As Minas de Salomão (1950)

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 2

 

Título original – King Solomon’s Mines

 

O romance de H. Rider Haggard já tinha aclamação como um dos maiores do género action/adventure.

Já tinha sido alvo de uma (correcta) versão cinematográfica.

Nos 50s já havia (deslumbrante) cor e o género estava em boa forma.

Porque não uma nova versão?

 

Allan Quartermain, experiente caçador e batedor, aceita o trabalho proposto por Elizabeth Curtis – encontrar o seu marido, perdido em busca das míticas Minas de Salomão.

A jornada é um desafio constante às capacidades de ambos.

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 1

Aventura exótica, de rico quilate, na vertente de procura a um tesouro perdido, com espaço para boas peripécias e a devida (e bem escaldante) componente romântica.

A acção surge mais pelo vencer as adversidades da Natureza do que pela confrontação entre bons e maus.

O filme consegue muito realismo graças ao shoot on location e ao uso de tribos locais.

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 2

O argumento segue mais a estrutura básica do romance que o inspira.

Allan Quatermain mostra-se como um anti-herói, notável na sua área, íntegro e honrado, já cansado de caça e desencantado com pessoas e a Civilização, em busca de um propósito para a sua vida.

O argumento trabalha essa componente, ainda que de forma ligeira (isto pretende ser um action/adventure film e não um melodrama).

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 6

Também se encontra espaço para o choque cultural (a British Lady e os seus maneirismos chiques face à rudeza selvagem do local e dos eventos).

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 9

Tudo segue os trâmites clássicos do género, tratados com sentido de profissionalismo, eficácia, espectáculo e entretenimento.

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 10

Fabulosa fotografia (num deslumbrante e perfeito Technicolor).

Óptimo aproveitamento da paisagem.

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 3

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King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 7

Deborah Kerr & Stewart Granger mostram química bem sexualizada. Estava no Destino que tinham de trabalhar juntos (e voltariam a fazê-lo – em 1952, na nova e também excelente versão, também em perfeito Technicolor, de “The Prisoner of Zenda”). Ele, duro, viril e heróico; ela, bela, determinada e nobre.

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Uma magnífica e luxuosa adaptação do clássico literário de Haggard.

Um digno “protótipo” do modelo do género para os tempos vindouros.

 

Um clássico.

 

Muito recomendável.

 

“King Solomon’s Mines” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

King Solomon's Mines - 1950 - Screenshot 14

Realizadores: Compton Bennett, Andrew Marton

Argumentista: Helen Deutsch, a partir do romance de H. Rider Haggard (“King Solomon’s Mines”)

Elenco: Deborah Kerr, Stewart Granger, Richard Carlson

 

Trailer

 

Orçamento – 2.2 milhões de Dólares

Bilheteira – 5 milhões de Dólares (USA); 15 (mundial)

 

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 5

“Melhor Fotografia – Cor”, “Melhor Montagem”, nos Oscars 1951. Esteve nomeado para “Melhor Filme”, mas perdeu para “All About Eve”, de Joseph L. Mankiewicz.

“Melhor Fotografia – Cor”, nos Globos de Ouro 1951.

Stewart Granger esteve nomeado para “Melhor Actor – Internacional”, nos Bambi 1951. Errol Flynn foi o eleito, por “That Forsyte Woman”, “Silver River” e “Adventures of Don Juan”.

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 6

Errol Flynn foi a primeira escolha para interpretar Allan Quatermain. O actor recusou, pois não queria passar as filmagens num acampamento na savana de África. Preferiu fazer “Kim” (1950; adaptação de outro clássico da Literatura, escrito por Rudyard Kipling), filmado na Índia, mas com cast & crew instalados num resort.

Deborah Kerr queria participar em “The African Queen” (1951; de John Huston, com Humphrey Bogart e Katharine Hepburn – Bogey ganharia o Oscar para “Melhor Actor”). Mas os direitos estavam na Warner Bros. o patrão da MGM convenceu a actriz, dizendo-lhe que a queria numa produção que o estúdio estava a preparar, também passada em África.

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 7

É a segunda adaptação cinematográfica do romance de H. Rider Haggard.

Allan Quatermain (como é designado no livro) recebe o nome de Allan Quartermain. O mesmo tinha acontecido na versão cinematográfica de 1937.

A personagem de Kerr é uma criação exclusiva para o filme. A sua personagem não existe no livro.

A história remete para uma lenda que considera que os Watusi são descendentes dos egipcios. Há também a lenda que indica que os Maasai são descendentes de uma legião romana que se perdeu na zona e nunca regressou a Roma.

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 9

Filmado no New Mexico, no Uganda, no Quénia e no Congo.

É o primeiro filme americano de Stewart Granger.

Granger moveu esforços no sentido de despedir o realizador Compton Bennett. Ambos não se deram bem e isso causou atrasos nas filmagens. Andrew Marton foi chamado e as coisas correram bem.

As filmagens em Africa obrigaram a uma incrível logística humana e técnica. Milhares de Quilos de equipamento, muitos veículos de transporte (de pessoas e objectos), sistemas de refrigeração de película (para que esta não de deteriorasse com o calor).

Alguns problemas de saúde afectaram vários membros de cast & crew.

Os membros da tribo Maasai provocaram alguns sustos na cast & crew. Tudo devido a alguns comportamentos festivos que o pessoal do filme pensou serem hostis.

O filme conseguiu mostrar detalhes realistas de tribos africanas. Era algo que ainda não se tinha conseguido em Cinema.

O explorador Armand Denis e a sua esposa foram consultores técnicos.

 

O filme não tem música criada para ele. Os sons que se ouvem são sonoridades tribais.

Foi o primeiro registo em filme da tribo Watusi.

A dança cerimonial vista na aldeia de Umbopa tem o nome de Tutsi Lion Dance. Ainda hoje se pratica.

A largada do elefante foi um reshot, recorrendo-se a um elefante treinado. Inicialmente, a cena ia envolver uma largada de vários elefantes, mas a película ficou perdida quando cast & crew fugiram perante a perigosa investida dos paquidermes.

A cena com a aranha é uma invenção para o filme. Existe uma aranha grande naquela zona de África, mas não vive na savana e tem tendência para se afastar dos humanos.

Quando filmavam na caverna do Carlsbad National Park, no New Mexico, Kerr escreveu, com recurso a baton, numa parede as letras “DK”. Essa inscrição ainda está visível no local.

A cena onde Kerr corta o cabelo incomodou os produtores e até causou gargalhadas num primeiro screening. Ponderou-se o eliminar da cena, mas como criaria dúvidas nos espectadores perante o look da personagem/actriz nas cenas seguintes, a cena ficou preservada no final cut.

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Na época muito se falou de um affair entre Stewart Granger e Deborah Kerr. É uma excelente explicação para a forte química sexual entre ambos ao longo do filme.

 

Algumas das sonoridades ouvidas no filme seriam reutilizadas em “Mogambo” (1953, de John Ford, com Clark Gable, Ava Gardner e Grace Kelly; remake de “Red Dust”, assinado em 1932 por Victor Fleming, com Clark Gable, Jean Harlow e Mary Astor).

Alguma da footage filmada em África seria usada em “Tarzan, The Ape Man” (1959), “Watusi” (1959) e “Trader Horn” (1973).

 

É o maior sucesso da MGM em 1950.

É o primeiro filme de Hollywood filmado em África desde “Trader Horn” (1931).

É o primeiro filme que Stewart Granger fez para a MGM. O actor ficaria sob contrato com o estúdio até 1957.

 

As filmagens locais eram tão ricas (em detalhe e cor), que a MGM ganhou imenso dinheiro ao vendê-las como stock shots para outras produções.

Em 1958, a MGM relançou o filme, em sessão double bill com “Rogue Cop” (1954; com Robert Taylor, Janet Leigh e George Raft).

Nesse ano, foi o único filme nomeado aos Oscars para “Melhor Filme” sem nomeações para argumento ou para actores.

Nesse ano, foi o único filme nomeado aos Oscars para “Melhor Filme” com nomeações para “Melhor Fotografia – Cor”.

 

O “Lux Radio Theater” emitou uma versão radiofónica de 60 minutos em Dezembro de 1952. Deborah Kerr e Stewart Granger retomaram os seus personagens.

Ei-la:

 

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 12

O romance de H. Rider Haggard teve várias adaptações ao audiovisual:

  • 1936, realizada por Robert Stevenson e Geoffrey Barkas, com Paul Robeson, Cedric Hardwicke (como Allan Quatermain), Roland Young, John Loder e Anna Lee.
  • 1959, “Watusi” adapta de forma muito livre o romance; Kurt Neumann realiza, George Montgomery, Taina Elg e Rex Ingram protagonizam.
  • 1950, realizada por Compton Bennett e Andrew Marton, com Stewart Granger e Deborah Kerr. É a versão mais popular e preferida do público.
  • 1985, de John Lee Thompson, com Richard Chamberlain e Sharon Stone; teria sequela, derivada de um outro romance de Haggard, também protagonizado por Allan Quatermain.
  • 2004, uma mini-série televisiva, com Patrick Swayze e Alison Doody.

 

O livro de H. Rider Haggard tem edição em Portugal. Apesar das várias edições que surgem todas derivam da (excelente) tradução feita por Eça de Queirós.

 

Sobre H. Rider Haggard:

https://www.goodreads.com/author/show/4633123.H_Rider_Haggard

http://www.online-literature.com/h-rider-haggard/

https://www.fantasticfiction.com/h/h-rider-haggard/

https://www.britannica.com/biography/H-Rider-Haggard

King Solomon's Mines - 1950 - Poster 13

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