Estrada de Fogo (1984)

Streets of Fire - Poster 7

 

Título original – Streets of Fire

 

É um dos projectos mais pessoais e fascinantes de Walter Hill.

E com uma banda sonora que é verdadeirante “Fire”.

 

Uma popular cantora é raptada por um tenebroso líder de um perigoso gang motard.

O ex-namorado dela é contratado pelo seu manager para a resgatar.

A missão vai libertar muito fogo – de balas, de explosivos e de paixões.

Streets of Fire - screenshot 1

Streets of Fire - screenshot 2

Com o tremendo sucesso de “48 Hrs.”, Walter Hill parte com ambição e esmero para um projecto muito pessoal.

Streets of Fire - screenshot 3

Streets of Fire - screenshot 4

O filme define-se como “A Rock Fantasy“ ou “A Rock & Roll Fable” e estamos em “Another Time… Another Place“.

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É uma mescla de western e actioner, com ares de futurismo (a cidade parece do futuro) e retro (parece que estamos nos 50s – as roupas, os carros, as motos), bem centrada em ambientes rock`n roll.

Narrativa simples (uma cantora é raptada pelo gang local e o antigo namorado, durão pistoleiro, deve resgatá-la e limpar a cidade) e bem minimalista (cidade, cantora, vilão, rapto, herói, resgate, confronto final), mas o que conta é mesmo a forma como se conta a história.

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Hill faz um filme tremendamente estilizado do ponto de vista visual (bem capaz de fazer inveja aos Irmãos Scott, a David Finhcer ou Alex Proyas), vistoso e elegante.

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O filme é também também profundamente cinéfilo – há ecos de John Carpenter (“Escape from New York” – o esquema da narrativa, a visão da cidade), Marlon Brando como “The Wild One” (o gang motard e o seu líder), Nicholas Ray (“Rebel Wihtout a Cause – toda a rebeldia jovem e a presença do rock`n roll) e “Casablanca” (o final).

Hill até faz cinefilia a sí próprio – “The Driver” (a narrativa simples e minimalista), “The Warriors” (a jornada de travessia pela cidade, o gang, a visão nocturna da cidade) e “48 Hrs.” (o ritmo trepidante da acção).

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Mas o filme respira personalidade e nunca cai no pastiche ou imitação.

Tudo graças à frescura da mix e ao talento de Hil na hora de criar ambientes, filmar a noite, a cidade e a acção.

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Impecável rigor visual, com grande sentido de espectáculo e definição de ambientes.

Excelência total nas áreas de fotografia, cenografia e guarda-roupa.

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Michael Paré cumpre minimamente, tem presença e postura heróica, mas é muito canastrão na forma como diz as suas lines e muito insípido na transmissão de emoções (e o seu personagem bem precisa delas, dada a relação que tem com a menina – veja-se o que Ryan O`Neal consegue com o seu silêncio em “The Driver”, também de Hill). É ele que acaba por destoar no elenco.

(que diabo, Michael Biehn ou Mickey Rourke não estavam disponíveis?)

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As atenções estão num tenebroso Willem Dafoe (numa das suas primeiras aparições e logo gerou elogios como sendo o “novo Jack Palance”), numa aguerrida Amy Madigan (bem tough e capaz de fazer kick-ass como um grande durão), num Rick Moranis que mostra boas capacidades dramáticas (aqui ele é sério e até antipático; no mesmo ano víamos a sua destreza como comediante em “Ghostbusters”) e numa linda e perfeita Diane Lane (grande estilo como rock star e verdadeiro wet dream dos 80s).

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Hill diz que “Streets of Fire” é uma Rock Fantasy.

Assim sendo, a música é essencial. Ou melhor, é uma personagem fulcral.

Ry Cooder (yup, o de “Paris, Texas”, mas também um habitual de Hill) cria uma banda sonora perfeita e de grande impacto (que ainda hoje se ouve como se fosse feita recentemente, tendo uma vida autónoma face ao filme – ainda que seja difícil não se pensar nele sem se pensar nela e vice-versa), que captura perfeitamente os ambientes e tom da narrativa.

É, muito provavelmente, o melhor trabalho de Cooder e uma das melhores soundtracks de sempre (sabe sempre bem ouvi-la – em casa, no trabalho, no carro, de moto).

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Um momento alto do Cinema de Walter Hill, do Cinema 80s e do Actioner.

 

Infelizmente, crítica e público desprezaram-no, pelo que Hill cancelou o projecto de trilogia que tinha.

A (re)descobrir com urgência pois bem merece receber o devido valor.

Um classic & cult movie.

 

Obrigatório.

 

“Streets of Fire” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço. A edição UK em Blu-Ray conta com óptimos extras.

Procure-se também a banda sonora – é uma raridade e o preço pode ser de “fogo”, mas vale (bem) a pena.

Streets of Fire - screenshot 30

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Streets of Fire - screenshot 32

Realizador: Walter Hill

Argumentistas: Walter Hill, Larry Gross

Elenco: Michael Paré, Diane Lane, Rick Moranis, Amy Madigan, Willem Dafoe, Deborah Van Valkenburgh, Richard Lawson, Rick Rossovich, Bill Paxton, Elizabeth Daily

 

Trailer

 

Making of

 

Temas

 

Banda sonora

 

Orçamento – 14.5 milhões de Dólares

Bilheteira – 8.1 milhões de Dólares

 

Streets of Fire - Poster 8

“Melhor Filme Estrangeiro”, nos Kinema Junpo 1985.

Diane Lane esteve nomeada para “Pior Actriz”, nos Razzie 1985. Perdeu para Lynn-Holly Johnson em “Where The Boys Are”.

“Melhor Actriz” (Amy Madigan), em Sitges 1984.

Streets of Fire - Backstage 1 - Walter Hill and Crew

Walter Hill procurou fazer um filme que tivesse todos os elementos que ele adorava ver nos seus filmes favoritos e que lhe marcaram – carros, motos, beijos à chuva, música, néon, comboios nocturnos, perseguições, blusões de couro.

O argumento foi recusado pela Paramount (que tinha produzido “48 Hrs.” para Hill). O estúdio considerou-o como semelhante às aventuras de Indiana Jones (também da Paramount e já com dois filmes – “Raiders of the Lost Ark” e “Indiana Jones and the Temple of Doom”). Hill sondou a Universal e foi aceite.

O título vem de uma canção de um álbum de Bruce Springsteen, “Darkness On The Edge Of Town”. A canção ia ser usada no filme, mas com outra voz. Springsteen não autorizou.

Hill e Larry Gross inspiraram-se nos filmes de John Hughes sobre adolescentes, procurando combinar uma estética de comic com videoclip de MTV.

No argumento inicial, Cody mata Raven esfaqueando-o. A cena foi alterada para evitar um rating elevado.

Hill procurou que não houvesse violência e mortes.

Hill teve como influências “The Searchers” (1956, de John Ford), “Grand Theft Auto” (1977, de Ron Howard), “The Warriors” (1979, do próprio Hill), “Mad Max” (1979, de George Miller), “Escape from New York” (1981, de John Carpenter) e o álbum de Bruce Springsteen “Darkness on the Edge of Town”.

Streets of Fire - Backstage 2 - Michael Paré and Diane Lane

Novo argumento de Hill e Gross, depois de “48 Hrs.” (1982). Gross voltaria a escrever para Hill em “Another 48 Hrs.” (1990).

Reencontro entre Hill e Lawrence Gordon (um dos produtores), depois de “Hard Times” (1975), “The Driver” (1978), “The Warriors” (1979), “48 Hrs.” (1982). Reencontrar-se-iam em “Brewster`s Millions” (1985), “Another 48 Hrs.” (1990).

Reencontro entre Hill, Gordon e Joel Silver, depois de “48 Hrs.” (1982).

Reencontro entre Hill e John Vallone (o production designer), depois de “Southern Comfort” (1981) e “48 Hrs.” (1982). Reencontrar-se-iam em “Brewster`s Millions” (1985) e “Red Heat” (1988).

Reencontro entre Hill e Andrew Laszlo (o director of photography), depois de “The Warriors” (1979) e “Southern Comfort” (1981).

Streets of Fire - Promo Photo 1 - Diane Lane & Michael Paré

Hill procurou ter um elenco de desconhecidos.

Paul McCartney foi sondado para ser a rock star do argumento. McCartney andava interessado em fazer Cinema, na época. Ele optaria por participar em “Give My Regards to Broad Street (1984), escrito por ele. Perante a saída dele, Hill mudou o sexo do personagem e deu lugar a uma mulher.

Michael Paré foi recomendado a Hill pelo mesmo agente que lhe recomendou Eddie Murphy para “48 Hrs.” (1982).

Até à escolha de Paré, ponderaram-se Eric Roberts, Tom Cruise e Patrick Swayze.

Willem Dafoe foi recomendado por Kathryn Bigelow (tinham feito “The Loveless”, em 1981), namorada de David Giler, amigo e produtor de Hill.

Amy Madigan ia ser a irmã do protagonista, mas Hill ficou de tal modo impressionado com ela, que decidiu que Madigan seria a side-kick do herói, muito motivado pela vontade da actriz em ficar com tal personagem. No argumento, tal personagem ia ser um homem (Edward James Olmos era o actor pensado), mas Hill mudou para mulher.

Hill estava algo relutante na escolha de Diane Lane, pois considerava-a demasiado nova (ela tinha 18 anos). Mas quando a viu na audition, vestida de couro negro e botas, mudou logo de ideias.

Até à escolha de Lane, Daryl Hannah era a escolhida.

Sobre a escolha de Diane Lane:

 

Streets of Fire - Promo Photo 2 - Diane Lane

Filmado em 14 semanas, nos estúdios da Universal, com exteriores filmados em Chicago.

Muitas das cenas nocturnas foram filmadas de dia.

Laszlo filmou sempre com baixa luz.

O filme requisitou 500 extras vindos de Richmond.

Paré teve problemas com Rick Moranis. Moranis era sempre cómico no set e isso irritava Paré.

Paré também teve problemas com Hill. O actor achou que o cineasta não lhe dava o apoio e indicações necessárias.

Hill ficou de tal modo impressionado com a performance de Lane, que lhe escreveu mais cenas.

Streets of Fire - Poster 3

James Horner escreveu três bandas sonoras, mas Hill preferiu a de Ry Cooder. Horner já tinha trabalhado com Hill em “48 Hrs.” (1982, um excelente score), Cooder já tinha curriculum com Hill (“The Long Riders” em 1980, “Southern Comfort” em 1981) e voltariam a trabalhar juntos (“Brewster`s Millions” em 1985, “Crossroads” em 1986 – um dos seus melhores scores -, “Blue City” em 1986 – escrito e produzido por Hill -, “Extreme Prejudice” em 1987, “Johnny Handsome” em 1989, ”Trespass” em 1992, “Geronimo: An American Legend” em 1993, “Last Man Standing” em 1996).

Lane foi dobrada nas cenas de canto por Laurie Sargent, Holly Sherwood e Maria McKee. Sargent fazia parte do grupo Face to Face, banda de new wave vinda de Boston, que terminaram a carreira em 1988.

Streets of Fire - Poster 4

O carro de Tom Cody é um Mercury de 1951.

Os carros da Polícia são Studebakers de 1950 e 1951.

Algumas roupas são desenhadas por Giorgio Armani.

Mais de 50 motos e motards foram usados. Vinham de vários clubes de L.A..

A dançarina do bar “Torchy`s” é Marine Jahan, que dobrou Jennifer Beals em “Flashdance” (1983).

A luta final entre Paré e Dafoe ocupou várias semanas, desde treinos, ensaios e filmagens.

Streets of Fire - Poster 5

O filme inspirou o jogo “Final Fight” (1989).

Moranis não gostou do filme pois não teve oportunidade de improvisar.

O “Torchy’s” é visto e em “48 Hrs.” (1982), “When A Stranger Calls” (1979) e “The Driver” (1978).

Guillermo del Toro é um grande fã de “Streets of Fire”.

Com a passagem do tempo, Gross encontrou explicações para o flop do filme – o miscast de Michael Paré como Tom Cody e o excesso de estilismo visual sobre a narrativa.

Gross vê influências de “Streets of Fire” em “Robocop” (1987) e “Se7en” (1995).

 

Seria o primeiro episódio de uma trilogia. O flop destruiu o projecto.

“The Adventures of Tom Cody” seria o título da trilogia. “The Far City” (passar-se-ia em ambiente de neve) e “Cody’s Return” (em ambiente de deserto) seriam as sequelas.

Curiosamente, em 2008 surgiu uma “sequela” – “Road to Hell”, realizado por Albert Pyun, com Michael Paré a ser novamente Tom Cody, acompanhado por Deborah Van Valkenburgh novamente como a sua irmã Reva Cody.

Eis o Trailer:

 

Um comentário entusiasmado sobre “Streets of Fire”:

 

Streets of Fire - Poster 9

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