A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha (2018)

The Girl in the Spider's Web - Poster 5

 

Título original – The Girl in the Spider’s Web

 

Stieg Larsson viu a sua trilogia “Millennium” (ele queria 10 volumes, mas a morte prematura impediu tal) a ser adaptada ao audiovisual através da cinematografia sueca. Sucesso local e internacional. Os filmes revelam a mais original, complexa e fascinante personagem deste tempo – Lisbeth Salander. A incrível Noomi Rapace faz uma interpretação absolutamente perfeita.

Hollywood não ficou indiferente e logo quis fazer a sua versão – com realização de David Fincher (que assim regressava aos psycho thrillers) e uma incrível Rooney Mara (perfeitamente capaz de rivalizar com Noomi), o filme até conseguiu superar o seu equivalente sueco.

Larsson chegou a começar o quarto volume da saga literária, mas não o terminou. Foram os seus herdeiros que designaram o escritor adequado para o terminar.

Hollywood queria continuar a saga já começada, mas a trilogia nunca se efectuou.

Eis a adaptação desse quarto livro. Um filme que funciona como sequela ao filme de Fincher e um reboot à saga.

Como tal, novo elenco. Temos uma nova (e talentosa) actriz a interpretar Lisbeth Salander – Claire Foy.

Fede Alvarez realiza, abandonando assim o terror (“Don`t Breathe”, o remake de “The Evil Dead”) e à procura de provas de versatilidade para outros registos.

 

Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist voltam a unir esforços.

Desta vez há que descobrir quem são os interesses num programa informático que permite controlar facilmente muito armamento de destruição maciça.

The Girl in the Spider's Web - Screenshot 24

The Girl in the Spider's Web - Screenshot 1

Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist saem da mente de Stieg Larsson e as suas aventuras vêm agora de outra.

No Cinema, os dois voltam a ter novos rostos, com uma nova equipa técnica e criativa por detrás.

 

A nível literário não posso falar (não li o novo livro).

A nível cinematográfico, sim.

The Girl in the Spider's Web - Screenshot 2

Então como ficam as coisas neste novo filme, com nova cast & crew? As coisas mudam?

Sim, muito.

Mas não para melhor.

(calma, também não ficam no péssimo, OK? apenas mais light)

The Girl in the Spider's Web - Screenshot 3

Depois da densidade psicológica, da abordagem do Mal, da visão obscura de uma certa Suécia, da (genial) criação de Lisbeth Salander (sem dúvida, a melhor personagem surgida no campo da ficção cultural deste início de Século XXI – seja, Literatura, Cinema, Comics) e a complexa relação entre Lisbeth e Mikael que Larsson deu na sua trilogia (e que os filmes, suecos e americanos, respeitaram), este novo filme segue por vias mais fáceis, simples e complacentes.

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“The Girl in the Spider’s Web” é um action thriller, que mais parece vindo de Frederick Forsyth, Tom Clancy, Robert Ludlum ou Brad Thor.

Ninguém se admiraria que, de repente, Lisbeth tivesse como aliados Jason Bourne ou James Bond.

The Girl in the Spider's Web - Screenshot 5

De facto, o filme segue moldes de um action thriller hi-tech moderno, focado em tecnologias militares, terrorismo, jogos das intelligence e intriga internacional, fugindo assim da componente psycho thriller que marcou o início da saga segundo Larsson.

Por outro lado, o novo filme mostra Lisbeth como uma action heroine (quase de índole superheroine), avenger imparável contra homens maus, capaz de enfrentar hitmen, de incríveis stunts (a sua fuga à Polícia, por um lago gelado, a “cavalgar” a sua potente Ducati) e de desenrascanços dignos de MacGyver.

Não falta acção, cliffhangers, surpresas, sustos, perseguições, explosões, porrada e tiroteios.

Resulta e até gera boas doses de adrenalina.

The Girl in the Spider's Web - Screenshot 7

Lamenta-se a forma como Mikael é deixado para último plano. O homem é quase um guy in distress, sempre passivo, pouco dinâmico e empreendedor – um péssimo contraste com o que se viu na trilogia sueca e no remake americano.

(grande e imperdoável gafe narrativa –a relação/”dependência” entre Lisbeth e Mikael é um pilar da saga)

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The Girl in the Spider's Web - Screenshot 16

O argumento também propõe umas novidades e surpresas à volta de Lisbeth e do seu passado.

A ideia abordada é boa, mas de desenvolvimento muito superficial.

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Os autores queriam que o filme estivesse entre a sequela (à versão USA de “The Girl With The Dragon Tattoo”) e o reboot.

O resultado é mais sequela, mas à trilogia sueca – alguns momentos (muito poucos, infelizmente) entre Lisbeth e Mikael falam (subtilmente) de coisas que foram mais abordadas nos filmes com Noomi Rapace do que na versão com Rooney Mara.

(mas é uma gafe que se contorna facilmente, pois não é falada muita coisa)

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É o mais curto filme da saga (menos de 2 horas; os outros passavam largamente tal duração). Tal ajuda no ritmo (non-stop), mas impede um melhor desenvolvimento de certos aspectos.

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Fede Alvarez já tinha mostrado ser um (muito) bom talento para o terror. Aqui vê-se que é peixe fora da água, mas dirige com eficácia e bom ritmo, criando boas set pieces (as perseguições, a fuga no aeroporto, o confronto final).

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The Girl in the Spider's Web - Screenshot 17

O elenco porta-se adequadamente.

Sverrir Gudnason (Mikael Blomkvist) é que destoa (imenso) face a Michael Nyqvist e Daniel Craig. A sua performance é insossa, chata, parada, desprovida de paixão ou interesse.

Claire Foy é a novidade (e o trunfo). Cria uma Lisbeth Salander menos radical, rebelde, algo mais social e “civilizada”, até mais bonitinha, mas igualmente astuta, determinada e implacável, mostrando grande destreza como action heroine. Face a Noomi Rapace e Rooney Mara, fica em terceiro lugar – mas não é por falta de talento (quem o quiser ver, basta olhar para a sua magnífica interpretação como Rainha Isabel II na série televisiva “The Crown”); apenas porque não dispõe da qualidade narrativa que Noomi e Rooney tiveram, onde lhes foi dado espaço para desenvolverem Lisbeth em várias áreas (Noomi com mais vantagem pois protagonizou toda a trilogia).

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Apesar dos seus erros e limitações, “The Girl in the Spider`s Web” é um action thriller muito entretido, correcto, que nos devolve a mais enigmática e fascinante personagem do cinema actual.

 

Recomendável.

 

“The Girl in the Spider`s Web” ainda está nas nossas salas.

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Realizador: Fede Alvarez

Argumentistas: Jay Basu, Fede Alvarez, Steven Knight, baseado no livro de David Lagercrantz, a partir dos personagens criados por Stieg Larsson

Elenco: Claire Foy, Sverrir Gudnason, Sylvia Hoeks, Lakeith Stanfield, Stephen Merchant, Cameron Britton, Vicky Krieps

 

Site – http://www.girlinthespidersweb.movie/site/

 

Orçamento – 43 milhões de Dólares

Bilheteira (até agora) – 14 milhões de Dólares (USA); 31 (mundial)

 

The Girl in the Spider's Web - Poster 3

David Fincher fez o remake de “Girl with the Dragon Tattoo” e queria fazer os dois episódios seguintes – “The Girl Who Played with Fire” e “The Girl Who Kicked the Hornets’ Nest”. A sua motivação era tal, que até os quis filmar em simultâneo.

Em 2012 tudo sofre um revés – Steven Zaillian está com dificuldades em elaborar o argumento, Andrew Kevin Walker (já conhecido de Fincher – “Seven”) entra em cena para terminar o trabalho.

Em 2014 Fincher revela que “The Girl Who Played with Fire” já tem argumento e que este é bem diferente do livro.

Em 2015 a Sony cancela os projectos dessas sequelas e avança com a adaptação do quarto livro (iniciado por Larsson, mas interrompido devido à sua morte; um outro escritor, escolhido pelos seus herdeiros, termina o Volume 4).

No final de 2015 tudo fica esclarecido – “The Girl in the Spider’s Web” vai ser adaptado, será um misto de sequela e reboot a “The Girl With The Dragon Tattoo” (a versão USA), nenhum dos elementos desse filme regressa. Claire Foy é a nova Lisbeth Salander.

The Girl in the Spider's Web - Poster 4

Claire Foy triunfou sobre um forte grupo de candidatas – Natalie Portman, Scarlett Johansson, Felicity Jones e Alicia Vikander.

 

Filmado na Suécia (Estocolmo) e na Alemanha (Berlim).

The Girl in the Spider's Web - Poster 1

Stieg Larsson planeou uma saga literária de 10 volumes. Só concluiu três, deixou começado o quarto, bem como notas para os restantes seis. Com a sua morte, o seu património passou para as mãos do pai e irmão (apesar de tudo ter ficado na posse da sua companheira, a lei sueca não contempla direitos sobre não-esposas, pelo que tudo passou para a família do escritor). Os ditos decidiram contratar um escritor para desenvolver as restantes histórias. Não se sabe se irão ter em conta as ideias de Larsson.

Os livros de Larsson estão editados em Portugal, bem como este novo volume.

 

Sobre Stieg Larsson:

http://stieglarsson.com

https://www.goodreads.com/author/show/706255.Stieg_Larsson

The Girl in the Spider's Web - Poster 2

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