizador com bom curriculum na área (“The Body Snatcher”, “The Curse of the Cat People”), mas não muito associado ao género (ficou mais popular por “West Side Story” e “The Sound of Music”) – Robert Wise.

 

Um psiquiatra reúne uma equipa para investigar uma mansão que se supõe estar assombrada.

Estranhos eventos surgem, que até afectam profundamente um dos elementos.

The Haunting - 1963 - Screenshot 1

Ambiente de casa assombrada, que visa mais a interpretação científica do paranormal e do medo, não ficando preso ao festival de sustos (estes existem, mas não para cumprir “regras”).

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Atmosfera pesada, densa, assustadora, com a sensação do Mal estar presente em todos os lugares da casa.

O terror é sentido e sugerido, mas nunca é mostrado algo digno disso, estando o medo dentro da mente de cada um.

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Só faltou uma mais detalhada e cuidada abordagem da Ciência – os quatro “cientistas” parecem mais um grupo de amigos em lazer numa casa assombrada.

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Fabulosa fotografia e cenografia, que enfatizam bem o ar medonho da casa. A fotografia faz-nos sentir dentro de um pesadelo obscuro que parece nunca ter fim ou luz; a cenografia faz da casa uma criatura bizarra, infindável e labirínitica, com detalhes arquitectónicos e estéticos de grande nível.

Bons efeitos ópticos (o envelhecimento de um personagem, em plano contínuo).

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Muito boa prestação do elenco, com um destaque para uma Julie Harris que ilustra bem a demência e maldição da sua personagem, bem como para uma Claire Bloom que dá uma ironia e frieza bem sofisticada.

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Robert Wise faz um verdadeiro manual do género.

Dirige com uma enorme competência, admirável sentido de atmosfera e capacidade de suscitar medo sem cair em armadilhas fáceis. Sabe gerir bem o espaço, faz sentir a casa e a sua dimensão. Faz bom uso das sombras, dos tectos e da profundidade de campo.

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Um perfeito exemplo de bom terror, mostrando que este é uma questão de atmosfera e manipulação da mente, não dependendo de efeitos visuais ou de sangue.

 

Obrigatório.

 

“The Haunting” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a preço “assustado”.

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Realizador: Robert Wise

Argumentista: Nelson Gidding, a partir do romance de Shirley Jackson (“The Haunting of Hill House”)

Elenco: Julie Harris, Claire Bloom, Richard Johnson, Russ Tamblyn, Fay Compton, Rosalie Crutchley, Lois Maxwell, Valentine Dyall, Diane Clare, Ronald Adam

 

Trailer

 

Clips

 

Russ Tamblyn sobre “The Haunting”

 

Claire Bloom sobre “The Haunting”

 

Robert Wise sobre “The Haunting”

 

“The Haunting” no TCM

 

Orçamento – 1.4 milhões de Dólares

Bilheteira – 2.6 milhões de Dólares

 

The Haunting - 1963 - Screenshot 47

Robert Wise esteve nomeado para “Melhor Realizador”, nos Globos de Ouro 1964. Elia Kazan foi preferido, por “America America”.

Nomeado para “Melhor Edição Especial em DVD/Blu-Ray”, nos Saturn 2014. “(John Carpenter`s) Halloween” (edição dos 35 anos) foi a eleita.

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Robert Wise assegurou os direitos do romance de Shirley Jackson logo após ter lido uma entusiasmante crítica. Wise chegou a conhecer Jackson e discutiram muitas ideias para o filme.

Wise chama Nelson Gidding para escrever o argumento. Era um reencontro, depois de “I Want to Live!” (1958).

O argumento inicial passava-se num hospital e mostrava Eleanor a recuperar de uma depressão.

O argumento inicial mostrava Theodora no seu apartamento, onde era claro que se tinha separado da sua namorada. Wise decidiu retirar tal, pois achava que era um contexto explícito numa história que procurava sempre o implícito.

Wise e Gidding conversaram com Jackson e foi esta que os convenceu a abandonar a ideia de fazer um filme sobre a depressão e demência (dentro de um hospital) e que se deveria seguir o livro e focar o sobrenatural (dentro de uma mansão). Wise não queria usar o título do livro e foi Jackson que sugeriu o título final.

O argumento fez várias alterações face ao livro. Os personagens são menos, os eventos são diminuídos, muitos actos sobrenaturais ocorrem off-screen, muita da acção decorre no interior da mansão para incrementar a claustrofobia e tensão, Luke é mais descontraído, o Dr. Markway é mais confiante, Eleanor é mais isolada, Theodora é mais irónica.

Gidding precisou de 6 meses para escrever o argumento.

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Wise chegou a sondar a United Artists, mas o estúdio rejeitou o projecto.

Wise estava sob contrato com a MGM, estando ainda um filme em dívida. O estúdio só concedia 1 milhão de Dólares, mas Wise insistiu que precisava de mais. A MGM de Londres ofereceu mais e Wise decidiu fazer o filme na Inglaterra.

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Susan Hayward (que tinha trabalhado com Wise em “I Want to Live!” – pelo qual ganhou o Oscar para “Melhor Actriz”) chegou a ser ponderada para uma das protagonistas.

Reencontro entre Robert Wise e Russ Tamblyn, depois de “West Side Story” (1961).

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Wise quis filmar a P&B pois achava que era a melhor forma de ilustrar o ambiente de claustrofobia e medo da narrativa.

Wise e o seu cinematographer Davis Boulton contactaram a Panavision para conseguirem uma lente anamorphic e ampla. A companhia só tinha uma de 40mm, mas estava a testar uma nova de 30mm. Esta ainda estava considerada imperfeita e plena de distorções. Wise e Boulton fizeram experiências e acharam que tal lente era perfeita para o efeito que pretendiam no filme.

Wise fez o filme como homenagem ao produtor Val Lewton (“Cat People”), com quem Wise trabalhou (“The Body Snatcher”, “The Curse of the Cat People” – sendo este o primeiro filme de Wise).

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A Censura proibiu que houvesse qualquer tipo de contacto entre Theo e Eleanor, no sentido de evitar um tom explícito de carácter lésbico.

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Russ Tamblyn não estava interessado no filme, mas o estúdio obrigou-o (sob a ameaça de lhe cancelar o contrato). Tamblyn considera que “The Haunting” é o seu melhor filme e onde tem a sua melhor interpretação.

Julie Harris aceitou, pois gostou da complexidade da sua personagem.

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A mansão era o Ettington Park Hall Hotel, em Ettington, Warwickshire. Os interiores foram criados em estúdio.

Os interiores foram construídos em estilo rococo.

Muitos dos sons foram criados no momento das filmagens. Wise queria uma reacção natural dos actores perante tal.

O filme recorreu a lentes com acentuada curvatura, o que permitia que a casa tivesse um look ainda mais estranho.

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Claire Bloom deu-se bem com todo o cast, excepto com Julie Harris (curiosamente, as duas personagens são muito próximas). Julie esteve sempre distante de todos. Terminadas as filmagens, Julie foi ter com Claire e explicou-lhe que tal distanciamento era um recurso interpretativo para se focar na sua personagem. Claire ficou sensibilizada com o gesto.

Harris chegou a ter uma depressão durante as filmagens, fruto do isolamento que ela criou para melhor interpretar a sua personagem.

Claire Bloom, Russ Tamblyn e Richard Johnson deram-se maravilhosamente e conviviam frequentemente.

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Todo o cast adorou trabalhar com Wise, considerando-o um cavalheiro, um realizador sem ego e sempre preocupado e dedicado aos actores.

Johnson confessaria que aprendeu imenso em termos de representação com Wise.

Wise considera “The Haunting” como um dos seus filmes preferidos e a sua melhor experiência como realizador.

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O momento em que se vê a mansão face a um céu bem escuro foi filmado com película infra-vermelha, para um constraste de maior impacto e temor.

Para o momento do “frio”, os actores foram alvo de uma caracterização que só seria vista através de certos filtros fotográficos, que daria a ilusão de estarem pálidos e com frio.

O movimento de câmara na cena da escada em espiral foi com recurso a uma câmara suspensa e presa a um “carril”, tendo deslizado de cima para baixo. A montagem inverteu o movimento e aumentou a velocidade.

O “abanão” da escada deve-se a uma “sabotagem” nalguns dos degraus, que ficavam instáveis no momento em que eram pisados. O cast ficou de tal modo assustado com tal, que Wise teve de ser o primeiro a subir a escada e mostrar que era segura, apesar do “abanão”.

O plano do envelhecimento recorreu a quatro pessoas, de diferentes idades.

The Haunting - 1963 - Screenshot 44

Nos 90s, Ted Turner começou a moda de colorir filmes a P&B. “The Haunting” seria um deles, mas Wise conseguiu evitar tal.

 

É filme de terror favorito de Martin Scorsese, numa lista de 11.

Steven Spielberg considera “The Haunting” como o mais assustador filme de sempre. Curiosamente, seria produtor de um (evitável e lamentável) remake.

Está nos “1001 Movies You Must See Before You Die”, de Steven Schneider.

Em 2010, o “The Guardian” considerou “The Haunting” como o #13 dos melhores filmes de terror de sempre.

 

O filme teria o (in)evitável remake em 1999 (já aqui visto). Realizado por Jan de Bont, tinha no elenco Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones, Owen Wilson e Lili Taylor. O filme foi um tremendo flop de crítica e público.

Russ Tamblyn faz um cameo na (excelente) série “The Haunting of Hill House” (2018, já aqui vista).

 

O livro de Shirley Jackson está editado em Portugal, bem como um outro.

 

Sobre Shirley Jackson:

http://shirleyjackson.org

https://www.britannica.com/biography/Shirley-Jackson

https://www.penguin.co.uk/authors/18709/shirley-jackson.html

https://www.goodreads.com/author/show/13388.Shirley_Jackson

 

The Haunting - 1963 - Poster 5

2 comments on “A Casa Maldita (1963)

  1. […] Haunting” (1963, já aqui visto) já era um clássico do Terror e do […]

  2. […] adaptação cinematográfica de 1963 (já aqui vista) é um clássico (do género e do […]

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