A Profissional (1996)

The Long Kiss Goodnight - Poster 11

 

Título original – The Long Kiss Goodnight

 

Geena Davis tinha ganho um Oscar como “Melhor Actriz Secundária” em “The Accidental Tourist” (1988) e estava a afirmar-se como uma actriz de bons dotes dramáticos (“The Fly” em 1986, “Thelma & Louise” em 1991, “Hero” em 1992) e cómicos (“Beetlejuice” em 1988, “A League of Their Own” em 1992).

Renny Harlin tinha assinado “Die Hard 2” (1990) e “Cliffhanger” (1993) e era um bom talento para o actioner de grande espectáculo.

Shane Black era o mestre do buddy-buddy movie e estava em alta (“Lethal Weapon” em 1987, “The Last Boy Scout” em 1991).

Eis um action thriller que os reúne.

 

Samantha Caine tem razões para ser feliz. Tem uma filha adorável, um alegre companheiro, é uma estimada professora, é querida na povoação.

Um dia alguém a tenta matar. Mas Samantha livra-se do assassino com grande à-vontade.

Samantha é afinal Charlie Baltimore, uma assassina de elite que muitos querem capturar, calar e matar.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 1

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 2

Isto é um “The Bourne Identity” (na época só havia o romance de Robert Ludlum e a mini-série televisiva com Richard Chamberlain e Jaclyn Smith; a saga com Matt Damon só surgiria no Século XXI) no feminino.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 6

Estamos perante um imparável e dinâmico action thriller, assente numa hit-woman em vez de um hit-man.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 5

A variante sexual do género funciona (este tipo de história era mais protagonizado por homens e as meninas eram apenas o interesse romântico ou a donzela em perigo), conseguindo-se até algo de dramático (a hit-woman é, inicialmente, uma dona-de-casa e mãe devota) e até sexy (o look oficial da hit-woman).

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 9

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 10

À boa maneira de Shane Black, temos hábil e inteligente combinação de thriller e acção, drama e humor, boa definição de personagens, relações e personalidades definidas por diálogos cortantes.

E há sempre aquele tom buddy-buddy que é tão marcante nos seus argumentos. Aqui, pela primeira e ainda única, a parceria é mulher-homem, em vez do habitual homem-homem.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 11

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 12

Narrativamente, nada de novo.

Em termos de actioner, nada de extraordinário em matéria de set pieces (Walter Hill ou John McTiernan fariam melhor).

Mas o entretenimento é correcto, exibe profissionalismo e competência, assim como o heroísmo feminino convence.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 8

Renny Harlin mostra que o espectáculo dado em “Die Hard 2” e “Cliffhanger” também se devia ao seu talento, pelo que aqui volta a dar provas de tal (embora o que se seguiu na sua carreira destruiu esse bom nome). Harlin dirige com bom ritmo e procura dar o melhor espectáculo possível (a confrontação final).

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 3

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 4

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 7

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 13

Geena Davis está impecável. Tão simpática como mamã e esposa, tão implacável como assassina. Geena faz kicks-ass como os grandes action heroes da época. É um dos melhores trabalhos da actriz.

Samuel L. Jackson reserva bons momentos cómicos, fruto da sua forma cool de interpretar. É um dos trabalhos mais comoventes do actor.

Craig Bierko cria um vilão temível mas sofisticado e sedutor (algo já habitual nos argumentos de Black – Gary Busey em “Lethal Weapon”, Derrick O`Connor em “Lethal Weapon 2”).

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 14

Lamenta-se o flop (imenso) que o filme sofreu na época. Mas serviu para começar a mudar as coisas e vermos mulheres (que nada perdiam a sua beleza e elegância) como action ladies.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 15

Um escorreito actioner que muito deve à sua protagonista.

 

Recomendável.

 

“The Long Kiss Goodnight” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a preço “kiss-kiss”.

The Long Kiss Goodnight - Screenshot 16

Realizador: Renny Harlin

Argumentista: Shane Black

Elenco: Geena Davis, Samuel L. Jackson, Yvonne Zima, Craig Bierko, Tom Amandes, Brian Cox, Patrick Malahide, David Morse

 

Trailer

 

Orçamento – 65 milhões de Dólares

Bilheteira – 33 milhões de Dólares (USA); 89 (mundial)

 

The Long Kiss Goodnight - Poster 2

Geena Davis esteve nomeada como “Melhor Actriz”, nos Saturn 1997. Neve Campbell foi preferida, por “Scream”.

Yvonne Zima tentou ser a “Melhor Actriz – Abaixo de 10 Anos”, nos Young Artist 1997. Mae Whitman foi a eleita, por “One Fine Day”.

The Long Kiss Goodnight - Poster 3

Shane Black tornou-se o primeiro argumentista a cobrar 4 milhões de Dólares por um argumento, superando assim os 2 e 3 de Joe Eszterhas por, respectivamente “Basic Instinct” (1992) e “Showgirls” (1995). Perante a inveja de muitos dos seus colegas, Black retirou-se por uns tempos (10 anos), até regressar com “Kiss Kiss, Bang Bang” (2005).

Black vendeu o argumento com a intenção de ter Renny Harlin a realizar e Geena Davis a protagonizar. Quando se dá o negócio do argumento, Renny e Geena estão prestes a começar as filmagens de “Cutthroat Island” (uma simpática e espectacular homenagem ao swashbuckler clássico – merece a redescoberta e reavaliação). Shane acha que foi o (gigantesco) flop desse filme que deu má publicidade a “The Long Kiss Goodnight”.

 

Durante a pré-produção, a New Line considerou mudar a protagonista para um homem. Steven Seagal e Sylvester Stallone foram ponderados.

 

O argumento inicial era bem mais negro e violento (algo que já tinha acontecido com dois argumentos anteriores de Black – “Lethal Weapon 2” em 1989 e “The Last Boy Scout” em 1991). Havia mais cenas de acção e mais violência. Charlie e Mitch têm um passado mais complexo e mais tenebroso (Mitch tinha sido violado na prisão e estava proibido de ver o seu filho).

Numa primeira versão do argumento, Mitch morria. O público rejeitou tal nos screening tests, pelo que se filmou um par de shots para indicar que o personagem sobrevivia.

The Long Kiss Goodnight - Promo Photo - Geena Davis

Geena e Renny fizeram experiências para ver quanto tempo Geena aguentava debaixo de água, para a cena da tortura.

 

Como acontece em muitos argumentos de Shane Black (“Lethal Weapon”, “Kiss Kiss, Bang Bang”, “Iron Man 3”, “The Nice Guys”), a acção passa-se na época de Natal.

A line Yes, it was very exciting. Tomorrow we go to the zoo” recicla uma line que vem de “The Last Boy Scout”, também escrito por Black.

O filme exibido no televisor do hotel é “The Long Goodbye” (1973).

A cena da queda no lago de gelo iria mostrar Charlie a virar-se no ar e a disparar contra os inimigos na janela. Devido às baixas temperaturas e à complexidade que isso iria exigir em matéria de cabos, a cena ficou como se vê no filme.

Mitch refere-se a si próprio como “bad motherfucker“. Em “Pulp Fiction” (1994), o personagem de Jackson tem tal expressão na sua carteira.

A canção “Let It Snow, Let It Snow, Let It Snow” vem cantada por Dean Martin. Em “Die Hard 2” (1990, também realizado por Harlin) a mesma canção em cantada por Vaughn Monroe. A mesma canção também se ouve em “Die Hard” (1988).

The Long Kiss Goodnight - Poster 5

Mitch Henessey é o personagem preferido de Samuel L. Jackson, de todos os que interpretou.

“Cutthroat Island” (1995) e “The Long Kiss Goodnight” foram duas (estimáveis) tentativas de Renny & Geena em dar um novo rumo à carreira dela, mas também abrir a mente do público à ideia de ver actioners protagonizados por mulheres.

Num prazo de dois anos, a New Line produz três filmes de grande orçamento – “The Island of Doctor Moreau” (1996, de John Frankenheimer, com Marlon Brando, Val Kilmer e David Thewlis – é o último filme de Brando), “Last Man Standing” (1996, de Walter Hill, com Bruce Willis) e “The Long Kiss Goodnight”. Todos foram (enormes) flops. A New Line era famosa por filmes de baixo orçamento (ganhou notoriedade nos 80s no campo do terror low budget – “A Nightmare on Elm Street”, “Critters”). Voltou a esse registo. Só voltaria a grandes orçamentos com a saga “The Lord of the Rings”.

 

Geena & Renny eram companheiros sentimentais, na época.

Acredita-se que o flop se deveu às más-línguas que existiam em relação ao casal, devido ao flop de “Cutthroat Island”, ao mau-nome dado a ambos devido a tal, mas também porque na época o público não estava preparado para ver um actioner protagonizado por uma mulher. Hoje, o filme já não sofre/sofreria desse preconceito.

 

Black tinha previsto uma sequela, com o título “The Kiss After Lightning”. Focaria uma nova peripécia de Charlie Baltimore, alguns anos depois de ter a vida refeita. Dado o flop de “The Long Kiss Goodnight”, tal projecto ficou cancelado. Em 2007 voltou-se a falar nisso, mas ainda nada avançou.

The Long Kiss Goodnight - Poster 10

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