Lemony Snicket’s: Uma Série de Desgraças (2004)

A Series of Unfortunate Events - Film - Poster 3
Título original – A Series of Unfortunate Events

 

A saga literária criada por Daniel Handler é um fenómeno a nível mundial.

(andou editada em Portugal, mas parou a meio – algo típico!!!)

Numa altura em que a literatura de fantasia infanto-juvenil andava (e ainda anda) na onda e sempre alvo do interesse de Hollywood, seria uma questão de tempo até ser adaptada.

Jim Carrey protagoniza, está mascarado e interpreta vários personagens.

 

Violet, Klaus e Sunny tornam-se os Orfãos Beaudelaire.

Os pais morreram num misterioso incêndio.

São entregues ao Tio, o Conde Olaf, que se revela uma pessoa desprezável e perigosa, apenas interessada na fortuna dos petizes.

Os Beaudelaire têm de enfrentar uma série de desgraças para sobreviverem.

A Series of Unfortunate Events - Film - screenshot 1

A Series of Unfortunate Events - Film - screenshot 2

A Series of Unfortunate Events - Film - screenshot 3

(Center) Count Olaf (JIM CARREY) is a mysterious Uncle who suddenly shows up to care for his niece Violet Baudelaire (Emily Browning) and his nephew, Klaus Baudelaire (Liam Aiken) in DreamWorks Pictures' LEMONY SNICKET'S A SERIES OF UNFORTUNATE EVENTS.

O título não engana.

Estamos perante uma sucessão vertiginosa de uma série de desgraças sobre as mais injustas das vítimas – crianças.

É precisamente por serem elas o alvo, que se geram a complacência e carinho do espectador.

Fantasia, comédia e drama, com uma distorção bem negra e bizarra, combinados num filme que é, afinal, um hino à essência da família, à união familiar, ao companheiro e à capacidade de desenrascanço quando há motivação e sentimento.

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O filme adapta três livros.

Isto afecta ligeiramente o ritmo e a organização narrativa, pois obriga a fazerem-se saltos entre eventos de forma algo brusca e a acelerar outros.

Um melhor cuidado no argumento e mais alguma metragem ajudaria.

(até porque se sabe que há um Director`s Cut)

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Excelente fotografia, cenografia, guarda-roupa e caracterização, que nos remetem para o universo de Tim Burton (tudo é assinado por gente ilustre que já trabalhou com o autor de “Edward Scissorhands”).

Excelentes efeitos visuais.

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Brad Silberling já tinha mostrado talento para combinar fantasia, comédia e drama familiar, com o muito simpático “Casper” (1995). Com “A Series of Unfortunate Events”, Silberling confirma tal veia e acrescenta um humor negro e um terror bizarro.

 

Excelente prestação do elenco.

Jim Carrey parte a loiça toda. Novamente caracterizado, o comediante mostra que não tem limites para o improviso e para criar personagens bizarros.

Liam Aiken e Emily Browning são de uma entrega pura e natural, fazendo-nos acreditar plenamente na sua dor e que são irmãos.

 

Genérico final muito criativo.

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Um filme diferente e original, que no “desfile” de tanta desgraça e heroísmo infantil, nos traz um vento de esperança em nós perante as adversidades.

 

Muito recomendável.

 

“A Series of Unfortunate Events” tem edição portuguesa e anda a preço bem “desgraçado”. Pode ser uma ligeira dificuldade encontrá-lo nas lojas. Diversas edições europeias estão a bom preço e algumas têm edições têm legendas em Português.

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Realizador: Brad Silberling

Argumentista: Robert Gordon, a partir da saga literária criada por Daniel Handler (com o pseudónimo de Lemony Snicket)

Elenco: Jim Carrey, Liam Aiken, Emily Browning, Meryl Streep, Kara Hoffman, Shelby Hoffman, Timothy Spall, Catherine O’Hara, Billy Connolly, Luis Guzmán, Jude Law

 

Orçamento – 140 milhões de Dólares

Bilheteira – 118 milhões de Dólares (USA); 209 (mundial)

 

Trailer

 

A Series of Unfortunate Events - Film - Poster 2

“Melhor Caracterização”, nos Oscars 2005, pela Online Film & Television Association 2005, Críticos de Phoenix 2004.

“Melhor Caracterização”, nos Prémios Saturn 2005. Tentou ser “Melhor Filme – Fantasia”, mas perdeu para “Spider-Man 2”.

“Melhor Cenografia”, pelo Art Directors Guild 2005.

“Melhor Actriz” (Emily Browning), pelo Australian Film Institute 2005.

“Melhor Música”, nos Prémios BMI Film & TV 2005.

“Melhor Guarda-Roupa – Filme de Época/Fantasia”, nos Prémios Costume Designers Guild 2005.

“Melhor Vilão (Jim Carrey), nos Prémios Teen Choice 2005.

A Series of Unfortunate Events - Book Saga
Daniel Handler criou a sua saga em 1999. Vendeu mais de 27 milhões de cópias.

O filme adapta os três primeiros livros da saga literária – “The Bad Beginning”, “The Reptile Room” e “The Wide Window”.

Site da saga literária – https://www.lemonysnicket.com

A Series of Unfortunate Events - Drawing

A Nickelodeon Movies comprou os direitos em 2000 e convidou Barry Sonnenfeld para realizador (ele já tinha curriculum em comedias de fantasia bizarra – os dois filmes de “The Addams Family”). Scott Rudin ia ser o produtor. Ambos saíram por conflitos ligados ao orçamento (nenhum concordava com as poupanças que o estúdio queria fazer, tendo em conta o género de filme e o cuidado visual que exigia) e Brad Silberling foi chamado como substituto. Rudin e Sonnenfeld ficaram com as funções de executive producers.

Daniel Handler era o argumentista inicial. Com a saída de Sonnenfeld, Robert Gordon foi chamado e reescreveu o argumento.

Tim Burton chegou a ser ponderado. Johnny Depp seria o Count Olaf, Glenn Close seria a Aunt Josephine. Burton saiu de cena, Depp acompanhou-o. Silberling preferiu Meryl Streep a Close. Streep aceitou por pedido da filha, grande fã dos livros.

 

Jim Carrey não conhecia os livros. Leu-os para se preparar e ficou grande fã.

Carrey estava entusiasmado por trabalhar com Billy Connolly e Meryl Streep.

Carrey era alvo de uma caracterização que demorava três horas a efectuar.

Carrey inspirou-se em Orson Welles e Béla Lugosi para a sua interpretação.

Carrey improvisou muitas das suas cenas. Uma delas é quando ele diz às crianças “Wait, give me that last line again“. Carrey quis mesmo fazer várias versões da sua prestação nessa cena e andou sempre a improvisar até achar o tom correcto. O realizador manteve tudo filmado e na montagem final.

Carrey volta a criar um personagem que vive da caracterização, depois de “The Mask” (1994), “Batman Forever” (1995) e “How The Grinch Stole Christmas” (2000).

Emily Browning foi descoberta pelo director de casting, ao vê-la na televisão. Ficou de tal modo fascinado pela actriz, que logo a contactou.

Durante as filmagens, Liam Aiken cresceu tanto, que ficou mais alto que Emily. Truques de enquadramento mantêm a ilusão que Emily (que interpreta a irmã mas velha) é mais alta que Liam.

Silberling queria que Sunny fosse totalmente digital. Ela acabou por ser interpretada por duas irmãs gémeas, mas para certas cenas perigosa, Sunny era criada por efeitos digitais.

Sunny começou por ser interpretada por tri-gémeos. Mas estas tinham crises de choro nos momentos de separação e devido ao look do set.

Frequentemente as filmagens tinham de parar, pois as irmãs Shelby Hoffman e Kara Hoffman (Sunny) adormeciam.

As gémeas que interpretam Sunny não podiam ser mais naturais na sua interpretação – elas tinham mesmo medo de Jim Carrey quando caracterizado de Conde Olaf.

 

Filmado sempre em estúdio, com sets de 360° e blue screen.

O filme recorreu à técnica de matte paintings.

Silberling quis manter-se fiel ao estilo gótico de Burton.

Rick Heinrichs (production designer), Colleen Atwood (costume designer) e Emmanuel Lubezki (director of photography) já tinham trabalhado juntos e sob as ordens de Tim Burton – “Sleepy Hollow”.

Os efeitos visuais são da Industrial Light and Magic. Mais de 505 shots precisaram de efeitos visuais.

Duas semanas antes do final das filmagens, o director of photography Emmanuel Lubezki teve de ir tratar da imagem de “The New World”. Foi substituído por Robert Yeoman. Yeoman recebe um agradecimento no genérico final.

 

Na cena do comboio, surgem referências a diversos dos volumes:

  • A loja vem do Volume 8, “The Hostile Hospital”.
  • O homem da loja lê o jornal que se refere no Volume 7, “The Vile Village”.
  • Foca-se uma bebida que surge no Volume 6, “The Ersatz Elevator”.

As silhuetas dos pais dos meninos são de Rick Heinrichs (o production designer) e a esposa do realizador, Amy Brenneman.

O quadro que se vê na sala de jantar da cada do Conde Olaf é uma paródia ao quadro de Maria Callas feito por Cecil Beaton.

Cameo de Helena Bonham Carter – Beatrice Baudelaire.

Cameo de Dustin Hoffman – o crítico de Teatro, na peça final.

Segundo Silberling, o genérico final procura ilustrar o que serão os pesadelos dos Beaudelaire.

 

O filme foi alvo de re-cuts devido ao tom demasiado dark que Silberling deu no seu cut original. Tal cut ainda aguarda edição.

Filmado e estreado antes que os últimos três volumes da saga literária fossem editados.

Teve sequelas planeadas, no sentido de adaptar toda a saga literária. Mas como o filme não foi o triunfo nas bilheteiras que se desejava, tais ideias foram abandonadas.

 

Em Outubro de 2002 a Activision criou um jogo inspirado pelo filme. Foi lançado para PlayStation 2, GameCube, Xbox, Game Boy Advance e PC. O jogador joga pelos três Beaudelaire e enfrenta todos os vilões da saga, até então (o jogo também adaptava os três primeiros volumes da saga literária). Os secundários da saga também aparecem.

Foi o primeiro filme da Nickelodeon Movie a ganhar um Oscar.

 

Em Novembro de 2014, a NetFlix anuncia que vai adaptar a saga literária como série televisiva (já aqui vista), com o objectivo de adaptar todos os livros. Neil Patrick Harris, Malina Weissman, Louis Hynes, Presley Smith e Patrick Warburton serão os protagonistas.

A Season 1 será composta por 8 episódios, cada conjunto de 2 episódios adapta um volume da saga literária.

 

Trailer da Série Televisiva

 

A Series of Unfortunate Events - Film - Poster 1

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One comment on “Lemony Snicket’s: Uma Série de Desgraças (2004)

  1. […] 2004 surgiu o filme com Jim Carrey (já aqui visto), que foi uma adaptação muito […]

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