Vista Pela Última Vez… (2007)

Gone Baby Gone - Poster 1

 

Título original – Gone Baby Gone

 

Ben Affleck gosta de Dennis Lehane – recentemente realizou “Live by Night”,  a partir de um romance dele. Foi o seu regresso ao universo literário do escritor.

Eis o (auspicioso) primeiro filme de Affleck como realizador, também oriundo de um romance de Lehane.

Um filme que até teve grandes paralelismos com uma (triste e lamentável) realidade portuguesa da época.

 

Na cidade de Boston, a polícia confronta-se com o caso difícil e comovente à volta do desaparecimento de de uma menina de 4 anos (“por acaso” muito parecida com Maddie McCann).

Um jovem mas determinado casal de detectives envolve-se de tal maneira no caso, que as consequências serão devastadoras para ambos – do ponto de vista profissional e pessoal.

E a solução do rapto ainda mais devastadora é.

Gone, Baby, Gone

Gone Baby Gone - screenshot 2

Por vezes, ficção e realidade andam de mãos dadas e é difícil dizer quem imita quem.

“Gone Baby Gone” aspectos semelhantes ao “Caso Maddie”.

Gone Baby Gone - screenshot 3

Gone Baby Gone - screenshot 5

009_gone_baby_gone_blu-ray

O filme marcou a estreia como realizador em longas-metragens de Ben Affleck, um actor que até então tinha revelado jeito mediano e por vezes medíocre.

Mas nada disso ocorreu aqui, com Affleck a revelar-se um talento a ter em conta.

Gone Baby Gone - screenshot 7

Gone Baby Gone - screenshot 8

Dennis Lehane estava a ser um filão muito explorado por Hollywood – Clint Eastwood tinha adaptado “Mystic River”, Martin Scorsese tratou de “Shutter Island”, já veio “The Drop”, Affleck faria este “Gone Baby Gone” e “Live by Night”, há planos para outros livros.

Gone Baby Gone - screenshot 9

Gone Baby Gone - screenshot 10

Gone Baby Gone - screenshot 13

Muito do mediatismo que “Gone Baby Gone” recebeu passou pelas semelhanças (são algumas) com o “Caso Maddie” (a actriz que interpreta a menina desaparecida até tem semelhanças físicas com Maddie e o nome dela até é… Madeline).

Mas as semelhanças ficam-se por aí e deve-se ver o filme por aquilo que é e pelos seus (muitos) méritos.

Gone Baby Gone - screenshot 14

Gone Baby Gone - screenshot 15

“Gone Baby Gone” convida, sob a “máscara” de uma investigação sobre o desaparecimento de uma menina, à reflexão sobre o que é certo e errado quando se decide intervir em cenários alheios mas que aos nossos olhos nos parecem injustos.

A violência cometida na criança não está no seu “rapto”, mas no seu dia-a-dia, que leva a que a criança seja “raptada”.

Gone Baby Gone - screenshot 16

O final é pleno de reviravoltas, que levarão o espectador a reflectir sobre as motivações e acções dos “raptores”, não deixando de questionar o protagonista na sua decisão (ou decisões, dado o seu “lapso” de consciência no final).

O protagonista e a sua companheira funcionam como os “árbitros” para a dualidade de valores que estão em causa nos acontecimentos.

O belíssimo plano final reflecte bem toda forte carga emocional do filme, os valores em causa e o conflito moral vigente(no protagonista e no espectador).

Não há regras para o certo e o errado, apenas as “ordens” da nossa consciência.

Gone Baby Gone - screenshot 18

Ben Affleck sai-se muito bem nesta sua estreia como realizador em longas-metragens (ainda só tinha feito curtas), tão atento ao ritmo, tensão e mistério que trama exige, como ao retrato vivo, real e contrastado da comunidade de Boston onde tudo se passa, sem nunca descurar o lado humano e emocional que derivam dos acontecimentos. Por outro lado, mostra-se um óptimo director de actores.

Gone Baby Gone - screenshot 12

Gone Baby Gone - screenshot 17

É neles que reside grande parte da força do filme.

Casey Affleck (irmão de Ben e recentemente oscarizado) retrata muito bem a determinação e dilema do seu personagem.

Ed Harris compõe um personagem com aquela intensidade que só ele sabe.

O grande Morgan Freeman tem pouco tempo de antena, mas o seu personagem é (muito) importante na história.

Só é pena o pequeno desaproveitamento de Michelle Monaghan e do seu personagem – dá a sensação que Michelle está lá só para função decorativa (Michelle é muito esbelta e muito elegante, isso não há dúvida); o personagem merecia mais, pois é o contraponto emocional e moral do personagem de Affleck.

Grande revelação é Amy Ryan – atenção à forma como ela exprime as emoções da sua personagem.

Gone Baby Gone - screenshot 19

Gone Baby Gone - screenshot 21

Entretém como filme de género, mas convida a uma forte reflexão por parte de muitos de nós sobre o “estado das coisas” na sociedade actual e como mudar algum do mal que nos assola.

 

Foi um dos filmes mais imprescindíveis de 2008.

É, muito possivelmente, um futuro clássico.

 

Obrigatório.

 

“Gone Baby Gone” tem edição portuguesa e anda a preço fugidio para a prateleira do cinéfilo.

Gone Baby Gone - screenshot 22

Realizador: Ben Affleck

Argumentistas: Ben Affleck, Aaron Stockard, a partir do romance de Dennis Lehane

Elenco: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Morgan Freeman, Ed Harris, John Ashton, Amy Ryan, Amy Madigan

 

Site – http://www.miramax.com/movie/gone-baby-gone/

 

Orçamento – 19 milhões de Dólares

Bilheteira – 20 milhões de Dólares (USA); 34 (mundial)

 

Gone Baby Gone - Poster 3

Amy Ryan esteve nomeada para “Melhor Actriz Secundária”, nos Oscars 2008. Perdeu para Tilda Swinton em “Michael Clayton”.

“Top 10 do Ano”, pelos Críticos Afro-Americanos 2007.

“Melhor Actriz Secundária” (Amy Ryan), “Melhor Primeiro Filme”, pelos Críticos de Boston 2007.

“Realizador Promissor”, pelos Críticos de Chicago 2007.

“Melhor Actriz Secundária” (Amy Ryan), pelos Críticos da Florida 2007, Houston 2008, Iowa 2008, Los Angeles 2007, National Board of Review 2007, Nova Iorque 2007, Oklahoma 2007, Phoenix 2007, San Diego 2007, San Francisco 2007, St. Louis 2007, Utah 2007, Washington 2007.

Gone Baby Gone - Backstage 1 - Casey Affleck, Michelle Monaghan, Ben Affleck

“Gone Baby Gone” é o livro preferido de Ben Affleck.

Segundo Affleck, se o filme fosse rigorosamente segundo o livro, o filme teria 7 horas de duração.

É o primeiro argumento de Affleck desde “Good Will Hunting” (1997, escrito em parceria com o amigo Matt Damon – ambos ganhariam o Oscar para “Melhor Argumento Original”).

Affleck gostou do dilema moral que a história propõe e pretendia que o espectador reflectisse sobre tal depois do filme.

Affleck ponderou protagonizar o filme. Mas depois preferiu ceder tal função ao irmão Casey.

 

Muitas das pessoas que se vêem no filme são habitantes de Boston. Affleck quis que o filme tivesse essa autenticidade.

Ed Harris e Amy Madigan são marido e mulher na vida real.

 

O filme viu a sua estreia adiada no Reino Unido devido às semelhanças com o caso Madeleine McCann.

Gone Baby Gone - screenshot 20

Em Portugal, Dennis Lehane tem grande parte da sua obra editada.

 

Sobre Dennis Lehane:

http://dennislehane.com

https://www.goodreads.com/author/show/10289.Dennis_Lehane

Gone Baby Gone - Poster 2

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s