O Denunciante (1962)

Le Doulos - Poster 1
Título Original – Le Doulos

 

Um bravo momento do Polar, assinado pelo seu Maître – Jean-Pierre Melville.

Jean-Paul Belmondo protagoniza.

 

Maurice Faugel concluiu a sua pena.

Um dos seus primeiros passos é matar um dos culpados pela sua prisão.

O passo seguinte é dar uma nova golpada.

Para o ajudar está o seu amigo Silien.

Mas este é um informador da Polícia.

Le Doulos - screenshot 2

“Morrer… ou Mentir?” – é a pergunta que o filme faz, logo no início.

 

É com essa dúvida/moral/conduta que se guiam os personagens do filme.

Morrer pela Verdade ou (Sobre)Viver na Mentira.

Le Doulos - screenshot 15

Le Doulos - screenshot 11

Crónica noir e trágica sobre a lealdade e a amizade, à volta de mentiras e verdades, bem como todo o sacrifício para as criar e proteger.

 

Há uma golpada, sim, mas o filme dá mais relevo a todo este jogo de identidades, verdades e mentiras, condutas e morais.

Le Doulos - screenshot 8

Le Doulos - screenshot 9

Excelente fotografia (atente-se aos interiores, às sombras, às cenas nocturnas pela cidade).

 

Jean-Paul Belmondo em grande forma, pleno de carisma, ironia e simpatia, mas com um violento e rude dark side (vejam-no como trata uma mulher, para lhe sacar informações).

 

Jean-Pierre Melville dirige no seu estilo habitual – calmo, estilizado (veja-se a conversa na esquadra, num admirável plano-sequência de quase 10 minutos), atento aos ambientes e aos personagens.

Le Doulos - screenshot 13

MCDLEDO EC001

Le Doulos - screenshot 10

Le Doulos - screenshot 7

Um clássico. Do Cinema de Melville, do Polar e do Cinema.

 

Obrigatório.

 

“Le Doulos” não tem edição portuguesa. Mas pode ser encontrado noutros mercados, a bom preço. A edição que se recomenda é a da Criterion Collection, plena de extras bem cinéfilos. Mas, como sempre, há um preço a pagar.

Le Doulos - screenshot 1

MCDLEDO EC007

Le Doulos - screenshot 17

 

Realizador: Jean-Pierre Melville

Argumentista: Jean-Pierre Melville, baseado no romance de Pierre Lesou

Elenco: Jean-Paul Belmondo, Serge Reggiani, Jean Desailly

 

Bilheteira – 1.4 Milhões de Espectadores em França

 

Le Doulos - Poster 2

 

Trailer

 

Le Doulos - screenshot 6

Na gíria, “Le Doulos” refere-se a um determinado tipo de chapéu. Mas na gíria criminal/policial, “Le Doulos” significa “aquele que traz um chapéu” ou “denunciante”.

 

Melville era grande fã do livro de Lesou e há muito que o queria adaptar.

Melville escreveu a adaptação do livro em 8 dias.

Segundo Lesou, o seu livro era um “documentário” sobre o meio e Montmartre; para Melville, o filme é um “western urbano”.

Le Doulos - screenshot 14

Melville queria fazer uma homenagem ao Film Noir americano, do qual era grande fã.

Segundo Melville, “Le Doulos” é um filme onde todos os personagens têm duas caras e todos são falsos. Melville encara o filme como uma tragédia Shakesperiana e como uma história sobre o fim de uma amizade.

O produtor Georges de Beauregard deu total liberdade a Melville. Mas só impôs duas condições – o filme tinha de ser Polar e a sua produção deveria ser rápida.

 

Serge Reggiani foi sempre pretendido por Melville. O cineasta ficou muito impressionado pelo trabalho do actor em “Casque d’Or” (1952, de Jacques Becker, com Simone Signoret) e “Napoléon” (1955, de Sacha Guitry).

Reggiani e Melville reencontrar-se-iam em “L’ Armée des Ombres” (1969, com Lino Ventura, Paul Meurisse, Jean-Pierre Cassel e Simone Signoret).

Volker Schlöndorff é o assistente de Melville. Schlöndorff tornar-se-ia realizador, e um dos mais importante da cinematografia alemã, nos 70s. Melville e Schlöndorff iniciaram parceria em “Leon Morin, Prêtre” (1961, também com Belmondo, ao lado de Emmanuelle Riva).

Melville e Belmondo reencontrar-se-iam em “L’ Ainé des Ferchaux” (1963).

Le Doulos - Poster 4

O filme foi um enorme sucesso por parte da crítica. O sucesso público foi mais moderado. A passagem do tempo foi-lhe favorável – é reconhecido como um dos maiores filmes de Melville e do género.

É o gangster film favorito de Martin Scorsese.

É o argumento favorito de Quentin Tarantino, que se inspirou nele para o de “Reservoir Dogs”.

Em “36, Quai des Orfèvres” (2004, de Olivier Marchal, com Daniel Auteuil, Gérard Depardieu, André Dussollier e Valeria Golino), há um personagem de nome Silien. É um informador da Polícia. É a homenagem de Marchal ao filme de Melville.

“Le Doulos” está na posição 472 nos “500 Melhores Filmes de Sempre”, pela Empire.

 

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