Michael Cimino – RIP (1939-2016)

BERLIN FILM FESTIVAL,CIMINO
Mais um Long Goodbye em Cinema.

Agora a Michael Cimino.

Um realizador de carreira curta (por forças adversas) que tem dois títulos associados a ele – um pela positiva (que lhe abriu portas e suscitou expectativas como um novo Boy Wonder de Hollywood), outro pela negativa (que lhe deu má reputação e destruiu a carreira).

“The Deer Hunter” (sucesso, Oscars e prestígio) e “Heaven`s Gate” (giga flop e ruína) são os filmes mais conhecidos de Cimino.

 

Nascido em Nova Iorque, filho de um editor de música e de uma designer de roupa, Cimino estuda arquitectura e pintura.

O seu trabalho no audiovisual começa no campo da publicidade para marcas como United Airlines, Kool, Kodak e Pepsi.

Muda-se para Los Angeles e trabalha como argumentista.

 

Ainda que sem direito a crédito, Cimino participa no argumento de “Silent Running” (de Douglas Trumbull, com Bruce Dern).

Assina o argumento (na companhia de John Milius) de “Magnum Force” (o segundo episódio da saga “Dirty Harry”).

Capta a atenção de Clint Eastwood (o rosto de Harry), que lhe patrocina o seu filme de estreia, em 1974 – “Thunderbolt & Lightfoot” divertida e humana comédia sobre golpadas, com Clint e Jeff Bridges (que recebe uma nomeação ao Oscar como “Melhor Actor Secundário”). Cimino assina argumento e realização e o filme é um sucesso (de público e crítica).
PBDMICI EC001

Em 1978, Cimino assina o seu filme maior – “The Deer Hunter”, com Robert De Niro, John Cazale, Meryl Streep e Christopher Walken. Retrato duro, doloroso e incómodo sobre o impacto da Guerra do Vietname na sociedade civil. Imenso sucesso e Oscars (“Melhor Filme”, “Melhor Realizador”, “Melhor Actor Secundário”).

Cimino parecia ser um novo Boy Wonder em Hollywood e muitas portas estavam abertas, bem como imensos projectos e convites.

 

Em 1980 dá-se o desaire.

Cimino aproveita a posição que tinha e faz o seu filme mais pessoal – “Heaven`s Gate”, um épico sobre a formação dos USA (e bem actual, nos dias de hoje, dada a forma como a aborda a imigração).

Generoso orçamento (44 milhões de Dólares – uma megalomania para a época) e um elenco fabuloso (Kris Kristofferson, Isabelle Huppert, Jeff Bridges, Christopher Walken, John Hurt, Sam Waterston, Brad Dourif, Joseph Cotten).

Mas o filme falha (tremendamente) – menos de 4 milhões de Dólares nas bilheteiras.

O filme é também retalhado pelo estúdio e só muito tempo depois surge o Director`s Cut (de três horas e meia).

Tal (re)descoberta (re)valoriza o filme – é considerado como uma obra-prima e a obra máxima de Cimino (alguém escreveu que o filme era “como se David Lean realizasse um Western”).

 

Com tal azar, Cimino é posto à margem do sistema (o flop do filme levou à falência da United Artists).

Cimino vê cancelado o seu projecto de adaptar “Crime and Punishment”, biopics sobre Dostoievsky, Janis Joplin e Legs Diamond, bem como filmes para o qual tinha sido convidado – “The Bounty,” “Footloose,” “The Pope of Greenwich Village” e “Born on the Fourth of July.”

 

Só em 1985 é que Cimino volta ao activo.

Dino de Laurentiis chama-o para a adaptação (na companhia de Oliver Stone) do livro de Robert Daley, “Year of the Dragon”, para o Verão de 1985.

Com Mickey Rourke, John Lone e Ariane, o filme é um implacável policial urbano sobre as Tríadas a operar nos USA (principalmente Nova Iorque) e o racismo. O filme recebe excelentes críticas (hoje é mesmo considerado como um dos melhores policiais dos 80s e de sempre), mas falha nas bilheteiras.

 

Igual sorte tem o seu filme seguinte, “The Sicilian” (com Christopher Lambert), que adapta o livro de Mario Puzo. A crítica não reage de forma elogiosa, fazendo (excessivas) comparações com “The Godfather” (tirando o facto de ser baseado num romance do mesmo escritor e ser sobre a Máfia italiana, não vejo por onde mais comparar). Há uns anos surgiu um Director`s Cut (de duas horas e meia), que permitiu uma (re)valorização (justa) do filme.

 

Em 1990 Cimino assina o remake de “Desperate Hours” (o original era de William Wyler, com Humphrey Bogart, Fredric March, Arthur Kennedy e Martha Scott), com Mickey Rourke (o seu reencontro com Cimino, depois de “Year of the Dragon”), Anthony Hopkins, Mimi Rogers, e Kelly Lynch. Mais uma vez, flop – crítico e público.

 

1996 traz “Sunchaser”, com Woody Harrelson,mas o filme é recebido (e distribuído) com a maior das indiferenças.

Michael Cimino - Photo 6

Afastado do Cinema há anos, Cimino dedicou-se à escrita (tinha já dois livros escritos e um terceiro planeado) e a lectures sobre escrita, realização e Cinema.

 

Um dia disse:

I don’t make movies intellectually, I don’t make movies to make a point, I make movies to tell stories about people.

 

Cimino cita como influências cinematográficas grandes cineastas como Clint Eastwood, John Ford, Luchino Visconti e Akira Kurosawa.

A nível literário, cita Vladimir Nabokov, Alexander Pushkin, Leo Tolstoy, Gore Vidal, Raymond Carver, Cormac McCarthy, Frank Norris e Steven Pinker.

 

A viver há vários anos em França, Cimino foi condecorado como “Chevalier des Arts et des Lettre”.

 

Cimino tinha reputação de ser perfeccionista.

No planeamento visual (a sua formação artística era determinante), na direcção de actores (Robert De Niro, Christopher Walken, Kris Kristofferson, Mickey Rourke, Christopher Lambert tiveram com Cimino algumas das melhores performances das suas carreiras), no desenvolvimento da produção e na elaboração dos argumentos.

 

Por esses elementos e pela qualidade da sua filmografia (ainda que pequena – apenas em número de filmes), Cimino é, sem dúvida, um nome relevante do Cinema, no final do Século XX.

 

Alguns dos seus filmes têm sido alvo de (re)descoberta e (re)valorização.

Ainda bem.

 

Goodbye Michael.

Ficam os filmes, como “pequenas” lições de como fazer (grande) Cinema.

 

Evocação

 

 

A recepção do Oscar

 

 

Trailers de alguns dos seus filmes

 

Thunderbolt and Lightfoot

 

The Deer Hunter

 

Heaven`s Gate

 

Year of the Dragon

 

Desperate Hours

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s