O Buraco (1960)

Le Trou - Poster 1
Título Original – Le Trou

 

As prisões são sempre boa matéria para filmes.

Seja para a denúncia, seja para palpitantes prison-breaks.

É o caso deste “Le Trou”.

 

França, 1947. Prisão de La Santé Prison.

Cinco presidiários, companheiros da mesma cela, planeiam uma elaborada fuga.

Mais do que vencer os obstáculos e desviar as atenções dos guardas, o grupo tem é de superar as tensões e desconfianças existentes entre eles.

Le Trou - screenshot 1

Le Trou - screenshot 2

Relato íntimo e minucioso do planeamento e execução de uma fuga de prisão, onde se dá relevo ao código de conduta, relações, tensões e psicologia dos cinco reclusos protagonistas.

 

Igualmente notável é a permanente sensação de claustrofobia (o filme passa-se sempre numa exígua cela e em apertados túneis).

 

Final surpreendente, deixando muitas reflexões ao espectador.

Le Trou - screenshot 10

Le Trou - screenshot 9

Jacques Becker dirige com grande mestria, sempre atento ao detalhe, sem esquecer os personagens, nunca descurando emoções e sentido de Cinema (vejam-se os longos planos das escavações; o suspense gerado com a chegada dos guardas nos momentos de escavação, os primeiros “passeios” pela zona de fuga).

 

Excelente prestação do elenco, mostrando uma naturalidade de grande convicção.

Le Trou - screenshot 5

Obra-prima absoluta de Cinema.

Un classique.

E é já um dos meus filmes preferidos.

Le Trou - screenshot 6

“Le Trou” não tem edição portuguesa.

A edição da Criterion Collection tem novo master de som e imagem, com o director`s cut. Como sempre, o preço é alto. Não há extras.

As edições francesas têm vários cuts, mas têm bons extras. Os preços andam mais jeitosos.

Le Trou - screenshot 7

 

Realizador: Jacques Becker

Argumentistas: Jacques Becker, José Giovanni, Jean Aurel, a partir do livro de José Giovanni

Elenco: Michel Constantin, Jean Keraudy, Philippe Leroy, Raymond Meunier, Marc Michel, Jean-Paul Coquelin, André Bervil, Eddy Rasimi, Catherine Spaak

 

Le Trou - screenshot 8

 

Trailer

 

Le Trou - screenshot 12

Esteve nomeado para “Melhor Filme”, nos BAFTA 1962. Perdeu para “The Hustler”. Philippe Leroy tentou ser o “Melhor Actor Estrangeiro”, mas foi derrotado por Paul Newman em “The Hustler”.

Esteve nomeado para a “Palm d`Or”, em Cannes 1960. “La Dolce Vita” (de Fellini) foi o vencedor.

“Melhor Filme”, pelos críticos franceses de Cinema 1961.

“Diploma de Mérito – Realizador Estrangeiro”, nos Prémios Jussi 1962.

Le Trou - screenshot 11

José Giovanni usou a sua experiência como ex-recluso para a escrita do livro (foi o seu primeiro romance).

 

A prisão “La Santé” foi recriada ao mais ínfimo detalhe.

Jacques Becker contou com a ajuda de três dos elementos da fuga original.

Becker não quis usar actores profissionais, para assim conseguir uma maior autenticidade dos seus protagonistas. Um dos “actores” (Jean Keraudy) foi um dos presos que a história aborda.

Filmado em 10 semanas.

Jacques Becker faleceria duas semanas depois de ter terminado as filmagens.

Le Trou - screenshot 4

O filme não tem música.

O som é directo, o captado em cena.

A montagem final foi de acordo com as anotações e vontade de Becker. Contudo, o produtor reduziu alguma da metragem em certa de 24 minutos, acreditando que tal favoreceria o filme nas bilheteiras.

 

Catherine Spaak tem uma pequena aparição, mas o seu nome não recebe crédito. Catherine mereceu atenção por parte de um jornalista televisivo, para uma entrevista. Sophia Loren viu essa entrevista e ficou encantada com ela, tendo-a chamado para participar em “I Dolci Inganni” (1960), produzido pelo marido Carlo Ponti.

 

Becker teve um par de flops (“Antoine et Antoinette” em 1947, “Edouard et Caroline” em 1951), o que o obrigou a fazer um par de filmes mais condescendentes com o público e os produtores, trabalhando com grandes estrelas do cinema francês (Fernandel em “Ali Baba et les 40 Voleurs” de 1954, Robert Lamoureux em “Les Aventures d’Arsène Lupin” de 1957, Gérard Philipe em “Montparnasse 19” de 1958). Com a chegada da Nouvelle Vague, Becker retoma o seu gosto por um cinema liberal, longe das obrigações financeiras.

O filme foi um flop na época da estreia. Criticou-se Becker por ser um apologista dos criminosos. A fase da Nouvelle Vague reavaliaria o filme. François Truffaut considera o filme como poético.

Jean-Pierre Melville considera “Le Trou” como um dos maiores filmes franceses de sempre, até mesmo como o mais belo.

Está na lista dos “1001 Filmes a Ver antes de Morrer”, segundo Steven Schneider.

 

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