O Outro Lado do Sonho (1985)

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Título original – Brazil

 

Pelos vistos, a cinefilia dos nossos distribuidores e exibidores anda em boa forma.

Eis a reposição de um must do Cinema.

Uma das obras máximas de Terry Gilliam.

Agora no seu Director`s Cut.

 

Futuro.

Sam Lowry, um tecnocrata do sistema, é um sonhador, habitante de um mundo onde tudo é controlado, oprimido e burocrata.

Devido a uma série de acasos, Sam trava conhecimento com um terrorista e com a mulher dos seus sonhos.

Para Sam, é o princípio da sua liberdade e um passo para uma libertação do sistema.

Mas haverá um preço.

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Misto de fantasia, sci-fi, surrealismo e parábola social e política, o filme de Terry Gilliam é uma visão e crítica sobre um tempo onde o indivíduo é um brinquedo de um sistema, que só visa o controlo absoluto sobre o cidadão.

Por outro lado, o filme é também um hino à capacidade de sonhar do ser humano, mostrando a mente humana como a derradeira zona livre da Humanidade.

(algo que o final evoca, mas de forma trágica)

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Fiel ao estilo de Gilliam, total perfeccionismo visual, apoiado na excelência do production design e dos visual effects.

(e como estamos em tempo onde o computador não criava cenários, a sensação de realismo é ainda maior)

Gilliam também carrega, como é norma no seu Cinema, no absurdo e surreal, recordando os seus tempos com os Monty Python.

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Excelente trabalho nas áreas da fotografia e música.

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Elenco virtuoso, com destaque para um esplêndido Jonathan Pryce, a compor um homem preso a um sistema que o atrofia, mas libertado por um sonho.

Katherine Helmond diverte pela sua excentricidade, Robert De Niro recorda os tempos do burlesco mudo, Michael Palin traz a necessária loucura e Kim Greist é um sonho.

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Uma das obras máximas do cinema de fantasia dos 80s.

Uma das obras-primas de Terry Gilliam, que assina aqui (em conjunto com o belíssimo e maravilhoso “The Adventures of Baron Munchausen”) o seu filme máximo.

 

Culto cultíssimo.

Obra-prima de Cinema.

Absolutamente obrigatório.

 

“Brazil” continua resposto nas nossas salas, numa impecável remasterização e no esplendor do seu Director`s Cut.

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Realizador: Terry Gilliam

Argumentistas: Terry Gilliam, Tom Stoppard, Charles McKeown

Elenco: Jonathan Pryce, Robert De Niro, Katherine Helmond, Ian Holm, Bob Hoskins, Michael Palin, Ian Richardson, Peter Vaughan, Kim Greist, Jim Broadbent, Charles McKeown, Derrick O’Connor, Gorden Kaye

 

Orçamento – 15 milhões de Dólares

Bilheteira – 6.5 milhões de Dólares (USA); 9 (mundial)

 

Trailer

 

Brazil - 1985 - Terry Gilliam | Film | Jonathan Pryce (Samuel Lowry - Sam), Katharine Helmond (Mrs Ida Lowry), Robert De Niro (Archibald Tuttle - Harry), lan Holm (Mr Kurtzmann), Bob Hoskins (Spoor), Michael Palin (Jack Lint), lan Richardson (Mr Warrenn),

Esteve nomeado para “Melhor Argumento Original” e “Melhor Cenografia”, nos Oscars 1986. Perdeu, respectivamente, para “Witness” e “Out of Africa”.

Esteve nomeado nos Hugo 1986, mas foi derrotado por “Back to the Future”.

“Melhor Cenografia”, “Melhores Efeitos Visuais”, nos BAFTA 1986.

“Melhor Actor Secundário” (Ian Holm), pelos Críticos de Boston 1986.

“Melhor Filme”, “Melhor Realizador”, “Melhor Argumento”, pelos Críticos de Los Angeles 1985.

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Títulos provisórios – “The Ministry”, “The Ministry of Torture”, “How I Learned to Live with the System – So Far and So That’s Why the Bourgeoisie Sucks”, “1984 ½”.

 

Terry Gilliam inspirou-se ao ver um homem numa praia, com tempo adverso, a ouvir a canção que se ouve frequentemente no filme.

Gilliam também se inspirou no livro “1984”, de George Orwell.

É o primeiro filme de Gilliam, depois de se ter separado dos Monty Python.

 

O protagonista foi sempre pensado para Jonathan Pryce.

Até à escolha de Kim Greist, Gilliam fez auditions a Rosanna Arquette, Ellen Barkin, Jamie Lee Curtis, Rebecca De Mornay, Rae Dawn Chong, Kelly McGillis, Joanna Pacula, Kathleen Turner e Madonna. Barkin era a favorita de Gilliam.

Robert De Niro queria o personagem que Gilliam atribuiu a Michael Palin.

Gilliam e a sua equipa estavam entusiasmados pela presença de De Niro. Mas o método do actor levou a pequenos conflitos entre ele e o realizador (De Niro pedia mais takes do que Gilliam precisava, o que levou a que as filmagens com o actor demorassem 2 semanas, face à uma que Gilliam planeava).

Segundo Katherine Helmond, Gilliam abordou-a dizendo que a queria no filme, mas que ela não teria bom aspecto.

Tom Cruise foi considerado (?????) como protagonista, mas o actor não quis fazer uma audition.

Rupert Everett foi considerado como protagonista.

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Encontro de Gilliam com pessoas com que ele já tinha trabalhado ou trabalharia novamente:

  • Michael Palin – seu colega nos Monty Pyhton.
  • Ian Holm, Jim Broadbent, Peter Vaughan e Katherine Helmond, vinham de “Time Bandits” (1981). Helmond apareceria depois em “Fear and Loathing in Las Vegas” (1998).
  • Roger Pratt (o director de fotografia) vinha de “The Meaning of Life” (1983; com alguns segmentos assinados por Gilliam) e voltaria em “The Fisher King” (1991) e “12 Monkeys” (1995).
  • Charles McKeown (co-argumentista) – vinha de “The Meaning of Life” e “Time Bandits”, voltaria em “The Adventures of Baron Munchausen” (1988).
  • Jonathan Pryce voltaria em “The Adventures of Baron Munchausen”.
  • Michael Kamen (autor da música) voltaria em “The Adventures of Baron Munchausen” e “Fear and Loathing in Las Vegas”.

 

A cena que envolve um samurai é uma homenagem de Gilliam a Akira Kurosawa.

A máscara que Michael Palin usa é inspirada numa que a sua mãe lhe ofereceu.

A cena do sonho deveria ser mais longa e surgir a meio do filme. Mas questões técnicas impossibilitaram a sua realização total.

Nos planos onde o personagem de De Niro mexe em ferramentas, as mãos são de Gilliam.

O atentado no restaurante é inspirado nos atentados do IRA, em Londres, na época em que Gilliam vivia na cidade.

O personagem Dr. Chapman é uma referência de Gilliam a Graham Chapman (seu colega nos Monty Python), que tinha formação como médico.

 

Alguns personagens têm nomes-referência:

  • Kurtzman – pode vir de Harvey Kurtzman, o editor da revista “Help”, onde Gilliam conheceu John Cleese, que o convidou para os Monty Python.
  • Harvey Lime – pode vir de Harry Lime (o personagem de Orson Welles em “The Third Man”).

 

Cameo de Terry Gilliam – o fumador na torre Shangri-La que tropeça em Sam.

 

Helmond passava 10 horas por dia com a sua caracterização.

Tinha agendada uma filmagem de 20 semanas. Demorou quase 9 meses.

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Gilliam mostrou-se descontente com a performance de Kim Greist.

Apesar dos conflitos, De Niro e Gilliam gostaram da experiência de trabalhar juntos.

 

De Niro viu o seu nome sem crédito no genérico, devido ao facto de estar sob contrato com outro estúdio.

Pryce considera a sua interpretação neste filme como um momento alto na sua carreira, que ele acha que só teve rival em “Carrington” (1995).

 

Sid Sheinberg (um dos executives do estúdio produtor – a Universal) não queria lançar o filme, pois achou-o muito pessimista, não encontrando potencial para grandes audiências.

Gilliam mostrou o filme (à margem do estúdio) a muitos críticos de Los Angeles e conseguiu, com bastante unanimidade, o elogio “Melhor Filme do Ano”.

Gilliam chegou a ser convidado pela USC (University of Southern California) para falar sobre o filme os diversos conflitos criativos com o estúdio. Gilliam aproveitou e trouxe o seu cut. O estúdio soube de tal (até porque a faculdade fez boa publicidade de tal) e tentou boicotar a sessão. Mesmo assim, o filme foi exibido e os críticos de Los Angeles puderam ver o Director`s Cut do filme.

Gilliam e estúdio fizeram concessões – o filme sofreu um recut (à margem de Gilliam) e o final foi alterado.

Gilliam sempre pensou no final original tal como é. Para o cineasta, o desafio foi criar uma história onde o final feliz fosse mostrar um homem a ficar louco.

Segundo Gilliam, muitas pessoas abandonaram as salas durante os screenings.

 

“Brazil” é o segundo filme d`”A Trilogia da Imaginação” – os outros são “Time Bandits” e “The Adventures of Baron Munchausen”.

Em 2013, Gilliam dizia que “Brazil” era o Capítulo 1 na sua trilogia sobre “A Sátira da Distopia”, sendo seguido por “12 Monkeys” e “The Zero Theorem” (2013).

 

“Brazil” era o filme preferido do falecido River Phoenix. Phoenix trabalhou com Pryce em “Dark Blood” (2012). Pryce procurou arranjar um encontro em Phoenix e Gilliam. O falecimento de Phoenix cancelou tal evento.

É o filme preferido de Frank Zappa.

 

É o último filme de Gorden Kaye (dedicar-se-ia depois à Televisão e Teatro – ficou famoso como René na popular série “`Allo, `Allo”).

Em muitas edições, Kim Greist via o seu nome escrito como Kim Griest.

Pryce e De Niro reencontrar-se-iam, mas como inimigos, no trepidante “Ronin” (1998).

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O filme foi um flop nos USA, mas conseguiu algum sucesso na Europa.

Com a passagem do tempo, ganhou estatuto de Cult Movie.

Está nos “1001 Movies You Must See Before You Die”, de Steven Schneider.

Em 2004, a “Total Film” deixou “Brazil” como #20 nos “100 Maiores Filmes Britânicos de Sempre”.

Em 2005, Richard Corliss e Richard Schickel (prestigiados Historiadores de Cinema, da revista “Time”) puseram “Brazil” nos “100 Maiores Filmes de Sempre”.

Em 2006, o “Channel 4” pôs “Brazil” nos “50 Films to See Before You Die”.

A “Empire” colocou “Brazil” na posição #83 dos “500 Greatest Films of All Time”.

A “Wired” tem “Brazil” na posição #5 dos “Top 20 Sci-Fi Movies”.

O “Entertainment Weekly” colocou “Brazil” na posição #13 dos “Top 50 Cult Films of All-Time”e na posição #6 dos melhores filmes de Sci-Fi desde 1982.

 

O filme teve grandes influências sobre diversos cineastas e filmes:

  • Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro em “Delicatessen” (1991) e “La Cité des Enfants Perdus” (1995)
  • Os Irmãos Coen em “The Hudsucker Proxy” (1994)
  • Alex Proyas em “Dark City” (1998; também tem um Director`s Cut).
  • Tim Burton e “Batman” (1989. O filme partilha o mesmo Director of Photography (Roger Pratt). Burton e Anton Furst (o production designer) estudaram “Brazil” e o seu look.
  • “Pi”, de Darren Aronofksy – a decoração do apartamento do protagonista.
  • Zack Snyder para “Sucker Punch” (2011).

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A canção do filme – “Aquarela do Brasil”.

 

A versão original de Ary Barroso, em 1939

 

A versão de Geoff Muldaur, ouvida no filme

 

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