A Arma da Justiça (1976)

Police Python 357 - Poster 1
Título Original – Police Python 357

 

O Polar foi sempre um género favorito do cinema francês.

De longe a longe vai sofrendo uma renovação.

Alain Corneau é um nome marcante no género e renovador dele nos 70s e 80s.

Eis um dos seus melhores títulos.

 

Um rigoroso inspector da polícia vê-se envolvido com uma misteriosa mulher. Ela está presa a um outro relacionamento, “por acaso” o chefe do dito inspector.

Ela é assassinada, o assassino é o seu amante.

O inspector é chamado para investigar e descobre que o principal suspeito é ele próprio. Como evitar ser descoberto e descobrir o verdadeiro culpado?

Police Python 357 - screenshot 1

Police Python 357 - screenshot 4

Police Python 357 - screenshot 2

Engenhoso policial, à volta do tema do falso culpado (aqui é um polícia), enredado num duplo triângulo amoroso.

A trama do mistério whodunit é a que prevalece, sabemos quem é o criminoso e que o protagonista é inocente, mas queremos saber como é que ele se salva daquela trapalhada.

Mas a trama secundária não é isenta de interesse e até possui uma certa ironia (é a esposa do assassino, sabendo do seu affaire e crime, que o ajuda a desenvencilhar).

Por outro lado, a narrativa também ilustra um “duelo” entre novato e veterano – o protagonista faz equipa com um agente mais novo, que se revela bem sagaz. Tal situação aumenta ainda mais o cerco sobre o protagonista, levando-o a um maior desespero na procura por uma saída.

 

Para complicar tudo, surgem um par de twists no final.

Police Python 357 - screenshot 11

Police Python 357 - screenshot 7

Police Python 357 - screenshot 6

Yves Montand sai-se muito bem como um polícia que deve investigar-se e fugir a si próprio. Yves mostra-se também muito rápido a sacar a sua 357.

François Perier cria um vilão verdadeiramente imoral e condenável.

 

Alain Corneau dirige com calma e atenção ao detalhe, embora o ritmo possa parecer (demasiado) moroso para os padrões de hoje.

Police Python 357 - screenshot 8

Sob a máscara de policial, “Police Python 357” acaba por ser uma tragédia sobre conflitos sentimentais (a envolver gente da polícia), o crime pela mentira e a justiça pela verdade.

 

Já algo datado, mas é um bom exemplar do Polar à 70s.

 

Recomendável.

Police Python 357 - screenshot 12

“Police Python 357” não tem edição portuguesa, mas pode ser adquirido no mercado francês. Os extras são bons e a edição anda a preço jeitoso.

 

OBS.:

O filme adapta o romance de Kenneth Fearing.

Tal romance já tinha sido adaptado em 1948 por John Farrow – “The Big Clock”, com Ray Milland, Charles Laughton, Maureen O’Sullivan, George Macready, Elsa Lanchester e Harry Morgan. Um trepidante suspense thriller aqui evocado.

Em 1987, o livro de Fearing é alvo de uma nova adaptação – “No Way Out”, de Roger Donaldson, com Kevin Costner, Gene Hackman, Sean Young, Will Patton e George Dzundza. Thriller bem sinuoso e cheio de surpresas.

O filme de Corneau faz boa figura perante a “concorrência”. Não é tão trepidante como os seus “rivais” americanos, mas faz uma correcta adaptação ao Polar, à cultura francesa, com variantes psicológicas e sentimentais muito interessantes.

Os filmes de Corneau e Donaldson não se podem considerar como remakes de “The Big Clock”, mas como novas adaptações do romance de Fearing.

POLICE PYTHON 357

 

Realizador: Alain Corneau

Argumentistas: Daniel Boulanger, Alain Corneau, a partir do romance de Kenneth Fearing

Elenco: Yves Montand, François Périer, Simone Signoret, Stefania Sandrelli, Mathieu Carrière

 

Trailer

https://www.youtube.com/watch?v=m6ElI4uz5gE

 

O tema de Georges Delerue

 

Police Python 357 - screenshot 9

“Melhor Montagem”, nos César 1977.

“Melhor Actor” (Yves Montand), no Festival de Taormina 1976.

Police Python 357 - screenshot 10

Na altura, houve quem visse em Alain Corneau como o herdeiro de Jean-Pierre Melville (o grande Mestre do Polar).

François Périer era um actor-fetiche de Jean-Pierre Melville.

Police Python 357 - backstage

O argumento demorou dois anos a ser elaborado e teve sempre em mente Yves Montand e Simone Signoret.

Montand e Signoret já eram marido e mulher desde 1952. Este filme era o quarto encontro cinematográfico de ambos, depois de “Les Sorcières de Salem” (1956, de Raymond Rouleau), “Compartiment Tueurs” (1965, de Costa-Gavras, “Paris brûle-t-il ?” (1966, de René Clément) e “L’Aveu” (1969, de Costa-Gavras).

Primeira de três colaborações entre Montand e Alain Corneau – seguir-se-iam “La Menace” (1977) e “Le Choix des Armes” (1981).

Montand e François Périer já se tinham trabalhado juntos e voltariam a fazê-lo.

 

Filmado na povoação de Orléans, cidade onde Alain Corneau passou a sua infância.

 

O filme foi um enorme sucesso em França, totalizando quase 1 milhão e meio de espectadores, sendo um dos 20 maiores sucessos do ano.

 

Police Python 357 era a arma que na época equipava a polícia americana.

Police Python 357 - Gun - 2

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