A Dama do Lago (1946)

 

Lady in the Lake - Poster 1

 

Título original – Lady in the Lake

 

Os romances de Raymond Chandler não paravam de suscitar novos filmes.

Este tem uma particularidade – é tudo mostrado na primeira pessoa.

 

Philip Marlowe, detective privado, é contratado por uma editora no sentido de localizar a esposa do patrão.

Pouco depois da investigação começar, já há cadáveres.

Lady in the Lake - screenshot 15

Detective Noir muito sólido, envolvente, elegante e bastante sexy, com as habituais surpresas e reviravoltas e até um romantic twist (Marlowe a assentar e a fazer vida com uma Dama).

Lady in the Lake - screenshot 1

A história é mesmo uma das melhores de Chandler e está praticamente adaptada de forma fiel (a contratação dos serviços de Marlowe, quem o contrata e porquê, as confusões com os clientes, os cadáveres, os suspeitos, o duelo com a Polícia, a reviravolta sobre a Lady in the Lake e a identidade do culpado).

Sim, há concessões na evolução de alguns eventos (no livro, Marlowe vai várias vezes à zona do lago e conversar com vários personagens e descobrir novas verdades, no filme, não; o final romântico não é o do livro – mas o happy end era uma regra para quase todos os géneros). Concessões que apenas servem para simplificar a narrativa e tornar a metragem mais curta.

Lady in the Lake - lobbycard 2

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É também uma história profundamente “feminista” – tudo se passa à volta de mulheres e onde os homens são todos uns bobos manipuláveis.

Lady in the Lake - screenshot 8

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O ritmo é tranquilo, há qualidade de meios, elegância na visualização, com uma história que cativa rapidamente o interesse do espectador.

Lady in the Lake - screenshot 7

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Aqui e ali surge a escrita irónica de Chandler com as desarmantes lines de Marlowe face às meninas e à Polícia.

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Robert Montgomery sai-se bem como detective, mas devido à técnica de realização fica algo imóvel face ao Marlowe de Chandler, pois é pouco visto (excepto quando está em frente a um espelho. Mas este Marlowe carece de convicção na sua ironia e heroísmo, parecendo estar sempre zangado (nem sempre é assim nos romances de Chandler).

Audrey Totter acaba por dominar o filme, pela sua atitude de chefia e pela sua postura de anjinho manipulador.

Lady in the Lake - screenshot 12

O filme foi muito publicitado pelo uso de câmara subjectiva e faz disso o seu principal trunfo.

Resulta frequentemente (os beijos, os murros) e diverte ver hoje os prodígios visuais que se conseguiam em tempos onde não havia computador. Mas ao fim de algum tempo acaba por cansar e dispersar. Isto porque nunca vemos Marlowe, as suas acções e reacções (e Marlowe é um personagem em permanente acção e reacção).

Não é um erro crasso, mas tem as suas limitações, ainda que seja útil nalguns momentos (os em que Marlowe investiga, olha, analisa).

Deve-se elogiar Robert Montgomery pela coragem e eficácia do seu exercício.

Lady in the Lake - Promo Photo 3

Lady in the Lake - screenshot 13

O filme cativa pela narrativa (é Chandler ao seu melhor) e o exercício de estilo é engraçado de ver e analisar.

Apesar das limitações da opção de realização, o filme é uma das melhores adaptações de Chandler/Marlowe ao Cinema.

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Um pequeno clássico.

 

Muito recomendável.

 

“Lady in the Lake” não tem edição portuguesa. Existe noutros mercados, a bom preço.

Lady in the Lake - Promo Photo 2

Lady in the Lake - Promo Photo 1

Realizador: Robert Montgomery

Argumentista: Steve Fisher, a partir do romance de Raymond Chandler (“The Lady in the Lake)

Elenco: Robert Montgomery, Audrey Totter, Lloyd Nolan, Tom Tully, Leon Ames, Jayne Meadows, Dick Simmons, Morris Ankrum, Lila Leeds, Kathleen Lockhart

 

Trailer

 

Clips

 

Robert Osborne sobre o filme, no TCM

 

Orçamento – 1 milhão de Dólares

Bilheteira – 1.8 milhões de Dólares (USA); 2.6 (mundial)

 

Lady in the Lake - Poster 2

A MGM comprou os direitos do livro de Chandler por 35.000 Dólares.

 

Robert Montgomery há muito que queria realizar um filme. Montgomery tinha dirigido um par de cenas em “They Were Expandable” (1945, com ele e John Wayne), nos dias em que John Ford esteve doente.

Lloyd Nolan quase que ficou cego devido a estilhaços de vidro que lhe atingiram o rosto.

Montgomery terminou o filme 19 dias antes do prazo previsto.

Lady in the Lake - Poster 8

O filme faz uso de uma técnica até então rara no Cinema – o uso da câmara subjectiva de forma constante, raramente mostrando o protagonista (excepto em cenas com espelhos), com o mesmo a falar para o espectador.

É o primeiro filme a fazer uso da técnica denominada como “subjective camera” de forma total. Em 1931, Rouben Mamoulian usou essa técnica, mas só por alguns minutos, em “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”.

Raymond Chander não gostou do uso da técnica, pois achou que não funcionava. Quando soube que o filme ia usar permanentemente tal recurso, pediu ao estúdio para lhe retirar o nome dos créditos do filme.

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O livro de Chandler passa-se no Verão, o filme passa-se na quadra natalícia.

O revolver de Marlowe é um Colt Model 1908 “Vest Pocket” .25.

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Lloyd Nolan já tinha protagonizado uma adaptação de um romance de Chandler – “Time To Kill” (1942) adaptava “The High Window”, só que o protagonista do filme não era Philip Marlowe (tal como acontece no livro), mas Michael Shayne (tal personagem era protagonista de vários filmes).

Lady in the Lake - lobbycard 4

Nos primeiros screening tests, a reacção do público era hostil face ao facto de ser ver poucas vezes o rosto de Robert Montgomery. O estúdio pede a Montgomery para filmar um novo final (onde se vê o seu rosto) e o actor-realizador filmou-o, mas algo contrariado.

Devido a tal, este foi o último filme de Robert Montgomery para a MGM (o actor decidiu ir embora). O actor estava contratado pelo estúdio desde 1929.

Lady in the Lake - Poster 7

O “Lux Radio Theater” emitiu uma versão radiofónica de 60 minutos, em Fevereiro de 1948. Robert Montgomery e Audrey Totter retomaram os seus personagens.

Lady in the Lake - Poster 6

Sobre os actores que interpretaram Philip Marlowe:

https://www.signature-reads.com/2013/07/the-many-faces-raymond-chandlers-philip-marlowe-besides-humphrey-bogart/

Lady in the Lake - Poster 4

Raymond Chandler tem muitos dos seus romances editados em Portugal.

Aconteceu na “Colecção Vampiro” dos Livros do Brasil. Em formato de bolso (na colecção generalista) e depois em formato gigante (na colecção dedicada). Estas edições são uma raridade e só em alfarrabistas é que se podem encontrar.

Recentemente foi feita uma tentativa (bem tímida) de voltar a haver Chandler no nosso mercado livreiro. A Contraponto editou dois romances (“The Big Sleep” e “Lady in the Lake”), a Presença editou um (“The Long Goodbye”). E nada mais há e nada mais se sabe sobre continuidade de edições.

The Lady in the Lake - Book Cover 1

Sobre Raymond Chandler:

https://www.britannica.com/biography/Raymond-Chandler

https://www.biography.com/people/raymond-chandler-9244073

https://www.esquire.com/uk/culture/news/a6742/raymond-chandler-quotes/

https://www.brainpickings.org/2013/05/08/raymond-chandler-on-writing/

https://www.bookwitty.com/text/9-great-raymond-chandler-quotes-on-writing-and/59564ed950cef746d7105f5d

https://www.psychologytoday.com/us/blog/creating-in-flow/201312/12-surprising-facts-about-raymond-chandler

https://www.livrosdobrasil.pt/autor/raymond-chandler

http://www.detnovel.com/chandler.html

https://www.goodreads.com/author/show/1377.Raymond_Chandler

http://www.thrillingdetective.com/trivia/chandler.html

Lady in the Lake - Poster 3

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